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Entrevista ASBAI – alergias alimentares

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Não há dúvidas que a gestão de alergênicos é uma das preocupações crescentes da indústria de alimentos. Por esta razão, o blog Food Safety Brazil conversou com a Dr. Ariana Yang, diretora da ASBAI, para nos aprofundarmos na ótica médica da questão.

 Há dados epidemiológicos sobre alergia no Brasil? Somos mais alérgicos que outros povos?

Não há dados epidemiológicos no Brasil. Sabemos por experiência clínica que os alergênicos mais comuns na população são leite, ovos, trigo, soja e frutos do mar. Nos EUA estima-se que 8% das crianças e 2% dos adultos sejam alérgicos a leite. Já a intolerância a lactose afeta 25% da população.

 Qual a diferença entre intolerância e alergia?

A intolerância é uma reação por incapacidade metabólica, sendo o quadro mais clássico o leite. Já a alergia ocorre com desencadeamento de resposta imunológica a uma proteína. Alguns exemplos: 

A reação a e amarelo tartrazina a sulfito é uma intolerância. O trigo pode desencadear a doença celíaca metabólica pelo componente glúten. Já a alergia ao trigo é pela proteína gliadina.

 Por que tão difícil ter dados epidemiológicos?

Mesmo os estudos internacionais não são totalmente confiáveis por causa da metodologia para diagnosticar a alergia. Na maioria das vezes ninguém come um alimento sozinho, é então pode haver alergias cruzadas e interferências nas conclusões.  Há doenças multifatoriais e crônicas que também podem simular alergia. Muitos consideram confiáveis os testes sanguíneos para resposta imunológica a uma proteína, porém o diagnóstico definitivo envolve risco. É o chamado teste de desencadeamento oral, no qual o paciente é exposto ao alimento. 70% dos desencadeamentos nos EUA acabam descartando a suspeita alergia.

 Ao longo da vida, uma pessoa pode se tornar alérgica ou deixar de ser? É verdade que as reações se tornam gradualmente mais intensas?

Imprevisibilidade é a melhor resposta. Uma pessoa pode ter consumido centenas de vezes um alimento tendo apenas reações suaves e de repente tem um choque fatal. Por experiência, para o leite, ovo, trigo e soja há expectativa de tolerância ao longo da vida. Já a alergia a frutos do mar tende a ser persistente. Uma vez alérgico, para sempre alérgico.

 Que tipos de reações podem ter pessoas alérgicas?

Há vários tipos de reação adversa que uma pessoa pode ter a um alimento. Quanto há uma resposta imune à proteína alimentar chamada tipo I envolvendo o anticorpo Ige,  podem ser desencadeados sintomas em qualquer órgão sendo os sintomas mais comuns  a urticária e angiodema. Sintomas cutâneos podem vir acompanhado de sintomas respiratórios como rinite, tosse, falta de ar, cólica, diarréia, vomito e eventualmente implicações cardiovasculares, com queda de pressão arterial. 

 Quando pode ocorrer o óbito?

Quando ocorre o choque anafilático, que é o sintoma mais agudo. A morte geralmente ocorre por duas vias: cardiovascular ou respiratória, ou seja, choque (diminuição da pressão arterial, taquicardia e distúrbios gerais da circulação sanguínea ou broncoespasmo grave (consequência da contração da musculatura dos brônquios).

Edema de glote pode ou não ocorrer (inchaço da garganta), mas nem sempre chega ao extremo de fazer as pessoas pararem de respirar por bloqueio das vias superiores. Antes de parar de respirar, a pessoa fica rouca e esse é um alerta para buscar socorro.

  Há novos alimentos sendo vistos como alergênicos?

Sim, há os alergênicos emergentes, principalmente as frutas. As mais implicadas são o kiwi, abacate, mamão e banana, que tem reação cruzada com o látex. Gergelim é emergente também, mas está longe de afetar uma grande parcela da população.

  A literatura médica estabeleceu um limiar que defina qual é a quantidade mínima da proteína que pode desencadear uma alergia?

Não, pois as respostas são individuais. Em teoria e de forma idealizada, se poderia quantificar o limiar de cada pessoa e ela policiaria o que pode ingerir. Se os fabricantes informassem qual é essa quantidade, em nanogramas e picogramas, a pessoal poderia fazer escolhas, mas a priori isso é inviável. Tenho um paciente que não pode passar pelo corredor de lácteos que manifesta reações.

