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Publicada a 2ª versão do Documento de Posição da GFSI sobre Cultura de Segurança de Alimentos

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Lá em 2018 abordamos em um post a 1ª edição deste documento, traduzido por voluntário (veja aqui). Agora, no dia 26/03/26 (bem fresquinho!), a GFSI refina o arcabouço global para a cultura de segurança de alimentos ao incorporar as pesquisas acadêmicas mais recentes e o feedback dos stakeholders desde 2018, após a ampliação da compreensão de como a cultura organizacional interage com os sistemas de segurança de alimentos, reforçando-os mutuamente.

Isso não significa que todo o valioso trabalho do grupo técnico que apoiou o documento de 2018 tenha sido descartado. Em vez disso, esta edição representa uma evolução conceitual para definir e descrever a cultura de segurança de alimentos e as suas dimensões.

Ele esclarece o papel da GFSI como uma entidade de benchmarking que define “o quê” — os principais pontos de referência conceituais e dimensões que permitem o alinhamento global, enquanto deixa o “como” — as ferramentas específicas e métodos de implementação para especialistas do setor, responsáveis pelas normas reconhecidas e empresas individuais, ou seja, se concentra mais claramente na definição da estrutura central do tema e avalia se os conceitos e dimensões fundamentais permanecem válidos e relevantes, ao invés de prescrever abordagens de implementação.

Nesta atualização, o que antes era uma ideia emergente passou a ser reconhecido como um fator crítico que influencia o desempenho em segurança de alimentos, o comportamento organizacional e a proteção do consumidor. Em organizações de alto desempenho, sistemas e cultura operam em conjunto para sustentar os resultados em segurança de alimentos, ou seja, buscar preencher a lacuna entre a teoria e as exigências da prática, que possa ser usada para transformar a intenção cultural em um desempenho consistente e mensurável.

O objetivo é apoiar o alinhamento contínuo e melhorar os resultados de segurança de alimentos em todo o mundo. A quem se destina? Líderes sêniores, gestores de instalações, auditores, formadores e reguladores que necessitam de um ponto de referência comum e de um vocabulário partilhado. O que não faz? Não prescreve ferramentas de implementação, diagnósticos, modelos de maturidade ou intervenções — esses aspectos permanecem fora do escopo do Documento de Posicionamento e, portanto, do Guia.

Inicia com a nova definição sobre a Cultura de Segurança de Alimentos: “um conceito presente em todas as empresas do setor alimentício, relacionado às crenças, comportamentos, valores e pressupostos profundamente enraizados, aprendidos e compartilhados por todos os funcionários, e que se integram para impactar o desempenho da organização em segurança de alimentos.”  É visto como uma roda de dimensões interativas, organizadas em dois níveis interdependentes, conforme as figuras a seguir (estrutura dimensional do modelo evoluído):

Essa abordagem de dupla camada reconhece que a maturidade da cultura de segurança de alimentos não se expressa apenas por meio de aspectos da cultura organizacional, como visão e liderança, mas também se concretiza por meio da eficácia dos comportamentos operacionais de segurança de alimentos, incluindo as respostas à mudança.

A iniciativa reconhece que a cultura não é um conceito “abstrato”, mas sim um determinante crucial dos resultados em segurança de alimentos. Com base em mais de 180 fontes — incluindo estudos empíricos, teoria comportamental, pesquisa organizacional e normas da indústria — esta edição propõe um modelo revisado de cinco dimensões para a cultura de segurança de alimentos. Essas dimensões são organizadas em dois níveis, refletindo a distinção entre os fatores fundamentais da cultura organizacional e as manifestações culturais na prática de segurança de alimentos. Não é meramente produto de liderança ou treinamento, mas sim uma estrutura integrada de valores compartilhados, comportamentos, consciência de riscos e aprendizado organizacional. Para ser eficaz, a cultura deve ser mensurável, acionável e continuamente aprimorada. A literatura destaca ainda a interação dinâmica entre sistemas formais (como HACCP e SGSA) e elementos culturais informais (incluindo o tom da liderança, o empoderamento dos funcionários e a consistência comportamental).

A nova estrutura dimensional circular enfatiza a interação entre todas as dimensões e seus componentes críticos, além de demonstrar o foco fundamental das dimensões Pessoas e Valores da Empresa, Visão e Missão no suporte às demais dimensões. Há uma carência de pesquisas sobre as dimensões Consistência, Adaptabilidade e Melhoria Contínua na literatura sobre cultura de segurança de alimentos. Dentro destes pilares há alguns fundamentos bem demarcados, também chamados de áreas temáticas, tais como:

– a equipe de lideranças de todas as organizações, que dependendo da natureza do negócio pode incluir o proprietário e o conselho de administração, estabelece os valores, a visão e o propósito da organização. Esses valores fundamentais transcendem todos os aspectos do negócio e norteiam a cultura de segurança de alimentos;

– a coordenação consiste no alinhamento de funções, responsabilidades e comunicação entre departamentos, turnos e locais para promover resultados de segurança. O alinhamento de objetivos entre os departamentos é fundamental e é fomentado por meio de sessões colaborativas, equipes de projeto multifuncionais e comunicação eficaz. É importante ressaltar que a coordenação com as estruturas de governança de segurança de alimentos internas e externas e a integração com os parceiros da cadeia de suprimentos também contribuem para esse componente crítico;

– os membros da equipe precisam ser responsabilizados pelos resultados em segurança de alimentos que estejam dentro de suas atribuições. Isso requer coordenação, comunicação e treinamento eficazes para gerar o entendimento e o comprometimento necessários, bem como a conscientização sobre as pressões do trabalho e os recursos disponíveis dentro da organização;

– a pressão no trabalho pode ser gerenciada por meio de planejamento, programação da produção e garantia de recursos adequados em todos os momentos, incluindo pessoal, equipamentos, ingredientes e materiais. É necessário considerar o impacto de fatores externos, como auditorias e visitas externas, sobre a carga de trabalho e a pressão no trabalho, e elaborar planos para superar desafios e obstáculos;

– a comunicação precisa ser aberta, proativa e bidirecional, com a verificação do entendimento por meio de feedbacks bidirecionais como parte integrante do processo. É importante considerar a linguagem, o uso de ferramentas e materiais apropriados, os canais de comunicação adequados e como superar as barreiras de comunicação e estabelecer confiança. Para garantir uma comunicação eficaz, de cima para baixo, de baixo para cima e em toda a organização, a comunicação precisa ser planejada e estruturada, assim como os métodos e canais de comunicação com as partes interessadas externas;

– os esforços em treinamento e capacitação são essenciais para apoiar tanto a cultura organizacional quanto as iniciativas do SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos). Intervenções de treinamento específicas precisam ser planejadas de forma eficaz para atender às necessidades dos grupos de participantes, evitando-se abordagens genéricas;

atitudes positivas em relação à segurança de alimentos e uma cultura de segurança de alimentos são importantes, e é necessário evitar discrepâncias entre atitudes e comportamentos. Intervenções na cultura de segurança de alimentos e treinamentos em segurança de alimentos podem ter efeitos positivos sobre atitudes e comportamentos, mas todas as intervenções devem ser monitoradas para comprovar sua eficácia. O envolvimento contínuo é necessário para um engajamento sustentado e consistente e para impulsionar a mudança na cultura interna;

– a colaboração e o trabalho em equipe são importantes para a cultura de segurança de alimentos, e foi relatado que um influencia o outro. As organizações precisam desenvolver planos para fortalecer o trabalho em equipe e a colaboração por meio de iniciativas de gestão e cultura de segurança de alimentos. O aprendizado baseado em equipes e métodos participativos pode ajudar a incutir um melhor trabalho em equipe e colaboração com outros componentes críticos da cultura de segurança de alimentos em todas as dimensões, como Treinamento e Conhecimento, Comunicação e Coordenação, Comportamento e Atitude, Reconhecimento e Empoderamento, Conscientização de Riscos e compreensão das Pressões no Trabalho, o que contribui para um ambiente propício ao trabalho em equipe e à colaboração eficazes;

