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FSSC 22000 V7: quando o sistema precisa provar que funciona na prática

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Em 1º de maio de 2026 (fresquinha) a tão esperada versão 7 do esquema FSSC 22.000 foi publicada na homepage da fundação (veja aqui). Trazemos aqui as principais mudanças da FSSC 22000 V7 para suas atualizações, e os principais fatores que impulsionaram a nova versão:

       Incorporação da nova série ISO 22002-x:2025 em programas de pré-requisitos;

       Alinhamento com os requisitos de benchmark GFSI v2024;

       Reforçar os requisitos para apoiar o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS);

       Estrutura mais definida para a divisão das categorias da cadeia de alimentos;

       Mudanças e ajustes editoriais como parte da melhoria contínua.

O período de transição para Organismos de Certificação e Organizações certificadas é de 12 meses; assim, as auditorias na V6 são permitidas até 30 de abril de 2027. Auditorias de atualização da V7 deverão ser realizadas de 1º de maio de 2027 até 30 de abril de 2028.

Nesta atualização os benefícios são:

       Um padrão comum de PPR, com peças adicionais específicas de setor. Isso simplifica a implementação para organizações multisetoriais;

       Requisitos adicionais sobre princípios de design / desenvolvimento de embalagens contribuem para a redução das FLW (Perda e Desperdício de Alimentos (também conhecida como Food Loss Waste) e, assim, apoiam ainda mais os ODS da ONU;

       Mais detalhes no documento do Esquema para melhor compreensão e aplicação.

As principais mudanças foram:

1)   Nova série ISO 22002-x

·        A versão 7 mudou dos anteriores Programas de Pré-requisito (PPRs), a saber, o BSI PAS (Padrão Público Disponível) e o ISO/TS 22002-x (Especificações Técnicas), para a nova série ISO 22002-x:2025. Essa mudança foi provocada pela reestruturação fundamental e modernização dos requisitos PPRs pela ISO.

·        Publicada em julho de 2025, a nova série ISO introduziu um padrão PPR de linha base unificado, ISO 22002-100:2025, que consolida requisitos comuns em toda a cadeia alimentar e reduz duplicidades, variabilidade e complexidade que existiam nos documentos anteriores da ISO/TS.

·        A Parte 100 é apoiada por partes específicas de setor vinculadas ao escopo da organização, por exemplo, ISO 22002-1, que foca especificamente na fabricação de alimentos e deve ser aplicada além da Parte 100. Essa estrutura harmonizada oferece requisitos mais claros e consistentes e apoia uma abordagem de auditoria mais globalmente aplicável.

 2)   Fortalecimento dos requisitos para apoiar as organizações em suas contribuições para o cumprimento dos ODS

·        Para apoiar ainda mais a redução de Perda e Desperdício de Alimentos (FLW) e a embalagem sustentável de alimentos, incluímos alguns dos princípios de design da Save Food Packaging na V7. Desenvolvidos pelo Instituto Australiano de Embalagens (AIP) e globalizados pela Organização Mundial de Embalagens (WPO), esses princípios de design são aplicáveis a todas as Organizações FSSC 22000 (Certificadas) envolvidas no design de materiais de embalagem.

 3)   Requisitos para o auditor

·        Os requisitos para qualificações de auditores foram atualizados em conformidade com os novos Requisitos de Benchmarking da GFSI e para harmonizar critérios de competência vinculados a uma divisão mais estruturada das (sub)categorias da cadeia alimentar. Essa abordagem dá ênfase adicional às competências, incluindo o conhecimento de produtos, processos, práticas, leis e regulamentos.

 4)   O uso da IA Como a IA ajuda na auditoria? – Food Safety Brazil

·         O uso da IA na certificação exige uma estrutura de governança que assegure uma aplicação ética, justa e em conformidade, incluindo avaliações de risco, validação, monitoramento e funções claras. Com treinamento adequado, transparência e comunicação com as partes interessadas, a IA é apoio (ver item 9 da parte 4 do esquema).

Mudanças nos requisitos adicionais (parte 2.5 do esquema)

·       Maior aplicabilidade em algumas categorias para os requisitos, por exemplo, 2.5.2.d, 2.5.12 e 2.5.18;

·       Inclusão de 2 requisitos da lista do BoS anterior, da versão 6: 2.5.1.a (#4) e 2.5.14 (#3);

·       Inclusão 2.5.2.d.vi;

·       Inclusão do detalhamento esperado para os objetivos para FLW (perdas e desperdícios de alimentos);

·       Novo requisito 2.5.13.g. do i ao iv para design e desenvolvimento de embalagens;

·       Inclusão da necessidade de prover recursos e do compromisso de ser demonstrável e de fornecer recursos para o requisito de cultura;

·       No requisito 2.5.7 sobre PEM (monitoramento ambiental), pelo menos uma vez ao ano deve ser analisado em relação à efetividade e adequabilidade continuada do programa;

·       No requisito 2.5.6 sobre PCAL (programa de controle de alergênicos), deve ser efetivamente implementado com eficácia anualmente revisada;

·        Maior detalhamento do embasamento usado nas especificações no 2.5.1.d;

Exclusão item 2.5.10.c para categoria FII sobre transporte e entrega para evitar contaminação cruzada.

Minha mensagem sobre esta versão é clara:

Não é só o que você produz — é como você produz que define seu risco. A IA deve apoiar, e não substituir, o julgamento humano.

Atualizem-se!

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Como a IA ajuda na auditoria?

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Responder à pergunta do título (Como a IA ajuda na auditoria?) exige sair da visão limitada de que auditoria é apenas um evento periódico.

A inteligência artificial está reposicionando a auditoria como um processo contínuo, baseado em dados, e não mais como uma fotografia pontual de conformidade e sim um filme atual, de maneira “phygital” (ou “figital”) que é a combinação de físico + digital, ou seja, experiências que integram o mundo real com tecnologias digitais de forma fluida.

Na prática, a IA já começa a atuar na preparação da auditoria, organizando grandes volumes de dados, identificando lacunas e estruturando evidências. Esse movimento acompanha uma transformação maior: a digitalização dos sistemas de gestão está criando novos modelos de auditoria, com impacto direto não apenas nas organizações certificadas, mas também em toda a cadeia de fornecedores.

Esse avanço não é teórico. A própria FSSC 22000 já incorporou o uso de inteligência artificial em decisões estratégicas, como evidenciado na lista de decisão do Board of Stakeholders # 8, de setembro de 2025, que foi incluído na versão 7 para os processos de certificação nos OC’s e nas organizações certificadas (ver item 9 da parte 4 do esquema FSSC v.7). Isso afetará tanto os Organismos de Certificação quanto as empresas certificadas, consolidando a IA como parte integrante dos processos de certificação.

