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Adoçantes artificiais ajudam a engordar?

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Segundo Marion Nestle, professora emérita do Departamento de Nutrição da Universidade de Nova York, o consumo de adoçantes artificiais aumenta em simetria com as taxas crescentes de obesidade na população. Ela ironiza então, que por essa ótica, seriam eles os causadores da obesidade. Mas poderiam mesmo os próprios adoçantes artificiais causar obesidade?

Pesquisadores brasileiros sugerem que sim. Isso mesmo: brasileiros.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Sul fez um estudo preliminar envolvendo edulcorantes e ganho de peso em ratos. Eles relataram que, com uma ingestão calórica total semelhante, ratos alimentados com adoçantes artificiais ganharam mais peso do que os que receberam açúcar de mesa (sacarose).

O estudo

No estudo, um grupo de ratos consumiu iogurte contendo açúcar (grupo de controle) e outros dois grupos receberam iogurte contendo apenas adoçantes artificiais (um grupo com aspartame e outro com sacarina). Todos os grupos tinham quantidades ilimitadas de água e ração à disposição.

Os ratos alimentados com iogurte contendo adoçantes artificiais não gostaram muito do sabor do iogurte, pois eles comeram menos iogurte do que o grupo que recebeu iogurte contendo açúcar. No entanto, eles compensaram este consumo menor de iogurte comendo mais ração. Apesar disso, o aumento da ingestão de calorias provenientes de ração foi compensado pela diminuição em calorias de iogurte, de tal forma que houve ingestão calórica total semelhante nos 3 grupos após o período de 12 semanas da experiência.

Mesmo assim, com ingestão calórica total semelhante, os grupos que se alimentaram com adoçantes artificiais ganharam mais peso do que o grupo que recebeu iogurte com açúcar.

Causas prováveis

As explicações para o ganho de peso dos grupos alimentados com sacarina e aspartame ainda são especulativas. Os autores do estudo sugerem que os adoçantes artificiais poderiam induzir um menor dispêndio de energia ou ainda um aumento da retenção de líquidos.

Trata-se de um pequeno estudo preliminar utilizando apenas 10 ratos em cada um dos três grupos. O trabalho, porém, foi publicado pela revista científica internacional Appetite, da rede Elsevier, edição de janeiro de 2013, e já teve repercussão, merecendo um post exclusivo no blog de Marion Nestle.

Referência:

Fernanda de Matos Feijó et al.  Saccharin and aspartame, compared with sucrose, induce greater weight gain in adult Wistar rats, at similar total caloric intake levels.  Appetite 2012; 60:203-207. doi: 10.1016/j.appet.2012.10.009

Leia também:

Adoçantes sintéticos podem contribuir para a diabetes, diz um novo e controverso estudo

A gordura trans volta à discussão

Corantes artificiais causam hiperatividade em crianças?

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Encontrado DNA suíno em produtos Halal

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Dietas de cunho religiosos ou filosóficos, como a dieta halal ou o vegetarianismo, ainda respondem por uma parcela pequena do consumo brasileiro e tendem a ser esquecidas por boa parte da indústria de alimentos, principalmente no planejamento de seus Sistemas de Segurança dos Alimentos. Carne de porco não é perigo, não é? Pois para um muçulmano, é sim.

Com um mercado consumidor extremamente expressivo no mundo (estima-se que no Brasil vivam cerca de 200 mil muçulmanos, enquanto que a comunidade ultrapassa 2,5 milhões de pessoas nos EUA e na Europa, 44 milhões), suas restrições alimentares representam um filão importante da economia que não pode ser negligenciado, muito menos desrespeitado.

Por isso, não foi com pouca surpresa que chegou aos mercados no mês passado a informação de que foram encontrados traços de DNA suíno em tortas salgadas halal de carne bovina servidas em prisões inglesas e galesas. Ela vem em seqüência da notícia também recente da identificação de carne de cavalo em hambúrguer congelado na Irlanda.
Contudo, o que mais me surpreende neste caso não é o desrespeito às regras impostas pelo mercado consumidor atendido pela empresa.