– o reconhecimento e o empoderamento são fatores positivos que impactam o desenvolvimento da cultura de segurança de alimentos, e abordagens como treinamento e participação de funcionários/equipes têm sido destacadas como importantes. Algumas ferramentas estão disponíveis para auxiliar na compreensão do nível atual de autonomia, de modo que estratégias para aumentar o empoderamento possam ser desenvolvidas. Promover um diálogo seguro e aberto e reconhecer os funcionários que se destacam são fundamentais para a construção de equipes mais empoderadas;

– a conscientização sobre riscos é fundamental tanto para o controle eficaz dos perigos à segurança de alimentos por meio de sistemas e programas de gestão da segurança de alimentos, quanto para o desenvolvimento de uma cultura de segurança de alimentos madura, podendo inclusive ser o resultado dela. As organizações precisam tomar medidas para avaliar o nível de conscientização sobre riscos em seus funcionários e aplicar ferramentas adequadas de educação e comunicação para manter e aumentar essa conscientização, de acordo com o setor de produtos em que atuam;

– o SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos) precisa ser bem projetado, desenvolvido, implementado e mantido de forma eficaz. A importância da interação entre o SGSA e a cultura de segurança de alimentos tem sido mais bem compreendida à medida que mais pesquisas e estudos sobre as dimensões culturais têm sido realizados. Dar ênfase ao planejamento de como as abordagens se apoiarão mutuamente em qualquer projeto ou ciclo de melhoria permitirá a tomada de ações apropriadas;

– os comportamentos consistentes e corretos em matéria de segurança de alimentos são essenciais em todos os níveis. Outros aspetos importantes incluem a medição do desempenho, a documentação e os sistemas de registro e sua utilização na análise de tendências. A medição de desempenho, por exemplo, por meio do monitoramento de PCCs (Pontos Críticos de Controle), permite que a empresa verifique se está atendendo aos requisitos de segurança de alimentos definidos, além de reconhecer o bom desempenho e identificar problemas. As métricas precisam ser escolhidas  cuidadosamente e normalmente incluem medidas reativas (de resultado) e proativas (de previsão);

– o ambiente de trabalho precisa atender a um bom padrão de higiene, com instalações e acabamentos que promovam práticas de segurança de alimentos e permitam que os funcionários desempenhem suas funções de forma eficaz e confortável. A literatura confirma que o ambiente impacta comportamentos, conformidade e cultura, e a falta de boas práticas ambientais tem sido associada a surtos de doenças transmitidas por alimentos. No contexto da adaptabilidade, da mudança e da melhoria contínua, a qualidade do ambiente de trabalho, incluindo acabamentos, ferramentas, equipamentos e serviços necessários para a segurança de alimentos, é fundamental não apenas para o cumprimento dos requisitos de segurança de alimentos, mas também para gerar uma cultura de melhoria contínua;

– o componente crítico de Adaptabilidade e Melhoria Contínua pode ser subdividido em vários tópicos essenciais. Agilidade e Adaptabilidade são conceitos interligados; agilidade é a capacidade de reagir, mover-se e mudar de forma rápida e fácil em resposta a um estímulo, enquanto adaptabilidade diz respeito à consideração de todas as opções e oportunidades e ao planejamento do caminho a seguir. Ambos são importantes para a capacidade de uma organização responder e se adaptar às mudanças de circunstâncias, e essa capacidade pode impactar a cultura de segurança de alimentos.

Com isto, a cultura de segurança de alimentos existe em um espectro de maturidade, que varia de mais fraca a mais forte, e isso tem sido descrito como de negativo para positivo, menos maduro para mais maduro ou reativo para proativo. Independentemente do sistema ou escala de medição utilizada, é importante poder traçar o perfil da cultura existente de uma organização para entender onde residem os pontos fortes e fracos em todas as dimensões e para desenvolver um programa de intervenções para fortalecer a cultura de segurança de alimentos na empresa.

É sobre agir. Cabe a nós aplicar modelos de maturidade, usar instrumentos certos e avaliar com profundidade — para identificar onde realmente estamos e, principalmente, onde precisamos evoluir com urgência.

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Food Defense: conceito, contexto e estrutura do programa

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A Food Defense (Defesa de Alimentos) consiste no conjunto de estratégias, políticas e controles que protegem os alimentos contra contaminações intencionais ao longo da cadeia produtiva. Diferentemente da segurança de alimentos tradicional, que previne perigos acidentais, a Food Defense atua especificamente na prevenção de atos deliberados, como sabotagem e adulterações maliciosas.

Nesse contexto, a crescente complexidade das cadeias globais de suprimento ampliou significativamente a exposição das indústrias a ameaças intencionais. Além disso, o elevado número de pessoas envolvidas nos processos produtivos e a interdependência logística internacional aumentam os pontos de vulnerabilidade. Diante desse cenário, normas e esquemas de certificação passaram a incorporar requisitos formais de defesa alimentar. A FSSC 22000, por exemplo, exige avaliação estruturada de ameaças e vulnerabilidades. Da mesma forma, a ISO 22000 reforça a aplicação do pensamento baseado em risco.

É importante destacar, entretanto, que Food Defense não se confunde com Food Safety ou Food Fraud. Enquanto Food Safety trata de perigos não intencionais, Food Fraud envolve motivação econômica. Por outro lado, Food Defense concentra-se exclusivamente em ações deliberadas destinadas a causar dano. Portanto, embora distintos, esses pilares devem atuar de maneira integrada dentro do sistema de gestão.

A implementação de um programa eficaz começa com a avaliação de ameaças e vulnerabilidades. Inicialmente, a equipe deve mapear processos e identificar pontos críticos. Em seguida, deve analisar onde um agente poderia introduzir deliberadamente um contaminante. Áreas como recebimento, reservatórios e expedição merecem atenção especial. Consequentemente, a organização pode priorizar controles com base em matrizes de risco que considerem probabilidade, severidade e capacidade de detecção.

Implementação prática e cultura organizacional

Após identificar vulnerabilidades, a empresa deve aplicar medidas proporcionais ao risco. Entre essas medidas, destacam-se o controle rigoroso de acesso e o monitoramento por câmeras. Além disso, a restrição de circulação em áreas críticas reduz oportunidades de interferência maliciosa. Paralelamente, a proteção de sistemas informatizados torna-se essencial, especialmente em ambientes altamente digitalizados.

Contudo, controles físicos isoladamente não garantem eficácia. Na prática, o fator humano exerce influência decisiva. Por essa razão, a empresa deve promover treinamentos periódicos e incentivar a comunicação interna. Quando a liderança demonstra comprometimento, fortalece-se a cultura organizacional voltada à prevenção.

A gestão da cadeia de suprimentos também requer atenção. Primeiramente, a organização deve avaliar fornecedores quanto à confiabilidade. Posteriormente, deve integrar critérios de defesa alimentar aos contratos e auditorias. Assim, toda a cadeia se torna mais resiliente.

A tecnologia, por sua vez, amplia a capacidade de detecção de anomalias. Sistemas digitais, por exemplo,  permitem rastrear lotes em tempo real. Adicionalmente, sensores automatizados identificam desvios operacionais incomuns. Consequentemente, a empresa consegue agir de forma preventiva.

Por fim, um plano estruturado de resposta a incidentes garante agilidade em situações críticas. Caso surja uma suspeita, a organização deve isolar produtos e comunicar autoridades. Dessa forma, reduz impactos à saúde pública e protege sua reputação.

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Por que o monitoramento ambiental é um alerta precoce para fábricas de alimentação animal

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O monitoramento ambiental é essencial na fabricação de alimentos para animais de estimação, pois permite identificar potenciais riscos de contaminação por patógenos como Salmonella e Listeria monocytogenes. Ele funciona como uma verificação contínua da eficácia dos controles de patógenos implementados na unidade, contribuindo para a segurança do produto, a proteção da marca e a preservação da saúde das pessoas.

Na fabricação de alimentos para animais de estimação, ameaças invisíveis podem se esconder da vista de todos. Por exemplo, a poeira de um misturador, resíduos em uma esteira transportadora ou umidade perto de uma linha de embalagem podem facilmente criar condições ideais para a persistência de Salmonella e Listeria. Diante desse risco, um programa de monitoramento ambiental, quando implementado adequadamente, atua identificando possíveis fontes de contaminação e mitigando-as de forma proativa, garantindo a segurança dos animais de estimação e das pessoas. Além disso, esse monitoramento contribui para manter a integridade da marca em todos os lotes de produção.

