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Desafios da avicultura brasileira

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Brasil é o terceiro maior produtor de carne de frango e o primeiro exportador.  Podemos perceber assim quão relevante foi a palestra da Dsc. Zootecnista Sulivan Alves, Coordenadora Técnica da UBABEF (União Brasileira de Avicultura), que aconteceu  no segundo dia da Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas – evento este organizado pela Eurofins nos dias 19 e 20 de Julho.

O clima brasileiro, a disponibilidade de grãos e o sistema integrado de produção fazem com que o ambiente no Brasil seja tão favorável para avicultura. Estas vantagens conferem ao país a versatilidade de conseguir atender a diferentes mercados, como, por exemplo, o Japão, onde a carne de pescoço é especialmente requisitada, ou aos povos muçulmanos, para os quais é necessário um procedimento de abate específico.

A avicultura possui uma cadeira integrada bastante complexa, que contempla desde assistência técnica aos produtores, gestão de cadeia produtiva, garantia da qualidade e biossegurança. Esta evolução sofrida até os dias de hoje possibilitou ao frango fazer parte do cotidiano do brasileiro devido ao preço e as características da carne – que é mais saudável que a carne vermelha. Atualmente, a média de consumo no Brasil está em torno de 47 kg de carne de frango/ habitante/ ano.

               O principal paradigma existente nos dias de hoje é: Como a ave é produzida em tão pouco tempo? São hormônios que fazem com que o frango cresça?  A Sra Sulivan apontou que o motivo pelo qual o frango fica pronto para abate em aproximadamente 42 dias não é a utilização de hormônios, mas sim uma combinação de forte trabalho genético e alimentação balanceada.

Estudos atuais mostram que crianças de 0 a 5 anos consomem menos carne de frango, justamente porque os pais acreditam que o crescimento forçado do animal se dá basicamente devido à utilização de hormônios.

Segundo apontamentos da Dsc Sulivan, juntamente com os trabalhos de seleção genética e evolução da nutrição para os animais, há ainda a utilização de drogas veterinárias, que são os antimicrobianas.  Estas substâncias têm uso preventivo e terapêutico e são melhoradores de desempenho, uma vez que atuam na flora intestinal – favorecendo crescimento de bactérias benéficas. Ela relata ainda que estas substâncias também têm uso racional e controlado, de modo que podem somente ser utilizadas antes do animal ser levado para o abate.

Existe hoje um movimento em prol do banimento dos melhoradores de desempenho, pois questiona-se a possibilidade de a resistência passar para os humanos. Até o presente momento não há comprovação desta hipótese, mas muitos países banem por precaução. Com isto há muita queda do desempenho na produção de aves, e, como resposta atualmente há muitos estudos para utilização de alternativas como probioticos/ prebióticos.

               Foi apontado ainda que a cadeia produção de aves no Brasil possui controles para garantia da saúde e do bem estar dos animais, bem como controle de resíduos e contaminantes, além de garantia de padrões e rígido monitoramento de patógenos.

A cada demanda que o Brasil recebe de um país diferente para qual exporta é realizada uma avaliação e discussão sobre o tema. Todavia, normalmente o país precisa atender às solicitações para continuar exportando.  A Sra Sulivan traz como exemplos o case recente de Fluoroquinolonas do Canadá, ou o requerimento de análises de liberação por container pela Arábia Saudita, ou ainda monitoramento de dioxinas por container na Africa do Sul.

Cada uma destas demandas, uma vez requisitada e validada, é incorporada no PNCRC (Plano de Controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem Animal), e esta adição encarece a exportação da carne de frango brasileira.

Fonte da imagem: material do palestrante

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BPF em Serviços de Alimentação

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Critérios de Boas Práticas em Serviços de Alimentação – do papel à prática

 Publicado na revista Controle de Contaminação em Janeiro 2012  pg 37-39 Ano 12 n 129

Autoria Juliane Dias e Vanessa Maccari

Só em 2009, as consultoras Juliane Dias e Vanessa Maccari, da Flavor Food Consulting, contabilizaram mais de 900 auditorias de conformidade à RDC 216/2004, em 10 centros comerciais na grande São Paulo e interior, tanto em grandes redes de praças de alimentação como em lojas individuais.

