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Adoçantes: conheça melhor a sucralose. É segura?

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Com o crescimento da obesidade, muita gente acredita que deve abrir mão dos doces para emagrecer; Mas existe uma boa notícia para quem adora doce: adoçantes de baixa caloria oferecem um meio de reduzir calorias em bebidas e alimentos doces, que podem ajudar a emagrecer ou manter o peso. Os adoçantes também são uma maneira de fazer com que os diabéticos diminuam a ingestão de carboidratos.

Já falamos sobre adoçantes antes. Relembre aqui os posts sobre aspartame e adoçantes artificiais.

Hoje vamos falar especificamente da sucralose. Trata-se de um adoçante que confere dulçor a bebidas e alimentos sem adicionar calorias ou carboidratos. O processo para obtenção da sucralose parte da própria sacarose (açúcar de mesa), alterando-se sua estrutura, através da substituição de três grupos OH (oxigênio – hidrogênio) na molécula de sacarose por três átomos de cloro, resultando num produto não calórico e intensamente doce. O nosso corpo não metaboliza a molécula de sucralose em caloria para nos fornecer energia como faz com a sacarose, mas a sucralose consegue ativar as mesmas papilas gustativas na língua para a nossa percepção do dulçor. Aliás, a sucralose tem um poder adoçante aproximadamente 600 vezes maior que a sacarose, e pode ser usada para cozinhar e assar, sem degradação, devido à sua alta estabilidade.

A sucralose é segura? É acumulativa? A maior parte da sucralose consumida não é absorvida e passa através do organismo. A pequena parte absorvida é excretada pela urina, sem acúmulo no corpo. A sucralose foi estudada extensivamente por cientistas e especialistas por todo o mundo (mais de 100 estudos de segurança em 20 anos de pesquisa), que concluíram que este adoçante é seguro para o consumo humano. Hoje, a sucralose está aprovada em pelo menos 80 países. Nos Estados Unidos, foi aprovada pelo FDA em 1999 para uso em todas as categorias de alimentos e bebidas.

Os estudos relacionados à segurança consideraram possíveis efeitos em diferentes condições de saúde, incluindo crescimento e desenvolvimento, risco de câncer, toxicologia, aparecimento de anormalidades (por exemplo, defeitos em fetos) e efeitos no sistema nervoso. Cientistas que participaram de uma vasta gama de pesquisas revisaram os dados e concluíram que não há efeitos danosos no consumo da sucralose, mesmo para os casos de pessoas que consomem as maiores quantidades. Isto significa que é possível consumir produtos com sucralose regularmente, sem preocupação. Em testes realizados com animais, inclusive com quantidades equivalentes ao dulçor de mais de18 kgde açúcar por dia, por toda a vida, não foram evidenciados sinais de que a sucralose possa ser cancerígena ou trazer malefícios ao longo do tempo.

Qualquer pessoa pode consumir sucralose, inclusive mulheres grávidas e lactantes. As pesquisas apontaram que a sucralose não tem qualquer efeito prejudicial às grávidas e aos bebês. Mesmo com a informação de que a sucralose possa ser consumida em dieta pré e pós-natal, uma mulher grávida ou lactante deve sempre consultar seu médico ou nutricionista em relação às necessidades nutricionais para apoiar sua saúde e a do bebê durante a gravidez e a infância.

Não há evidências de que a sucralose possa causar qualquer danos às crianças, ou que tenha efeitos secundários para qualquer indivíduo. A sucralose pode ser usada como parte da dieta das crianças para auxiliar na redução dos riscos de obesidade, sem privá-las do consumo de produtos doces.

No Brasil, a ANVISA autoriza o uso de sucralose em vários grupos de alimentos e bebidas, porém com limite máximo de uso, através da Resolução RDC nº 18 de 24/03/2008 (Regulamento Técnico que autoriza o uso de aditivos edulcorantes em alimentos, com seus respectivos limites máximos).

Em que pese todas as informações sobre a segurança no consumo da sucralose (inclusive em grandes quantidades, conforme afirmam os estudos), é sempre aconselhável que seja adotada uma dieta balanceada e sem exageros.

Fonte:

http://www.foodinsight.org/Resources/Detail.aspx?topic=Everything_You_Need_to_Know_About_Sucralose

http://www.foodinsight.org/Content/5519/Sucralose%20cons%20piece_web.pdf


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Resenha crítica: EMBRAPA: Análise das violações encontradas em alimentos nos programas nacionais de monitoramento de agrotóxicos

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A Embrapa elaborou no mês de junho, uma análise das violações encontradas em alimentos nos programas nacionais de monitoramento de agrotóxicos. Segundo os autores,  o Brasil consolidou-se nos últimos anos, como destaque na produção agrícola mundial, com isso também houve grande aumento na utilização de agrotóxicos.