O que significa monitoramento ambiental

Um programa de monitoramento ambiental inclui a coleta de amostras de patógenos e/ou indicadores, conforme apropriado, para detectar riscos nas condições sanitárias dos ambientes de fabricação dos alimentos.

De acordo com o Código de Segurança de Alimentos SQF para Fabricação, o monitoramento ambiental é uma atividade de verificação fundamental que demonstra o controle contínuo do ambiente das instalações. Os dados produzidos ajudam as instalações a avaliar os controles de patógenos, identificar pontos sensíveis e tomar ações corretivas antes que a contaminação atinja o produto acabado.

Por que as fábricas de alimentos para animais enfrentam riscos únicos

Os fabricantes de alimentos para animais de estimação operam em ambientes que combinam processamento de baixa umidade com ingredientes ricos em proteínas, o que cria um cenário desafiador mesmo para instalações bem controladas. Embora a baixa atividade de água seja frequentemente associada à estabilidade, isso não garante por si só a segurança microbiológica. Na prática, a Salmonella pode entrar em um estado de elevada tolerância, dificultando sua inativação térmica e sobrevivendo por meses em frestas de equipamentos, poeira acumulada em cantos ou até ralos de piso. Somado a isso, como muitas linhas de produção incluem etapas de manuseio pós-tratamento térmico — como corte ou embalagem —, as instalações devem redobrar a atenção para evitar a contaminação cruzada. Nesse contexto, um programa eficaz de monitoramento ambiental atua justamente para preencher essa lacuna, oferecendo sinais antecipados de que algo no ambiente mudou e requer intervenção imediata.

Da descoberta à prevenção

Um programa de monitoramento ambiental nunca deve ser interpretado como um teste de “aprovação ou reprovação”. Pelo contrário, encontrar resultados positivos não representa uma falha, mas sim um valioso feedback. Isso porque resultados positivos indicam que o sistema é sensível o suficiente para detectar riscos e que a unidade está tomando decisões com base em dados, e não em suposições.

Diante de um resultado positivo, o objetivo é conduzir uma investigação metódica para:

  1. Identificar onde e por que a contaminação ocorreu;

  2. Expandir a amostragem na zona afetada;

  3. Higienizar e verificar a eficácia das ações;

  4. Analisar os resultados para prevenir recorrências.

Em conjunto, essas ações reforçam a mentalidade de melhoria contínua prevista no Código SQF e fortalecem uma cultura positiva de segurança de alimentos, na qual o foco permanece na prevenção — e não na busca por culpados.

O que os auditores esperam

Os auditores procuram programas que sejam documentados, baseados em riscos e revisados rotineiramente pela gestão da equipe de segurança de alimentos. Além disso, eles esperam ver planos de amostragem que abordem diferentes zonas (de áreas de contato com o produto a áreas sem contato), frequência de testes consistente e tendências de dados ao longo do tempo. Mais do que isso, os auditores buscam evidências de aprendizado, provas de que a unidade age, verifica e se adapta com base nos resultados encontrados no monitoramento ambiental.

Como começar

Independentemente de sua unidade já ter um Programa de Monitoramento Ambiental ou estar apenas desenvolvendo um, o segredo está na estrutura do plano: ter zonas bem definidas, um cronograma de amostragem realista e procedimentos claros de ações corretivas. A consistência gera confiança, tanto na sua equipe quanto no seu auditor e nos seus clientes.

Quer fazer uma autoavaliação e estar preparado para sua próxima auditoria? 

Você tem certeza de que suas práticas de fabricação de alimentos para animais de estimação atendem aos padrões atuais do setor?

O SQF oferece uma ferramenta gratuita para auxiliá-lo nessa avaliação. Preencha o quadro de pontuação gratuito para fabricação de alimentos para animais de estimação para obter uma visão clara da situação atual da sua empresa e do que você deve focar a seguir.

Ao preencher o quadro de pontuação, você:

  • Identifica lacunas ocultas: desde boas práticas de fabricação até preparação para emergências. Você identificará rapidamente as áreas que precisam de atenção para não ser pego de surpresa.
  • Reduz o risco, ganha confiança: uma pontuação alta significa que você está mais bem preparado para proteger a saúde dos animais de estimação, a reputação da sua marca e seus resultados financeiros.
  • Acessa recursos adicionais: depois de preencher o quadro de pontuação, você terá acesso a ferramentas adicionais, como relatórios do setor, listas de verificação e guias, para que você não apenas saiba o que precisa fazer, mas também tenha os recursos para fazê-lo.

Inicie agora a elaboração ou revisão do seu Programa de Monitoramento Ambiental com as dicas deste post!

Este post foi originalmente publicado (em inglês) no blog do SQFI, em novembro de 2025, e teve excelente repercussão. Por isso, preparei esta tradução para disponibilizá-lo também à comunidade brasileira no blog Food Safety Brazil.

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Kosher e halal: semelhanças, diferenças e aspectos culturais

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Os sistemas alimentares kosher (judaico) e halal (islâmico) são dois dos regimes dietéticos religiosos mais difundidos globalmente.

Apesar de compartilharem princípios fundamentais, como pureza, ética e respeito à vida, cada um possui regras, interpretações e implicações culturais distintas. Este artigo busca esclarecer, de modo acessível, suas convergências, diferenças e relevância para segurança dos alimentos.

Alimentação kosher

O público que consome comida kosher é majoritariamente formado por judeus que veem essa prática como parte de sua identidade religiosa, histórica e comunitária. Mesmo aqueles menos religiosos muitas vezes mantêm hábitos kosher como forma de preservar tradições familiares e memória coletiva.

Kosher significa “apropriado”, “correto” ou “adequado” segundo a lei judaica (kashrut). O termo vem do hebraico kasher, que literalmente quer dizer “próprio para o uso”.

Leia também: A alimentação kosher: origem, tradição e certificação

Nas cidades, é comum que esse público se concentre em bairros próximos a sinagogas, escolas judaicas e mercados especializados, locais onde há disponibilidade consistente de produtos com certificação rabínica. Para eles, comer kosher vai além da alimentação: é reafirmar um pertencimento cultural e religioso.

Kosher compreende um conjunto de normas que determinam quais alimentos podem ser consumidos e como devem ser preparados.

As regras têm origem em textos sagrados, principalmente a Torá e o Talmud e são aplicadas por rabinos e entidades certificadoras, que supervisionam a produção e emissão de selos de aprovação como a OU – Orthodox Union, considerada a maior certificadora kosher do mundo; a OK Kosher Certification, que também possui forte atuação internacional, sendo referência em auditorias rigorosas e certificações industriais de grande escala; e a Star-K Kosher Certification, amplamente respeitada por sua expertise técnica, especialmente em setores complexos como produção farmacêutica, tecnologia alimentícia e ingredientes industriais.

Um dos pilares da alimentação kosher é a separação entre carne e leite: não é permitido consumi-los juntos, cozinhá-los na mesma preparação ou usar os mesmos utensílios, panelas ou superfícies. Isso muitas vezes exige que a casa tenha dois conjuntos distintos de utensílios, um para carne e outro para laticínios. Exemplos típicos: cheeseburger é proibido, enquanto peixe com queijo é aceitável (pois peixe não é considerado carne no kashrut).

As normas também regulam quais animais são “puros”: entre mamíferos, apenas os que ruminam e possuem casco fendido como vaca, ovelha ou cabra são permitidos; porco, coelho, camelo, cavalo e outros estão vedados.

Entre aves, são aceitas galinha, pato, peru, ganso; aves de rapina são proibidas. Em peixes, somente aqueles com barbatanas e escamas (salmão, atum, sardinha) são permitidos; frutos do mar e peixes sem escamas são vetados.

O abate ritual (shechitá) exige que um shojet, pessoa treinada conforme a lei judaica, realize o corte de maneira rápida e precisa, seguido da drenagem completa do sangue, algo essencial já que o consumo de sangue é proibido. Também devem ser removidas gordura proibida (chelev) e partes específicas, como nervos. A carne kosher costuma ser salgada e lavada para garantir que não reste sangue.