Com o uso crescente de IA, surge uma mudança estrutural: o compartilhamento de informações ao longo da cadeia. Não se trata mais apenas de apresentar certificados válidos. Partes interessadas, especialmente varejistas, querem entender o que está por trás deles — incluindo não conformidades, tendências e riscos.

Isso cria um novo paradigma: a confiança deixa de ser baseada apenas na certificação e passa a ser construída pela transparência dos dados.

No entanto, essa abertura traz um dilema relevante. Até que ponto as informações devem ser compartilhadas? Como equilibrar transparência com confidencialidade e segurança da informação?

A resposta não está em restringir dados, mas em amadurecer a governança sobre eles. É necessário “abrir a cabeça” para um modelo onde:

  • mais dados são compartilhados,
  • mais análises são realizadas e;
  • melhores decisões de risco são tomadas.

Ao mesmo tempo, critérios claros devem definir o que pode ou não ser disponibilizado, garantindo proteção estratégica sem comprometer a confiança do ecossistema.

Apesar de todo o potencial, o uso da IA precisa ser priorizado de forma pragmática. A sequência lógica de implementação é clara:

  • primeiro, estruturar a base de dados, padronizando registros — especialmente monitoramento ambiental e dados de processo;
  • em seguida, aplicar IA para análise de tendências, onde está o maior ganho real e o retorno mais rápido;
  • depois, utilizar IA na preparação de auditorias e checklists inteligentes, reduzindo não conformidades básicas;
  • por fim, automatizar relatórios, trazendo eficiência operacional — mas sem confundir isso com melhoria do sistema.

Essa ordem importa. Pular etapas leva a sistemas sofisticados com dados ruins — e decisões piores.

O que vem pela frente: evolução das normas e novas prioridades

Nos próximos dois anos, a evolução das normas e esquemas de certificação deve se concentrar em temas que ampliam o escopo tradicional da segurança de alimentos:

  • Integração com ESG;
  • Gestão de resíduos, especialmente embalagens;
  • Valorização das pessoas e fortalecimento da cultura organizacional;
  • Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS);
  • Investimento em digitalização para qualificar a gestão de dados.

Essa agenda reforça que qualidade e segurança de alimentos deixam de ser áreas isoladas e passam a atuar como pilares estratégicos do negócio.

A transformação também traz riscos relevantes. Um dos mais críticos é a escassez de auditores qualificados, impulsionada pela aposentadoria de profissionais experientes. Isso pode comprometer a consistência das auditorias e, consequentemente, a confiança no sistema de certificação.

Além disso, há desafios como:

  • Falta de alinhamento entre os diferentes elos da cadeia;
  • Visão limitada à indústria, sem considerar o ecossistema completo;
  • Sobrecarga e impacto na saúde mental dos profissionais envolvidos.

Ignorar esses fatores compromete não apenas a conformidade, mas a credibilidade de todo o sistema.

Por outro lado, surgem oportunidades importantes. Programas de desenvolvimento voltados para pequenas e médias empresas tendem a ganhar força, elevando o padrão da cadeia como um todo. Da mesma forma, iniciativas para harmonizar critérios entre certificadoras podem aumentar a consistência e a confiança nos processos.

Conclusivamente, além das normas, uma mudança de mentalidade. Mais do que uma evolução normativa, o que está em curso é uma mudança de lógica. A auditoria deixa de ser um fim em si mesma e passa a ser parte de um sistema maior, orientado por dados, transparência e tomada de decisão baseada em risco.

A IA não substitui o julgamento humano, mas amplia sua capacidade. E as organizações que entenderem isso primeiro não apenas estarão em conformidade, estarão à frente na construção de uma cadeia de alimentos mais confiável, resiliente e alinhada às demandas globais.

Não dá para ficar preso em requisito de checklist que se atualiza demoradamente, vamos para smart standard, nuvem de qualidade e metrológica, certificado de calibração digital, inspeção remota, sensorialmente remoto para predição dos problemas deixando o risco imaterializável, interação de compliance… não dá para tratar o mundo digital de forma analógica! E o consumidor deve ficar melhor informado e mais atento, pois a decisão é humana (“Human in the loop” – HITL)!

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Tradução da 2ª versão do Documento de Posição da GFSI sobre Cultura de Segurança de Alimentos

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Fonte: Yasser Mohamed e Kendra Rothbrust de Lima

Em 2018, contamos com um esforço voluntário que permitiu democratizar o acesso ao conteúdo técnico por meio da tradução da 1ª edição. Aquela iniciativa teve impacto real: ampliou o entendimento, fortaleceu práticas e aproximou profissionais que, de outra forma, ficariam à margem de um material essencial.

Agora, com a tradução da 2ª edição (baixe aqui), o valor é ainda maior – olha a tabela comparativa então! Não se trata apenas de converter idioma — trata-se de acelerar a maturidade do setor. A atualização do documento reflete novas abordagens, riscos emergentes e expectativas mais rigorosas da cadeia global de alimentos, especialmente no contexto das discussões recentes apresentadas na conferência da GFSI, em 2026, no Canadá.

Ao tornar esse conteúdo acessível em português, vocês:

  • Reduzem a barreira de entendimento técnico;
  • Aumentam a velocidade de implementação nas empresas;
  • Elevam o nível das discussões profissionais no país, e;
  • Contribuem diretamente para a segurança de alimentos e a confiança do consumidor.

Esse tipo de contribuição voluntária não é operacional — é estrutural. Impacta a cultura, decisão e resultado. O acesso foi viabilizado. Agora vem a parte que realmente faz diferença: uso prático.

Este não é um material para “ler e arquivar”. É um guia para provocar revisão, decisão e mudança.

Aqui vai um direcionamento direto de como extrair valor:

  • Leia com foco crítico: compare o conteúdo com sua operação atual. Onde você está defasado?
  • Leve para o time: transforme pontos-chave em discussão com qualidade, produção e fornecedores.
  • Aja rápido no básico: identifique 2–3 melhorias que podem ser implementadas imediatamente.
  • Priorize riscos reais: use o documento como lente para enxergar vulnerabilidades que hoje passam despercebidas.
  • Integre ao sistema: conecte os aprendizados com HACCP, Food Defense, Food Fraud com a Cultura de Segurança de Alimentos

A diferença entre empresas que evoluem e as que ficam para trás não está no acesso à informação — está na velocidade de uso.

