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EFSA questiona eficácia da inspeção visual de carcaças

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“As práticas atuais de inspeção sanitária de aves não são suficientes para combater alguns patógenos, diz a European Food Safety Authority (EFSA).”

Notícia publicada por Mark Astley em 02/07/2012, no site FoodQualityNews.com, descreve que os métodos europeus de inspecção de carnes de aves não são suficientes para controlar os riscos biológicos mais relevantes, tais como Campylobacter e Salmonella.

Em um relatório da EFSA – Supporting Publications 2012:EN-298 – que trata das práticas atuais de abate de aves e de inspeção de carnes de aves, é descrito que os métodos de inspeção atuais, que são visuais, não permitem que estes patógenos sejam detectados de forma adequada.

Foi relatado ainda que há uma falta de harmonização regulatória entre Estados Membros da União Europeia. “Este relatório mostra que a legislação atual não cobre os requisitos específicos de inspeção de carne de aves de uma forma ideal”, disse o relatório. “Não há harmonização suficiente, entre os diferentes Estados Membros, para a implementação do Reg. N º 854/04”. Adicional a isso, o relatório diz que “a legislação carece de um catálogo claro das causas de condenação e também não são especificadas as circunstâncias em que toda a carcaça deve ser rejeitada, ou se apenas as vísceras ou conjunto de vísceras afetados devem ser condenados “.

O estudo vem sendo realizado desde maio de 2010, com o objetivo de recomendar métodos que levam em conta os riscos não abordados por práticas de inspeção atuais. Este é o segundo de seis trabalhos que serão publicados, pois em 2011 foi publicada uma pesquisa semelhante relacionada à inspeção de carne suína. A EFSA vai publicar mais quatro pareceres, que abrange a inspeção de bovinos, ovinos e caprinos domésticos, caça de criação, e solípedes domésticos.

Logo após a publicação do relatório, a Food Standards Agency (FSA) do Reino Unido, elogiou o trabalho realizado ressaltando que o mesmo vem para melhorar a saúde pública e para fornecer base científica para a modernização da inspeção da carne de aves. Disse também que a EFSA tem argumentado há algum tempo que o sistema atual de controles oficiais de carnes não aborda os patógenos mais relevantes das carnes, que são microbiológicos e não podem ser detectados a olho nu.

O FSIS/USDA vem questionando os métodos clássicos de inspeção de aves desde 2008. Em novembro de 2011, o Serviço de Inspeção e Segurança Alimentar Americano publicou uma Avaliação de Risco detalhada sobre a Inspeção Sanitária no abate de aves. O link do relatório segue abaixo.

http://www.fsis.usda.gov/PDF/Poultry_Slaughter_Risk_Assess_Nov2011.pdf
Nesse documento, o FSIS propõe um novo sistema de controle, mudando de local a atuação do pessoal de inspeção em estabelecimentos de abate de aves. Segundo as diretrizes do novo sistema de inspeção, os estabelecimentos de abate de aves poderão decidir se vão operar com uma versão ligeiramente modificada do actual sistema de controle ou se vão adotar o novo sistema proposto.

A intenção do novo sistema é permitir que os recursos do FSIS sejam aplicados de forma mais eficiente. “Se essa eficiência não reduz (ou não muda) a ocorrência de patógenos de origem alimentar, tais como Salmonella e Campylobacter em produtos avícolas acabados, um benefício de saúde na rede pública pode ser projetado. Melhorias de eficiência devem ocorrer, permitindo que mais tempo e flexibilidade seja dado para o pessoal do FSIS para realizar atividades de verificação com base em fatores de risco para a saúde humana. O novo sistema proposto também pode impulsionar a inovação tecnológica da indústria, porque eles vão ter maior controle sobre a classificação de carcaça e estabelecer velocidades máximas de linha”, diz o documento.

Os inspetores do FSIS nas linhas de abate, como acontece na Europa, atualmente realizam inspeções de cada carcaça de aves para avaliar se aquela é própria para o consumo, enquanto que os inspetores do FSIS que não estão nas linhas de abate verificam se os estabelecimentos matêm operações sanitárias adequadas e promovem outros requisitos de saúde e segurança alimentar. “Na maioria das vezes, os inspetores de linha estão mais associados ao controle de qualidade dos produtos do que à segurança alimentar propriamente dita”, relata o FSIS.

No Brasil a norma de Inspeção Sanitária para estabelecimentos de abate de aves foi regulamentada pela Portaria SDA nº 210/1998. A referida Portaria é detalhada, define requisitos higiênico-sanitários das instalações e equipamentos, procedimentos de higiene do pessoal, procedimentos de inspeção ante e post mortem, critérios de julgamento de carcaças e até estabelece padrões para absorção de água pelas aves. Existe um número mínimo de inspetores de linha, de acordo com a velocidade do abate, e estes são contratados pelas empresas e cedidos ao Serviço de Inspeção. Essa equipe deve ser coordenada pelo Médico Veterinário Oficial, podendo ser auxiliado por Agentes de Inspeção também Oficiais.