 O que têm em comum os estabelecimentos que apresentam elevado grau de conformidade? Quais são os fatores de resistência e dificuldades daquelas lojas que apresentam notas sofríveis e não conseguem executar o que está nos procedimentos documentados (quando existentes)? 

Clique aqui para baixar o artigo completo.

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Caixas de madeira ou caixas de plástico?

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Caixas de madeira ou caixas de plástico? Quais serão as mais higiênicas no transporte e acondicionamento de produtos hortifrutigranjeiros?

No transporte e acondicionamento de produtos hortofrutícolas, as tradicionais caixas de madeira têm vindo a ser substituídas por caixas de plástico, sobretudo por se considerar que o plástico é um material mais higiênico e de mais fácil limpeza do que a madeira.

Em um estudo efetuado na Universidade Nova de Lisboa, Portugal, comparou-se a contaminação microbiana de embalagens de madeira com as de plástico, tendo-se concluído que não existem diferenças significativas entre os dois materiais. Do estudo pode concluir-se que a contaminação microbiana elevada, verificada em algumas caixas de madeira e de plástico, é resultado da falta de limpeza das caixas antes da sua reutilização.

 

Por: Ana Luísa Fernando, DCTB/UBiA, FCT/UNL

No transporte e acondicionamento de produtos hortofrutícolas, as tradicionais caixas de madeira têm vindo a ser substituídas por caixas de plástico, sobretudo por se considerar que o plástico é um material mais higiénico e de mais fácil limpeza do que a madeira. Mas será que as caixas de madeira são menos higiénicas do que as de plástico?

Num estudo efectuado na Universidade Nova de Lisboa, Portugal, comparou-se a contaminação microbiana de embalagens de madeira utilizadas no transporte e comercialização de produtos hortofrutícolas com as de plástico. As amostras foram recolhidas no MARL (Mercado Abastecedor da Região de Lisboa), local escolhido por apresentar um elevado número de trocas comerciais e também de variedade de produtos, onde estes dois tipos de embalagens são comummente utilizados. Para controlar a contaminação das embalagens utilizadas no transporte de produtos hortofrutícolas quantificou-se a flora microbiana existente na sua superfície. Escolheram-se os microrganismos que são habitualmente identificados com mais frequência em produtos hortofrutícolas, e que podem como tal contaminar as embalagens, bem como os que podem resultar do manuseamento das embalagens pelos operadores e pelas suas condições de utilização e de armazenamento.

Os resultados obtidos neste ensaio mostraram o seguinte:

a)      a contaminação das embalagens é sobretudo devida a microrganismos mesófilos, ou então psicrófilos. Os bolores e leveduras são os microrganismos predominantes, seguindo-se as bactérias coliformes e o B. cereus.

b)     A contaminação de embalagens de hortícolas foi superior à das embalagens de frutos.

c)      em termos de contaminação microbiana, não se verificaram diferenças significativas entre as caixas de madeira e as caixas de plástico.

De acordo com os resultados obtidos neste ensaio e de acordo com as observações efectuadas no local da amostragem, verificou-se que as embalagens que apresentaram valores mais elevados de contaminação microbiológica (madeira ou plástico), eram também aquelas que apresentavam uma maior falta de higiene e de limpeza. Os resultados obtidos neste estudo apontam para a possibilidade de contaminação e desenvolvimento microbiano nos materiais usados nas embalagens de produtos hortofrutícolas, sobretudo devido à ausência de boas práticas de higiene. É, portanto, fundamental que se realize a higienização, a limpeza e a desinfecção das caixas destinadas a acondicionar produtos hortofrutícolas para evitar a proliferação de microrganismos, antes da sua utilização/reutilização. Estes requisitos são válidos para os dois tipos de material estudados, ou seja, é necessário ter estes cuidados quer os materiais sejam de madeira, quer sejam de plástico.