Os agrotóxicos são utilizados visando aumento da produtividade e aumento de área cultivada. Em 2009, o consumo no Brasil superou 300 mil toneladas, o que representa um aumento de 50% em 4 anos. Com o aumento do uso de agrotóxicos, aumenta também a preocupação com os resíduos dessas substâncias nos alimentos e a segurança dos alimentos oferecidos à população. No Brasil existem alguns programas de monitoramento para avaliação dos resíduos de agrotóxicos em alimentos consumidos  in natura, que fazem a avaliação contínua dos níveis desses resíduos.

O programa de Análises de Resíduos e Agrotóxicos em Alimentos  (PARA) da ANVISA teve início em 2001, e conta com ajuda das Coordenações de Vigilância Sanitária dos estados para realização da coleta dos alimentos nos supermercados. A metodologia utilizada para as análises é baseada na recomendação da comissão do Codex Alimentarius. No início do programa eram avaliadas somente 9 culturas em quatro estados,  já em 2009, 26 estados com 20 culturas participaram do programa. A avaliação do programa classifica os resultados como NA quando são identificadas amostras com resíduos de agrotóxicos não permitidos para a cultura, LMR para os resíduos acima do limite máximo permitido e amostras que apresentem as duas situações. Em 2009, 29% das amostras foram consideradas insatisfatórias, sendo que dessas 82% foram notificadas como NA, 9,7% como LMR e 8,3% apresentam as duas condições.  As culturas que apresentaram os menores índices de violação foram a banana, batata, feijão e maçã, já as campeãs nos níveis insatisfatórios foram o pimentão, uva, pepino e morango.  A avaliação dos resultados obtidos pelo programa PARA demonstram que esses resultados são recorrentes, e podem ser explicados por alguns fatores que compõem a realidade da agricultura brasileira. As amostras acima de LMR indicam a incorreta utilização dos agrotóxicos, em desacordo com as recomendações dos rótulos e bulas. Já as amostras NA apontam a ausência de opções de produtos agrotóxicos no mercado para as culturas com menor retorno de investimento, conhecidas como ”minor crops”, obrigando os produtores a utilizarem agrotóxicos não autorizados.

O Ceagesp e o MAPA são responsáveis pelo plano nacional de controle de resíduos e contaminantes (PNCRC), analisando os resíduos em 12 culturas, principalmente voltadas para as culturas menores.  Em 2009, 9,6% das amostras foram consideradas insatisfatórias, sendo que não foram observadas violações em amostras de bananas e uva, e as culturas que apresentaram o maior índice de reprovações foram alface e morango. No período de1994 a2005, das amostras analisadas, 45,6% apresentaram a utilização de agrotóxicos não autorizados e 4,5% limite de uso acima do permitido.

O morango foi  o campeão de resíduos de agrotóxicos em 2009

 

Quando comparados os dois programas, observam-se algumas diferenças nos resultados, o que pode ser explicado pelas diferenças de amostragem e metodologias de análise, uma vez que amostras coletadas em diferentes regiões com condições de aplicação específicas apresentam variações.

Concluindo, destaca-se a importância do fortalecimento dos canais de comunicação que possibilitem um maior esclarecimento dos produtores, da fiscalização dos órgãos competentes e o controle da rastreabilidade, permitindo a identificação dos locais de uso inadequado dos agrotóxicos e melhor direcionamento dos esforços para adequação dos produtos agrícolas. A publicação da  Instrução Normativa Conjunta (INC) nº1 pela ANVISA, IBAMA e MAPA representa um importante avanço para a ampliação de agrotóxicos permitidos para culturas menores, pois permite a extrapolação dos limites máximos de resíduos de culturas representativas para essas culturas.

Veja o trabalho completo clicando aqui:

http://www.infoteca.cnptia.embrapa.br/bitstream/doc/960481/1/Doc92.pdf

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Contaminação de alimentos por benzeno, acrilamida, bisfenol A, acetaldeído e ftalatos

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No dia 25/04/13, no XII Congresso de Higienistas  de Alimentos, assisti a palestra da Drª. Shirley de Mello Pereira Abrantes, intitulada “Contaminação de alimentos por: benzeno, acrilamida, bisfenol A, acetaldeído, ftalato de di-(2-etil-hexila e adipato de di(2-etil-hexila)”.