 O que a senhora pensa da posição das indústrias que indicam nos rótulos “pode conter traços de” determinados alimentos, mesmo que eles não façam parte da lista de ingredientes?

É ruim, pois o alérgico vive uma vida de privações e em geral sai perdendo nestes casos. Há pacientes que sem problemas que podem consumir um alimento no qual se declaram os traços, somente devem restringir quantidades mais significativas.  Mas se pensarmos no outro extremo, o risco de morte, é uma medida prudente. É uma superproteção.

 A ASBAI acompanha a evolução da legislação brasileira na ANVISA? O que podemos esperar?

Há uma representante que participou de algumas reuniões, mas não há mudanças concretas em andamento. Nós temos insistido para que se use linguagem simples destaque direto, como se usa por exemplo para “contém glúten”.

 Que recomendação você dá aos profissionais que trabalham na área?

Que sejam muito claros na rotulagem. O público leigo não costuma saber o que é “caseinato” ou “albumina”. Nós médicos passamos um glossário para os pacientes, mas outro dia me deparei com o ingrediente “creme inglês” que escondia leite.  Nós não acompanhamos inovações e lançamentos de ingredientes de nomes diferentes e precisamos de clareza.

 

Adriana Yang é médica alergologista, doutora em Imunologia Clínica e Alergia da FMUSP e diretora da ASBAI (Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia) e concedeu esta entrevista especialmente para o blog Food Safety Brazil.

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APPCC base para sucos processados assepticamente

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APPCC Base Para Sucos Processados Assepticamente

Izael Gressoni Júnior

Tese apresentada à FEA-Unicamp para obtenção de título de Mestre em Ciência de Alimentos.

Este trabalho de pesquisa visou o estabelecimento de plano APPCC base para sucos processados assepticamente, indicando medidas preventivas e pontos críticos de controle com quadros-modelo de monitoramento e de registros, de forma a possibilitar a implantação de planos APPCC nas empresas de sucos processados assepticamente existentes no Brasil. 

Formulários foram elaborados para aquisição de informações durante visitas a empresas processadoras de suco de laranja integral pasteurizado e esterilizado e de suco de maçã esterilizado. Foram realizados também experimentos para determinação da resistência térmica de Escherichia coli e Byssocchlamys nivea em suco de laranja para a verificação  da segurança estudado. Os principais pontos críticos de controle determinados pelo plano APPCC base foram as etapas de recepção, de processamento térmico (pasteurização ou esterilização), de envase e de estocagem (refrigerada ou a temperatura ambiente). A etapa de recepção controla a segurança da matéria-prima como um ponto de prevenção, o processamento térmico é o principal ponto de redução e eliminação dos perigos biológicos e as etapas de envase e estocagem são os principais pontos que garantem a segurança do produto final. As resistências térmicas encontradas para Escherichia coli e Byssochlamys nivea permitem dizer que os processos típicos para suco de laranja no Brasil (90-95oC/10-30 s) são eficazes na eliminação de Escherichia coli mas podem permitir a sobrevivência do fungo. Este estudo verificou também que a aplicação de procedimentos de Boas Práticas Agrícolas e Boas Práticas de Fabricação  de forma efetiva é primordial para a implementação eficaz de planos APPCC nas empresas processadoras de suco no Brasil.

Este trabalho fez parte do Projeto “Segurança Microbiológica de Sucos e Drinques Envasados Assepticamente” que envolveu a Faculdade de Engenharia de Alimentos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a EMBRAPA através do Prodetab, e empresas processadoras de sucos e de  embalagens para sucos.

Faça o download clicando abaixo: [wpdm_file id=21]

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Ocratoxina em café brasileiro x método de processamento