 Não chama atenção que um problema de qualidade em refeições servidas no sistema prisional tenha obtido divulgação internacional? Traços de DNA foram encontrados nas tortas salgadas inglesas, enquanto no Brasil os presos são tratados em condições sub-humanas, comem carne de procedência e qualidade duvidosas e feijão recheado de larvas e pedras?

Temos muito o que nos desenvolver como nação, mesmo. 

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O uso da sub-tipagem molecular para resolver os enigmas de segurança de alimentos

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Fazer investigação de surtos não é uma tarefa fácil. Vide o caso da injusta incriminação dos pepinos espanhóis em 2011, acusados de serem os causadores do surto de infecção por E.coli O104:H4, que fez vítimas fatais e deixou seqüelas em outras tantas. Literalmente se fez uma salada deste alimento com o broto de feno grego, o real causador do problema, consumido inicialmente na Alemanha acionador um choque diplomático na época.

 Dispor de tecnologia forense para determinar as “impressões digitais” genéticas dos patógenos investigados é fundamental para rastrear origem, tomar medidas preventivas de saúde pública e principalmente conter o consumo de alimentos comprovadamente comprometidos. Sim, se usa o termo “forense” para alimentos, da mesma forma como os médicos legistas se referem à investigação de crimes.

 Hoje o método mais adotado nos EUA e em outros países desenvolvidos é o PFGE (Pulsed Field Gel Electrophoresis), uma técnica usada para separar pedaços do DNA pelo emprego de um campo elétrico em uma matriz de gel.

 Graças a esta tecnologia, por exemplo, foi possível saber que o surto ocorrido em 2005 e causado por tomates contaminados com Salmonella Newport teve o mesmo padrão genético do surto ocorrido em 2002 e foi originado em produtores da costa leste e afetou 10 estados.

Fiquei pensando quando teremos esta tecnologia em uso em massa em nossos laboratórios de saúde pública. Segundo a opinião da pesquisadora da USP, Maria Teresa Destro, infelizmente estes métodos são ainda considerados sofisticados e salvo se houver pressão do mercado, ela não enxerga adoção rotineira dos mesmos dentro de 1 a 2 anos.

 Além do equipamento, um dos gargalos é ter uma base robusta de dados para cruzar as informações sobre os agentes que já estiveram envolvidos em  surtos prévios.

 

Fonte: 

Fontes: palestras de Atin Datta, Ph.D. e de Don L. Zink, Ph.D do CFSAN, USFDA.
XX Simpósio da Abrapa, que cordialmente cedeu uma vaga para o blog Food Safety Brazil.

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Organização de consumidores pressiona FDA a se posicionar sobre arsênio em arroz

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Nos EUA, a organização de consumidores Consumer Reports divulgou, em sua publicação de novembro de 2012, dados preocupantes sobre a contaminação por arsênio em arroz e produtos à base de arroz.

A organização testou mais de 200 produtos, incluindo itens tradicionais de marcas famosas, alimentos orgânicos e outros da categoria “sem glúten”.  Em praticamente todos os produtos testados foram encontradas quantidades mensuráveis de arsênio total em suas duas formas: orgânica e inorgânica. 