O objetivo principal da palestra era dar um panorama sobre os principais perigos químicos que são formados nos diversos tipos de processamento dos alimentos. Vamos lá!

 BENZENO

 O Benzeno, é um composto orgânico volátil, constituinte do petróleo, utilizado como solvente em laboratórios químicos (analíticos e de sínteses), como matéria prima nas indústrias químicas, e, encontrado nos parques petroquímicos, de refino de petróleo, nas companhias siderúrgicas, nas usinas de álcool anidro, na gasolina e na fumaça do cigarro. Vulcões e queimadas de florestas são fontes naturais que também contribuem para sua presença no meio ambiente.

Em 2009, a Proteste fez um estudo que detectou benzeno em cinco marcas famosas do mercado brasileiro. O problema é que o benzeno gera reações nocivas em nosso organismo, prejudicando a saúde. Segundo a palestrante, a formação de benzeno em refrigerantes resulta da descarboxilação do conservante ácido benzóico na presença de ácido ascórbico (vitamina C) principalmente sob a ação de calor e luz. A exposição ao benzeno pode causar câncer e algumas doenças no sangue.

 ACRILAMIDA

 Outra substância que têm causado preocupação é a chamada acrilamida. Essa substância é fruto da reação de Maillard que ocorre em alimentos cozidos em altas temperaturas (batata-frita, grelhados, assados). O problema é que a acrilamida também é causadora de câncer e os alimentos associados são geralmente de grande consumo entre a população.

Como ela é uma substância relacionada aos açúcares presentes nestes alimentos, uma forma de “amenizar” a formação deste compostos é a prática do branqueamento (principalmente de batatas) antes de fritá-las, eliminando parte dos açúcares da superfície do alimento.

 BISFENOL A

 Outra substância “queridinha” do momento, bastante abordada atualmente e de grande importância. Segundo a Anvisa, a substância Bisfenol A é utilizada na produção de policarbonato e em vernizes epóxi  O policarbonato, por sua vez, apresenta características como alta transparência e resistência térmicas e mecânicas. Por esse motivo, é utilizada na fabricação de mamadeiras e copos infantis, bem como em vernizes que revestem embalagens metálicas de alguns alimentos.

A polêmica em torno desta substância seria que os problemas de saúde causados através da exposição à mesma, só seriam causados se a ingestão fosse em doses elevadas. Mesmo assim, o Brasil decidiu proibir a importação e fabricação de mamadeiras que contenham Bisfenol A, considerando a maior exposição e susceptibilidade dos indivíduos usuários deste produto.

A legislação foi atualizada em 2012, como já relatado aqui no blog, através da RDC 56.  

ACETALDEÍDO

 A palestrante demonstrou vários estudos relacionados a essa substância, que afirmam que este composto presente principalmente em garrafas PET, pode migrar para o alimento, bem como para o ambiente. 

A Dra. Shirley enfatizou o estudo de MUSTUGA (2005) que relata que o acetaldeído é formado pela  degradação do PET durante o processo de fusão, e migra da embalagem de PET para bebidas ao longo do tempo e a ele, são atribuídas as alterações de sabor de água mineral e bebidas carbonatadas. A importância da detecção e controle dessa substância se dá devido a sua carcinogenicidade, onde foi comprovado que tal substância induziu câncer nasal em ratos após a administração por inalação.

DEHP e DHA

Por fim, foi explanado sobre as substâncias DEHP (adipato de di(2-etil-hexila)) e o DHA (ftalato de di-(2-etil-hexila)). Estes compostos são utilizados na elaboração de embalagens de vários produtos alimentícios e estudos bastante atuais estão sendo realizados para avaliação o percentual de migração destes compostos para os alimentos.

Em alguns estudos (http://www6.ensp.fiocruz.br/visa/?q=node/5202 ), avaliou-se que a migração destes compostos em alimentos como peito de frango, carne bovina magra, pizza de mozarela, coxa de frango e queijo mozarela apresentaram valores até 37 mais do permitido para o DEHA (18 mg/kg) e 1.779 vezes mais para o DEHP (1,5 mg/kg).

Fomos apresentados também a legislação que trata destas substâncias e sua utilização em embalagens de alimentos, a RDC 17, de 17 de março de 2008.

A palestra foi bem interessante e nos aguçou e fez refletir sobre fatores que muitas vezes deixamos passar e que de fato, têm grande importância na segurança dos alimentos e para a segurança da nossa saúde e que certamente necessitam de mais estudos e atenção. Até a próxima!