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The source of ochratoxin A in Brazilian coffee and its formation in relation to

processing methods

M.H. Taniwaki, J.I. Pitt, A.A. Teixeira, B.T. Iamanaka

International Journal of Food Microbiology 82 (2003) 173– 179

A total of 408 Brazilian coffee samples was examined during the 1999 and 2000 coffee harvest seasons for the presence of ochratoxin A (OA) and fungi with the potential to produce it. Samples came from four regions: Alta Paulista (western area of São Paulo State), Sorocabana (southwest Sa˜o Paulo State), Alta Mogiana (northeast Sa˜o Paulo State) and Cerrado Mineiro (western area of Minas Gerais State). Cherries and beans were examined at different stages: immature, mature and overripe cherries from trees, overripe cherries from the ground and beans during drying and storage on the farm. For mycological studies, the cherries and beans were surface disinfected with chlorine, plated on Dichloran 18% Glycerol Agar at 25 jC for 5–7 days and analysed for the presence of Aspergillus ochraceus and closely related species, A. carbonarius and A. niger. More than 800 isolates of fungi belonging to these species were identified and studied for the ability to produce OA using the agar plug technique and thin layer chromatography (TLC). A. niger was the species found most commonly (63% of isolates of these three species), but only 3% of them produced OA. A. ochraceus also occurred commonly (31% of isolates), and 75% of those studied were capable of OA production, a much higher percentage than reported elsewhere. A. carbonarius was found (6% of isolates) only in Alta Paulista, the hottest region studied, and only from beans in the drying yard or in storage. However, 77% of the A.carbonarius isolates were capable of producing OA. Average infection rates for cherries taken from trees were very low, but were higher in fruit taken from the ground, from the drying yard and from storage, indicating infection by toxigenic species after harvest. The average OA content in 135 samples of mature cherries from trees, overripe from trees, overripe from the ground, drying yard and storage was 0.1, < 0.2, 1.6, 2.1 and 3.3 Ag/kg, respectively. Although individual OA levels varied widely, only 9 of the 135 samples analysed exceeded 5 Ag/kg OA, with one sample of poor quality dried coffee in excess of 100 Ag/kg OA.
The causes of high contamination were investigated on the farms concerned and several critical points were found, relating both to local climatic conditions and the drying processes used.

Clique aqui para baixar.

Paper gentilmente cedido pela pesquisadora do ITAL e autora, Marta Taniwaki ao Blog Food Safety Brazil.

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Óleos minerais questionados pela EFSA

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A Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA) publica parecer sobre o óleo mineral e a complexidade destes compostos

A EFSA publicou parecer científico sobre a exposição humana através da alimentação a um grupo diverso de misturas de hidrocarbonetos conhecido como “óleo mineral” (MOH). O impacto potencial na saúde humana do MOH varia amplamente.

Os chamados MOH aromáticos podem atuar como substâncias cancerígenas genotóxicas (isto é, podem danificar o DNA, o material genético das células, bem como podem causar tumores, enquanto alguns MOH saturados podem acumular-se nos tecidos humanos e causar efeitos adversos no fígado. Especificamente, o parecer identifica/menciona algumas preocupações em relação à exposição aos MOH. Uma fonte importante de exposição observada ocorre através da tinta de impressão presente em papel reciclado usado em embalagens alimentares contendo pelo menos alguns MOH aromáticos. Certos MOH também são utilizados como aditivos alimentares, auxiliares tecnológicos e coadjuvantes (antiaderentes de panificação, coberturas de confeitaria ou supressores de pó em grãos de cereais para consumo humano.  Por fim, podem estar presentes nos alimentos como contaminantes ambientais.

Os especialistas da EFSA expressam que existem várias dúvidas relativas à composição química das misturas MOH a que os seres humanos estão expostos e também a uma vasta gama de fontes de exposição humana.

Por outro lado, a falta de conhecimentos toxicológicos em seres humanos decorrentes de estudos em animais, revelou a necessidade de revisão da dose diária temporária aceitável de alguns MOH saturados presentes em produtos alimentares específicos.

Especialistas do time de contaminantes na cadeia alimentar da EFSA identificaram dois tipos principais de MOH significativos para a segurança alimentar: hidrocarbonetos saturados e aromáticos.

O parecer da EFSA faz também uma série de recomendações para melhorar os métodos de análise, recolha de dados e monitorização, bem como indicações para possíveis prioridades futuras pesquisas científicas em MOH.