 E você leitor, qual é a sua opinião?

Mais informações em:

Higiene de embalagens de produtos horofrutículas, comparação entre embalagens de madeira e de plástico

 

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Bioacumulação em peixes e moluscos bivalves

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A principal mensagem da palestra do Professor João P.M. Torres, da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) foi que contaminantes são substâncias tóxicas persistentes, que resistem a transformação física, química e biológica. Estas substâncias transportam-se para longas distâncias e, o principal é: elas bioacumulam, ou seja, permanecem estáveis dentro dos organismos vivos.

Esta palestra aconteceu no segundo dia da Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas – evento este organizado pela Eurofins nos dias 19 e 20 de Julho.

Quando falamos de contaminantes, referimo-nos a pesticidas, bifenilas, dioxinas, HPAs, PBDEs entre outros. As dioxinas estão freqüentemente presentes em carnes, leites, e seus respectivos derivados. Sua incidência vem decrescido com o tempo. Os polibromados são substâncias adicionadas a plásticos, e, devido a bioacumulação, estão sendo encontradas em peixes e também no leite materno.

O estudo conduzido pelo professor Torres e sua equipe aponta que os predadores normalmente possuem mais acúmulo de contaminantes que suas presas. Este fenômeno pode ser observado quando é identificado leite contaminado de mães de regiões brasileiras onde a alimentação é feita basicamente de peixe – animal este que habita os rios poluídos da região estudada.

As informações apresentadas são provenientes de estudos conduzidos para peixes e moluscos bivalves, e conclui-se que ainda que a bioacumulação seja um fenômeno importante para ser considerado e estudado. É seguro, por exemplo, comer Tillápia no Brasil – uma vez que os índices de contaminantes são pequenos. E para que houvesse um risco toxicológico na alimentação de bivalves, esta deveria ser a única fonte de consumo de uma pessoa.

A pergunta final é: e quando considerar a composição de alimentação como um todo? E quando consideramos a bioacumulação proveniente de todos os alimentos que ingerimos no nosso dia-a-dia? O Professor Torres aponta esta como a real questão a ser ainda estudada.

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“Segurança de Alimentos” ou “Segurança Alimentar”?

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Muitos pensam que estas duas expressões tem o mesmo significado, chegando a ser confundidas até em trabalhos acadêmicos, mas, no Brasil, possuem significados claramente diferentes.

 Veja o quadro abaixo:

seguranca_alimentar_de_alimentos

Já em Portugal as duas expressões tem o mesmo significado, sendo a expressão “Segurança Alimentar” mais usada. Segundo a D.G.F.C.Q.A. – Direcção Geral de Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar – do governo Português, Segurança Alimentar é “Produção, transformação, distribuição e fornecimento de alimentos que não prejudicam a saúde do consumidor”.

 

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Um método simples de definir critérios metrológicos

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O ocorrido em uma das últimas auditorias na qual participei veio confirmar o que escrevi no artigo Calibrado, mas nem tanto. E exemplifica como um detalhe que passa despercebido pode afetar os resultados de uma medição e, consequentemente, a tomada de decisão do tipo que pode liberar um lote potencialmente inseguro ou reprovar um lote que apresenta-se conforme.

Durante a visita, constatei que vários termômetros traziam um ajuste na forma de uma etiqueta, indicando que o resultado lido deveria ser adicionado ou subtraído de um valor, que girava em torno de 0,4oC. Alto, considerando-se que uma das medições feitas tinha uma tolerância de processo de 1,0oC. Pedi para olhar o histórico de verificação dos termômetros e constatei que para um mesmo instrumento, ora a verificação requeria ajuste para mais, ora para menos. Minha desconfiança se confirmou quando me foi apresentado o certificado de calibração do termômetro de referência, com uma incerteza de 0,7oC. Ou seja, a falta de análise crítica do certificado levou a adotar como referencial um termômetro com péssimo desempenho.