 

Fontes:

http://www.institutosalus.com/noticias/saude-publica/alimentos-contaminados-poem-em-risco-a-saude-dos-brasileiros

 

http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/anvisa/home/alimentos/!ut/p/c4/04_SB8K8xLLM9MSSzPy8xBz9CP0os3hnd0cPE3MfAwMDMydnA093Uz8z00B_A3cvA_2CbEdFADQgSKI!/?1dmy&urile=wcm%3Apath%3A/anvisa+portal/anvisa/inicio/alimentos/publicacao+alimentos/bisfenol+a

 

 

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Mas o que é que eu vou comer?

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Tenho que tomar cuidado com a carne vermelha.  Produtos de origem animal podem transmitir zoonoses, doenças disseminadas do animal ao homem, bem sabia minha avó em relação à cisticercose. E.coli O157:H7 e Salmonela, quando não mataram, deixaram sequelas  por toda a vida a muita gente que consumiu hambúrguer mal passado e ovos mal cozidos. Vou ficar então com carne branca. Mas se criadores descuidarem dos promotores de crescimento (antibióticos), vamos ter resíduos em frangos. Antibiótico também no peixe criado em cativeiro? Vou comprar só os de captura marinha. Mas encontraram arsênio e chumbo? Então o simples e bom ovo beeem cozido no prato! Na Alemanha encontraram dioxina nos ovos por que a ração das galinhas estava contaminada.  Hum, já sei… proteínas lácteas na cabeça!  Tem antibióticos também? Formol???? Vamos ficar no reino vegetal, então. Sério que  as saudáveis saladas já são as principais causas de doenças transmitidas por alimentos dos EUA? Fruta então?  Listeria em melão em um dos surtos mais letais… mas há opções, claro! Como se diz lá fora,  “One apple a day keeps the doctor away”. Maçã para dentro, certo? Que? Verdade também que esta fruta é a número 1 em resíduos de agrotóxicos lá fora? Bem, vou fugir dos pesticidas e entrar de cabeça nos orgânicos, com certeza! Como assim?…  O broto de feno grego contaminado com E.coli era orgânico??? Chamo os industrializados, quero tudo enlatado e estéril! Não me diga que o revestimento das latas contém bisfenol A, um desregulador endócrino? Você está falando de disfunções hormonais? Vou passar a pão e água! Mas integral para ser mais saudável. Mas pode ter mico… micotoxinas? Da farinha de trigo? E o pão branco ainda   pode ter acrilamida se estiver muito douradinho!

P@#* que p*&]§, Mas o que é que eu vou comer?

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Alimento seguro e saudável: segurança alimentar e sustentabilidade

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No Congresso de Higienistas de Alimentos 2013, no dia 24/04, assisti a palestra do Dr. Eneo Alves da Silva Jr. da Pró Alimento – CDL, intitulada “Alimento Seguro e Saudável: Segurança Alimentar e Sustentabilidade”.

O objetivo principal desta discussão era demonstrar que a população em geral tem o direito ao acesso a alimentos inócuos do ponto de vista microbiológico e saudável, apresentando todos os componentes necessários para a nossa nutrição completa. Mas como conseguimos isso?

 De acordo com a lei n° 11.346 de 15 de setembro de 2006, todo mundo tem direito a uma alimentação saudável, acessível, de qualidade, em quantidade suficiente e de modo permanente. Isso é Segurança Alimentar e Nutricional. Ela deve ser totalmente baseada em práticas alimentares promotoras da saúde, sem nunca comprometer o acesso a outras necessidades essenciais. Esse é um direito do brasileiro, um direito de se alimentar devidamente, respeitando particularidades e características culturais de cada região.

 Foram citadas algumas doenças alimentares divididas em subgrupos, comosas doenças nutricionais (bulimia, anorexia), as alergias (alergênicos, como exemplo, pessoas alérgicas à soja, camarão, entre outros alimentos), incompatibilidade alimentar (caso dos celíacos ou dos diabéticos), enfermidades causadas pelo consumo exagerado de determinado alimento e por fim as Doenças Transmitidas por Alimentos.

 Um ponto de discussão levantado foi o controle dos perigos relacionados aos alimentos aliado à nutrição. Foram ressaltados os riscos da contaminação dos alimentos não só pelos microrganismos patogênicos mas também, os microrganismos deteriorantes que afetam além da qualidade físico-química e sensorial dos produtos, afeta a qualidade nutricional dos alimentos.