2 min leituraFonte: Yasser Mohamed e Kendra Rothbrust de Lima Em 2018, contamos com um esforço voluntário que permitiu democratizar o acesso ao conteúdo técnico por meio da tradução da 1ª edição. […]

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Do papel à prática: aplicando o novo Guia de Cultura da GFSI

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Se não traduzirmos esta imagem em comportamentos, vira só “quadro de parede”. Daí a questão:  como virar prática no chão de fábrica e na gestão, sem gerente só cobrando volume e operador pulando etapas?

Os fundamentos da cultura organizacional devem focar a segurança de alimentos explicitamente na missão, com KPIs de diretoria incluindo food safety e não somente custo/produção e ter evidências concretas das decisões de qualidade. Aqui, o pilar Adaptabilidade e Melhoria Contínua, junto com missão, visão e valores da organização, consideram que o desvio gera melhoria, não só correção, com revisão de processo após incidente e indicadores de tendência, não apenas resultado pontual a ser tratado pela “liderança de topo”. Como exemplo, a empresa fraca diz: “produza assim mesmo e depois ajustamos” e o KPI de diretoria é o volume entregue. Já empresa com cultura: pare a linha, ajuste higienização/setup e assuma o atraso.

Sobre pessoas, o treinamento deve ter avaliação real, com operador empoderado que pode parar linha de produção, sem punição; e com a liderança cobrando comportamento, não só resultado. Treinamento baseado em risco real (ex.: contaminação cruzada), simulações práticas (recall, crise, desvio) e avaliação comportamental (não só prova teórica). Cada área tem dono de riscos, não pode ser “a qualidade resolve”. Os desvios têm responsável + prazo + consequência e na auditoria interna com cobrança real (sem “passar pano”).

Para consistência os padrões operacionais seguidos sem variação por turno (funciona igual dia e noite? Auditor presente ou não?), checklists validados e não preenchidos depois e com a mesma regra para todos, inclusive as gerências. A conscientização sobre riscos engloba se o operador sabe “o que pode dar errado aqui”, os pontos críticos visíveis na área e com reuniões diárias rápidas sobre riscos.

O ambiente de trabalho deve ter leiaute que evite cruzamento (cru x pronto), pressão por produção não pode gerar atalhos e recursos disponíveis (EPIs, utensílios, tempo). Se isto tudo não estiver acontecendo, teremos então:

  • treinamento sem mudança de comportamento = cultura fraca;
  • desvio repetido = sem aprendizado;
  • produção manda mais que qualidade = cultura falsa;
  • indicador sem ação = gestão decorativa.

Implemente indicadores de cultura como: % desvios recorrentes, tempo de resposta e adesão a procedimentos; Gemba real com a liderança indo à área ver comportamento, tendência de desvios via gráfico mostrando evolução e evidência de decisão difícil que é parar produção por risco.

Que tal podermos dizer e fazer assim:

Em nossa cultura, desvio não é evento a ser corrigido — é gatilho obrigatório de melhoria sistêmica, com decisão sustentada pela liderança e evidência em indicadores de tendência.

Bravo!

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Publicada a 2ª versão do Documento de Posição da GFSI sobre Cultura de Segurança de Alimentos

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Lá em 2018 abordamos em um post a 1ª edição deste documento, traduzido por voluntário (veja aqui). Agora, no dia 26/03/26 (bem fresquinho!), a GFSI refina o arcabouço global para a cultura de segurança de alimentos ao incorporar as pesquisas acadêmicas mais recentes e o feedback dos stakeholders desde 2018, após a ampliação da compreensão de como a cultura organizacional interage com os sistemas de segurança de alimentos, reforçando-os mutuamente.

Isso não significa que todo o valioso trabalho do grupo técnico que apoiou o documento de 2018 tenha sido descartado. Em vez disso, esta edição representa uma evolução conceitual para definir e descrever a cultura de segurança de alimentos e as suas dimensões.

Ele esclarece o papel da GFSI como uma entidade de benchmarking que define “o quê” — os principais pontos de referência conceituais e dimensões que permitem o alinhamento global, enquanto deixa o “como” — as ferramentas específicas e métodos de implementação para especialistas do setor, responsáveis pelas normas reconhecidas e empresas individuais, ou seja, se concentra mais claramente na definição da estrutura central do tema e avalia se os conceitos e dimensões fundamentais permanecem válidos e relevantes, ao invés de prescrever abordagens de implementação.

Nesta atualização, o que antes era uma ideia emergente passou a ser reconhecido como um fator crítico que influencia o desempenho em segurança de alimentos, o comportamento organizacional e a proteção do consumidor. Em organizações de alto desempenho, sistemas e cultura operam em conjunto para sustentar os resultados em segurança de alimentos, ou seja, buscar preencher a lacuna entre a teoria e as exigências da prática, que possa ser usada para transformar a intenção cultural em um desempenho consistente e mensurável.

O objetivo é apoiar o alinhamento contínuo e melhorar os resultados de segurança de alimentos em todo o mundo. A quem se destina? Líderes sêniores, gestores de instalações, auditores, formadores e reguladores que necessitam de um ponto de referência comum e de um vocabulário partilhado. O que não faz? Não prescreve ferramentas de implementação, diagnósticos, modelos de maturidade ou intervenções — esses aspectos permanecem fora do escopo do Documento de Posicionamento e, portanto, do Guia.

Inicia com a nova definição sobre a Cultura de Segurança de Alimentos: “um conceito presente em todas as empresas do setor alimentício, relacionado às crenças, comportamentos, valores e pressupostos profundamente enraizados, aprendidos e compartilhados por todos os funcionários, e que se integram para impactar o desempenho da organização em segurança de alimentos.”  É visto como uma roda de dimensões interativas, organizadas em dois níveis interdependentes, conforme as figuras a seguir (estrutura dimensional do modelo evoluído):

Essa abordagem de dupla camada reconhece que a maturidade da cultura de segurança de alimentos não se expressa apenas por meio de aspectos da cultura organizacional, como visão e liderança, mas também se concretiza por meio da eficácia dos comportamentos operacionais de segurança de alimentos, incluindo as respostas à mudança.

