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O risco do consumo de alimentos com agrotóxicos

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O relatório emitido pelo PROGRAMA DE ANÁLISE DE RESÍDUOS DE AGROTÓXICOS EM ALIMENTOS (PARA) referente às atividades de 2012 reflete em um cenário onde 29% dos alimentos consumidos pela população brasileira apresentam índices insatisfatórios frente aos ingredientes agrotóxicos utilizados. Veja outro post sobre.

 

O cenário brasileiro reflete casos de utilização de resíduos de agrotóxicos (permitidos) com concentrações acima do permitido além de utilização de substâncias proibidas pela legislação do país.

O pior cenário é para morangos, que já é reincidente historicamente.

 

 

A preocupação com consumo de alimentos com agrotóxicos é importante, pois existe uma exposição agregada acarretada por diversas formas de exposição, tais como, água de consumo, alimentos de origem vegetal e animal, exposição dérmica etc.

 

Recomendações aos consumidores:

Opte por alimentos rotulados com identificação do produtor. O fato de o alimento trazer a rotulagem pode contribuir para o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos seus produtos.

Realize lavagem e retirada de cascas e folhas externas das mesmas, pois os agrotóxicos aplicados nas culturas agrícolas têm a capacidade de penetrar no interior de folhas e polpas do vegetal. Esta prática favorece a redução dos resíduos de agrotóxicos, limpando a superfície dos alimentos. No entanto, mesmo fazendo isso não é possível eliminar os resíduos contidos em suas partes internas.

O material está disponível para consulta no site a Anvisa:

http://portal.anvisa.gov.br/wps/wcm/connect/58a5580041a4f6669e579ede61db78cc/Relat%C3%B3rio+PARA+2011-12+-+30_10_13_1.pdf?MOD=AJPERES

 

 

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Procedimentos de Rastreabilidade e Gestão de Incidentes

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No dia 23 de Outubro de 2013 foi realizada pelo Grupo Pão de Açúcar e a Empresa SGS uma Conferencia com o Tema: Conceitos e Aplicabilidade dos Procedimentos de Rastreabilidade e Gestão de Incidentes. Este é um tema de alta procura pelas empresas de alimentos, pois não há procedimentos normatizados ou definidos por nenhuma certificação que padronize e forneça os caminhos a se tomar diante de uma crise, sendo um assunto de grande procura e de grande estudo.

A priori vamos definir os conceitos de incidente e de crise em empresas de alimentos.

  • Incidente: Qualquer evento INESPERADO ocorrido que resulta na produção ou fornecimento de um produto inseguro, ilegal ou não conforme.
  • Crise: Situação em que um INCIDENTE torna-se público ou fora do controle, sendo o mesmo de RISCO alto à segurança, saúde pública que impactam na sociedade de forma negativa.

Como vimos pelas definições o incidente é um evento mais fácil de gerenciar, porém uma crise pode tomar proporções enormes para a empresa caso o evento não seja gerenciado da melhor forma para amenizar os problemas causados ao consumidor. Uma crise bem gerenciada trará muitos benefícios para a empresa, dentre eles temos:

  • Proteção da marca e a manutenção da reputação do negócio;
  • Minimização dos riscos ao consumidor;
  • Obter fidelização do cliente pela transparência e clareza da comunicação.

Para ter um bom programa de gerenciamento de crise é necessário desmistificar alguns conceitos e reafirmar outros tais como:

  • Uma sistemática documentada explicando as etapas para implantar um gerenciamento de crise é de suma importância para a contenção de crises.
  • Todas as empresas estão susceptíveis a crises independente do porte e do tipo de produto.
  • A capacitação dos funcionários é essencial para evitar que um incidente se transforme em uma crise, caso essa já tenha se instalado é necessário a utilização de ferramentas e métodos para tornar o evento menos oneroso.
  • Uma crise bem gerenciada é pautada pela transparência, honestidade e com informações verdadeiras fornecidas aos clientes no menor tempo possível.
  • Uma crise é responsabilidade de todos da corporação principalmente a alta direção, lideranças de Rh, industrial, técnico. É fundamental a importância de um assessor de imprensa.

Para a crise se tornar bem gerenciada é necessário a atribuição de responsabilidades para todos os setores em uma empresa. Essa delegação de afazeres não está relacionada com as atribuições normais que competem a cada setor da corporação, mas a responsabilidade atribuída a cada setor ou departamento quando uma crise está instalada. Como exemplo podemos citar o setor de vendas que é responsável por contatar clientes, auxiliar no recolhimento de produtos e distribuir cartas de créditos.