No caso de alimentos industrializados, a certificação kosher exige que todos os ingredientes sejam permitidos, que não haja risco de contaminação cruzada com substâncias proibidas, e que todo o processo, da matéria-prima ao envase, ocorra sob supervisão rabínica.

O mercado global de alimentos kosher hoje representa várias dezenas de bilhões de dólares por ano. Segundo estimativas recentes, o valor global desse mercado ficou em aproximadamente US$ 41,68 bilhões em 2024 e está projetado para alcançar cerca de US$ 44,56 bilhões em 2025. Essa escala reflete não apenas o consumo tradicional nas comunidades judaicas, mas também a crescente demanda de consumidores não-judeus interessados em padrões de pureza e rastreabilidade.

Alimentação halal

O público da alimentação halal é mais amplo e diverso, formado por muçulmanos de diferentes origens culturais e níveis de observância religiosa, desde praticantes rigorosos até pessoas que seguem as normas mais por tradição ou costume social. Para esses consumidores, o halal é parte integrante do estilo de vida islâmico, ligado à pureza, disciplina espiritual e obediência aos preceitos da Sharia.

“Halal” significa permitido ou lícito, e seu oposto, “haram”, refere-se ao proibido.

Leia também: A alimentação halal: origem, tradição e certificação

As regras determinam que o alimento só pode ser consumido se estiver livre de substâncias consideradas impuras, e se seu preparo e processamento respeitarem os valores e normas islâmicas.

O segmento halal também possui certificações para garantir que alimentos e produtos sigam as normas da lei islâmica (Sharia), que compreendem desde o abate ritual até ingredientes, higienização e ausência de substâncias proibidas, como álcool e derivados de porco.

Entre os certificadores halal mais importantes estão a JAKIM (Department of Islamic Development Malaysia), considerada uma das autoridades mais rigorosas do mundo; o GCC Accreditation Center (GAC), que valida certificadoras para todo o Golfo Árabe; e o Halal Food Authority (HFA), do Reino Unido, reconhecido globalmente por sua atuação em alimentos industrializados e cadeias de produção.

No caso da carne, o animal deve ser apto (por exemplo, bovinos, caprinos, aves, camelo entre outros) e abatido conforme o rito halal (zabiha). O abate exige que um muçulmano treinado faça um corte rápido no pescoço, recitando a invocação “Bismillah, Allahu Akbar”, e que o animal esteja saudável no momento do abate. O sangue deve ser drenado, embora a remoção de nervos ou gorduras proibidas não seja tão rigorosa quanto no kosher.

Além disso, bebidas alcoólicas, sangue, gelatinas de origem suína e ingredientes ou aditivos de procedência duvidosa são vedados. Qualquer contaminação com tais substâncias torna o alimento haram.

Em produtos industrializados, a certificação halal exige controle da cadeia produtiva, desde a matéria-prima até o envase e transporte, garantindo que ingredientes, utensílios, maquinário e manipulação sigam os padrões islâmicos.

Estimativas recentes apontam o tamanho global do mercado de alimentos halal como extremamente expressivo. De acordo com um relatório da IMARC Group, este mercado foi avaliado em cerca de US$ 2,7 trilhões em 2024, refletindo não apenas o consumo dentro das comunidades muçulmanas, mas também a expansão da demanda por alimentos certificados halal em mercados não-muçulmanos, motivada por fatores como preocupação com higiene, rastreabilidade, qualidade e ética na produção de alimentos.

Semelhanças e diferenças

Apesar de suas origens distintas, os sistemas kosher e halal compartilham pontos essenciais: ambos regulam o consumo de carne exigindo abates rituais, proíbem o consumo de sangue e de carne suína, e exigem certificações que atestem conformidade com normas religiosas.

Além disso, ambos incluem controles rigorosos quando se trata de alimentos industrializados, visando evitar contaminação e assegurar pureza.

Contudo, há diferenças profundas que tornam os dois sistemas não completamente equivalentes. O kosher impõe regras adicionais, como a separação entre carne e leite, a proibição de frutos do mar e a proibição de certas partes do animal. Já o halal costuma ser mais flexível nesses aspectos, mas exige a invocação do nome de Deus no abate e veta álcool e derivados.

A distinção entre utensílios e a complexidade de preparo variam bastante de um sistema para o outro, como indicado na tabela:

Tabela Comparativa: Kosher x Halal

KOSHER HALAL
Origem religiosa Leis judaicas: Torá e Talmud Lei islâmica (Sharia) / Alcorão e Hadith
Abate ritual Shechitá por shojet; corte preciso, sem atordoamento; drenagem + salga do sangue; remoção de gorduras/nervos proibidos Zabiha por muçulmano; corte no pescoço; sangue drenado; não exige salga; invocação “Bismillah” no momento do abate
Carne + leite / mistura de alimentos Proibida mistura de carne com leite; utensílios separados Não há restrição de combinação carne e laticínios
Carnes proibidas Porco, coelho, cavalo, camelo, avestruz e todos os animais que não ruminam ou não têm casco fendido; aves de rapina; grande parte dos insetos Porco e qualquer animal morto sem abate ritual; animais carnívoros ou de presas; animais considerados impuros; alguns insetos (dependendo da escola jurídica)
Frutos do mar / peixes Apenas peixes com barbatanas e escamas; mariscos proibidos Geralmente permitidos todos peixes e frutos do mar
Álcool e intoxicantes Permitidos (desde que produzidos conforme kosher), vinho kosher é regulado Proibido consumir álcool ou produtos que o contenham
Utensílios/ cozinha Utensílios devem ser dedicados (cárneo x laticínios) ou kasherizados; risco de contaminação por absorção Utensílios precisam ser limpos/ separados se usados com produtos haram; regras mais simples
Certificação de produtos industrializados Selo kosher exige auditoria rabínica, rastreabilidade e controle rigoroso dos ingredientes Selo halal exige rastreabilidade, controle de insumos, proibição de álcool e substâncias haram; auditoria islâmica

Para um judeu que segue o kashrut, alimentos halal não são automaticamente kosher. Embora ambos proíbam porco e sangue, o sistema kosher impõe camadas adicionais de regras que o tornam mais restritivo. Por exemplo: o halal não remove partes proibidas pela lei judaica, como o chelev (gordura específica) e o gid hanasheh (nervo ciático), que precisam obrigatoriamente ser retirados no preparo kosher.

Além disso, a carne halal não passa pelo processo de salga e lavagem exigido para remover qualquer resíduo de sangue, nem exige a separação completa entre carne e leite, que impacta toda a cozinha e utensílios.

Da mesma forma, utensílios usados para halal não seguem o processo de kasherização, requisito essencial no kashrut. Por esses motivos, um alimento halal pode ser 100% permitido para muçulmanos, mas ainda assim ser não kosher para judeus, a menos que receba certificação rabínica específica.

Entre muçulmanos, a situação costuma ser mais flexível: alimentos kosher, especialmente carnes, tendem a ser aceitos como halal porque o abate judaico é considerado válido por muitas escolas jurídicas islâmicas ao reconhecer judeus como parte do “Povo do Livro”.

Essa aceitação, porém, não é universal. Produtos kosher que contenham álcool (por exemplo, vinhos kosher ou alimentos cozidos com vinho) tornam-se automaticamente haram. Também há correntes islâmicas que exigem a recitação explícita de “Bismillah” durante o abate, algo que não ocorre na shechitá judaica.

Assim, embora o kosher seja geralmente mais compatível com o halal do que o contrário, a aceitação varia conforme a interpretação religiosa de cada comunidade.

Kosher e halal no Brasil

No Brasil, o mercado kosher é relativamente bem documentado e conta com estimativas recentes de fontes confiáveis. Segundo relatório da consultoria internacional IMARC Group, o segmento movimentou cerca de US$ 477,82 milhões em 2024, com projeção de crescimento para aproximadamente US$ 617,48 milhões até 2033.

Trata-se de um nicho consolidado, presente especialmente em grandes centros urbanos como São Paulo e Rio de Janeiro, com expansão impulsionada não apenas pelo público judeu, mas também por consumidores que associam a certificação a rigor, rastreabilidade e segurança dos alimentos.