O arsênio inorgânico tem efeitos carcinogênicos a longo prazo. O arsênio orgânico é menos tóxico, mas ainda nocivo. Além disso, a organização expressa sua preocupação por se tratar de alimentos populares, consumidos por adultos e crianças em grandes quantidades. A EPA (Agência de Proteção Ambiental dos EUA) assume que não há, na verdade, um nível “seguro” de exposição ao arsênio inorgânico. Não existe nos EUA um limite federal para o arsênio na maioria dos alimentos, mas o padrão aceitável para água potável é de 10 partes por bilhão (ppb). Usando este padrão, uma única porção de alguns tipos de arroz analisados poderia dar, a um adulto médio, quase uma vez e meia o arsênico inorgânico que ele obteria pelo consumo de um dia inteiro de água (cerca de 1 litro).  Alguns cereais infantis de arroz, que são muitas vezes o primeiro alimento sólido do bebê, tinham níveis de arsênio inorgânico pelo menos cinco vezes maior do que foi encontrado em outras alternativas como a aveia. Com base nestes resultados, a organização sugere a seus associados e aos consumidores em geral, limitar o consumo de produtos de arroz. Recomenda ainda que os bebês não comam mais do que uma porção de cereal infantil de arroz por dia, em média. Eles reconhecem que sua amostragem foi apenas uma fotografia do mercado, com muitos produtos comprados apenas na área metropolitana de Nova York e arredores, mas cobram do FDA (Food and Drug Administration) que defina os limites de arsênio em arroz e sucos de frutas como um ponto de partida.

O arroz absorve arsênio do solo ou de água muito mais eficazmente do que a maioria das plantas. Por ser cultivado em grandes áreas inundadas, o arsênio pode ser facilmente absorvido pelas raízes e armazenado nos grãos.  

Até o momento, o FDA divulgou um resultado parcial de suas próprias análises de arsênio em produtos de arroz. Embora admita que seus resultados sejam semelhantes aos da Consumer Reports, a Agência não fez nenhuma recomendação sobre o consumo destes produtos, preferindo aguardar a conclusão de suas análises para avaliar o assunto. Esta posição do FDA já foi assunto de um post publicado no blog Food Safety Brazil.

Para saber mais, consulte o relatório original da Consumer Reports.

Leia também:

Arsênio em arroz: segurança do alimento x segurança alimentar

Alimentos seguros ou “politicamente seguros”?

Como se determina a segurança de um novo aditivo alimentar?

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Link do Dia: Foodnet

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Outro grande aprendizado que estou trazendo do XX Simpósio da Abrapa de Inocuidade de Alimentos, que cordialmente cedeu uma vaga para o blog Food Safety Brazil é entendimento de todo o potencial do site do Center of Desease Control (EUA), algo análogo aos nossos Centros de Vigilância Epidemiológica.

O Foodnet  é uma incrível base de dados norte-americana. que começou em 1995, e é uma rede de vigilância ativa para enfermidades. Suas informações são a base para o estabelecimentos de políticas de segurança de alimentos e ações de prevenção. O FoodNet estima o número de DTA, monitora tendências de incidências, correlaciona uma doença com alimentos específicos ou localidades e dissemina esta informação.

Alguns dados que podem ser encontrados:
– Números de infectados por 100.000 habitantes
– Mortes e hospitalizações (filtro por faixa etária)
– Mapas de surtos multi-estaduais

Também poderá encontrar um gráfico como este, onde se pode visualizar que a incidência de Vibrio está crescendo.

Os patógenos cobertos são:
Campylobacter, Cryptosporidium, Cyclospora, Listeria, Salmonella, Shiga toxin-producing Escherichia coli (STEC) O157 and non-O157, Shigella, Vibrio, Yersinia.

Nem todos os estados são cobertos pelo sistema (aproximadamente 15% da população foi contemplada)

Aqui no blog já compartilhamos informações deste site no post:
EUA não atingem seus objetivos de segurança de alimentos.

Use e abuse.

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O planejamento estratégico de Segurança de Alimentos da FSIS

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O Serviço de Inspeção de Segurança de Alimentos, algo próximo ao nosso serviço de Inspeção Federal, publicou este ano seu planejamento estratégico, digno de se comparar com as mais competitivas organizações de classe mundial. O programa de resultados deve ser alcançado até 2016.

Vamos nos inspirar?