A principal ferramenta utilizada para a retirada dos produtos não conformes das mãos dos consumidores é o recall. É por meio dele que a corporação mostra a sua real preocupação com a saúde pública. A seguir vamos diferenciar o recall e o recolhimento, mostrando quando cada um é utilizado.

  • Recolhimento: Acontece quando é necessária a remoção de produtos não conformes até os pontos de vendas ou distribuidores. Ou seja, o recolhimento não se estende aos produtos vendidos aos consumidores.
  • Recall: Acontece quando é necessária a remoção de produtos não conformes e a abrangência estende-se não somente aos canais de distribuição, mas inclusive aos produtos já em poder dos consumidores.

Para um bom procedimento de recolhimento e recall é interessante a formulação de uma árvore decisória identificando as etapas do processo, as ações a serem tomadas ao ser identificada uma não conformidade e quando teremos um recolhimento e um recall. Para que ambos as ações sejam efetivas é necessário sempre manter os procedimentos revisados e atualizados, assegurar por meio de testes regulares a operação eficaz das ações e a revisão de registros e incidentes.

Nesse resumo pudemos ver que o tema é de suma importância para todas as empresas de alimentos pequenas, médias ou grandes. Para a manutenção de uma marca ou de um produto no mercado se torna interessante um bom plano de gerenciamento de crise para amenizar os danos socioeconômicos que podem ser causados quando uma crise está instaurada.

Rafael A. M. Samogim, engenheiro de alimentos

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Mitos e verdades sobre a segurança de alimentos

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Comemorando ainda o mês das crianças, postarei uma matéria feita por Howard Seltzer, Conselheiro Nacional da Educação do Centro de Segurança Alimentar e Nutrição Aplicada da FDA, que retrata mitos e verdades sobre alimentos bastante consumidos pelos baixinhos. O texto original pode ser conferido em: http://www.foodsafety.gov/blog/arentquiteright.html

 Vamos lá!

 Quando se fala que massa de biscoito crua é apenas um problema para as crianças ou que o microondas elimina os germes, você pode estar ouvindo coisas sobre segurança dos alimentos que podem estar incorretas, o que pode acarretar doenças. No entanto, apenas no mês de setembro, mês Nacional da Educação sobre Segurança Alimentar, a parceria sem fins lucrativos para o Ensino de Segurança Alimentar, em cooperação com o Departamento de Agricultura dos EUA e a Food and Drug Administration, estão lançando uma campanha para corrigir equívocos comuns sobre a segurança alimentar.

 Para 2013, os mitos retratados são:

 MITO 1: Apenas as crianças comem massa de biscoito e/ou de bolo cru. Se mantivermos as crianças longe destes produtos crus antes de serem assado, não será um problema!

 Resposta: Apenas a lamber a colher com a massa crua pode deixá-los doentes!

 Ninguém de qualquer idade deve comer massa de biscoito crua ou massa de bolo, pois poderá conter microrganismos que causam doenças. Portanto, não faça isso! Se forem pré-embalados ou caseiros, o calor do cozimento é necessário para matar os microrganismos que possam estar nos ingredientes crus. A final, cozido, o produto é muito mais seguro e mais gostoso! E lembre-se, as crianças que comem massa de biscoito cru e massa de bolo estão em maior risco de contrair uma intoxicação alimentar do que a maioria dos adultos.

 MITO 2: Quando as crianças normalmente “Esquentam e Comem” logo em seguida lanches e alimentos no microondas. Eles não têm que se preocupar com a segurança dos alimentos, pois  as microondas matam os microrganismos!

 Resposta: As micro-ondas não são mágicas!

 É o calor que as micro-ondas geram que mata os microrganismos! Alimentos cozidos em forno de microondas devem ser aquecidos a uma temperatura interna de segurança. Microondas muitas vezes aquecem os alimentos de forma irregular, deixando alguns pontos nos alimentos onde os microrganismos podem sobreviver. As crianças podem utilizar micro-ondas corretamente seguindo cuidadosamente as instruções da embalagem. Até simples lanches vêm com instruções que devem ser seguidas para garantir um produto seguro. Utilize um termômetro se as instruções assim disserem!

 MITO 3: Quando as crianças lavam as mãos, apenas molha-lás com água corrente é o suficente para eliminar os microrganismos.

 Resposta: Esfregando as mãos com água e sabão é a melhor maneira!