A iniciativa reconhece que a cultura não é um conceito “abstrato”, mas sim um determinante crucial dos resultados em segurança de alimentos. Com base em mais de 180 fontes — incluindo estudos empíricos, teoria comportamental, pesquisa organizacional e normas da indústria — esta edição propõe um modelo revisado de cinco dimensões para a cultura de segurança de alimentos. Essas dimensões são organizadas em dois níveis, refletindo a distinção entre os fatores fundamentais da cultura organizacional e as manifestações culturais na prática de segurança de alimentos. Não é meramente produto de liderança ou treinamento, mas sim uma estrutura integrada de valores compartilhados, comportamentos, consciência de riscos e aprendizado organizacional. Para ser eficaz, a cultura deve ser mensurável, acionável e continuamente aprimorada. A literatura destaca ainda a interação dinâmica entre sistemas formais (como HACCP e SGSA) e elementos culturais informais (incluindo o tom da liderança, o empoderamento dos funcionários e a consistência comportamental).

A nova estrutura dimensional circular enfatiza a interação entre todas as dimensões e seus componentes críticos, além de demonstrar o foco fundamental das dimensões Pessoas e Valores da Empresa, Visão e Missão no suporte às demais dimensões. Há uma carência de pesquisas sobre as dimensões Consistência, Adaptabilidade e Melhoria Contínua na literatura sobre cultura de segurança de alimentos. Dentro destes pilares há alguns fundamentos bem demarcados, também chamados de áreas temáticas, tais como:

– a equipe de lideranças de todas as organizações, que dependendo da natureza do negócio pode incluir o proprietário e o conselho de administração, estabelece os valores, a visão e o propósito da organização. Esses valores fundamentais transcendem todos os aspectos do negócio e norteiam a cultura de segurança de alimentos;

– a coordenação consiste no alinhamento de funções, responsabilidades e comunicação entre departamentos, turnos e locais para promover resultados de segurança. O alinhamento de objetivos entre os departamentos é fundamental e é fomentado por meio de sessões colaborativas, equipes de projeto multifuncionais e comunicação eficaz. É importante ressaltar que a coordenação com as estruturas de governança de segurança de alimentos internas e externas e a integração com os parceiros da cadeia de suprimentos também contribuem para esse componente crítico;

– os membros da equipe precisam ser responsabilizados pelos resultados em segurança de alimentos que estejam dentro de suas atribuições. Isso requer coordenação, comunicação e treinamento eficazes para gerar o entendimento e o comprometimento necessários, bem como a conscientização sobre as pressões do trabalho e os recursos disponíveis dentro da organização;

– a pressão no trabalho pode ser gerenciada por meio de planejamento, programação da produção e garantia de recursos adequados em todos os momentos, incluindo pessoal, equipamentos, ingredientes e materiais. É necessário considerar o impacto de fatores externos, como auditorias e visitas externas, sobre a carga de trabalho e a pressão no trabalho, e elaborar planos para superar desafios e obstáculos;

– a comunicação precisa ser aberta, proativa e bidirecional, com a verificação do entendimento por meio de feedbacks bidirecionais como parte integrante do processo. É importante considerar a linguagem, o uso de ferramentas e materiais apropriados, os canais de comunicação adequados e como superar as barreiras de comunicação e estabelecer confiança. Para garantir uma comunicação eficaz, de cima para baixo, de baixo para cima e em toda a organização, a comunicação precisa ser planejada e estruturada, assim como os métodos e canais de comunicação com as partes interessadas externas;

– os esforços em treinamento e capacitação são essenciais para apoiar tanto a cultura organizacional quanto as iniciativas do SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos). Intervenções de treinamento específicas precisam ser planejadas de forma eficaz para atender às necessidades dos grupos de participantes, evitando-se abordagens genéricas;

atitudes positivas em relação à segurança de alimentos e uma cultura de segurança de alimentos são importantes, e é necessário evitar discrepâncias entre atitudes e comportamentos. Intervenções na cultura de segurança de alimentos e treinamentos em segurança de alimentos podem ter efeitos positivos sobre atitudes e comportamentos, mas todas as intervenções devem ser monitoradas para comprovar sua eficácia. O envolvimento contínuo é necessário para um engajamento sustentado e consistente e para impulsionar a mudança na cultura interna;

– a colaboração e o trabalho em equipe são importantes para a cultura de segurança de alimentos, e foi relatado que um influencia o outro. As organizações precisam desenvolver planos para fortalecer o trabalho em equipe e a colaboração por meio de iniciativas de gestão e cultura de segurança de alimentos. O aprendizado baseado em equipes e métodos participativos pode ajudar a incutir um melhor trabalho em equipe e colaboração com outros componentes críticos da cultura de segurança de alimentos em todas as dimensões, como Treinamento e Conhecimento, Comunicação e Coordenação, Comportamento e Atitude, Reconhecimento e Empoderamento, Conscientização de Riscos e compreensão das Pressões no Trabalho, o que contribui para um ambiente propício ao trabalho em equipe e à colaboração eficazes;

– o reconhecimento e o empoderamento são fatores positivos que impactam o desenvolvimento da cultura de segurança de alimentos, e abordagens como treinamento e participação de funcionários/equipes têm sido destacadas como importantes. Algumas ferramentas estão disponíveis para auxiliar na compreensão do nível atual de autonomia, de modo que estratégias para aumentar o empoderamento possam ser desenvolvidas. Promover um diálogo seguro e aberto e reconhecer os funcionários que se destacam são fundamentais para a construção de equipes mais empoderadas;

– a conscientização sobre riscos é fundamental tanto para o controle eficaz dos perigos à segurança de alimentos por meio de sistemas e programas de gestão da segurança de alimentos, quanto para o desenvolvimento de uma cultura de segurança de alimentos madura, podendo inclusive ser o resultado dela. As organizações precisam tomar medidas para avaliar o nível de conscientização sobre riscos em seus funcionários e aplicar ferramentas adequadas de educação e comunicação para manter e aumentar essa conscientização, de acordo com o setor de produtos em que atuam;

– o SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos) precisa ser bem projetado, desenvolvido, implementado e mantido de forma eficaz. A importância da interação entre o SGSA e a cultura de segurança de alimentos tem sido mais bem compreendida à medida que mais pesquisas e estudos sobre as dimensões culturais têm sido realizados. Dar ênfase ao planejamento de como as abordagens se apoiarão mutuamente em qualquer projeto ou ciclo de melhoria permitirá a tomada de ações apropriadas;

– os comportamentos consistentes e corretos em matéria de segurança de alimentos são essenciais em todos os níveis. Outros aspetos importantes incluem a medição do desempenho, a documentação e os sistemas de registro e sua utilização na análise de tendências. A medição de desempenho, por exemplo, por meio do monitoramento de PCCs (Pontos Críticos de Controle), permite que a empresa verifique se está atendendo aos requisitos de segurança de alimentos definidos, além de reconhecer o bom desempenho e identificar problemas. As métricas precisam ser escolhidas  cuidadosamente e normalmente incluem medidas reativas (de resultado) e proativas (de previsão);