Entre as certificadoras com maior atuação no país destacam-se BDK do Brasil, Beit Yosef, Star-K e OU (estas duas últimas atuam por meio de representantes e auditorias internacionais).

Já o mercado halal brasileiro ganha cada vez mais destaque, com crescimento expressivo tanto nas exportações quanto na certificação doméstica. Organizações do setor estimam que a indústria halal no país movimente entre US$ 5 a 6 bilhões por ano considerando carnes, derivados e produtos certificados.

O Brasil é um dos maiores produtores globais de carne halal, e uma parcela significativa dessa produção é destinada a mercados internacionais, especialmente países muçulmanos. Movimentações recentes mostram que, entre 2023 e 2024, houve aumento no número de empresas habilitadas para exportação halal, ampliando a diversidade de produtos certificados. No entanto, e isso é comum em mercados em expansão, os dados para o segmento halal ainda variam conforme a fonte e o recorte da pesquisa. As estimativas disponíveis concentram-se em exportações ou em determinados ramos (como proteína animal), o que dificulta obter um valor nacional consolidado para todo o mercado halal doméstico.

Por outro lado, a diversidade de certificadoras e o crescimento da demanda fazem com que o setor seja ativo e promissor. Entre as entidades com maior atuação no Brasil destacam-se certificadoras como CDIAL Halal, FAMBRAS Halal e SIILHALAL, responsáveis pela auditoria e certificação de numerosas unidades produtoras.

Relação kosher, halal e segurança dos alimentos

Do ponto de vista de food safety, tanto o kosher quanto o halal podem agregar valor aos processos de rastreabilidade, controle de qualidade e higiene.

A obtenção dessas certificações exige auditorias periódicas, rastreamento da cadeia produtiva, verificação rigorosa das matérias-primas e validação dos processos industriais, reduzindo o risco de contaminações cruzadas ou do uso de ingredientes proibidos. Muitas empresas que atuam em mercados internacionais adotam certificações halal ou kosher justamente para atender exigências de exportação e ampliar a confiança do consumidor.

É fundamental reconhecer que certificação religiosa não substitui normas técnicas de segurança de alimentos como HACCP, legislações sanitárias, controle de temperatura, higiene operacional, armazenamento adequado e rotulagem conforme requisitos regulatórios.

Kosher e halal atestam conformidade religiosa e oferecem, de forma secundária, uma camada adicional de qualidade e rastreabilidade, mas não garantem por si só ausência de patógenos, estabilidade microbiológica ou boas práticas sanitárias.

Por isso, a plena segurança dos alimentos depende da integração entre esses sistemas religiosos e os padrões técnicos modernos. Em síntese: kosher e halal fornecem um arcabouço valioso de ética, controle e rastreamento, apreciado tanto por consumidores religiosos quanto por mercados globais, mas precisam ser complementados pelas normas e boas práticas de higiene e segurança para assegurar alimentos realmente seguros.

8 min leituraOs sistemas alimentares kosher (judaico) e halal (islâmico) são dois dos regimes dietéticos religiosos mais difundidos globalmente. Apesar de compartilharem princípios fundamentais, como pureza, ética e respeito à vida, cada […]

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Guia IFS de gerenciamento de corpos estranhos em alimentos

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Recentemente, a IFS publicou uma versão atualizada do guia de Diretrizes para um eficaz gerenciamento de corpos estranhos em alimentos.

O documento é extremamente rico e possui informações e conhecimentos valiosos que podem ser usados pelos profissionais no controle de contaminação física nas indústrias de alimentos. Em suas mais de 60 páginas, o documento aborda:

  • Requisitos legais: descreve os requisitos legais relevantes para materiais estranhos na União Europeia, Estados Unidos e outras regiões;
  • Gerenciamento de riscos: apresenta uma abordagem de avaliação de risco aplicada especificamente a materiais estranhos (ex.: identificação e origem de perigos físicos, avaliação de probabilidade e severidade, controle de PCC);
  • Fonte e tipos de contaminantes físicos: aborda características de contaminantes intrínsecos e extrínsecos, como vidro e cerâmica, metal, plástico duro e borracha, madeira, pedras e contaminantes naturais, insetos e pragas e contaminações relacionadas à embalagem;
  • Tecnologias de detecção e remoção: relaciona as vantagens, limitações e requisitos tecnológicos de detectores de metais, raio-x, separadores magnéticos, filtros e peneiras, e classificadores ópticos;
  • Prevenção: destaca cuidado para prevenção da contaminação física, como BPF, controles de manutenção, inventário de itens frágeis etc.
  • Monitoramento, verificação e validação: como gerenciar adequadamente as medidas de controle implementadas.

O guia é gratuito e pode ser acessado diretamente no site da IFS (aqui).

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Adeus, ISO/TS! O que muda nos PPRs com a atualização da FSSC 22000 em 2026

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Uma grande mudança que teremos na atualização da FSSC 22000, já prevista para acontecer no primeiro semestre de 2026, será a alteração das normas referentes aos Programas de Pré-requisitos (PPRs) de cada escopo.

A seguir, de forma objetiva, vou apresentar o que de fato vai mudar, os impactos das mudanças e o que vamos ter que trabalhar para esta atualização.

1 – O fim definitivo da série ISO/TS nos PPRs!

As normas de especificação técnica de cada escopo deixam de ser ISO/TS e passam agora a vigorar como normas ISO (Organização Internacional de Normalização).

Portanto, a ISO/TS22002-1 (fabricação de alimentos) passará a ser ISO 22002-1, a ISO/TS22002-4 (fabricação de embalagens) passará a ser ISO 22002-4 e assim por diante.

2 – Teremos uma norma “mãe”, a ISO 22002-100

Isso ficou muito bacana! O que eles fizeram: concentraram nesta norma todos os requisitos de PPR de forma unificada e aplicável a TODAS as categorias! Ou seja, os itens comuns a todos os escopos (alimentos, embalagens, catering, alimentação animal…) foram extraídos para este documento para nos dar uma compreensão e visão única dos PPRs em todos os setores e simplificar os PPRs para organizações que operam em vários setores.

Além disso, o documento apresenta a definição de 19 termos que são comumente utilizados nos requisitos para auxiliar a compreensão, como por exemplo, “perda e desperdício de alimentos”, “produto intermediário”, “zoneamento” etc.

Mas você pode estar se perguntando: e as especificidades aplicáveis a cada setor? Não existirão mais?

Uma vez que os escopos e processos são bem distintos, requisitos específicos de cada setor ainda serão mantidos e apresentados de forma separada. Veja no próximo item.

3 – PPRs que são específicos de cada setor estarão em normas separadas!

Quando PPRs específicos de um setor permanecem ou se um novo setor for adicionado com PPRs exclusivos, eles serão fornecidos nas outras partes da série ISO 22002, que são projetadas para serem usadas em conjunto com este documento.

Resumindo, teremos 2 normas de PPR associadas: ISO 22002-100 (geral) + ISO 22002-X (específica)!

4 – Conteúdo da ISO 22002-100 traz novidades!

Os PPRs que são estabelecidos nesta norma são conhecidos por todos, mas algumas novidades foram incorporadas.

A estrutura do conteúdo desta norma é:

PPR/Assunto ISO 22002-100
4             Construção e layout de edifícios
5             Design e layout de instalações e espaços de trabalho
6             Utilidades
7             Controle de pragas
8             Gestão de resíduos, perda e desperdício de alimentos (FLW) e reciclagem
9             Adequação e manutenção de equipamentos
10          Gestão de materiais comprados
11          Armazenamento e transporte
12          Medidas de prevenção da contaminação
13          Limpeza e desinfecção
14          Higiene pessoal e instalações para funcionários
15          Informações sobre produtos e consumidores
16          Food Defense e Food Fraud

Apresenta também dois anexos. Estes contêm exemplos de medidas de Food Defense e de Food Fraud, para auxiliar as empresas na implementação desses programas.

Só pela apresentação da lista dos PPRs já fica claro que surgem alguns temas que não eram abordados nas normas ISOTS, como perda e desperdício de alimentos (FLW), reciclagem e Food Fraud. Além da incorporação destes temas para serem gerenciados por PPR, outras mudanças mais específicas de PPR foram apresentadas, além de maior clareza nos textos e organização da informação.