 A água é apenas uma parte do que você precisa para deixar as mãos limpas! Lavar as mãos corretamente é uma ótima maneira de reduzir o risco de intoxicação alimentar. Veja como:

Molhe as mãos com água corrente limpa e aplique sabão. Esfregue até fazer espuma e esfregue-os bem. Não se esqueça de esfregar as “costas” das mãos, entre os dedos e sob as unhas. Continue esfregando por pelo menos 20 segundos. Seque as mãos com uma toalha limpa, papel toalha ou um secador de ar.

 MITO 4: Meus filhos só comem frutas pré-embalados e legumes próprios para lanches, pois não precisam serem lavados antes de comê-los.

 Resposta: Prepare seus filhos para a segurança dos alimentos!

 Dar aos seus filhos lanches saudáveis é uma grande vantagem para eles! Mas só porque o produto é embalado, nem sempre significa que ele está pronto para consumo. Leia o rótulo do produto para se certificar que diz: “pronto para comer” ou “lavado”. Se sim, ele pode ser consumido. Se não disser, lave as mãos e depois enxugue as frutas ou legumes em água corrente. Seque com uma toalha de pano limpo ou uma toalha de papel para reduzir ainda mais os germes que podem estar presentes.

 

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40% da carne comercializada na Bahia é clandestina

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A reportagem da Record mostra cenas fortes.  Animais eviscerados no chão, vísceras lavadas no riacho e até um pedaço de carne sendo arrastado por um gramado. Tudo para ser vendido. Um  cachorro aparece vigiando o “material”.

O documentário menciona que segundo o Ministério Público, 40% da carne comercializada é clandestina, e portanto manipulada sem inspeção.

Isso é Brasil.

 

 

http://noticias.r7.com/videos/alerta-da-carne-bahia-tem-alto-indice-de-abate-clandestino-veja-flagras/idmedia/52292aa20cf27b7f73a4610e.html

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Riscos de conservação em supermercados

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Quantas vezes nos deparamos com produtos devolvidos nas gaiolinhas dos caixas em supermercados? O que pode piorar é quando os produtos devolvidos deveriam estar refrigerados… Esse é apenas um dos problemas de conservação dos produtos disponíveis no supermercado. A refrigeração adequada é essencial para a manutenção da qualidade dos produtos, principalmente para evitar o crescimento microbiológico. O controle do estoque, a disponibilização dos produtos e sua conservação física também são pontos a serem observados pelos consumidores.

O controle da temperatura é essencial para conter a atividade microbiana, pois quanto menor for a temperatura, menor será a velocidade das reações bioquímicas. Principalmente para produtos congelados ou refrigerados, quando esse é retirado de sua temperatura ideal, e mantido nessa condição por certo tempo, temos um aumento da temperatura, o que favorece a proliferação microbiológica. Mesmo que esse alimento posteriormente retorne às condições de refrigeração, o dano já está feito, pois o desenvolvimento ocorrido no período fora da baixa temperatura não será reversível.

Essa alteração de temperatura ocorre por culpa dos próprios clientes, que muitas vezes desistem da compra e não retornam o produto ao local adequado, mas também pode ocorrer por falhas nos controles dos supermercados. O que podemos fazer é observar as condições dos equipamentos da rede de frio, como vedação das borrachas das geladeiras, disponibilidade de termômetros nos locais de conservação. Além disso, alguns alimentos “deixam rastros” quando são submetidos à um congelamento após terem sofrido variação de temperatura, como por exemplo a presença de cristais de gelo na parte interna da embalagem e até mesmo a cor do gelo dos balcões, pois quando algum produto descongela, parte dele irá vazar pela embalagem e ao ser novamente congelado, o gelo será formado pela mistura da água com o produto que vazou.

Outro ponto de atenção nos supermercados deve ser com relação à disposição dos produtos. Em grandes redes de supermercado, esse problema é bastante minimizado, pois os itens são separados por categorias, porém em supermercados menores, muitas vezes observamos, por exemplo, itens de limpeza, dividindo prateleiras com itens alimentícios. Aqui o risco está na contaminação cruzada, pois é bastante comum encontrarmos embalagens danificadas nas prateleiras, ou seja, uma embalagem danificada de sabão em pó, pode atingir uma bandeja de ovo que esteja armazenada em local próximo.

A verificação da data de validade é um item que já se tornou hábito para a grande maioria dos consumidores, mas ainda é comum vermos notícias na internet ou televisão sobre locais que apresentaram falhas nesse quesito e que sofreram as penalidades dos órgãos públicos. Especialmente nas grandes redes, o controle de estoque deve ser um dos grandes pilares para garantir a segurança dos produtos ofertados.