 Para o palestrante, neste contexto,o conceito de sustentabilidade seria a ligação entre SEGURANÇA + ALIMENTO SAUDÁVEL, o que nos remete mais uma vez, aos sistemas de gestão de qualidade.

 As ferramentas citadas na palestra foram:

 –       Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle (APPCC): Bastante utilizado. Tem como pré-requisito as Boas Práticas de Fabricação e os Procedimentos Padrão de Higiene Operacional. Esses pré-requisitos identificam os perigos potenciais à segurança do alimento desde a obtenção das matérias-primas até o consumo, estabelecendo em determinadas etapas (Pontos Críticos de Controle), medidas de controle e monitorização que garantam, ao final do processo, a obtenção de um alimento seguro e com qualidade.

–       BRC FOOD: Norma de certificação Britânica que é bastante prescritiva, detalhando os requisitos a serem aplicados para a conformidade com requisitos legais, segurança de alimentos e qualidade. Se constrói a partir do HACCP e comprometimento da alta direção.

–       ISO 22000: A norma da família ISO que define os requisitos de um sistema de gestão de segurança alimentar. A norma combina elementos de toda a cadeia produtiva e abrange: Comunicação interativa, sistema de gestão, controle de perigos para a segurança alimentar através dos requisitos e planos da APPCC, melhorias contínuas e atualização dos sistemas de gestão de segurança alimentar.

–       FSSC 22000: Além da ISO 22000, esta norma é agregada de programas de pré-requisitos. Além de requisitos já familiares a quem segue diretrizes do MAPA e ANVISA, são exigidos controles para utilidades, gestão de materiais adquiridos, retrabalho, informações sobre o produto/conscientização do consumidor, food Defense, biovigilância, bioterrorismo.

 

 Para finalizar, o palestrante enfatizou a importância da criação do elo:

 

EMPRESÁRIOS -> VIGILÂNCIA SANITÁRIA -> TÉCNICOS CAPACITADOS

 Para geração de resultados sólidos, divulgação da importância dos sistemas de gestão na prevenção das DTA, bem como as vantagens da implantação destes processos.

A reflexão final deixada foi referente a evolução destas ferramentas, pois antes (e ainda são?) avaliados as condições de uma cozinha com por exemplo, “um azulejo quebrado” e hoje, se dá mais importância ao binômio “tempo X temperatura”.

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Palestra sobre Fraudes em alimentos

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Fraude em alimentos

Nosso blog foi representado no evento VII Seminário de Aplicação das ferramentas APPCC, PPHO e BPF  pela palestra Fraudes em Alimentos, ministrada pela nossa colunista e também sócia fundadora da Flavor Food, Juliane Dias.

Juliane explicou que a fraude em alimentos já era uma preocupação desde o século IV A.C. Trata-se de um termo genérico utilizado para abranger a deliberada e intencional substituição, adição, adulteração, falsificação de alimentos, ingredientes alimentares, ou embalagens de alimentos, ou afirmações falsas ou enganosas feita sobre um produto para o ganho econômico.  A única motivação da fraude em alimentos  é a obtenção de lucro.

 Apesar de não ser novidade, o assunto tem sido considerado um “ hot topic” nos principais eventos de segurança de alimentos do mundo, tendo sido amplamente discutido no evento do GFSI de 2013. Isto ocorre porque ao fraudar um alimento, pode-se além de enganar o consumidor, gerar uma contaminação não intencional e até mesmo desconhecida do fraudador. Para ilustrar esta possibilidade, pode-se citar: presença de metais pesados na água oxigenada utilizada para fraudar o leite, hormônios em carne de cavalo utilizado em produtos que deveriam ter apenas carne bovina e ainda as consequências observadas pelo uso de melamina em produtos lácteos.  A fraude em alimentos, deixa de ser simplesmente um desvio de qualidade e passa a ser encarada como uma enorme preocupação para a saúde pública, devendo ser gerenciada pelos programas de segurança dos alimentos.

 Diversos cases de fraudes em alimentos foram citados, demonstrando que trata-se de um problema sério e real. Na ocasião, também foi apresentado um interessante estudo da USP, baseado no banco de dados mantido por esta organização (food fraud database). Este estudo demonstrou que os dados de 1980 a 2010 indicavam os seguintes alimentos como sendo os mais susceptíveis a fraude: 

  • Azeite de oliva
  • Leite
  • Açafrão
  • Mel
  • Café
  • Suco de laranja
  • Suco de maçã

Após um trabalho intensivo realizado nos anos 2011 e 2012, surgiram os seguintes alimentos:

  • Chá
  • Pescado
  • Agentes de turbidez (2 etil-diexil ftalato)
  • Suco de limão

 O desafio agora é como introduzir controles contra a fraude dos alimentos nos programas de segurança das organizações. Como as possibilidades de fraudes são quase que infinitas, a recomendação é que não se gaste tempo e dinheiro buscando substâncias inapropriadas ou indesejadas nos produtos, pois existe uma enorme probabilidade da medida ser ineficaz.