Por agora, mantemos o foco nas versões atuais. A versão nova da FSSC 22000, quando entrar em vigor, terá ainda um prazo de adequação para que todas as empresas tenham tempo hábil para realizar a revisão e promover as adequações e melhorias. O conhecimento, porém, é a chave para a adaptação! Eu gostei muito do resultado e estou ansiosa para já começar a trabalhar com este novo formato e conteúdo.

E você? O que achou da unificação dos PPRs na ISO 22002-100? Deixe seu comentário e compartilhe sua expectativa para a nova FSSC 22000!

Fique atento. Em próximos posts falaremos de forma exclusiva das mudanças nas ISO 22002 para food e packaging. Ah, e a lista de todas as partes da série ISO 22002 e sua disponibilidade para aquisição pode ser encontrada no site da ISO https://www.iso.org/home.html. E em breve, serão publicadas suas traduções oficiais como normas ABNT!

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VII Workshop do Blog FSB: respostas às perguntas remotas

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O VII Workshop do blog FSB foi realizado em Porto Alegre, RS, em agosto de 2025, e abordou a temática “Da Logística à Embalagem: tecnologia, inovação e Boas Práticas para garantir a Segurança dos Alimentos”. O evento contou com público online ávido por conhecimento e foram feitas muitas perguntas que não puderam ser respondidas ao vivo, devido ao tempo escasso. Agora, seguem abaixo os questionamentos e soluções, que também são úteis aos leitores que não puderam estar neste 7º encontro. E aos palestrantes-voluntários ficam nossos agradecimentos!!!

Vanessa Costalunga, colunista do blog FSB, palestrou sobre “Descomplicando a legislação de embalagens seguras para alimentos: princípios básicos da Anvisa”.

1 – Vanessa, as notícias de desvios da lista positiva causam preocupação. Você entende que falta mais rigor na legislação ou mais fiscalização? Como tornar as embalagens mais seguras?

Vanessa: É correto afirmar que o aumento da fiscalização, tanto em frequência quanto em profundidade de avaliação, impulsiona a conformidade regulatória. Contudo, a gestão proativa de riscos é o elemento decisivo neste tema. A verdadeira segurança é alcançada quando os fabricantes de embalagens de alimentos internalizam a legislação, desenvolvem uma consciência aprofundada sobre os potenciais danos à saúde em caso de desvios, e assumem a responsabilidade ética e legal de fornecer produtos seguros e adequados. Com esse compromisso intrínseco, a necessidade de uma fiscalização externa intensiva torna-se complementar.

2 – O  caminho seria criar selos de qualidade e certificações como uma forma de trazer informação sobre conformidade legal?

Vanessa: Pela minha experiência, a certificação de um Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos (SGSA) atua como um forte catalisador para a elevação da conformidade regulatória. Contudo, é fundamental que o fabricante estabeleça o atendimento integral aos requisitos legais como o seu alicerce — uma etapa que precede e fundamenta a busca pela certificação. Reforço que esta base só se consolida por meio de um compromisso genuíno com a segurança dos produtos e com a proteção da saúde dos consumidores.

3 – Comente sobre a tinta dos carimbos em carcaças de animais. Elas devem ter laudos de migração?

Vanessa: Tintas em alimentos, de forma geral, devem atender critérios de pureza e serem comestíveis. Neste caso não se aplica o requisito de laudo de migração pois não se trata de uma tinta impressa em material em contato com alimentos, mas a tinta aplicada diretamente no próprio alimento.

Juliane Silva, representante da BRCGS Brasil, palestrou sobre “Como os requisitos normativos BRCGS para as indústrias de embalagens ajudam no cumprimento das legislações”.

1 – Quando é uma faquinha plástica junto com a embalagem de rocambole ou um palito de madeira ou plástico para picolé, qual norma escolher na BRCGS?

Juliane: Neste caso o item é parte da embalagem, então é a BRCGS Packaging Material.

2 – Quais são os diferenciais de uma auditoria não anunciada e quais vantagens ou desafios ela pode trazer para as empresas?

Juliane: Demonstrar que a empresa está comprometida com a segurança do produto a todo momento e não somente no dia agendado da auditoria. Isso gera uma maior confiança  para os clientes e partes interessadas.

3 – Quais são os tipos mais recorrentes de Não Conformidades (NCs) identificados durante auditorias relacionadas à norma BRCGS Packaging?

Juliane:  TOP 5 NC Menores para norma de Packaging:

1) 4.8.1 – Limpeza e higiene

2) 4.9.3.1 – Controle de químicos

3) 3.7.2 – Avaliação de vulnerabilidade documentada

4) 4.7.4 – Reparos temporários

5) 3.5.1 – Programa de auditorias internas

TOP 5 NC Maiores para norma de Packaging:

1) 4.9.2.1 – Controle de metais afiados

2) 1.1.8 – Gestão de data de re-certificação

3) 1.1.3 – Canais de reporte confidenciais (denúncias)

4) 5.4.5  – Checagem e liberação de linha de produção

5) 1.1.10 – Causa raiz de NC de auditoria anterior

4 –  As não conformidades sobre o requisito de cultura de qualidade e segurança de alimentos são ainda as maiores desde que o tema foi incluso na norma BRCGS?

Juliane: Sobre o tema de cultura (1.1.2), ele está em 7º lugar na lista de NC menores mais frequentes e em 12º lugar na lista de Maiores. Sabemos, porém, que agora são menos frequentes, é claro, pois temos um número muito maior de NC Menores alcançadas do que de NC Maiores.

5- HARA e MCC são exclusivas terminologias da BRCGS. Você não acha que, por serem só desta norma, elas confundem o mercado, pois a base é Codex Alimentarius e oficialmente é RASSAP e PCC?

Juliane: Na verdade vemos que esta nomenclatura ajudou a esclarecer que embalagem não é alimento, especialmente porque a BRCGS Packaging (sendo diferente de outras) não é uma norma só para embalagem de alimentos e inclui também embalagem para outros bens de consumo, como por exemplo, cosméticos e medicamentos.

Giampaolo Buso, diretor executivo PariPassu, palestrou sobre “Estratégia x Obrigatoriedade, apropriação das práticas de rastreabilidade para a gestão de abastecimento.”

1) Giampaolo, qual o impacto para frutas, legumes e verduras (FLV) que a INC 02/2018 trouxe?

Giampaolo: A INC 02/2018 foi uma ponte de referência fundamental para orientar os processos e a atenção ao tema da rastreabilidade, de forma simples e aplicável à realidade da operação de cada elo da cadeia de abastecimento.

Para as empresas que se apropriaram desta exigência, foi um impulso para melhorarem suas práticas internas de gestão, revisar os processos e fortalecer suas posições, independentemente do tamanho da organização.

Em um ambiente de variáveis complexas (clima, preço, mão de obra), não registrar e controlar de forma organizada as etapas da cadeia de abastecimento aumenta a exposição ao risco.

2) No Brasil a maior demanda de produtores primários é para quais normas da GFSI? GlobalGAP é a mais procurada?

Giampaolo: A norma do GlobalGAP é a mais referenciada e procurada, provavelmente por exigência de exportação e, por conta disto, acaba sendo a mais conhecida. O trabalho do grupo GlobalMarket ABRAS tem ajudado na disseminação da norma GFSI para a cadeia primária.

3) Em quais mercados de alimentos você entende que a rastreabilidade está sendo negligenciada ou não vem sendo realizada e, portanto, pode ser um risco? Para onde não estamos olhando?

Giampaolo: Uma reflexão que precisamos fazer em conjunto: “Como queremos ser percebidos como nação produtora de alimentos?” Os demais países do mundo estão de olho no Brasil. Temos que usar este “ativo” que recebemos em benefício da nossa população gerando riquezas sustentáveis e com valor agregado. Ou seja, rastreabilidade traz uma percepção positiva para o consumidor final. Mesmo que não pague mais por um produto rastreado, a preferência é por um alimento que tenha origem e uma história compartilhada, verdadeira, com pessoas trabalhando para alimentar o planeta.