Como consumidores, é importante entendermos nosso papel para a melhoria dos serviços de alimentação, como fiscais no dia a dia, já que muitos dos sinais estão visíveis aos nossos olhos. E manter a atenção para evitarmos levar os riscos para dentro de casa.


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A força do consumidor na cadeia produtiva de alimentos

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Em novembro de 1996, um teste feito com 12 marcas de sal de cozinha vendidas no Brasil constatou que a metade delas estava com dosagem errada de iodo. A adição de iodo no sal é exigida por lei desde 1953 para a prevenção do bócio endêmico e do cretinismo.

A razão da falta era que o Ministério da Saúde não vinha fornecendo regularmente o iodo para as empresas. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) cobrou do governo providências para a regularização do fornecimento de iodo e uma melhor fiscalização do produto. Em agosto de 1999, a repetição do teste com 20 marcas detectou que ainda havia duas marcas de sal com iodo insuficiente. Desta vez, o Ministério da Saúde interditou as marcas com problemas e reforçou a fiscalização sobre o setor. No final de 2000, 11 marcas de sal haviam sido interditadas pela Anvisa, inclusive as duas identificadas pelo Idec. Relatos como este foram feitos na apresentação de Ana Paula Bortoletto Martins, do Idec, durante o IV Encontro de Profissionais da Garantia da Qualidade (ITAL, 04 e 05 de setembro de 2013).

O Idec é uma organização não governamental, sem fins lucrativos, que não aceita recursos de empresas e de partidos políticos, sendo mantido principalmente pela contribuição de seus associados, o que garante sua independência. Um dos temas prioritários da entidade são os alimentos, avaliados quanto à rotulagem, composição, informações do SAC, publicidade, etc. Testes e pesquisas recentes do Idec tiveram boa repercussão na mídia. Ana Paula destacou alguns exemplos:

1)     Rótulo x composição de fruta – foram analisadas as embalagens de 18 produtos de 15 marcas, incluindo iogurtes, refrescos em pó, néctares, gelatinas, sorvetes e isotônicos.  O estudo constatou que 8 produtos que usavam nome e imagem de fruta nos rótulos não continham fruta em sua composição. Entre os que continham fruta, apenas os refrescos em pó declaravam a quantidade de fruta presente (porque são obrigados por norma), porém a proporção é de apenas 1%. O Idec também alertou para o excesso de açúcar e a presença de aditivos em alguns sucos de frutas prontos para beber.

2)     Acordo governo e indústrias para redução de sódio – Em outro estudo recente, o Idec verificou os teores de sódio de 530 alimentos de oito categorias que fazem parte dos acordos firmados entre o Ministério da Saúde e as Associações das Indústrias para redução dos níveis deste ingrediente (veja detalhes aqui). A análise constatou que a maioria dos fabricantes não vai precisar reduzir a quantidade desse ingrediente em seus produtos, pois boa parte deles já tem, atualmente, teor de sódio dentro das metas estabelecidas para os próximos anos. Portanto, os tais acordos têm pouco efeito prático e não melhoram significativamente a qualidade da alimentação da população brasileira.

3)     Teor de cacau no chocolate – Considerando que uma norma da Anvisa estabelece um mínimo de 25% de cacau na composição dos chocolates vendidos no país, o Idec comparou chocolates ao leite, meio amargo e amargo das 11 marcas mais comercializadas no Brasil. O teor de cacau não aparece nas embalagens de chocolates ao leite e de muitos chocolates meio amargo e amargo. Dos oito chocolates meio amargo pesquisados, apenas três têm a informação. Tentativas de obter a informação com o SAC das empresas resultaram em apenas dois sucessos. Uma empresa afirmou, por exemplo, que esse dado é “segredo de fábrica”.

4)     Teste do Queijo Minas – Pesquisa analisou 25 amostras de queijo minas frescal, verificando a quantidade dos principais nutrientes presentes no produto: proteínas, gorduras (saturadas e insaturadas) e sódio. Os valores detectados foram comparados com os declarados nas tabelas nutricionais presentes nas embalagens dos produtos. Todas as amostras informavam erradamente a quantidade de, pelo menos, um nutriente. As maiores variações entre o valor do rótulo e o real foram identificadas nos queijos light. O pior caso foi uma diferença de 932% a mais de gorduras totais em relação ao que é declarado. Nos testes microbiológicos, das 25 amostras analisadas, cinco estavam contaminadas com coliformes fecais. 