Objetivos do planejamento estratégico:
Objetivo 1: Garantir que as fiscalizações de segurança de alimentos sejam alinhadas com os riscos existentes e emergentes
Objetivo 2: Maximizar a conformidade doméstica com as políticas de segurança de alimentos
Objetivo 3: Melhorar a educação pública e o ampliá-la para melhorar as práticas de manipulação de alimentos
Objetivo 4: Fortalecer a colaboração entre interessados internos e externos para prevenir Doenças Transmitidas por Alimentos
Objetivo 5: Efetivamente usar a ciência para compreensão das doenças alimentares e tendências emergências
Objetivo 6: Implementar políticas efetivas para reagir a riscos existentes e emergentes.
Objetivo 7: Fortalecer seu quadro de funcionários com treinamentos, recursos e ferramentas para possibilitar o sucesso na proteção da saúde pública
Objetivo 8: Baseado nas necessidades definidas na Agência, desenvolver, manter e usar metodologias inovadoras, processos e ferramentas, incluindo o Sistema de Informação de Saúde Pública, para proteger eficazmente a população e atingir às necessidades de saúde pública definidas e seus objetivos.

Veja a íntegra do planejamento estratégico do FSIS aqui.


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Sugestões de temas para pesquisas em Segurança de Alimentos

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Pesquisadores de todo o Brasil: cada país tem sua realidade, mas para inspiração de todos traduzimos e disponibilizamos esta espécie de convocação do FSIS para que pesquisadores coloquem a mão na massa e trabalhem nestes temas considerados como uma prioridade para o Departamento de Agricultura dos EUA. Algumas sugestões parecem ainda ficção científica, mas se não nos movermos, quando serão realidade?

O FISIS é o Serviço de Inspeção de Segurança de Alimentos, algo análogo ao nosso Sérvio de Inspeção Federal.

Anotem aí:

*Investigar e /ou desenvolver tecnologias para:
– redução do tempo de diagnóstico
– caracterização virulência e subtipagem de patógenos.
– a partir de uma única amostrar, analisar muitos micro-organismos.
-análises rápidas para de “alto risco” como contaminantes ambientais.
-detectar em tempo real os níveis mais altos de contaminação antes do abate/colheita.
*Desenvolver ou aperfeiçoar os métodos rápidos de teste para quantificar patógenos-alvo de produtos de aves, carne e ovos.
*Identificar e avaliar abordagens alternativas o método de amostragem (E. coli)
*Desenvolver modelos PBPK (Physiologically Based Pharmacokinetic) para estimar concentrações químicas em tecidos de carne de porco, carne bovina e de frango.
*Desenvolver métodos para detectar contaminantes químicos, principalmente relacionados à fraudes
*Aprofundar e desenvolver o uso de micro-organismos indicadores em estabelecimentos processadores e monitorar a eficácia das medidas de controle.
*Avaliar a eficácia das medidas de controle pré-colheita sobre os produtos acabados.
*Desenvolver métodos rápidos para a detecção de compostos hormonais e similares
*Levantar dados e estatísticas sobre práticas no varejo/serviço de alimentação que possam contribuir com contaminantes químicos (raticida, inseticida, fungicida, antimicrobiana) ou patógenos
*Determinar a magnitude e importância da migração de produtos químicos (por exemplo, desreguladores endócrinos) de embalagens
*Determinar a eficácia da aplicação de uma ou mais medidas de controle paralelas e/ou simultâneas na pré e/ou pós-colheita
*Realizar avaliações críticas do impacto da publicação de determinadas legislações.
*Determinar a presença de e fatores que contribuem para a resistência antimicrobiana de cepas resistentes em aves e bovinos.
*Desenvolver ou aprimorar modelos de cocção e de refrigeração.
*Desenvolver ou refinar as curvas dose-resposta para patógenos de interesse (incluindo subtipos específicos)
*Validar a eficácia (em reduções logarítimicas) das intervenções utilizadas pela indústria para reduzir os níveis de patógenos
*Identificar práticas de consumo que comprometem a segurança dos produtos e / ou gerar dados para desenvolver a educação pública e divulgação para melhorar a de alimentos
Vejam a lista original e detalhamento aqui:
Research Priority Description