Como evitar situações como essa? Definindo critérios de aceitação para seleção e calibração de instrumentos de medição, tomando como parâmetro a tolerância do processo. Segue alguns passos simples para isso, sendo que o valores adotados como critérios são meras sugestões, mas que não fogem muito do recomendável. Considere que a escolha dos valores dependerá do nível de precisão desejada, contra-balanceada com o investimento possível.

1. Seja T, a tolerância de processo, R a resolução do instrumento de medição e U a incerteza do mesmo. Por exemplo, se um método analítico orienta incubar a placa a uma temperatura de 34 a 36oC, a tolerância é T=1oC.

2. Um instrumento é adequado para monitorar esse processo se apresentar resolução R<T/3. No exemplo acima, o termômetro deve apresentar resolução menor que 0,33oC.

3. Quando calibrado, o certificado de calibração deve apresentar uma incerteza U<T/6. No nosso caso, U<0,16oC.

Existem outras maneiras de estabelecer critérios para seleção e aprovação da calibração de instrumentos de medição. Mas fica aí uma sugestão relativamente simples e eficaz para assegurar medições mais confiáveis.

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Quais de vocês consomem alimentos radioativos?

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Esta foi a pergunta que o Sr. Bert Popping – Diretor Científico de Desenvolvimento da Eurofins da Alemanha, nos fez no segundo dia da Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas – evento este organizado pela Eurofins nos dias 19 e 20 de Julho.

Repito a pergunta do Sr. Bert Popping: Quais de vocês consomem produtos radioativos?

Quase todo alimento é radioativo. O Potássio 40 é um elemento radioativo e apresenta uma radioatividade natural. Este elemento é freqüentemente encontrado na composição de alimentos. São outros exemplos de elementos que apresentam radioatividade natural o Urânio 235 e 238, bem como o Carbono 14, entre outros.

O Sr Bert Popping explica que alimento radioativo é aquele que contem em sua composição elementos radioativos, que emitem pulsos de energia. Um alimento radioativo (alta energia) não é considerado seguro. Já um alimento irradiado é o que sofreu exposição à radiação, para, por exemplo, eliminar microrganismos. Esta tecnologia é considerada segura. Vamos, em seguida, explicar a diferença entre os dois: alimentos radioativos e alimentos irradiados.

A cada 1 kg de frutas que ingerimos, consumimos também em média 50 Bq*. (*bq = Bequerel –  é a quantidade de material radiativo em que um átomo se transforma por segundo; unidade de desintegração). Para cada 1 litro de leite: 50 Bq. E para cada quilo de carne, 100 Bq.

A radioatividade passa para os alimentos da incorporação de radionuclídeos do solo pelas raízes das plantas e também pelo ar. Assim, uma pessoa absorve aproximadamente 4mSv por ano (mSv: dose de radiação). Aproximadamente 4% deste valor é proveniente dos alimentos.

De acordo com o Sr Popping, existem até hoje algumas alguns vestígios de Chernobil no que se refere a radioatividade: uma vez que ainda há radioatividade presente no mar nos arredores do Japão, peixes desta área podem, por ventura, ser provenientes de uma área ainda infectada. Não somente peixes do Japão podem apresentar radiação, mas de outros países nos arredores. Outros exemplos são containers que são contaminados por radiação no Japão e são usados em todo mundo, ou ainda brinquedos da China. Tudo que é proveniente desta região tem potencial de contaminação por radiação.

O Sr Bopping menciona ainda que a irradiação de alimentos, no entanto, é muito usada para redução de carga microbiana. É freqüentemente aplicada em carnes, por exemplo. É uma tecnologia considerada segura, pois o alimento que passa neste sistema não é, necessariamente, radioativo. A carga utilizada á muito pequena, e não entra em contato direto com o produto.

Os raios alfa e beta não possuem grande penetração. Se o alimento estiver exposto (sem embalagens), o próprio raio beta é efetivo para o tratamento. No entanto, se houver uma caixa de papelão envolvendo o alimento, por exemplo, é necessário utilizar raio gama para o tratamento para conseguir certa efetividade.