 O mais indicado é conhecer muito bem as características de cada produto e buscar ter evidências de que este atende a estes parâmetros considerados essenciais. Isso pode ser feito com estudos e análises que comprovem que o produto atende a uma especificação ou padrão conhecido. Em paralelo, a organização identificar e estabelecer medidas para eliminar ou minimizar as vulnerabilidades de cada empresa.

 Neste contexto, especialistas  indicam que a fraude dos alimentos é um crime de oportunidade e indicam o uso da criminologia para o tratamento das ameaças de fraude.

 Premissa:

Um incidente específico pode nunca ter ocorrido antes e pode nunca ocorrer outra vez, porque há um número quase infinito de fraudadores e um número quase infinito de tipos de fraude.

 O Triângulo do Crime é uma ferramenta para desconstruir a oportunidade da fraude. Cada personagem previsto nesta ferramenta desempenha um papel na contribuição ou na redução de uma oportunidade de fraude.

Figura: Spink & Mayer, D.C. 2011a 

 

  • Vítimas: são os consumidores, varejistas, fabricantes, ou governo. Como o número de marcas cresce (vítimas), a oportunidade de fraude cresce.
  • Guardiões: são os profissionais que estão tentando proteger produtos por meio de inspeção, estudo, teste ou investigação.
  • Barreiras: são as medidas defensivas que os guardiões usam para aumentar a probabilidade do fraudador ser pego ou para aumentar o custo de se cometer uma fraude.

 O fraudador busca ganhar dinheiro com o menor risco de ser identificado.  Muitas vezes, uma medida que apenas reduz o potencial ganho financeiro ou que aumente (mesmo que ligeiramente) a probabilidade de ser pego, pode fazer o fraudador mudar de idéia ou de alvo.

 Em outras palavras: As barreiras não precisam ser perfeitas ou invencíveis. Em muitos casos, simplesmente mudando os procedimentos de operação pode-se reduzir as vulnerabilidades.

 

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Ser celíaco… como é viver assim.

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Solange Nascimento, 40 anos, foi diagnosticada com doença celíaca aos 34. Ela faz parte da ACELPAR – Associação de Celíacos do Paraná.  Na entrevista abaixo ela nos conta um pouco sobre a rotina e as principais dificuldades enfrentadas pelos celíacos.

-Como foi diagnosticada com doença celíaca e quais eram os sintomas?

Minha irmã apresentou os sintomas e fui diagnosticada por consequência de exames em familiares. Sintomas: constipação, estufamento, osteopenia, dores nas juntas.

 -O que mudou na sua rotina? E na da sua família?

Como já tinha irmã celíaca em casa tudo já era sem glúten. O mais complicado é comer fora de casa, temos que tomar cuidado, mas dá para se adaptar.

 -Falando nisso como é para comer fora de casa?  Quais as principais dificuldades?

Tem que perguntar tudo antes de consumir o alimento, se tem caldo de carne, se estão engrossados com trigo, se tem amaciante na carne etc… A maior dificuldade é ir a um local e encontrar comidas sem contaminação cruzada, além de achar opções nos restaurantes.

 -Em relação à alimentação o que não falta na bolsa de uma pessoa celíaca?

 Já existem barrinhas, biscoitos que podemos levar na bolsa.

 -Você se sente segura em consumir um alimento industrializado se baseando apenas pela informação do rótulo “contém glúten ou não contém glúten”?

Dependendo do produto não, às vezes leio os ingredientes para ter certeza. Tento comprar produtos de empresas confiáveis ou de renome para ter mais confiança nas informações do rótulo.

 -Já teve algum problema por consumir um alimento acreditando que não tinha glúten? Os sintomas são imediatos?

Sim. Só estufamento é imediato, pois não tenho diarreia.

 -Como é a postura das indústrias de alimentos com este público?

O interesse é só por parte de empresas que produzem alimentos específicos sem glúten, no geral quase não há interesse em ter linha especial sem glúten na produção.

 -De quais produtos sente mais falta? E o que gostaria que a indústria desenvolvesse?