– o ambiente de trabalho precisa atender a um bom padrão de higiene, com instalações e acabamentos que promovam práticas de segurança de alimentos e permitam que os funcionários desempenhem suas funções de forma eficaz e confortável. A literatura confirma que o ambiente impacta comportamentos, conformidade e cultura, e a falta de boas práticas ambientais tem sido associada a surtos de doenças transmitidas por alimentos. No contexto da adaptabilidade, da mudança e da melhoria contínua, a qualidade do ambiente de trabalho, incluindo acabamentos, ferramentas, equipamentos e serviços necessários para a segurança de alimentos, é fundamental não apenas para o cumprimento dos requisitos de segurança de alimentos, mas também para gerar uma cultura de melhoria contínua;

– o componente crítico de Adaptabilidade e Melhoria Contínua pode ser subdividido em vários tópicos essenciais. Agilidade e Adaptabilidade são conceitos interligados; agilidade é a capacidade de reagir, mover-se e mudar de forma rápida e fácil em resposta a um estímulo, enquanto adaptabilidade diz respeito à consideração de todas as opções e oportunidades e ao planejamento do caminho a seguir. Ambos são importantes para a capacidade de uma organização responder e se adaptar às mudanças de circunstâncias, e essa capacidade pode impactar a cultura de segurança de alimentos.

Com isto, a cultura de segurança de alimentos existe em um espectro de maturidade, que varia de mais fraca a mais forte, e isso tem sido descrito como de negativo para positivo, menos maduro para mais maduro ou reativo para proativo. Independentemente do sistema ou escala de medição utilizada, é importante poder traçar o perfil da cultura existente de uma organização para entender onde residem os pontos fortes e fracos em todas as dimensões e para desenvolver um programa de intervenções para fortalecer a cultura de segurança de alimentos na empresa.

É sobre agir. Cabe a nós aplicar modelos de maturidade, usar instrumentos certos e avaliar com profundidade — para identificar onde realmente estamos e, principalmente, onde precisamos evoluir com urgência.

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Gêmeos Digitais na Segurança de Alimentos: da gestão de mudanças reativa ao controle preditivo de riscos

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A gestão de mudanças em processos produtivos sempre traz um risco implícito: alterar parâmetros críticos na linha e só descobrir o impacto após o lote produzido. Na prática, isso significa depender de validações tardias, desvios, retrabalhos, perdas de produto e, em cenários mais graves, riscos à segurança de alimentos.

É exatamente nesse ponto que entram os Gêmeos Digitais (Digital Twins) como uma ferramenta estratégica, não de inovação estética, mas de controle preditivo, pois não se trata de modelos 3D nem simples simulações estáticas, são réplicas virtuais dinâmicas de processos, equipamentos ou sistemas produtivos. A ferramenta é alimentada por:

  • Dados operacionais em tempo real (IoT, sensores, SCADA, MES);
  • Parâmetros de processo validados;
  • Regras físico-químicas, microbiológicas e operacionais;
  • Histórico de desvios, falhas e condições críticas.

O resultado é um ambiente virtual onde é possível simular cenários reais de produção, antes de qualquer intervenção física no site.

Tradicionalmente, a segurança de alimentos opera de forma reativa:

  • O processo muda;
  • O lote é produzido;
  • O desvio é identificado depois.

Com os Gêmeos Digitais, o fluxo se inverte:

  • A mudança é simulada virtualmente;
  • Os riscos são identificados antes;
  • O processo real só é ajustado após validação digital.

Em termos de gestão de riscos, isso significa antecipar falhas críticas ao invés de apenas corrigi-las.

Estudos e aplicações industriais mostram que:

  • Testes de ajustes de processo em ambiente virtual reduzem falhas críticas em até 40%;
  • Há redução significativa de:
    • perdas de matéria-prima;
    • desvios de processo;
    • paradas não planejadas;
    • riscos de contaminação cruzada.

Tudo isso sem:

  • consumir produto;
  • interromper a linha;
  • expor consumidores a riscos.

É possível, literalmente, simular 1.000 erros de processo, avaliar 1.000 cenários de contaminação e “perder” 1.000 lotes sem custo real e sem impacto sanitário.

Exemplos de aplicações práticas em Segurança de Alimentos são:

  • Simulação de queda de energia;
  • Identificação virtual de pontos de estagnação do produto;
  • Avaliação do tempo de exposição em zonas de risco microbiológico;
  • Ajuste de parâmetros (tempo, fluxo, CIP, reinício);
  • Validação digital antes da aplicação real.

Lembrando que muitas empresas sólidas não quebram por grandes falhas, mas por:

  • um ajuste mal validado;
  • uma mudança não testada;
  • um “quase” que virou perda, recall ou não conformidade grave.

Sabe aquele “frio na barriga” da mudança de processo porque transforma a decisão em evidência técnica, não em tentativa? É sobre isto. Mais do que tecnologia, é uma mudança de cultura. O impacto dos Gêmeos Digitais vai além da máquina. Eles transformam a cultura da Segurança de Alimentos de: “descobrir o erro depois” para “provar que o erro não vai acontecer”.

Se a tecnologia para prever falhas já existe, por que ainda aceitamos operar apenas reagindo a elas? Vamos mapear virtualmente um processo para garantir que nenhum erro chegue à mesa do consumidor? Se é previsível, precisa virar padrão.

2 min leituraA gestão de mudanças em processos produtivos sempre traz um risco implícito: alterar parâmetros críticos na linha e só descobrir o impacto após o lote produzido. Na prática, isso significa […]

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4.000 posts publicados nesta data. E seguimos!

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Nesta quarta-feira, dia 28/01/26, atingimos um marco que não é sobre número — é sobre constância, propósito e compromisso com a informação técnica de qualidade: 4.000 conteúdos publicados desde a criação do blog.

Cada post nasceu de uma pergunta real, de um problema de campo, de uma auditoria difícil, de um treinamento desafiador ou de uma norma ou legislação que precisava ser traduzida para a prática.

Esse número representa:

 horas de estudo;

atualização contínua;

explorar o complexo ou o básico, dependendo da necessidade;

diálogos com profissionais da indústria e outras cadeias produtivas e convite à melhoria;

e principalmente, a crença de que conhecimento técnico compartilhado fortalece sistemas e protege consumidores (nós mesmos).