5)     Rotulagem de Transgênicos – Decreto federal de 2003 estabelece que alimentos que contenham mais de 1% de produto transgênico são obrigados a incluir na embalagem o símbolo do triângulo amarelo com a letra T no interior. O Idec analisou 5 categorias de alimentos que continham milho, confrontando a presença/ausência do símbolo na embalagem com a informação do SAC das empresas em relação à presença/ausência de transgênicos. Uma marca tradicional do mercado informou pelo SAC que todos os seus produtos derivados de milho contem transgênicos, porém não existe o símbolo indicativo nas suas embalagens. Outra marca que contém transgênico faz a indicação no rótulo de forma incompleta, inserindo o símbolo, porém não informando nos ingredientes a espécie doadora dos genes, o que também é mandatório no decreto. Ana Paula lembrou que tramita na Câmara dos Deputados um projeto de lei que pretende eliminar esta declaração obrigatória (PL 4148/08). Diante dessa ofensiva, o Idec, em parceria com diversas entidades lançou a Campanha Fim da rotulagem dos alimentos transgênicos: diga não! Clicando aqui é possível obter mais detalhes e unir-se à campanha.

A campanha dos transgênicos é um exemplo de como o Idec pode contribuir para a implantação e o aprimoramento da legislação de defesa do consumidor,  que é um dos seus objetivos declarados. Neste sentido, o Instituto considera que “ser um consumidor cidadão é parte da solução”. 

Você pode acessar a apresentação completa de Ana Paula Bortoletto Martins e as outras palestras do IV Encontro de Profissionais da Garantia da Qualidade na página da Sbcta, clicando aqui.

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Palestra sobre alimentação e câncer

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Para abordar o tema o Alimentação e Câncer, Danielle Fontes de Almeida, nutricionista e mestre em ciências pela Faculdade de Medicina da USP, apresentou inicialmente o conceito de carcinogênese.

Carcinogênese é o nome dado ao processo composto pelas etapas Iniciação (transformação),  Promoção (propagação) e Progressão. Este processo é iniciado após o organismo receber uma agressão que leva a uma mutação e/ou alteração epigenética.

Durante a carcinogênese,  ocorre um desiquilíbrio entre os oncogenes, genes que promovem a proliferação das células defeituosas e os genes supressores de tumor e de reparo de danos no DNA.

Entre as principais causas do câncer, pode-se citar o tabagismo (representando 30% dos casos) e a dieta que se estima que representa 35% das ocorrências. Outras causas diversas completa o cenário.  Desta forma, a palestrante concluiu que 1/3 das mortes por câncer poderiam ser evitadas com uma nutrição e alimentação adequada., alinhada com uma atividade física regular e a manutenção de um peso saudável.

Estes cuidados podem ser apresentados nas seguintes dicas para se prevenir o câncer:

1-    Mantenha o peso  ideal e evite o sobrepeso

2-    Pratique atividade física por, no mínimo, 30 min./dia

3-    Evite bebidas açucaradas. Limite o consumo de alimentos muito calóricos

4-    Coma mais de uma variedade de vegetais e frutas (5 porções = 400g/d), cereais e grãos

5-    Limite o consumo de carnes vermelhas (<500g/sem.) e evite carnes processadas

6-    Limite o consumo diário de álcool

7-    Limite o consumo de alimentos salgados e alimentos

processados com sal (<6g/d)

8-    Não use suplementos para proteção contra o câncer

9-    Não fume

 

Como uma opção para uma dieta saudável, Danielle apresentou a dieta do mediterrâneo,  cuja pirâmide é baseada na alimentação da população da ilha de Creta. Rica em frutas, hortaliças, grãos, azeite de oliva, feijão, nozes, legumes e sementes, ervas e temperos, além de peixes e frutos do mar, esta dieta tem como base o convívio social e a prática de esportes.

A palestrante também apresentou a nova pirâmide alimentar proposta no Brasil para uma alimentação equilibrada. Esta tem como base as atividades físicas e o consumo de água potável, é rica em frutas, vegetais, leguminosas, legumes e oleaginosas e recomenda o pequeno consumo de carnes vermelhas, doces e de batata. 

Considerando o efeito da dieta na prevenção do câncer e a pirâmide alimentar acima, como anda a sua alimentação?

Fonte: palestra ministrada no IV Encontro de Profissionais da Garantia da Qualidade, organizado pela Flavor Food e sbCTA no dia 05 de setembro.

