Anúncios

Stakeholders do segmento de alimentos e suas expectativas

4 min leitura

A contextualização de uma empresas de alimentos e bebidas requer conhecer todos os atores envolvidos, chamados de partes interessadas. Em inglês, há uma palavra perfeitamente adequada para isso: stakeholders, que significa público estratégico e descreve uma pessoa ou grupo que tem interesse em uma empresa, negócio ou indústria.

STAKEHOLDER =

STAKE que significa interesse, participação, risco + HOLDER que significa aquele que possui.

Os stakeholders tem seus próprios interesses e reivindicações, sendo que uma empresa tem um papel mediador ao gerenciar conflitos entre os diferentes anseios destes grupos. Por exemplo:

Governo

 

ANVISA e MAPA Deseja que suas legislações sejam atendidas plenamente e que os produtos não causem danos aos consumidores/ evitar problemas de saúde pública.
Fisco Deseja que os impostos sejam recolhidos e pagos devidamente.
Envolvidos no negócio

 

Acionistas e investidores Desejam retorno sobre o capital investido, portanto, que os produtos no mercado sejam apreciados pelos consumidores, que as vendas sejam sustentáveis e cresçam e que custos de não qualidade sejam minimizados.
Bancos Que os negócios sejam bem dirigidos e os produtos aceitos, para que as organizações se mantenham saudáveis e prósperas, e assim, honrem seus compromissos financeiros/ empréstimos.
Empregados Que os produtos tenham sucesso no mercado e custos de não qualidade estejam sob controle, para que a empresa se mantenha sólida, os empregos garantidos e possibilidade de crescimento surjam.
Fornecedores Ter especificações claras, compras regulares e pagamentos em dia.
Clientes

 

Mercado varejo Que os produtos atendam suas expectativas quando a qualidade percebida e que não causem danos por falhas na qualidade intrínseca.
Mercado business to business Que os contratos sejam honrados por seus fornecedores quanto a especificações, prazos, volumes e qualidade intrínseca, para minimizar riscos de segurança dos alimentos provenientes de matérias-primas e insumos.
Sociedade

 

Associações Que produtos e bebidas não causem danos aos consumidores, que as empesas não pratiquem fraudes em alimentos e bebidas e façam comércio justo.
ONGs Que as empresas atendam reivindicações de grupos de interesse como alérgicos, celíacos, veganos, etc.

O conceito se torna ainda mais abrangente quando pensamos num Sistema de Gestão de Segurança dos Alimentos, pois os interesses se ampliam, passando de relações e transações comerciais, para atores que são afetados ou influenciam a empresa numa perspectiva de saúde pública, pensando em questões relacionadas com a sanidade dos alimentos, portanto, de que há garantia que os alimentos e bebidas fornecidos ao mercado são seguros, ou seja, inócuos à saúde.

A relevância deste tema nas estratégias empresariais não surgiu ao acaso, exatamente porque há no setor uma grande diversidade de grupos de reivindicação que podem ser classificados em grupos de interesse de consumidores e mercadológicos.

Pertencem aos primeiros os legisladores, órgãos públicos federais e estaduais e municipais como vigilância sanitária, organizações de defesa de consumidores, e obviamente, os próprios consumidores, que por sua vez podem ser grupos que se subdividem por terem determinadas preferências ou restrições, como celíacos, alérgicos a determinados alimentos, intolerantes à lactose, veganos, grupos que optam por alimentos orgânicos, etc.

Aos últimos pertencem clientes, investidores, instituições financeiras como bancos e outras organizações que fazem pressões via investimentos ou compra e venda em relações business to business.

Um caso são fornecedores e cadeias de suprimentos inteiras, em algumas situações bastante complexas, como por exemplo, na cadeia frigorífica que conta matrizeiros, incubatórios, criadores, abatedouros, produtores de ração, etc; de produtos da agroindústria, que vão desde produtores de sementes, produtores rurais/ agricultores, associações, pool de produtores, atravessadores, etc; cadeia de lacticínios, criadores de vacas leiteiras, processo de extração do leite nas fazendas, cadeias de logística de frio, etc.

Outro caso são as empresas cujos clientes são empresas, por exemplo, quando se produzem matérias primas, insumos e embalagens para outras empresas de alimentos e bebidas, e que neste caso, têm suas próprias especificações, critérios e exigências que se tornam condições para atendimentos contratuais.

Cada um dos grupos faz valer suas reivindicações pelos meios que lhes são disponíveis.

Aqui surgem desenvolvimentos políticos, ações dos órgãos públicos, pressão da sociedade, testes de empresas e produtos, reportagens, alterações na lei da procura motivadas não só por demanda e oferta, mas também por pressões via redes sociais como Facebook, Twitter  e Linkedin.