Na Europa, os produtos que sofreram tratamento pro irradiação devem trazer um selo de identificação, uma vez que muitos consumidores europeus ainda estão relutantes com a tecnologia. Na China, no entanto, é muito freqüente a utilização de irradiação para tratamento de alimentos.

 

Fonte da imagem: Material Palestra B Popping

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Aprendizado sobre tratamento de E.coli após surto europeu

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É um fato aceito entre os médicos especialistas que uma infecção de E. coli não deve ser tratada com antibióticos, uma vez que estes medicamentos podem piorar a doença. Mas uma nova revisão de estratégias utilizadas para tratar as vítimas de surto Europeu do ano passado mostra que uma combinação de dois ou mais antibióticos pode ter ajudado os pacientes se recuperarem da síndrome hemolítico-urêmica (SHU) – uma complicação potencialmente fatal da infecção por E. coli.

O surto de 2011, no Norte da Alemanha, foi caracterizado por um número atipicamente elevado de casos de SHU. Das mais de 4.000 pessoas doentes por E. coli O154:H4, 22% desenvolveram essa complicação, que pode ser letal. Por outro lado, a E. coli O157: H7, a E.coli produtora de toxina Shiga mais comum dos EUA progride para HUS em 5 a 10% dos pacientes.

SHU ocorre quando as toxinas Shiga liberadas por bactérias E. coli causa danos nos vasos sanguíneos, impedindo o fluxo de sangue adequado, uma vez que as células vermelhas do sangue pode ficar entupidas nos vasos. Privado de sangue, o rim não pode desempenhar sua função de expelir as toxinas através da urina.

Se pensava que os antibióticos aumentavam a chance de um paciente ter, aumentando a morte da bacteriana e desencadeando ainda mais a liberação de toxinas Shiga. Mas um estudo publicado esta semana no British Medical Journal sugere que alguns antibióticos podem realmente ajudar a tratar a doença renal.

Cientistas analisaram 298 pacientes de HUS tratados em 23 hospitais no Norte da Alemanha durante o surto de 2011, descobrindo que os pacientes tratados com pelo menos dois antibióticos eram menos propensos a sofrer a síndrome, não necessitando cirurgia intestinal e não apresentaram sinais de choque tóxico. A taxa de mortalidade entre os indivíduos foi menor do que entre os outros pacientes.

“Antibióticos definitivamente não pioram o curso da infecção e acreditamos que eles são benéficos nos estágios posteriores da doença, quando a fase prodrômica (inicial) está no final”, concluem os autores – uma equipe de 62 especialistas médicos e microbiológicos.

Outra estratégia que não se mostrou eficaz de acordo com este estudo foi plasmaferese, uma terapia que remove o plasma sanguíneo, o trata e retorna para o corpo do paciente. A Sociedade Alemã de Nefrologia recomendava este tratamento, no início de 2011 pois se acreditava que o processo poderia remover a toxina Shiga a partir da corrente sanguínea.

Dos 298 pacientes incluídos no estudo, 251 (84 por cento) foram tratados com plasmaferese. Mas os investigadores descobriram que os pacientes que não receberam esta terapia tiveram a mesma taxa de recuperação dos demais.

Os autores sugerem que os estudos concluindo que a plasmaferase é um tratamento eficaz e não se deve esquecer que foi aplicado no pico da atividade da doença, depois que naturalmente sofreria um declínio.

Já para a E.coli O157:H7, pesquisadores seguem acreditando que o tratamento com antibióticos é prejudicial aos pacientes com SHU. Um estudo da Washington University Medical Center in St. Louis publicada em março, concluir que crianças que receberam antibióticos tiveram mais propensão de desenvolver a SHU.

Fonte: http://www.foodsafetynews.com/2012/07/european-e-coli-outbreak-sheds-new-light-on-treatment-strategies/

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Plano de Controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem Animal

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Nos dias 19 e 20 de Julho, aconteceu em Indaiatuba (interior do Estado de São Paulo), a Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas. Este evento, organizado pela Eurofins, teve a participação de especialistas das Indústrias de Alimentos, Empresas de Trading, Ministério da Agricultura e Institutos de Pesquisa que discorreram sobre diversos pontos essenciais sobre segurança de alimentos, controle de qualidade e gerenciamento de risco.