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Inspirando pessoas ao resultado

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Fiquei com a responsabilidade de resumir a Palestra Inspirando Pessoas ao Resultado, realizada no IV Encontro de Profissionais de Garantia da Qualidade. Mas tomo a liberdade de antes de falar da palestra ser breve para dizer quem é a palestrante. Débora Julião é pedagoga, consultora organizacional e especialista em desenvolvimento humano. Possui Certificação em Professional & Self Coaching, Business & Executive Coaching pelo European Coaching Association (ECA) e Global Coaching Community / Alemanha (GCC), Behavioral Analyst pelo Brazilian Coaching Institute and GCC. Descobri que ela também gosta de esportes radicais, é mãe, esposa, filha, profissional, ou seja, assim como muitos de nós tem vários papéis em sua vida e realiza os malabarismos necessários para obter os melhores resultados tanto no aspecto pessoal como no profissional. Até porque deixou bem claro que é um absurdo pensarmos que seja possível separar as questões pessoais das profissionais. Somos pessoas que atuam como profissionais e profissionais que atuam como pessoas. Como separar nós de nós mesmos? Mas falando do tema Inspirando pessoas ao resultado foi delicioso rever a máquina do tempo e vou tentar reproduzir algo para vocês. Observem as figuras abaixo: Hum… algumas lembram nossos avós…

Qual o fator decisivo para o sucesso destas empresas / marcas ao longo do tempo?

Estas empresas preocuparam-se com aspectos importantes para garantir seu sucesso e sobrevivência no mercado competitivo que vivemos:

  • Inovação sempre e
  • Zelo com a qualidade

De onde vem inovação e qualidade? Máquinas produzem e  computadores processam.

Quem inova e garante a qualidade são as pessoas. Quem garante a sobrevivência e sustentabilidade de uma organização são as pessoas.

As pessoas são a principal fonte de sustentação da competitividade. O capital humano é e sempre foi o grande diferencial competitivo das organizações de sucesso.

A resposta é simples: agindo com coerência!

Respeitando as condições humanas básicas descritas por Abraham Maslow através da Hierarquia das Necessidades Humanas, representadas na figura acima.

Não teremos produtos e serviços de qualidade se não houver respeito às necessidades humanas, se não houver qualidade nas relações, se não houver qualidade na gestão de pessoas, a possibilidade de sonhar e ter perspectivas de crescimento profissional, se não houver qualidade na LIDERANÇA.

As organizações precisam compreender essa verdade se buscam o sucesso de sua organização a curto, médio e longo prazo. A condição de Qualidade é a Motivação para a Qualidade!

Qualidade e inovação dependem do comportamento humano e as pessoas terão pela qualidade a mesma simpatia e respeito que tiverem pela liderança

“As pessoas precisam trabalhar por motivos que são seus!” Prof. Luiz Marins e precisam de uma liderança inspiradora, capaz de motivá-las para a geração de resultados em uma relação ganha-ganha que envolve a empresa, pessoas, clientes e sociedade.

Cada ser humano tem sua contribuição a dar e seu talento direcionado para alguma coisa.

Está na hora dos líderes das organizações reverem os conceitos e mudarem a forma de pensar!

Com líderes realmente preparados, inspirar pessoas para o resultado será um processo e consequência natural de suas equipes! Pelo simples fato de se respeitar a condição humana que temos e praticar valores que todos nós prezamos em qualquer que seja a relação: o ganha-ganha.

 Registro aqui meus agradecimentos por ter participado de uma palestra tão inspiradora que me reforçou minha crença de que as pessoas sempre foram as grandes responsáveis em promover a transformação, melhoria e sustentabilidade das organizações ao longo dos anos.

  “Na década de 90, o diferencial de uma empresa para outra era a tecnologia. Hoje,

ela só serve para equalizar uma companhia à outra. O diferencial, mesmo, é o capital intelectual.” Armando Lourenzo.
Como levar as pessoas a fazer o que desejamos? Como envolver as pessoas do pescoço para cima? Como receber suas ideias, confiança, criatividade e excelência?

Silvana Chaves

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Preste atenção nesta geladeira

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Querido, leitor

Você faz ideia do que seja a imagem acima? Se você respondeu um freezer MUITO mal organizado e mal higienizado você acertou!!!

Essa foto é uma foto real de um freezer de um restaurante comercial. Hoje em dia após anos de consultoria em boas práticas de fabricação as coisas andam bem melhores e cenas assim não se repetiram mais graças a conscientização dos funcionários e também graças a disponibilidade de informações que a consultoria proporcionou à eles.