Veja o Scientific Opinion on Mineral Oil Hydrocarbons in Food

Situação do uso dos óleos minerais no Brasil:

-No setor primário: A Anvisa apresenta Monografia com avaliação do toxicidade para uso agrícola

-Na indústria: O uso é permitido como aditivo pela legislação: Resolução nº 385, de 5 de agosto de 1999
REGULAMENTO TÉCNICO QUE APROVA O USO DE ADITIVOS ALIMENTARES, ESTABELECENDO SUAS FUNÇÕES E SEUS LIMITES MÁXIMOS PARA A CATEGORIA DE ALIMENTOS 6 – CEREAIS E PRODUTOS DE OU A BASE DE CEREAIS”,
Resolução – RDC nº 77, de 17 de agosto de 2000
DISPÕE SOBRE A EXTENSÃO DE USO DO ADITIVO INS 905A ÓLEO MINERAL, COMO COADJUVANTE DE TECNOLOGIA NAS FUNÇÕES DE AGENTE DE MOLDAGEM EM BALAS DE GOMA E DE GELATINA E DE AGENTE SUPRESSOR DE PÓ EM GRÃOS DE CEREAIS.

– Na indústria farmacêutica:
As fabricantes do produto óleo mineral devem incluir nos rótulos destes a seguinte advertência:
“Atenção: O uso oral de óleo mineral aumenta o risco de desenvolvimento de pneumonia lipoídica. Pacientes com disfagia, desordens neuromusculares que afetam a deglutição e o reflexo do vômito, além de alterações estruturais da faringe e esôfago apresentam risco aumentado de desenvolvimento de pneumonia lipoídica. Esta predisposição é potencializada em neonatos e idosos.”
http://www.anvisa.gov.br/farmacovigilancia/alerta/federal/2001/federal_9.htm

Fonte:  Eroski consumer

Contribuiu Ana Cláudia Frota.

 

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Potencial carcinógeno dos agrotóxicos

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Estudo do potencial carcinogênico dos agrotóxicos empregados na fruticultura e sua implicação para a vigilância da saúde.

Tese de doutorado de Cheila Nataly Galindo Bedor, de 2008, defendida na Fundação Osvaldo Cruz.

Transcrevo aqui trechos da conclusão:
Os registros de agrotóxicos no Brasil devem ser revistos devido à quantidade de substâncias mutagênicas e/ou carcinogênicas utilizadas, uma vez, que a portaria do IBAMA nº. 84/96, no seu capítulo 6º, prevê o banimento em situações de riscos que não sejam passíveis de prevenção ou remediação (riscos inaceitáveis de situações de periculosidade) isso
inclui a proibição de registro de agrotóxicos que possuam características mutagênicas, carcinogênicas e teratogênicas.

O modelo da carcinogenicidade química, uma ferramenta de baixo custo e rápida para a predição do potencial carcinogênico de agrotóxicos, conseguiu de maneira simples classificar os agrotóxicos quanto seu potencial carcinogênico. Podendo ser utilizado como ferramenta para os novos registros de agrotóxicos e inclusive na revisão dos produtos já registrados, assim como na licença para extensão de seus usos.

Os registros de agrotóxicos, assim como a escolha desses para os programas integrados de frutas não levam em conta o princípio da precaução. Princípio esse, que dá direito ao cidadão de proteger a si e ao meio ambiente quando houver perigo, ou mesmo a dúvida, de dano grave ou irreversível. O PIF não levou em conta os parâmetros de toxicidade,  já que agrotóxicos extremamente e altamente tóxicos, inclusive carcinogênicos, aparecem são prescritos para uso.

Clique aqui para baixar.

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Patrocine o blog Food Safety Brazil

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O blog Food Safety Brazil não tem fins lucrativos. Todos os recursos captados são destinados ao desenvolvimento de nossa missão, que é  compartilhar conhecimento e experiências em segurança de alimentos.

Os recursos captados são utilizados para melhorar ainda mais o conteúdo oferecido, em ações como:

– Tradução de textos de referências reconhecidas (ex: Codex alimentarius, guias de entidades de classe internacionais)

– Promoção de eventos, presenciais e via Webinar

– Atualização de colunistas (ex: realizando cobertura de eventos)

– Manutenção e melhoria das funcionalidades do blog

Sua organização poderá se beneficiar da seguinte forma:

-Fazendo anúncios de produtos e serviços ou exibindo logotipo

– Publicando técnicos patrocinados (conteúdo sujeito à aprovação)

-Notícias sobre sua empresa (ex: certificação em segurança de alimentos, publicações)

Doações de pessoas físicas também são aceitas.

Entre em contato com patrocinio@foodsafetybrazil.com e fortaleza a disseminação do conhecimento.

 

 

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Tábuas de madeira, mais higiênicas que as plásticas?