E o Food Safety Brazil esteve por lá!

Os organizadores do evento cederam-nos gentilmente a oportunidade de estar presente e assim poder divulgar alguns dos grandes trabalhos que vêm sido desenvolvido na nossa área.

O Plano de Controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem Animal (PCNRC/ Animal) foi abordado pela Sra. Anna Portz, do Ministério da Agricultura, no segundo dia de Conferência.

O PNCRC é um programa de inspeção e fiscalização oficial estruturado para proteger os interesses e a saúde dos consumidores, da produção agropecuária e dos produtores, do ponto de vista de segurança química e microbiológica. O Programa é baseado nas recomendações do Codex Alimentarius, bem como as recomendações de demais órgãos internacionais. O PNCRC tem como premissa que a análise de risco é composta pela avaliação de risco, pelo gerenciamento de risco e então pela comunicação do risco.

Este programa esta estruturado em 4 subprogramas:

1-     Subprograma de Monitoramento: monitoramento de substâncias e produtos já mapeados

2-     Subprograma de Investigação: aplicado somente a resultados de produtos potencialmente não conformes provenientes do Subprograma de Monitoramento

3-     Subprograma Exploratório: disponível para demandas específicas

4-     Subprograma de Monitoramento de Produtos Importados

Atualmente 207 substâncias são monitoradas no PNCRC. Em 1998, este monitoramento abrangia somente 42 substâncias. A evolução deste índice aponta a ampliação do escopo que se faz necessária devido a demandas da sociedade interna e externa do país.

A publicação do escopo analítico do PNCRC acontece anualmente, e pode ser consultada no site o Ministério da Agricultuda. Para viabilização destas análises existem no Brasil 7 laboratórios credenciados – dentre eles, a Eurofins. Todos os laboratórios que compõe o PNCRC têm acreditação ao Inmetro. No ano de 2011, esta estrutura possibilitou que fossem analisadas 19.590 amostras no plano.

A gestão do PNCRC é conduzida através do Sistema de Controle de Resíduos e Contaminantes (SISRES), que nada mais é que um sistema de gestão online. Ele viabiliza o sorteio de amostras aleatoriamente para os fiscais, é nele onde são inseridos os dados das amostras, e onde também são lançados os resultados das análises, garantindo assim toda a rastreabilidade. Em caso de não-conformidade, emite-se um laudo de violação

No ano de 2012, o PNCRC apresentou 99,68% de conformidade entre as amostras analisadas.

Como próximos passos, haverá ampliação do Plano Nacional de Controle na cadeia de leite e ovos, avestruz, caprinos e ovinos. Também será realizada adequação da amostragem, realizada revisão de normas, ampliação de utilização de métodos multi-residuos e implantação de programas de autocontrole de resíduos para indústrias.

Em comentário com a platéia, Ana Julia Portz reforça que a amostragem do PNCRC restringe-se para estabelecimentos que possuem inspeção federal. Atualmente o programa não abrange estabelecimentos que possuem somente inspeção estadual e municipal, mas está prevista  a integração com demais âmbitos de inspeção para próximos anos.

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O pesticida carbendazim no suco de laranja

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O Brasil é o maior exportador de suco de laranja do mundo e cerca de 15% de seus embarques destinam-se aos Estados Unidos. Na verdade, destinavam-se, pois desde que foram detectados resíduos do pesticida carbendazim no suco de laranja brasileiro, a situação mudou.

O evento carbendazim na indústria brasileira de citros foi o tema da apresentação de Antonio Carlos Gonçalves, da Louis Dreyfuss Commodities, durante a 4ª Conferência Internacional da Eurofins, realizada em Indaiatuba, SP, nos dias 19 e 20 de julho de 2012.

Antonio Carlos fez uma abordagem bastante didática do assunto e faço aqui a transcrição de sua apresentação.