Estamos trabalhando na PariPassu há alguns anos para transformar a visão da obrigatoriedade em oportunidade. A rastreabilidade é uma variável controlável, estratégica e necessária para as organizações – independentemente do tamanho  da empresa – se posicionarem de forma moderna em um mundo dia após dia mais complexo.

Eduardo Stephano, fundador da ES Consultoria, palestrou sobre Principais Desafios na Logística de Alimentos –  Da Origem ao Consumidor Final”.

1 – Um dos desafios tecnológicos em logística é a integração de sistemas (ERP, WMS, TMS, IoT) com o alinhamento entre TI e Operações?

Stephano: Entendo que hoje há um dinamismo no desenvolvimento tecnológico para os CDs. Hoje a grande maioria já possui controles para Inbound e Outbound. Além disso tem a questão dos transportes que eram NÃO GERENCIÁVEIS. Hoje os grandes CDs já possuem profissionais que realizam os controles através de gerenciamento de risco (controlando inclusive a abertura do baú e a temperatura do produto durante toda a trajetória).

Entendo que todas estas ferramentas auxiliam de forma positiva toda a gestão estratégica dos CDs. Estas parametrizações já estão sendo amplamente trabalhadas e daqui a pouco vamos conseguir mapear todas as entradas de produtos até a entrega no cliente (da origem até o transporte). SAP já realiza algumas integrações neste sentido.

2 – Sustentabilidade e ESG da categoria de logística abordam, além da pressão por rastreabilidade e redução de pegada de carbono, o que mais? 

Stephano: Relatórios sustentáveis (pegada de carbono, gee, manejo de produtos químicos, combustível fóssil), enfim a questão do esg é uma realidade atual devido a solicitações de mercados globais. As exigências de, em até 2030, os CDs e transporte trocarem as frotas por caminhões elétricos já bate na porta. Dentro dos galpões, empilhadeiras e paleteiras já passam por estas modernizações (estão sendo substituídas por baterias de litio, eliminando os cilindros de gás e baterias). A questão da responsabilidade social também pesa bastante, como por exemplo condutas, politica de estrangeiros, politica anti-suborno, compliance e éticas e todo o processo de proteger a marca do cliente nos centros de distribuição, bem como garantir a eficiência nos processos de inventário (cíclico e geral), como a rastreabilidade.

3 – Você acha que há planejamento de riscos insuficiente em logísticas para gestão de crises como greve de caminhoneiros e enchentes?

Stephano: Acredito que sim. Algumas pessoas não conhecem e outras não praticam por falta de conhecimento. Com as complexidades que tivemos em 2023/ 2024 no RS, há necessidade de reavaliar estes conceitos. Tenho avaliado matriz e estudos de food defense e fraud em que ninguém relaciona controles para eventos e nem geopolítica (são temas essenciais) e tão pouco o envolvimento num CGC (inclusive não envolvem uma pessoa do jurídico, o que para mim, em situações reais de GC, é a pessoa que responde pela empresa). Enfim, são processos importantes e necessários para o bom andamento de todo o sistema nos CDs. Precisamos abranger mais estes conhecimentos entre os CDs e colocar em prática para casos de ocorrências e tomada de decisão estratégica para não desabastecer os clientes.

4 –  Você acredita que planos APPCC não estão sendo desenvolvidos e tampouco implementados devido à complexidade em frota heterogênea, com múltiplos tipos de carga (seca, refrigerada, a granel) e múltiplos clientes? Ou cultura operacional reativa com foco no prazo e custo de entrega, além da rotatividade de pessoal (motoristas, ajudantes) dificultando a manutenção de treinamentos e monitoramentos consistentes?

Stephano: São vários assuntos em uma única pergunta. Na verdade, grande parte dos CDs observa isso como custo e pautam as condições mínimas para a realização deste processo. Hoje, em qualidade, na grande maioria das vezes, temos um a dois colaboradores para realizar a gestão de todos estes processos. Ainda há a percepção por parte do time operacional de que todos os erros, desvios, controles, devoluções devem ser tratados exclusivamente pela Qualidade e não deve ser bem assim. Pessoas precisam se sentir donas dos seus processos. Monitoramentos e controles para garantir os cases (temperatura e espaço) devem ter o entendimento que é uma extensão do produto do cliente. Além de toda esta temática temos a questão de sazonalidade, que complica ainda mais, mão de obra sem experiência (diaristas contratadas para atender exclusivamente demandas, sem treinamento e conhecimento do produto), treinamentos superficiais de 60 minutos para apenas demonstrar uma lista de presença e sem bagagem para equipe. A pior situação é a grande maioria entender que CDs de alimentos podem seguir modelos como DHL, Shoppee e Meli.

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Fraude no processo: quando o risco está dentro de casa

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Avaliar a vulnerabilidade de fraude não é uma tarefa simples. Diferentemente da análise de perigos do APPCC, que foca os perigos não intencionais para a segurança do alimento, a avaliação de vulnerabilidade de fraude foca as motivações humanas para cometer fraude.

Nas normas de certificação reconhecidas pelo GFSI, o requisito de avaliação de fraude é mandatório, porém é comum verificar que esta avaliação se atem às matérias primas e cadeia de suprimento; entretanto, a fraude pode ocorrer na própria empresa, e a avaliação deve também ter esse foco!

Não é uma tarefa fácil avaliar fraudes internas. Os fraudadores, sejam eles internos ou externos, conhecem o processo e agem nos pontos mais frágeis e menos monitorados. No caso de um colaborador, essa familiaridade com os procedimentos e as lacunas no sistema torna a detecção ainda mais difícil. A ausência de uma cultura de transparência e ética pode encorajar atos fraudulentos. Se os funcionários sentem que não há monitoramento ou que os controles são facilmente burlados, a empresa torna-se um alvo ainda mais fácil.

Para ilustrar a importância de uma análise profunda, listamos alguns exemplos de fraudes que podem ocorrer em diferentes etapas do processo, e como sua empresa pode se proteger, considerando a possibilidade de um ator interno.

1. Recebimento de matéria-prima

 – Fraude:   um colaborador no recebimento aceita um material diluído em troca de suborno, ou manipula os registros para ocultar a diluição.

 – Controles:

   *Análise de autenticidade e qualidade: fazer análises no recebimento, e, de forma aleatória, enviar amostras para laboratórios externos independentes.

   *Segregação de funções: separar as responsabilidades de recebimento, análise e registro para evitar que uma única pessoa tenha controle total.

   *Auditorias e inspeções: realizar auditorias e inspeções de surpresa, tanto em fornecedores quanto nos próprios procedimentos de recebimento.

2. Produção

 – Fraude: um operador substitui um ingrediente caro por outro mais barato para economizar e desviar o ingrediente original, ou adiciona um produto não declarado para aumentar o rendimento e cumprir metas de produção.

– Controles:

   *Controle de acesso: limitar o acesso a áreas críticas, como as de pesagem e adição de ingredientes.

   *Monitoramento e automação: utilizar sistemas que registrem automaticamente o consumo de ingredientes e o rendimento do lote. Desvios significativos devem gerar alertas.

   *Controle de estoque: realizar inventários frequentes e cruzar os dados com os de produção.

3. Embalagem e rotulagem

 – Fraude: um funcionário da expedição vende produtos rejeitados ou de menor qualidade, usando embalagens e rótulos originais para fazer a fraude.

 – Controles:

   *Segurança da embalagem: uso de selos de segurança ou códigos de barras com rastreabilidade.

   *Auditorias no inventário: fazer auditorias regulares nos estoques de embalagens, rótulos e produto acabado para evitar desvios.

4. Expedição e distribuição

 – Fraude: um colaborador responsável pelo carregamento desvia produtos ou substitui lotes originais por versões falsificadas.

 – Controles:

   *Rastreabilidade total: implementar sistemas que rastreiem o produto desde a fábrica até o ponto de venda, com registros de quem manuseou a carga em cada etapa.

   *Segurança no transporte: usar lacres de segurança e monitoramento por GPS nos veículos.

   * Verificação cruzada: a equipe de expedição e a equipe de logística devem trabalhar com independência para validar os volumes e os lotes que estão sendo enviados.