Há também nestes cenários pressões provenientes das percepções dos consumidores em relação às indústrias produtoras quantas às questões específicas, como por exemplo, contra o uso de gorduras hidrogenadas, de gorduras trans, contra o uso de corante amarelo tartrazina, contra o uso de matérias primas e insumos GMO, sobre bem-estar animal, exigências ambientais por parte de consumidores “verdes”, e até questões religiosas como é o caso das exigências de produção atendendo preceitos kosher e halal para as comunidades judaicas e muçulmanas respectivamente, etc.

Em paralelo, ocorre um significativo avanço na esfera legal, onde os legisladores respondem aos novos anseios da sociedade sobre estas questões, contribuindo sem dúvida como um forte impulsionador de mudanças no segmento de alimentos e bebidas, como as legislações para alergênicos e os critérios de rotulagem que são cada vez mais claros.

Como se percebe, na estruturação de um SGSA, há sempre que se considerar os interesses e expectativas dos chamados stakeholders, pois isso faz parte do entendimento do chamado contexto de uma organização, de onde se partem as diretrizes estratégicas e direcionamentos da organização.

Leia também:

  1. A alimentação kosher: origem, tradição e certificação
  2. A alimentação halal: origem, tradição e certificação

16 thoughts on

Stakeholders do segmento de alimentos e suas expectativas

  • Marilia Lopes

    Só poderia ser seu este texto é publicação maravilhosa Marco Tulio …o título da publicação já me interessou comecei a ler sem saber quem havia publicado…muito bom artigo que vem de encontro com o item da norma ISO 22000 requisito 4 que fala sobre o contexto da organização.👏👏👏

    0
    • Marco Túlio Bertolino

      Olha, que delícia ler isso. Muito obrigado Marília, que bom que gostou!!

      0
      • Izabel Nataly F. de França Silva

        Olá professor!
        Lendo este artigo me fez lembrar de uma empresa que trabalhei onde os funcionários de chão de fábrica não tinham nenhuma valorização.
        Aprendi que é necessário atender não só os anseios dos acionistas, pois para o sucesso da SGSA todos os stakeholders deve ter sua devida relevância nas estratégias empresariais.

        0
  • Bárbara Santos Ferraresso

    Que texto excelente!
    Gratidão por compartilhar!

    0
  • Anatália Silva

    Grande Marco Tulio, excelente texto. Saudade de suas aulas sobre qualidade.👏👏👏

    0
  • Suzana Ebrahim Wanderley

    A reunião de todos os interesses e interessados envolvidos numa cadeia de produção proporciona o crescimento das empresas e a otimização de seu produto final. Excelente explanação do tema. Concisa, porém bem estruturada.

    0
  • Gutembergue Matias

    Os stakeholders são essências para as empresas alcançarem o planejamento estratégico esperado.

    0
  • Morgana Duarte

    É importante conhecer quem são as partes interessadas para que a empresa consiga atender as expectativas de todos. Princípio básico de uma gestão de qualidade.

    Obrigada pelo compartilhamento do texto Marco. Este é um tema necessário inclusive para a as empresas se manterem no mercado.

    Morgana Duarte.

    0
  • Wêdja Lucena

    Como é importante a atuação do líder do Sistema de Gestão da Qualidade nesse processo, medidando todos os interesses. Nesse cenário, é imprescindível que sua política organizacional seja estruturada, para que o trabalho dos gerenciadores dos processos obtenham sucesso, atendendo às necessidades de todos os stekholders.

    0
  • Fernanda Fonsêca Aguiar de Almeida

    Achei incrível como dentro de um mesmo tema podemos ter essa quantidade grupos/público e a diversidade do interesse de cada um deles, onde a o líder de qualidade e sua equipe devem atender a todas essas exigências.

    0
  • Juliana Melo

    O correto conhecimento das pessoas e grupos que tem interesse em sua empresa, facilita muito a tomada de decisão visando a satisfação dos mesmos, pois cada um espera uma resposta “diferente”. Muito enriquecedor esse texto.

    0
  • Mariangela Inácio Marques

    Artigo muito interessante, Professor. De fato é de fundamental importância conhecer as partes interessadas pra se tomar as ações necessárias e que busquem atender os anseios das diferentes áreas envolvidas no segmento de alimentos.

    0
  • Lidiane

    Os stakeholders são importantes para o aprimoramento dos processos, de fundental impprtancia para todos os envolvidos dos processos, tendo em vista que os interesses individuais devem ser considerados.

    0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Todos os textos são assinados e refletem a opinião de seus autores.

lorem

Food Safety Brazil Org

CNPJ: 22.335.091.0001-59

organização sem fins lucrativos

Produzido por AG74
© 2020, Themosaurus Theme
Compartilhar