E você, sabe o que pode ou não ser armazenado em um equipamento de conservação? Sabe como devemos armazenar os alimentos? Sabe como cuidar do seu equipamento de conservação? Então ai vão algumas dicas:

*  Nunca armazene caixas de papelão, fardos plásticos ou quaisquer embalagens secundárias em seu equipamento de conservação (seja freezer, geladeira, câmara) sem que a embalagem secundária esteja devidamente protegida por um saco plástico transparente e não reciclado. No caso das caixas de papelão, as mesmas trazem contaminações externas, ovos de pragas – como baratas, por exemplo – e ainda podem molhar, rasgar e até embolorar dentro do equipamento! No caso de fardos plásticos e outras embalagens secundárias, o maior problema está associado à contaminação que essas embalagens trazem: resíduos dos armazéns e entrepostos de estocagem, sujidades dos pisos onde foram dispostos anteriormente durante o descarregamento e pode haver até resíduos de urina de roedores!!!

*  Mantenha o motor do seu equipamento de conservação devidamente protegido, isso impedirá o abrigo de pragas nesse local que é quente e escondido.

*  Procure separar os alimentos por grupos ao armazená-los: há uma regra que a legislação impõe – alimentos crus e não higienizados devem ser armazenados nas prateleiras inferiores, alimentos pré-preparados nas prateleiras intermediárias e alimentos prontos para o consumo nas prateleiras superiores. Ainda sugiro que carnes cruas vermelhas não sejam armazenadas juntas ou nas prateleiras acima das carnes brancas. As carnes vermelhas devem ser armazenadas sempre na ultima prateleira, para que o sangue que possa eventualmente escorrer não contamine os demais alimentos.

* Higienize seu equipamento de conservação ao menos 1 vez na semana. Para isso retire os alimentos, coloque-os em outro equipamento, desligue o equipamento que será limpo, realize a limpeza com água e detergente, enxague com auxilio de um pano descartável e finalize desinfetando com álcool 70%. Ligue novamente o equipamento e quando a temperatura já estiver adequada, transfira os alimentos. Não esqueça de limpar a porta e as borrachas de vedação!

* Procure armazenar os alimentos em recipientes plásticos tampados e separar alimentos distintos em recipientes distintos. Caso não seja possível armazenar todos os alimentos em recipientes plásticos, proteja todos os alimentos com auxilio de filme plástico ou sacos plásticos transparentes e não reciclados. Nunca armazene alimentos desprotegidos nos equipamentos de conservação!

*  Identifique os alimentos armazenados, assim, você saberá a procedência e a validade de cada um deles.

Agora que você já aprendeu é só praticar!!!

 

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Desregulares endócrinos de origem alimentar

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O IV Encontro dos Profissionais da Garantia da Qualidade foi palco para uma excelente palestra da Profa. Dra. Elaine Maria Frade Costa, cujos aspectos principais são resumidos aqui.

A palestrante trouxe a definição da Environmental Protection Agency para o termo desregulador endócrino.  

 Desregulador endócrino é o agente exógeno que interfere na síntese, secreção, transporte, metabolismo, ação ou eliminação de um ou mais hormônios  naturais circulantes responsáveis pela  homeostase, reprodução, desenvolvimento e/ou comportamento dos organismos.

 

São substâncias que interferem no sistema hormonal dos indivíduos, muitas vezes devido a similariedade das estruturas químicas destas substâncias com os hormônios.  O organismo passa a reconhecer os desreguladores endócrinos como se fossem hormônios.

 

Exemplos de substâncias desreguladoras do sistema endócrino são:

 

  • Pesticidas (DDT e methoxychlor);
  • Fungicidas (vinclozolin), Herbicidas (atrazine);
  • Químicos industriais (PCBs , PBBs e dioxinas);
  • Plásticos (ftalatos, BPA, alquilfenóis)
  • Fitoestrógenos (genisteina e coumestrol)
  • Fármacos (DES)

 Trata-se de substâncias amplamente utilizadas na cadeia produtiva de alimentos (Ex: BPA, pesticidas, fungicidas) ou então são naturalmente presente (Ex: fitoestrógenos presentes na soja).