Ao realizar avaliação de fraudes, é fundamental entender que o risco não está apenas na cadeia de suprimentos, mas também em seus próprios processos internos. Uma avaliação de vulnerabilidade eficaz deve, portanto, incluir uma análise minuciosa de pessoas, sistemas e procedimentos, garantindo que os controles estejam alinhados com a cultura de integridade e responsabilidade.

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Guia prático para programa de monitoramento ambiental na indústria de alimentos e de embalagens

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O monitoramento ambiental na indústria é uma ferramenta importante no sistema de gestão de segurança dos alimentos, servindo como uma verificação da eficácia das práticas de higiene e limpeza. Para indústrias que buscam, ou já possuem, a certificação FSSC 22000, o requisito adicional 2.5.7 torna essa prática mandatória.

Um programa bem estruturado vai além da simples coleta de amostras. Ele deve ser um sistema proativo que identifica riscos, previne a contaminação e garante a conformidade. A seguir alguns passos para ajudar a elaborar um programa robusto e eficaz.

Passo 1: Entenda o contexto da sua organização

Antes de tudo, é preciso conhecer o seu próprio processo. Quais são as características dos seus alimentos? Se eles são de alta umidade ou têm pH neutro, podem ser mais suscetíveis ao crescimento microbiano. Como é o fluxo de produção? Onde estão os pontos de maior vulnerabilidade que podem levar à contaminação?

A avaliação de risco microbiológico deve ser o ponto de partida. Ela ajudará a identificar quais áreas, equipamentos e superfícies apresentam maior potencial de contaminação e, por consequência, exigem maior atenção.

Passo 2: Determine os microrganismos-alvos

A escolha dos microrganismos para monitoramento deve ser estratégica e diretamente relacionada aos riscos identificados no passo 1. Eles podem ser divididos em três categorias:

*Microrganismos indicadores: Como as enterobactérias ou a contagem de aeróbios mesófilos – indicam a qualidade higiênica geral da área.

*Microrganismos deteriorantes: Dependem do seu produto. Exemplo: leveduras e bolores são importantes para bebidas ou produtos de panificação, assim como para a qualidade do ar.

*Microrganismos patogênicos: Representam o maior risco à saúde pública. Escolha os de maior relevância, de acordo com as características do seu produto e processo, assim como a referência do padrão microbiológico definido para o alimento. Como exemplo, temos comumente a Listeria monocytogenes monitorada, especialmente em ambientes úmidos e frios, devido à sua capacidade de persistir nesse tipo de ambiente. Outros exemplos podem incluir a Salmonella em produtos de baixa umidade.

Para cada microrganismo, defina valores de referência (valores-alvos ou limites de alerta) que servem como ponto de comparação para os seus resultados.

Passo 3: Defina as zonas e pontos de amostragem

O zoneamento de monitoramento ambiental é correspondente ao tipo de superfície de contato e proximidade ao alimento.

*Zona 1: Superfícies que têm contato direto com o produto ( esteiras, batedeiras). O foco aqui é monitorar microrganismos indicadores e deteriorantes.

*Zona 2: Superfícies que não têm contato direto com o alimento, mas estão próximas e podem ser uma fonte de contaminação (estruturas de equipamentos, painéis de controle).

*Zona 3: Áreas fora da zona de processamento, mas dentro da área de produção (empilhadeiras, ralos).

*Zona 4: Áreas fora da produção (vestiários, escritórios, manutenção). O foco aqui é monitorar microrganismos patogênicos.

Defina os pontos de amostragem em cada zona e os microrganismos que serão avaliados em cada local.

Passo 4: Estabeleça a frequência de análise

A frequência de coleta não precisa ser a mesma para todos os pontos.

Pontos na Zona 1 com alta dificuldade de limpeza devem ser amostrados com maior frequência (diariamente ou semanalmente), enquanto pontos na Zona 4 podem ser monitorados com menos frequência (mensal ou trimestralmente).

Uma matriz de risco pode ajudar a priorizar o monitoramento:

*Eixo X: Dificuldade de limpeza.

*Eixo Y: Proximidade com o produto.

O Guia da FSSC 22000 para este tema apresenta um exemplo desta matriz.

Passo 5: Defina o momento da coleta

O momento da coleta é tão importante quanto o ponto. Para um monitoramento proativo, colete as amostras em momentos estratégicos:

*Após a limpeza e sanitização: A coleta nesse momento serve para verificar a eficácia do seu programa de higiene. Se houver contaminação, será um sinal de que algo na limpeza não está funcionando.

*Durante a rotina de produção (no meio ou no final do turno): Amostras coletadas aqui podem identificar contaminação que surge ao longo do processo, causada pelo fluxo de pessoas, ar, equipamentos, etc.

Passo 6: Ações corretivas e preventivas

Um resultado fora do padrão deve acionar um plano de ação imediato. O que fazer? Alguns exemplos:

*Reavaliar a metodologia de limpeza

*Reorientar o treinamento da equipe

*Fazer uma nova limpeza profunda e reamostrar a área.

*Investigar a causa raiz para estabelecer ações corretivas e eliminar a contaminação.

Passo 7: Revisão periódica do programa

O ambiente de produção não é estático. Novas tecnologias, mudanças no leiaute ou novos produtos podem alterar os riscos. Por isso, a revisão mínima anual do programa de monitoramento é essencial, além de constar no requisito adicional 2.5.7 da FSSC 22000.

Nesta revisão, ajustes podem ser feitos, como por exemplo:

*Incluir novos pontos de coleta.

*Ajustar a frequência de amostragem.

*Atualizar os microrganismos alvo, se necessário.

 Passo 8: Análise de tendências e melhoria contínua

Não se limite a reagir a resultados fora do padrão. Analise os dados coletados ao longo do tempo. Uma análise de tendência pode revelar problemas antes que se tornem graves. Exemplos:

– Você notou que a contagem de enterobactérias está aumentando gradualmente em uma área específica? Isso pode indicar um problema com a limpeza que precisa ser corrigido antes que atinja um nível crítico.

– A sazonalidade (como calor ou umidade) influencia os seus resultados? Entender essas tendências ajuda a implementar ações preventivas, como uma limpeza mais rigorosa em períodos específicos.

Ao seguir esses passos, sua indústria construirá um programa de monitoramento ambiental prevenindo a contaminação nos alimentos, protegendo a sua marca e o seu consumidor.

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ESG: como a qualidade e segurança de alimentos contribuem para um futuro mais sustentável

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O conceito de ESG (Environmental, Social and Governance) ganha cada vez mais espaço nas estratégias das indústrias alimentícias, e a área de qualidade e segurança de Alimentos tem um papel fundamental nesse cenário. A integração de práticas responsáveis e sustentáveis ao sistema de gestão da qualidade fortalece o compromisso da empresa com o meio ambiente, a sociedade e a governança corporativa.

No pilar ambiental do ESG, a qualidade e segurança de alimentos contribuem diretamente ao promover o uso eficiente de recursos, a redução de perdas e desperdícios (item inclusive alinhado ao requisito 2.5.16 da FSSC 22000) e o controle rigoroso de resíduos e efluentes. Processos bem definidos e monitorados evitam retrabalhos, descartes desnecessários e impactos ambientais negativos.

No aspecto social, a área de qualidade garante que os alimentos produzidos sejam seguros, íntegros e adequados ao consumo, protegendo a saúde pública e promovendo a confiança do consumidor. Além disso, a capacitação contínua das equipes, o respeito às condições de trabalho e a valorização da cultura de segurança de alimentos fortalecem o engajamento interno e a responsabilidade social da empresa.

Já no pilar de governança, a qualidade e segurança de alimentos asseguram a conformidade com legislações, normas como a FSSC 22000 e requisitos de clientes. A rastreabilidade, a gestão de riscos e a transparência nos processos são elementos essenciais para uma governança sólida e ética — princípios centrais do ESG.

Portanto, investir em qualidade e segurança de alimentos é também investir em ESG. Essa conexão estratégica fortalece a reputação da marca, atrai investidores conscientes e contribui para um sistema alimentar mais seguro, justo e sustentável.

Por Djeane M. S. Fares

Imagem: Markus Winkler

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