Não escrevemos para agradar algoritmos. Escrevemos para apoiar decisões. Para provocar reflexão. Para sair do “achismo” e ir para o método.

Obrigada a quem lê, compartilha, questiona, interage e usa esse conteúdo no dia a dia da indústria.

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< 1 min leituraNesta quarta-feira, dia 28/01/26, atingimos um marco que não é sobre número — é sobre constância, propósito e compromisso com a informação técnica de qualidade: 4.000 conteúdos publicados desde a […]

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VII Workshop do Blog FSB: respostas às perguntas remotas

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O VII Workshop do blog FSB foi realizado em Porto Alegre, RS, em agosto de 2025, e abordou a temática “Da Logística à Embalagem: tecnologia, inovação e Boas Práticas para garantir a Segurança dos Alimentos”. O evento contou com público online ávido por conhecimento e foram feitas muitas perguntas que não puderam ser respondidas ao vivo, devido ao tempo escasso. Agora, seguem abaixo os questionamentos e soluções, que também são úteis aos leitores que não puderam estar neste 7º encontro. E aos palestrantes-voluntários ficam nossos agradecimentos!!!

Vanessa Costalunga, colunista do blog FSB, palestrou sobre “Descomplicando a legislação de embalagens seguras para alimentos: princípios básicos da Anvisa”.

1 – Vanessa, as notícias de desvios da lista positiva causam preocupação. Você entende que falta mais rigor na legislação ou mais fiscalização? Como tornar as embalagens mais seguras?

Vanessa: É correto afirmar que o aumento da fiscalização, tanto em frequência quanto em profundidade de avaliação, impulsiona a conformidade regulatória. Contudo, a gestão proativa de riscos é o elemento decisivo neste tema. A verdadeira segurança é alcançada quando os fabricantes de embalagens de alimentos internalizam a legislação, desenvolvem uma consciência aprofundada sobre os potenciais danos à saúde em caso de desvios, e assumem a responsabilidade ética e legal de fornecer produtos seguros e adequados. Com esse compromisso intrínseco, a necessidade de uma fiscalização externa intensiva torna-se complementar.

2 – O  caminho seria criar selos de qualidade e certificações como uma forma de trazer informação sobre conformidade legal?

Vanessa: Pela minha experiência, a certificação de um Sistema de Gestão da Segurança de Alimentos (SGSA) atua como um forte catalisador para a elevação da conformidade regulatória. Contudo, é fundamental que o fabricante estabeleça o atendimento integral aos requisitos legais como o seu alicerce — uma etapa que precede e fundamenta a busca pela certificação. Reforço que esta base só se consolida por meio de um compromisso genuíno com a segurança dos produtos e com a proteção da saúde dos consumidores.

3 – Comente sobre a tinta dos carimbos em carcaças de animais. Elas devem ter laudos de migração?

Vanessa: Tintas em alimentos, de forma geral, devem atender critérios de pureza e serem comestíveis. Neste caso não se aplica o requisito de laudo de migração pois não se trata de uma tinta impressa em material em contato com alimentos, mas a tinta aplicada diretamente no próprio alimento.

Juliane Silva, representante da BRCGS Brasil, palestrou sobre “Como os requisitos normativos BRCGS para as indústrias de embalagens ajudam no cumprimento das legislações”.

1 – Quando é uma faquinha plástica junto com a embalagem de rocambole ou um palito de madeira ou plástico para picolé, qual norma escolher na BRCGS?

Juliane: Neste caso o item é parte da embalagem, então é a BRCGS Packaging Material.

2 – Quais são os diferenciais de uma auditoria não anunciada e quais vantagens ou desafios ela pode trazer para as empresas?

Juliane: Demonstrar que a empresa está comprometida com a segurança do produto a todo momento e não somente no dia agendado da auditoria. Isso gera uma maior confiança  para os clientes e partes interessadas.

3 – Quais são os tipos mais recorrentes de Não Conformidades (NCs) identificados durante auditorias relacionadas à norma BRCGS Packaging?

Juliane:  TOP 5 NC Menores para norma de Packaging:

1) 4.8.1 – Limpeza e higiene

2) 4.9.3.1 – Controle de químicos

3) 3.7.2 – Avaliação de vulnerabilidade documentada

4) 4.7.4 – Reparos temporários

5) 3.5.1 – Programa de auditorias internas

TOP 5 NC Maiores para norma de Packaging:

1) 4.9.2.1 – Controle de metais afiados

2) 1.1.8 – Gestão de data de re-certificação

3) 1.1.3 – Canais de reporte confidenciais (denúncias)

4) 5.4.5  – Checagem e liberação de linha de produção

5) 1.1.10 – Causa raiz de NC de auditoria anterior

4 –  As não conformidades sobre o requisito de cultura de qualidade e segurança de alimentos são ainda as maiores desde que o tema foi incluso na norma BRCGS?

Juliane: Sobre o tema de cultura (1.1.2), ele está em 7º lugar na lista de NC menores mais frequentes e em 12º lugar na lista de Maiores. Sabemos, porém, que agora são menos frequentes, é claro, pois temos um número muito maior de NC Menores alcançadas do que de NC Maiores.

5- HARA e MCC são exclusivas terminologias da BRCGS. Você não acha que, por serem só desta norma, elas confundem o mercado, pois a base é Codex Alimentarius e oficialmente é RASSAP e PCC?

Juliane: Na verdade vemos que esta nomenclatura ajudou a esclarecer que embalagem não é alimento, especialmente porque a BRCGS Packaging (sendo diferente de outras) não é uma norma só para embalagem de alimentos e inclui também embalagem para outros bens de consumo, como por exemplo, cosméticos e medicamentos.

Giampaolo Buso, diretor executivo PariPassu, palestrou sobre “Estratégia x Obrigatoriedade, apropriação das práticas de rastreabilidade para a gestão de abastecimento.”

1) Giampaolo, qual o impacto para frutas, legumes e verduras (FLV) que a INC 02/2018 trouxe?

Giampaolo: A INC 02/2018 foi uma ponte de referência fundamental para orientar os processos e a atenção ao tema da rastreabilidade, de forma simples e aplicável à realidade da operação de cada elo da cadeia de abastecimento.

Para as empresas que se apropriaram desta exigência, foi um impulso para melhorarem suas práticas internas de gestão, revisar os processos e fortalecer suas posições, independentemente do tamanho da organização.

Em um ambiente de variáveis complexas (clima, preço, mão de obra), não registrar e controlar de forma organizada as etapas da cadeia de abastecimento aumenta a exposição ao risco.