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Arsênio em arroz preocupa os americanos

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Nos Estados Unidos, a Agência de Controle de Alimentos e Medicamentos (FDA) vem testando a presença de arsênio em arroz por cerca de 20 anos. Em 19 de setembro de 2012, foram divulgados os primeiros resultados destas análises, compreendendo cerca de 200 amostras de arroz e produtos derivados. Mais de mil amostras ainda estão sendo analisadas e o FDA publicará os resultados assim que estiverem disponíveis.
As amostras incluíram várias marcas de arroz e produtos contendo arroz, tais como cereais matinais, bolos e bebidas e foram testadas para arsênio total e arsênio inorgânico.
O arsênio ou arsênico é um elemento químico presente no meio ambiente, originário tanto de fontes naturais, como erosão rochosa e erupções vulcânicas, como da atividade humana (principalmente mineração, fundição de minérios e pesticidas agrícolas). Pode se apresentar em duas formas: orgânico e inorgânico, sendo que o conjunto é referido como “arsênio total”. As formas inorgânicas de arsênio têm sido associadas com efeitos nocivos à saúde a longo prazo, como taxas mais altas de câncer de pele, bexiga e pulmão, assim como doenças cardíacas. O arsênio pode estar presente em muitos alimentos, incluindo grãos, frutas e vegetais. O arroz pode absorver arsênio do solo e da água mais facilmente que outros grãos.
Com base nos dados apresentados e na literatura científica, a FDA não está recomendando aos consumidores mudanças no consumo de arroz ou seus derivados. Ela os aconselha a comer uma dieta equilibrada, incluindo uma grande variedade de grãos, não só para uma boa nutrição, mas também para minimizar quaisquer potenciais consequências de consumir grande quantidade de um alimento em particular.
O FDA tem o objetivo de completar a coleta adicional e a análise de amostras até o final de 2012. Após a conclusão, a FDA vai realizar uma avaliação completa dos riscos e atualizar as recomendações, se necessário.
No Brasil, a Portaria 685, de 1998, estabelece valor máximo de 1,0 mg/kg de arsênio em cereais e produtos à base de cereais. Contudo, o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes, do MAPA, não inclui a análise de arsênio em seu escopo analítico.
Para mais  informações, clique aqui

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Amendoim x Salmonella – de novo???

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Quando você ouve a palavra amendoim, o que você pensa?
Muitos diriam pasta de amendoim, eu diria micotoxinas, mas certamente, nos últimos dias a FDA diria salmonela.
A associação de amendoim com micotoxinas vem desde 1960, com o fato que ficou conhecido como “Turkey x Disease”, quando um surto de mortes de aves, principalmente de perus. Descobriu-se mais tarde que as mortes foram causadas pela ingestão da ração dos animais que era feita à base de amendoim. Este amendoim estava contaminado com uma substância fluorescente, produzida pelo fungo Aspergillus flavus, descobrindo-se então a Aflatoxina e é claro, as micotoxinas.
A Sunland Inc., empresa cuja a manteiga de amendoim gerou um surto de salmonela que deixou doente 41 pessoas este ano, tem um histórico de problemas de saneamento que datam de 2003, de acordo com relatórios divulgados quarta-feira (14/11/2012).
Inspetores da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA observou uma série de condições insalubres na fábrica da empresa de processamento de manteiga de amendoim, entre 2003 e 2011, revelam os documentos publicados recentemente. Durante a sua investigação na sequência do surto de salmonela este ano, a FDA descobriu que a empresa havia distribuído amendoim e manteiga de amendoim com teste positivo para salmonela em um total de 21 vezes desde 2009.
Durante a inspeção pós-surto, as autoridades de saúde encontraram salmonela em quatro amostras de produto acabado de manteiga de amendoim e uma amostra de amendoim cru sem casca. Duas das estirpes encontradas na manteiga de amendoim são conhecidos como sendo Salmonella Bredeney. Os sorotipos dos outros três ainda estavam sendo analisados quando o relatório foi lançado.
Os testes também revelaram resquícios de Salmonella em 23 amostras de esfregaço de equipamentos de processamento e piso na planta do processo de manteiga de amendoim.Três delas foram S. Bredeney, nove eram outras cepas, e o resto ainda têm de ser analisados, de acordo com o relatório.
Os inspetores observaram uma “falta de controle de fabricação necessários para minimizar o potencial crescimento de microrganismos e contaminação,” em sua inspeção pós-surto, realizada entre 17 de setembro e 16 de outubro de 2012.
Um total de nove outras violações também foram registradas. Entre os problemas que conduzem estas citações foram:
– Equipamentos de processamentos e linhas de embalagens não foram adequadamente limpos;
– As superfícies onde o produto seco é processado estavam úmidas;
– A construção de alguns equipamentos de processamento não permitiam a limpeza adequada;
– Algumas superfícies de contato com alimentos são desiguais, uma condição que permite o acolhimento de patógenos;
– Foi observado que os funcionários não lavavam as mãos antes de manusear o produto, e não era forncedias as instalações adequadas de lavagem de mão.
? Amendoim em casca eram armazenados em recipientes abertos, onde estavam vulneráveis à contaminação;
? O produto não era adequadamente protegido de pragas;
Em um exemplo, fezes de aves foram observadas em um palete de recipientes de manteiga de amêndoa.