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Queridos leitores: outro dia estava no supermercado, quando me deparei um um lançamento: tábua de churrasco em madeira com o claim “Mais Saudável”. Sob a superfície da mesma, é aplicado um material patenteado de função antibacteriana. Identificando potencial assunto para um post, entrei em contato com o SAC do fabricante solicitando maiores esclarecimentos e publico na íntegra a resposta.  

Antes que confiram, pergunto: Será que estamos diante de uma opção viável de tecnologia para a indústria e as cozinhas domésticas? Diante deste cenário, ficaram nossas legislações  desatualizadas? Ou  por outro lado, (espero e acredito que não!) estamos sendo enganados como consumidores com mais uma alegação apelativa e sem suficiente fundamentação?

 

Estudo sobre proliferação de bactérias em tábuas de madeira e de plástico

 As pesquisas coordenadas pelo Ph.D. Dean O. Cliver foram primeiramente destinadas a desenvolver meios de desinfecção das superfícies de tábuas de madeira em casa, de modo que elas seriam quase tão seguras quanto as tábuas de plástico. A preocupação quanto à segurança era que bactérias como Escherichia coli O157:H7 e Salmonella, que podem contaminar uma superfície onde uma carne crua está sendo preparada, não deve permanecer na superfície para contaminar outros alimentos que podem ser consumidos sem cozimento adicional.

Foi descoberto que bactérias como essas não eram recuperadas da superfície das tábuas de madeira com facilidade logo após a sua aplicação, a não ser que um grande número de bactérias fosse aplicado, enquanto que tábuas de plástico novas permitiram que as bactérias persistissem na superfície, mas foram facilmente limpas e desinfetadas. No entanto, tábuas de madeira que já haviam sido utilizadas e possuíam diversos cortes de faca atuaram quase da mesma maneira que tábuas de madeira novas, enquanto que as superfícies de plástico que estavam com marcas de faca foram impossíveis de limpar e desinfetar manualmente, especialmente quando resíduos alimentares tais como a gordura de frango estavam presentes. Testes com microscópio eletrônico de varredura revelaram danos altamente significativos em tábuas de plástico a partir de cortes de faca.

Apesar das bactérias que desapareceram da superfície de madeira terem sido encontradas vivas no interior da madeira algum tempo após terem sido aplicadas, elas evidentemente não se multiplicam e morrem gradualmente. Elas somente podem ser detectadas através da cisão ou goivagem da madeira ou forçando a água completamente de uma superfície à outra. Se uma faca afiada é utilizada para cortar em superfícies de trabalho após plástico ou madeira usados terem sido contaminados com bactéria e limpados manualmente, mais bactérias são recuperadas de uma superfície de plástico usada do que de uma superfície de madeira usada. De maneira resumida, foi constatado que as bactérias instaladas nos poros da madeira não são mortas instantaneamente, mas também não retornam à superfície. Amostras revelam bactérias infecciosas por horas, mas o ressurgimento dessas bactérias por meio dos gumes das facas não foi demonstrado.

A limpeza manual no experimento foi realizada com esponja, água de torneira quente e detergente líquido lava-louças. Limpeza mecânica com máquina de lavar pode ser realizada com sucesso em tábuas de plástico (mesmo que com cortes de faca) e em tábuas de madeira especialmente confeccionadas para isso, mas podem distribuir a bactéria para outras superfícies de contato com alimentos. Tábuas de madeira que são pequenas o suficiente para caberem em um microondas podem ser desinfetadas facilmente, mas deve-se ter cuidado para evitar o superaquecimento. As superfícies que tenham sido limpas podem ser desinfetadas com água sanitária (hipoclorito de sódio), mas o procedimento só é confiável se a limpeza tiver sido feita com sucesso.

Os experimentos foram realizados com mais de 10 espécies de madeira e com 4 polímeros plásticos, bem como de borracha dura. Por os cientistas terem encontrado essencialmente nenhuma diferença entre as espécies de madeira testadas, nem todas as combinações de madeira e bactérias foram testadas, bem como nem todas as combinações de plástico/borracha dura com bactérias. Além das bactérias citadas anteriormente, foram testadas também Campylobacter jejuni, Listeria monocytogenes e Staphylococcus aureus.