Sinto mais falta de pão francês, croissant. Gostaria de alimentos prontos para consumo como empadões,  lasanhas, quiches etc..

-Como é o acompanhamento médico?

Faço anual com gastroenterologista.

-Qual a importância de fazer parte de associações ou grupos de apoio?

 Auxiliar as pessoas recém-diagnosticadas, fazer valer nossos direitos perante a sociedade, conseguir benefícios e segurança para os celíacos. 

 -Deixe uma mensagem para pessoas que acabaram de ser diagnosticadas.

 No início parece o fim do mundo, porém quando se descobre que existem opções sem glúten que substituem a alimentação ou quando se aprende a fazer os alimentos com as farinhas preparadas é só uma questão de adaptação.

 Agradecimento especial a Federação Nacional das Associações de Celíacos do Brasil (www.fenacelbra.com.br).

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O cobre no combate ao norovírus

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O norovírus é um tipo de vírus facilmente transmitido pela água contaminada com fezes, por alimentos crus manipulados por pessoas contaminadas, superfícies de contato contaminadas e por meio do contato de indivíduos sadios com pessoas doentes. É altamente contagioso, podendo causar doença com sintomas como diarreia, vômitos e dor de estômago. Muitas das famosas viroses são causadas por eles.

Os surtos de norovírus são particularmente comuns em navios (cruzeiros), hotéis, casas de repouso, clínicas e hospitais. Só no Reino Unido, são registrados em média 267 mil casos de gastroenterite aguda por ano. Ele é difícil de ser inativado, inclusive pelas máquinas lava-louças e a ação do  alcool. 

Estudos apresentados por Bill Keevil, Professor Titular em Saúde Ambiental da Universidade de Southampton (Reino Unido), no encontro anual da Sociedade Americana de Microbiologia (maio de 2013), apontam que o norovírus pode ser facilmente eliminado pelo cobre. A pesquisa demonstrou que o norovírus é rapidamente destruído em superfícies feitas de cobre e suas ligas, sendo que as que continham mais de 60% de cobre se mostraram particularmente mais eficazes. O método de contaminação utilizado no estudo foi uma simulação do contato dos dedos de uma pessoa doente com a superfície em questão.

“Superfícies de cobre e suas ligas podem ser utilizadas em áreas de alto risco, tais como navios e lares (por exemplo, para idosos) onde os surtos de norovírus são difíceis de serem controlados, em função de que as pessoas acabam não conseguindo evitar a contaminação do ambiente através de vômito e diarreia”, afirma o Prof. Keevil.

Ainda de acordo com Keevil, “os vírus têm capacidade de permanecer infecciosos em superfícies sólidas e também podem apresentar resistência a muitos produtos usados na higienização. Isto significa que o vírus pode contaminar um indivíduo saudável que tocar esta superfície contaminada, causando infecções posteriores de outras pessoas e mantendo assim o ciclo infeccioso. Superfícies feitas de cobre e suas ligas, tais como maçanetas de portas ou torneiras, podem quebrar este ciclo de infecções e diminuir os riscos de surtos”. Em nosso blog também mostramos que íons de prata contribuem na manutenção de superfícies descontaminadas.

É importante relembrar que superfície de cobre, como sugere o Prof. Keevil, é uma das medidas de controle possíveis, porém a higiene também é fundamental. Veja mais dicas sobre prevenção contra o norovírus aqui

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Identificando requisitos metrológicos do cliente

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No post anterior falamos da importância de um sistema de gestão das medições, a fim de assegurar que medições relevantes sejam realizadas, e de maneira consistentes com os requisitos de monitoramento e medição. Este artigo trata, brevemente, da determinação desses requisitos metrológicos do cliente, a partir dos quais as características metrológicas dos equipamentos de medição e os critérios de aceitação de calibrações e dos resultados de medição são melhor estabelecidos.

Os requisitos metrológicos dos clientes são aqueles relacionados com a conformidade do produto, além dos estabelecidos como parâmetros de processo e de suas entradas, os quais devem, a rigor, ser informados pelo cliente, que comunica a especificação das variáveis a serem medidas. Por exemplo, cabe ao cliente de um laboratório de análise de alimentos informar a faixa de valores aceitável para o parâmetro a ser quantificado pelo ensaio no produto acabado, da mesma forma que cabe a um cliente interno definir e comunicar os parâmetros de processo e requisitos de verificação de materiais recebidos.