Um histórico de problemas de saneamento

Relembrando relatórios de inspeção dos anos anteriores, os mesmos mostraram que esta não foi a primeira vez que a Sunland foi encontrada operando sob condições insalubres. Na verdade, foi a quinta vez em seis anos.
Em 2007, os inspetores descobriram que os funcionários não lavavam as mãos ou os equipamentos de higienização adequadamente, nem dispunham de locais de lavagem de mãos adequados disponível. Buracos foram encontrados tanto nas parede e os equipamentos de fabricação dos produtos eram armazenados em recipientes que não os protegiam de pragas.Um total de seis violações foram citadas no relatório emitido pela FDA para a empresa, pós-inspeção.
A FDA também encontrou salmonela em uma amostra feita a partir da porta de acesso à sala do moedor. As 60 amostras de outras tomadas da instalação deram resultados negativos.
Neste relatório de 2007, a FDA menciona uma inspeção realizada em 2003, no qual cinco violações foram relatadas. Duas delas não tinham sido corrigidas no momento da inspeção de 2007, de acordo com o documento. Estas incluíam o controle de pragas inadequado e partes do edifício em ruínas.
A FDA visitou a fábrica em 2009 e apenas duas das seis violações observadas em 2007 tinham sido corrigidas. Os problemas contínuos, incluindo um fracasso para minimizar o riscos de crescimento microbiano, falha em minimizar os riscos de contaminação na lavagem das mãos e incapacidade de programa integrado contra pragas.
Uma amostra ambiental tomadas durante esta inspeção em 2009, mostrou teste positivo para salmonela.
No ano seguinte, outra inspeção revelou que a empresa ainda não estava tomando as precauções adequadas contra a contaminação ou pragas. Os problemas anteriores parecem ter sido corrigidos, no entanto, os pisos ainda foram encontrados em condições precárias, os trabalhadores do sexo masculino não estavam usando proteção de barba e equipamentos não eram construídos de modo a evitar a adulteração do produto.
Finalmente, em março de 2011, a FDA realizou sua última inspeção na planta da empresa antes do surto deste ano, que começou em junho e durou até setembro. Durante essa visita, os inspetores encontraram duas violações em instalações da empresa: 1) amendoins em casca estavam sendo armazenados desprotegidos contra a contaminação, e 2) inadeuqdas medidas de prevenção de pragas persistiam.
A empresa Sunland relatou em uma carta datada de 13 de abril de 2011, que tinha tomado medidas para corrigir os problemas. A empresa respondeu a FDA com outras semelhantes após as inspeções de 2009 e 2010.

História repetida?