2) No Brasil a maior demanda de produtores primários é para quais normas da GFSI? GlobalGAP é a mais procurada?

Giampaolo: A norma do GlobalGAP é a mais referenciada e procurada, provavelmente por exigência de exportação e, por conta disto, acaba sendo a mais conhecida. O trabalho do grupo GlobalMarket ABRAS tem ajudado na disseminação da norma GFSI para a cadeia primária.

3) Em quais mercados de alimentos você entende que a rastreabilidade está sendo negligenciada ou não vem sendo realizada e, portanto, pode ser um risco? Para onde não estamos olhando?

Giampaolo: Uma reflexão que precisamos fazer em conjunto: “Como queremos ser percebidos como nação produtora de alimentos?” Os demais países do mundo estão de olho no Brasil. Temos que usar este “ativo” que recebemos em benefício da nossa população gerando riquezas sustentáveis e com valor agregado. Ou seja, rastreabilidade traz uma percepção positiva para o consumidor final. Mesmo que não pague mais por um produto rastreado, a preferência é por um alimento que tenha origem e uma história compartilhada, verdadeira, com pessoas trabalhando para alimentar o planeta.

Estamos trabalhando na PariPassu há alguns anos para transformar a visão da obrigatoriedade em oportunidade. A rastreabilidade é uma variável controlável, estratégica e necessária para as organizações – independentemente do tamanho  da empresa – se posicionarem de forma moderna em um mundo dia após dia mais complexo.

Eduardo Stephano, fundador da ES Consultoria, palestrou sobre Principais Desafios na Logística de Alimentos –  Da Origem ao Consumidor Final”.

1 – Um dos desafios tecnológicos em logística é a integração de sistemas (ERP, WMS, TMS, IoT) com o alinhamento entre TI e Operações?

Stephano: Entendo que hoje há um dinamismo no desenvolvimento tecnológico para os CDs. Hoje a grande maioria já possui controles para Inbound e Outbound. Além disso tem a questão dos transportes que eram NÃO GERENCIÁVEIS. Hoje os grandes CDs já possuem profissionais que realizam os controles através de gerenciamento de risco (controlando inclusive a abertura do baú e a temperatura do produto durante toda a trajetória).

Entendo que todas estas ferramentas auxiliam de forma positiva toda a gestão estratégica dos CDs. Estas parametrizações já estão sendo amplamente trabalhadas e daqui a pouco vamos conseguir mapear todas as entradas de produtos até a entrega no cliente (da origem até o transporte). SAP já realiza algumas integrações neste sentido.

2 – Sustentabilidade e ESG da categoria de logística abordam, além da pressão por rastreabilidade e redução de pegada de carbono, o que mais? 

Stephano: Relatórios sustentáveis (pegada de carbono, gee, manejo de produtos químicos, combustível fóssil), enfim a questão do esg é uma realidade atual devido a solicitações de mercados globais. As exigências de, em até 2030, os CDs e transporte trocarem as frotas por caminhões elétricos já bate na porta. Dentro dos galpões, empilhadeiras e paleteiras já passam por estas modernizações (estão sendo substituídas por baterias de litio, eliminando os cilindros de gás e baterias). A questão da responsabilidade social também pesa bastante, como por exemplo condutas, politica de estrangeiros, politica anti-suborno, compliance e éticas e todo o processo de proteger a marca do cliente nos centros de distribuição, bem como garantir a eficiência nos processos de inventário (cíclico e geral), como a rastreabilidade.

3 – Você acha que há planejamento de riscos insuficiente em logísticas para gestão de crises como greve de caminhoneiros e enchentes?

Stephano: Acredito que sim. Algumas pessoas não conhecem e outras não praticam por falta de conhecimento. Com as complexidades que tivemos em 2023/ 2024 no RS, há necessidade de reavaliar estes conceitos. Tenho avaliado matriz e estudos de food defense e fraud em que ninguém relaciona controles para eventos e nem geopolítica (são temas essenciais) e tão pouco o envolvimento num CGC (inclusive não envolvem uma pessoa do jurídico, o que para mim, em situações reais de GC, é a pessoa que responde pela empresa). Enfim, são processos importantes e necessários para o bom andamento de todo o sistema nos CDs. Precisamos abranger mais estes conhecimentos entre os CDs e colocar em prática para casos de ocorrências e tomada de decisão estratégica para não desabastecer os clientes.

4 –  Você acredita que planos APPCC não estão sendo desenvolvidos e tampouco implementados devido à complexidade em frota heterogênea, com múltiplos tipos de carga (seca, refrigerada, a granel) e múltiplos clientes? Ou cultura operacional reativa com foco no prazo e custo de entrega, além da rotatividade de pessoal (motoristas, ajudantes) dificultando a manutenção de treinamentos e monitoramentos consistentes?

Stephano: São vários assuntos em uma única pergunta. Na verdade, grande parte dos CDs observa isso como custo e pautam as condições mínimas para a realização deste processo. Hoje, em qualidade, na grande maioria das vezes, temos um a dois colaboradores para realizar a gestão de todos estes processos. Ainda há a percepção por parte do time operacional de que todos os erros, desvios, controles, devoluções devem ser tratados exclusivamente pela Qualidade e não deve ser bem assim. Pessoas precisam se sentir donas dos seus processos. Monitoramentos e controles para garantir os cases (temperatura e espaço) devem ter o entendimento que é uma extensão do produto do cliente. Além de toda esta temática temos a questão de sazonalidade, que complica ainda mais, mão de obra sem experiência (diaristas contratadas para atender exclusivamente demandas, sem treinamento e conhecimento do produto), treinamentos superficiais de 60 minutos para apenas demonstrar uma lista de presença e sem bagagem para equipe. A pior situação é a grande maioria entender que CDs de alimentos podem seguir modelos como DHL, Shoppee e Meli.

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O alerta da Anvisa e o perigo dos microplásticos em produtos de confeitaria: brilho de verdade é segurança!

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Recentemente, a Anvisa reforçou um alerta que merece atenção de todos os que produzem, manipulam ou comercializam alimentos: plásticos não são, e nunca foram, ingredientes alimentares! É um esclarecimento muito importante porque trata do perigo dos microplásticos em alimentos.

O polipropileno micronizado (PP) é uma substância plástica presente em alguns glitters e pós “decorativos” vendidos como se fossem comestíveis. Embora tenham aparência atraente e sejam amplamente usados para dar brilho a bolos, doces e sobremesas, esses produtos podem conter microplásticos. E o risco vai além da estética: quando ingeridos, essas micropartículas podem provocar irritações gastrointestinais, inflamações e efeitos cumulativos no organismo.