Porém, a determinação de requisitos metrológicos requer conhecimento do processo e de metrologia e não raro é feito por pessoas qualificadas, que desempenham essa atividade em nome do cliente. Independentemente de quem realiza a especificação dos requisitos metrológicos do cliente, o mais importante é que eles sejam suficientemente claros para que a capacidade de medição de um instrumento particular seja determinada. Pois, reiteramos, o requisito metrológico do cliente é a base para a comprovação metrológica.

Apliquemos o que foi dito a um cliente que pasteuriza leite. O requisito metrológico para o produto final, no que se refere à acidez é 0,14-0,18 g/100mL. Diretamente relacionada a esse parâmetro está a temperatura de recebimento do leite cru refrigerado e de resfriamento e estocagem do leite cru refrigerado. Então temos um requisito metrológico de entrada do processo, que é no máximo 10oC, e do processo de resfriamento, que é menor ou igual a 5oC. Nestes dois últimos casos, em que temos um limite legal apenas para temperatura máxima, considerações econômicas e tecnológicas devem subsidiar a determinação de um limite inferior, digamos que 7oC e 3oC, respectivamente, resultando numa faixa de temperatura para recebimento de 7oC a 10oC e de resfriamento de 3oC a 5oC. Esta faixas devem ser interpretadas e expressas como requisitos metrológicos do cliente.

Com essas informações em mãos é possível definir as características metrológicas dos equipamentos de medição (balança, acidímetro, termômetros, etc) de forma a que tenham capacidade de produzir resultados de medição que sejam confiáveis. O procedimento para isso é o tema do próximo artigo da série.

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Avaliação de risco microbiológico – cobertura do blog Food Safety Brazil

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A convite do ILSI Brasil (International Life Science Institute), estivemos representando o blog Food Safety Brazil no Workshop Atualidades em Food Safety V, realizado dia 9 último em São Paulo. Dividido em duas partes, estiveram em pauta questões envolvendo alergia alimentar e microbiologia dos alimentos, temas desenvolvidos por especialistas da Argentina e do Brasil. 

 Neste post e nos próximos estaremos fazendo um relato das palestras que tivemos oportunidade de assistir, começando com “Avaliação de Riscos Microbiológicos em Alimentos: qual o seu impacto na saúde pública?”, apresentada pela Dra. Bernadete Franco, da USP.

 Risco e Inocuidade são inversamente proporcionais, quanto maior a inocuidade de um dado alimento, menor é o risco que ele representa à saúde pública. Porém, convém ter em mente que eliminar completamente o risco é inviável e, portanto, tem-se que operar com a ideia de um risco aceitável.

 A partir daí pode-se realizar a análise de risco, considerando primeiramente o aspecto científico da mesma, que é a avaliação do risco. Esta avaliação é específica, ou seja, realizada para determinado alimento e determinado perigo. Em seguida, o risco é gerenciado, que vem a ser o aspecto prático, ou operacional, da análise de risco. Finalmente, o aspecto interativo refere-se à comunicação do risco.

 Na avaliação de risco, os seguintes elementos são considerados:

 1. Identificação do perigo. Sempre levando em conta o alimento considerado, procura-se identificar os riscos possíveis e dentre estes os que são capazes de causar enfermidades. 

 2. Caracterização do perigo. Deve-se levar em conta as variáveis como tipo de consumidor afetado, a gravidade da enfermidade provocada pelo perigo e a dose infectante.

 3. Avaliação da exposição. O objetivo aqui é determinar o nível do perigo no momento do consumo. Porém, isso é feito avaliando-se o nível na matéria-prima, o efeito do processamento, eventual contaminação pós-processamento e do armazenamento e distribuição, além do impacto da forma de preparação e consumo.

 4. Estimativa do risco. Com base nesses dados, é possível se fazer estimativas do risco e para isso existem alguns softwares disponíveis.

 

A avaliação do risco serve ao propósito de tornar possível e eficaz a gestão do risco. Esta é feita através da identificação e avaliação das opções possíveis. As alternativas são eliminar o risco, o que só é possível com o banimento do alimento associado, reduzir a exposição, através de rotulagem e educação, controlar as concentrações iniciais dos perigos pela seleção de ingredientes ou mudança na formulação, impedir o aumento da concentração perigo, por exemplo com refrigeração.

 O gerenciamento de risco microbiológicos em alimentos é tema de saúde pública, por isso a iniciativa é do governo, que estabelece metas de saúde pública e o nível do perigo no consumo, a partir dos quais a indústria estabelece seus objetivos de desempenho. A confirmação de que os níveis de perigos estão sendo atendidos é feito pelos critérios microbiológicos.

 

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