Os resultados desta investigação são estranhamente parecidos com o da Peanut Corporation of America, na sequência do surto de salmonela devastador de 2008-2009 ligadas a produtos de amendoim dessa empresa.
Assim como os produtos da Sunland enviados para testes apresentaram resultados positivos para salmonela, os executivos da APC teria ordenado amendoim para ser enviado para processadores após testes internos terem detectado salmonela em amostras de nozes.
Pelo menos 700 pessoas ficaram doentes pelo surto e nove morreram como resultado de suas infecções.
Vítimas do surto da APC e suas famílias entraram com acusações criminais contra Stewart Parnell, ex-CEO da empresa, que teria enviado um e-mail para o seu gerente de fábrica sobre os amendoins contaminados, ordenando-lhe para “deixá-los soltos.”
A Portales Sunland, em New México e plantas de manteiga de amendoim foram fechadas depois que autoridades de saúde ligados a empresa com surtos de salmonela Bredeney em setembro. Até agora, a empresa ainda tem de retomar as operações.

Referências: 

 http://www.microbiologia.vet.br/micotoxinas.htm

 http://www.foodsafetynews.com/2012/11/long-history-of-health-violations-at-peanut-co-linked-to-salmonella-outbreak/

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Surto de Norovírus em um Cruzeiro em Sidney

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No dia 23/10/12, os passageiros do “Voyage os the Seas” foram ao caos com um surto de uma doença gastrointenstital, no qual pensa-se ser de norovírus.

Após o surto, os passageiros tiveram que preencher formulários e responder se tinham sofridos recentemente sintomas de gripe ou gastrite. Os que marcaram “sim” foram separados para passarem por exames médicos.

“Com muita cautela, estamos realizando uma limpeza reforçada a bordo do navio e no terminal dos cruzeiros, para ajudar a prevenir qualquer doença que afete os cruzeiros”, disse em comunicado,   o proprietário da Royal Caribbean”.

Entretanto, muitos passageiros informaram que não foram comunicados da causa do surto e a razão dos atrasos.

 Mas providências por parte dos responsáveis foram sim tomadas, segue a prova:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

fonte da imagem: http://barfblog.com/norovirus-outbreak-hits-voyager-of-the-seas-passengers-in-sydney-harbor/

  “Não use os banheiros para vomitar! O vômito vai para um lugar só (o mar)! Obrigado, sua tripulação.”

 Ja é um começo… mas como gerenciar na prática???? “Todos para o convés… e sem respingos, por favor!”

 Não é a primeira vez que acontece casos como esse, em março de 2011, 43 passageiros que desembarcaram no trapiche de Icoaraci, distrito próximo do centro de Belém, no Pará, também apresentaram sintomas de gastroenterite. Na ocasião, a Anvisa e da Secretaria de Saúde de Belém chegaram a vistoriar a embarcação em busca de água e alimentos contaminados.

De acordo com os técnicos especializados, haviam indícios que o surto poderia ter sido causado pelo “norovírus”, cuja contaminação é comum em locais reduzidos e com grande concentração de pessoas, como é o caso de navios e cruzeiros.

A intoxicação alimentar (ou gastroenterite) causada pelo norovírus pode afetar tanto o estômago como o intestino. Em geral, a duração da doença é de um a dois dias, e não causa problemas maiores para a pessoa contaminada. Além da ingestão de alimentos ou líquidos infectados, há outras possibilidades de contágio, tais como um simples contato. Os sintomas mais comuns são vômito, dores abdominais e diarréia.

 Este caso não teria acontecido se…

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte da imagem: 

http://ococotasecoblog.blogspot.com.br/2011/06/enquanto-isso-num-banheiro-de-praia.html

Referência: 

http://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2011/11/22/navio-holandes-onde-passageira-morreu-teve-caso-de-intoxicacao-alimentar-em-marco.htm

Veja também a história de uma sacola de supermercado e um time de futebol americano que foi derrotado por este vírus.

 

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