As Instruções Normativas nº 211/2023 e nº 286/2024 são claras: somente corantes e aditivos alimentares listados pela Anvisa podem ser utilizados em produtos de confeitaria. Ou seja, qualquer insumo que não conste nessas listas — mesmo que seja vendido como “glitter comestível” ou “pó decorativo” — não pode ser usado em alimentos.

Garantir a segurança dos alimentos depende de boas práticas e de uma análise crítica dos insumos utilizados. Para evitar riscos, vale seguir algumas orientações:

  • Compre apenas insumos registrados como alimentícios, de fornecedores confiáveis e com regularização sanitária;
  • Leia sempre o rótulo completo — não confie em embalagens sem CNPJ, validade ou lista de ingredientes;
  • Treine sua equipe para reconhecer a diferença entre produtos “decorativos” (de uso externo) e aqueles realmente comestíveis;
  • Em caso de dúvida, procure orientação técnica junto a um responsável pela qualidade, consultor ou autoridade sanitária.

A Anvisa cumpre seu papel ao estabelecer normas e publicar listas oficiais de aditivos e ingredientes permitidos. Porém, a responsabilidade pela aplicação dessas regras é de quem produz, manipula e comercializa alimentos. Conhecer a legislação e aplicá-la corretamente é parte essencial da cultura de segurança dos alimentos.

No fim das contas, o alimento só deve “brilhar” se for seguro. Segurança dos alimentos é respeito à saúde de quem confia no seu produto — e isso é o que realmente faz uma confeitaria se destacar.

Veja também outros posts já publicados por aqui sobre o perigo dos microplásticos:

Microplásticos aumentam resistência de bactérias e preocupam cientistas

Nova página do FDA: o que precisamos saber sobre microplásticos e nanoplásticos em alimentos

O perigo dos microplásticos em moluscos bivalves

Microplásticos são encontrados no coração humano, e agora? 

Microplásticos e nanoplásticos em alimentos: como o apoio à ciência auxilia profissionais a avaliar um novo perigo

Temos que nos preocupar com o risco de nanoplásticos na alimentação?

Imagem: Moose Photos

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Mudanças no esquema FSSC 22.000 v.7 para 2026

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Segundo o anúncio oficial da FSSC Foundation, a versão 7 está em desenvolvimento, motivada por incorporar a nova série ISO 22002-x:2025 de programas pré-requisito (PRPs). Além disso, deve fortalecer o alinhamento com os requisitos de benchmarking da Global Food Safety Initiative (GFSI) versão 2024, dar maior ênfase em práticas de sustentabilidade, em particular nas contribuições para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estruturada em categorias da cadeia de alimentos mais definida, para facilitar a implementação por segmento, e ainda deve trazer mudanças editoriais, clarificações de texto e refinamentos — parte do processo de melhoria contínua e quem sabe novos guias de orientações como o de gestão de alergênicos.

O processo de transição tem a previsão de publicação no final do Q1 ou início do Q2 de 2026 (comumente em 1º de abril, nas versões anteriores), mas será dado um período de transição de 12 meses após publicação, para capacitação de auditores e as empresas implementarem as mudanças.

Sua empresa já certificada no esquema está se preparando? Ou seja, o que seu sistema atual de segurança de alimentos (HACCP/ISO 22000/FSSC) já atende e onde precisa evoluir?

Com base nas informações públicas e comparando com a versão 6, em vigor, seguem os pontos de atenção:

1 – Integração da série ISO 22002-x:2025

Seus PRPs deverão ser revisados/atualizados para refletir os requisitos da nova série, o que pode implicar adaptações nos programas operacionais, higienização, instalações, equipamento, manutenção, etc.

Vale mapear o estado atual dos PRPs (por exemplo, de acordo com ISO/TS 22002-1 / outros) e estimar o gap analysis frente às ISO 22.002-x de 2025 publicadas em julho.

2 – Sustentabilidade e ODS

A versão 7 irá exigir/estimular que as organizações demonstrem como o sistema de segurança de alimentos contribui para os ODS — por exemplo: indicadores de redução de perdas e desperdício de alimentos (PDA ou FLW), eficiência de recursos, práticas responsáveis de abastecimento/fornecimento, controle de impacto ambiental.

A parte de sustentabilidade e “cadeia de abastecimento responsável” pode se alinhar muito bem com seu tema de riscos psicossociais + segurança de alimentos + ESG — por exemplo, cadeia de fornecedores responsáveis, trabalhadores seguros, impactos ambientais.

Então incluir indicadores, metas e evidências que relacionem o SGSA com sustentabilidade pode ajudar.

3 – Categorias da cadeia alimentar mais definidas

A empresa deverá confirmar em qual categoria de “food chain” está enquadrada e garantir que essa categoria (e seus sub-requisitos) estão corretamente implementados.

Uma vez que a estrutura pode ser redefinida, talvez ocorra mudança de categoria ou ajustes nos requisitos específicos aplicáveis.Clareza editorial e requisitos mais refinados:

A documentação do sistema (manuais, procedimentos, registros) deve estar preparada para acomodar possíveis ajustes de redação, novas definições, inclusão de requisitos ampliados ou modificados.

Recomenda-se desde já revisar onde há procedimentos mais genéricos e adaptá-los para tornarem-se robustos frente às mudanças de requisitos.

4 – Transição e planejamento estratégico

Embora o prazo ainda seja uma estimativa, já convém planejar o roadmap de atualização da norma, gap-analysis, definição de responsáveis, treinamento interno (oportunidade e reforço de sustentabilidade, vantagem competitiva) + risco (não estar preparado pode atrasar certificação, afetar mercado, demanda de clientes), comunicação ao time da qualidade, auditorias internas, etc.

Verificar se será necessário auditoria de “upgrade” ou auditoria de transição, conforme o esquema da FSSC 22.000.

Por contexto, creio que o esquema FSSC 22000 v.7 não muda o propósito da norma, mas eleva o nível de maturidade, conectando segurança de alimentos, qualidade, sustentabilidade e desempenho organizacional — um passo à frente rumo a sistemas mais integrados, transparentes e resilientes, bem alinhado com as diretrizes da GFSI.

2 min leituraSegundo o anúncio oficial da FSSC Foundation, a versão 7 está em desenvolvimento, motivada por incorporar a nova série ISO 22002-x:2025 de programas pré-requisito (PRPs). Além disso, deve fortalecer o […]

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