 A palestrante apresentou os seguintes princípios fundamentais:

  • Idade da exposição =  as janelas de susceptibilidade são a fase fetal, infância e adolescência, fases em que o organismo passa por grandes mudanças.
  • Período de latência da exposição= doenças que apareceram na fase adulta têm base no desenvolvimento
  • Importância das misturas = diferentes classes de desreguladores endócrinos podem ser aditivas ou sinérgica.
  • Os desreguladores endócrinos apresentam dinâmica dose-resposta não convencional
  • Efeitos epigenéticos transgeracionais = efeitos não genômicos (ausência de mutação gênica)

 Em seguida, foram apresentados dados bem alarmantes sobre o efeito de cominações de desreguladores endócrinos, mais especificamente de antiandrogênicos no sistema reprodutivo de camundongos machos. Estes tiveram as consequências aumentadas quando foram submetidos a misturas quando comparado com estudos onde camundongos foram submetidos a substâncias individualmente.

Como não é possível realizar estudos similares com humanos, as informações sobre o impacto dos desreguladores endócrinos em humanos devem ser  extrapolados dos testes realizados em animais. 

Sabe-se que em humanos tem se observado um declínio das taxas de concepção nos USA de 44% desde 1960, além de um aumento das taxas de doenças da puberdade ou em adultas jovens (Ex: ovário policistico, endometriose). Estas alterações podem ter sido desencadeadas por fatores ambientais ou pela dieta.

Um dos principais desreguladores endócrinos obtidos pela dieta é a isoflavona, uma classe de fitoestrógeno, presente na soja.  Os fitoestrógenos são compostos não esteroides capazes de ativar os receptores de estrógeno devido à semelhança conformacional.

Existem poucos estudos sobre o efeito das isoflavonas em humanos, mas alguns resultados são:

  • Estudo (Zung A. et al. J.Pediatr.Gastroenterol.Nutr. 2008) evidenciou maior prevalência de broto mamário no 2°ano de vida nas meninas alimentadas com fórmulas a base de soja do que naquelas com leite materno ou de vaca.
  • Estudo (D’Aluisio AA et al. Environ.Health Perspect. 2010) indicou maior risco de tumor uterino nas mulheres que foram alimentadas com soja na infância.

 Sabe-se que o assunto é polêmico e dentre os fatores  de confusão, pode-se citar as diferenças no metabolismo das isoflavonas entre os modelos animais e humanos.

 Apesar de não existir dados conclusivos, a palestrante se mostrou preocupada com a grande ingesta de fórmulas infantis a base de soja por infantes de 0 a 1 ano (uma das janelas de susceptibilidade), já que o consumo deste alimento representa 50 a 100 vezes os níveis de estradiol na gravidez.

 Outro desregulador endócrino que merece destaque, segundo a palestrante, é o Bisfenol A.

 Trata-se de um dos químicos de maior produção mundial,  sendo

utilizado em plásticos com policarbonato, selantes dentários, resina epóxi entre outros materiais.  Esta substância foi encontrada em amostras de 93% dos indivíduos testados e tem a cadeia alimentar como principal via de contaminação.

 Estudo (Von Saal et al 2012) demonstrou que o Bisfenol A apresenta potente ação estrogênica, está relacionado com programação fetal da obesidade, fetos são muitos suscetíveis aos seus efeitos  e que reações adversas são provocadas com doses muito baixas.

 Os ftalatos também foram abordados, já que a exposição humana ocorre principalmente pela alimentação. São usados para dar flexibilidade ao PVC, material este que faz parte da composição de diversas embalagens primárias.

 Para concluir, a palestrante apresentou dados sobre a presença de desreguladores endócrinos na água de algumas regiões do mundo, inclusive do Estado de São Paulo.

 Em 400 amostras dos rios Sorocaba, Cotia, Atibaia e Reservatório Tanque Grande testadas por laboratórios renomados como UNICAMP, CETESB e Univ. Tenessee, 83%  apresentaram  elevada atividade estrogênica (estrona, estradiol, estriol, etinilestradiol , BPA, fitoestrógenos, etc).

 Segundo a especialista, os riscos associados aos desreguladores endócrinos pela ingestão de água potável não são avaliados no Brasil. Pouco se conhece sobre os efeitos crônicos na saúde da população exposta. Os critérios para o abastecimento de água potável no Brasil e no mundo são baseados em dados de toxicidade de compostos analisados individualmente não levando em conta as misturas.

Para o reuso seguro da água são necessários:

  • Avanços tecnológicos para medição dos desreguladores endócrinos
  • Monitorização intensiva do consumo e descarte de água de mananciais
  • Novas tecnologias de tratamento são necessárias para remover os desreguladores endócrinos da água e dos alimentos
  • Implementação de diretrizes que definam a concentração máxima aceitável de desreguladores endócrinos conhecidos e misturas na água de beber.

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