“Estamos conscientes de que existem outras superfícies para preparação de alimentos, feitas de vidro ou aço inoxidável; fizemos muito pouco com essas porque elas são um tanto destrutivas para os gumes das facas, o que introduziria uma outra classe de perigo na cozinha. Nós acreditamos, com base em nossa pesquisa publicada e não-publicada, que os alimentos podem ser preparados com segurança em tábuas de corte com superfície de madeira e que tábuas de corte com superfície de plástico apresentam algumas desvantagens que tinham sido negligenciadas até serem encontradas” Ph.D. Dean O. Cliver.

Uma pesquisa anteriormente realizada, em 1992, por Kass, P.h et al, revelou que aqueles que utilizam tábuas de madeira nas cozinhas de casa eram menos da metade suscetíveis que a média para contrair salmonelose, enquanto que aqueles que utilizavam tábuas de corte sintéticas (de vidro ou plástico) eram o dobro suscetíveis em relação à média de contração de salmonelose. Além disso, o efeito de limpeza regular das tábuas depois da preparação da carne nela não foi estatisticamente significante.

“Como nós não temos conhecimento de nenhuma pesquisa semelhante que tenha sido feita em nenhum lugar, nós consideramos essa como a melhor evidência epidemiológica disponível para constatar que tábuas de corte em madeira não são um perigo para a saúde humana, mas tábuas de corte em plástico podem ser”. Ph.D. Dean O. Cliver.

 

Fonte: SAC Tramontina, junho 2012.

Leia também: Caixas de madeira ou caixas de plástico?

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Tempos de crise expõem britânicos a riscos

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Sabemos que a Europa encontra-se em tempos de vacas magras, com índices de desemprego na casa dos 20%. Mas o que este fato tem a ver com segurança de alimentos?

A crise, além de afetar a economia, tem muitos outros efeitos colaterais. Um deles está relacionado com o risco alimentar que correm os consumidores em seus lares e que, segundo demonstra um recente estudo, tem aumentado. Assim afirma a Agência Britânica de Segurança Alimentar (FSA), na “Semana de segurança alimentar em tempos de crise”. Neste evento se apresentou resultados de uma pesquisa no Reino Unido sobre hábitos no lar.

Foram entrevistados 1.900 consumidores com idade entre 18 e 64 anos. O objetivo foi analisar os hábitos de compra de alimentos e sua posterior manipulação e armazenamento para compreender o impacto da crise sobre eles. Estas são as principais conclusões da pesquisa:

Os alimentos estão mais caros. Quase todos os entrevistados (97%) estimam que o preço das compras aumentou nos últimos três anos.

Ofertas fazem sucesso. 75% dos compradores aproveitam ofertas e estão mais dispostos a assumir mais riscos de segurança de alimentos.

Sobras são mais utilizadas. 57% considera que aproveitar sobras é uma maneira de reduzir custos na hora de comprar, mas quase 47% as usam até dois dias depois da preparação e 25% as congela.

“Controlde de Qualidade” caseiro. Um terço dos consumidores confiam em suas habilidades para avaliar o estado dos alimentos na geladeira, só olhando ou cheirando-os, e ignoram ou usam de maneira “orientativa” as datas de validade ou consumo preferencial (esta última não se usa no Brasil).

Fonte: Eroski Consumer.

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Política de Vidros ao Vivo

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Estava eu auditando uma fábrica de sucos pasteurizados, envasados em garrafas de vidro.

Não poderia, claro, deixar de perguntar se a empresa tinha algum procedimento específico em caso de quebra ou explosão de garrafas. A resposta foi “sim, por precaução temos e os funcionários estão treinados, mas é algo que não vejo acontecer há meses, talvez mais de ano”. Pensei com meus botões “OK, mas mesmo assim, vou entrar na sala e bater um papo com os operadores para conferir se eles vão mesmo saber o que fazer”. Me paramentei conforme o manual de BPF para entrar na sala, e eis que cumprimento o pessoal e logo vem aquele estrondo “BRUUUUUM” e cacos para todos os lados.

Toda a comitiva (pessoal de gestão que acompanha a auditoria) e mais os operadores nos primeiros segundos não paravam de olhar para mim! Diante daquelas estátuas, só disse: “Bom pessoal, fiquem à vontade para colocar em prática”. E lá foram parar a linha, limpar e segregar devidamente as garrafas. Apesar das mãos trêmulas e vozes embargadas, todos se saíram muito bem.

Mas eu juro que fui para o hotel pensando…. “Eu heim… BRUXINHA”….

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