O Evento Carbendazim

Em 28 de dezembro de 2011, uma engarrafadora americana realizou testes de rotina para resíduos de pesticidas no suco de laranja. Por encontrar traços de carbendazim, a empresa informou a Agência de Controle (FDA). Como não havia uma tolerância prevista em regulamento, o FDA passou a analisar os sucos importados e a recusar lotes cuja amostra apresentasse residual acima de 10 ppb (micrograma por kg). Desde então, lotes de suco de laranja brasileiro e de outras origens tem sido rejeitados, não podendo entrar no país. Segundo a Agência Ambiental Americana (EPA), o carbendazim em baixos níveis não oferece risco à saúde, tanto que há limites de resíduos de carbendazim para outras culturas nos EUA, tais como uva e maçã. Além disso, o FDA não considerou necessário fazer nenhum recall do produto em comercialização, atitude que seria tomada imediatamente caso houvesse comprometimento da segurança do alimento.

Os limites permitidos de resíduo de carbendazim em suco de laranja diferem para cada mercado internacional. A recomendação do Codex Alimentarius é de 1 mg/kg, sendo que no Brasil o limite é 5 mg/kg e há outros valores para outros mercados: 0,2 mg/kg (União Européia), 10 mg/kg (Canadá), 3 mg/kg (Japão). Os limites de pesticidas em diferentes mercados podem ser consultados aqui.

A ação do FDA provocou reações imediatas dos produtores brasileiros que, por meio de reuniões envolvendo o Ministério das Relações Exteriores, o MAPA, o Ministério do Desenvolvimento, a Embaixada Brasileira nos EUA, FDA, EPA, USDA, entre outros, apresentaram duas propostas para o FDA:
1) Um phase out de 18 meses, ou seja, um intervalo de tempo com tolerância da presença de carbendazim até a chegada da próxima safra na qual não fosse aplicado este pesticida na cultura da laranja (6 meses entre janeiro e junho de 2012 mais 12 meses contados da safra de 2012);
2) Considerar o residual de carbendazim para o suco reconstituído, visto que não se consome suco concentrado puro. Como o fator de diluição para a reconstituição do suco é próximo de 5, os limites seriam: máximo de 10 ppb no suco reconstituído e máximo de 50 ppb no suco concentrado.
As duas propostas foram recusadas.

Ações da Fundecitrus

A associação dos citricultores (Fundecitrus) decidiu então pela remoção do carbendazim e do tiofanato metílico da Lista PIC/Fundecitrus, que é uma relação de ingredientes ativos de pesticidas que estão autorizados para uso na Produção Integrada de Citros (a lista pode ser acessada aqui). Esta decisão foi tomada em fevereiro de 2012. Adicionalmente, foi removeram este ativo nos contratos de compra da fruta pela indústria. Os produtores foram informados sobre o ocorrido e sobre a necessidade de parada do uso. Para lotes destinados aos EUA, são feitas análises das frutas e do produto acabado.

O Fundecitrus dispõe de um Comitê de Defensivos Agrícolas formado por técnicos de órgãos públicos e de empresas produtoras de sucos que faz o acompanhamento da atualização da legislação e dos limites internacionais dos ingredientes ativos dos pesticidas. Este grupo elaborou nova lista resultante do cruzamento da lista PIC Brasil com as dos EUA e União Europeia. Quando se sabe que algum ativo será eliminado da lista de algum destes mercados, pretende-se que os produtores brasileiros os retirem de uso antecipadamente. Isso que evitaria a repetição de problemas semelhantes ao do carbendazim.

No entanto, esta não é uma tarefa fácil. Muitos ativos ainda precisarão permanecer na lista, pois seus substitutos não estão regulamentados no Brasil e os processos são demorados. A simples retirada de um ativo da lista não é simples. É preciso haver opções para sua substituição, pois a redução de ativos para o controle de uma doença pode resultar em sua resistência frente aos outros ativos. Neste sentido, ações integradas com os órgãos reguladores no Brasil para agilizar os processos de lançamento e registro de novos ingredientes ativos são fundamentais.

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