É certo que a legislação de Inspeção de carne de aves aplicada hoje no mundo necessita ser revisada. Os americanos tendem a passar as atribuições da inspeção de linha para as empresas, como um autocontrole, e direcionar o seu contingente para atividades que sejam mais relacionadas à segurança alimentar, como verificações dos procedimentos sanitários. Por sua vez, a Europa não indica uma redução do pessoal nas linhas de inspeção, indica que regulamentos de inspeção sanitára para cada espécie de ave devem ser elaborados e enfatiza a importancia da inspeção sanitária para o controle das doenças dos animais.

A nossa Portaria 210, apesar de ainda ser bastante aplicável, é uma norma antiga e necessita de uma boa revisão. A Secretaria de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura publicou no dia 05/07/2012 a Portaria nº 79, que cria junto ao Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Animal – DIPOA uma Comissão Científica Consultiva em Patologia Animal. Este grupo terá como objetivo principal subsidiar tecnicamente o DIPOA na definição de critérios de julgamento de carcaças e vísceras, propondo revisões das normas atuais de inspeção ante e post mortem dos animais de abate. Esta notícia certamente vem a calhar com as recentes discussões sobre revisão das normas de inspeção, mas resta-nos saber como nossos regulamentos serão modernizados. Seguiremos os estudos americanos ou adotaremos os pareceres europeus?

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Índice geral de post – Consumidores

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Para se iniciar:

Top 10 Surtos de origem alimentar no Brasil Lavagem de mãos: nossas mães tinham razão 10 Fatos sobre seg de alimentos parte 1 10 Fatos sobre seg de alimentos parte 2 10 Fatos sobre seg de alimentos parte 3 A ameaça do alimento inseguro pode estar na embalagem plástica E.coli enterotoxigenicas Monitoramento de Contaminantes em Produtos Vegetais Plano de Controle de resíduos e contaminantes em produtos de origem Animal Bioterrorismo – estamos preparados? A regra das duas horas 
Como evitar a contaminação dos alimentos em nossas casas…

 

Para consumidores:

Consumidor bem informado, alimentação segura Higiene dos restaurantes disponível para o público Tábua certa para o alimento certo Será que carne de frango tem hormônio? Quando devemos lavar ovos? Alimentos com corantes, demanda do consumidor Resfriamento de Ovos x Salmonella Mito ou verdade I Congelamento Mito ou verdade II Vegetarianos Mito ou Verdade III orgânicos Frutas devem ser lavadas antes de se colocar na geladeira? Dicas de limpeza na cozinha Tábua certa para o alimento certo Não cozinhe alimentos em garrafas plásticas Contaminação Cruzada na Cozinha Lavar carnes e frangos melhora a segurança dos alimentos? Alimentos com açúcar – demanda do consumidor Qual é a validade de um alimento cuja embalagem foi aberta? Eduque sua criança para a segurança de alimentos Guia para consumidores – Segurança de Alimentos no Lar Como consumir ovos em casa  Como limpar panelas de alumínio Como descongelar alimentos em casa 
Como preparar álcool 70% em casa
Como refrigerar comida pronta
Como guardar alimentos para o dia seguinte
Alerta sobre consumo de gema crua
O que uma salada pode esconder?
Como resfriar alimentos – com fotos
Festas de Final de Ano: cuidados na preparação de alimentos
Assando o Peru de Natal com segurança
Ceia de Natal: cuidados com o bacalhau

Fotos com flagrantes:

Mortadela embolorada Latões de leite com Durepox Banheiros com abertura direta Falhas na manutenção de temperatura Avental de múltiplas funções Jogo dos sete erros Freezer de açougue em condições precárias A broca do pepino Contaminação cruzada I Contaminação em uma câmara de resfriamento Cena no mercado Ver-O-Peso em Belém 
Rato na Vitrine

 

Histórias, datas, curiosidades:

Sabedoria milenar, peixes predadores e de águas salobras Uma década da descoberta da acrilamida Alergia a chocolate pode ser culpa das baratas Ninho de Andorinha certificado em HACCP Case de ingestão de metal que não causou dano ao consumidor Pegue do chão em até 3 segundos e tudo bem Sete mil anos de frituras A cerimônia da salva – rudimentos de Food Defense Eles também tiveram Piriri Carga microbiana de uma barata
Dia Internacional do Não Uso de Agrotóxicos
Desenho sanitário contra a contaminação cruzada 

Humor (charges e fotos):

Hambúrguer sem Salada Honest Labels Situações de Risco à Seg de Alimentos na China Leite loiro oxigenado Cartoon – Mercúrio Cartoon Metais Pesados Roleta da Salmonella O verdadeiro conceito de Confort Food Cartaz de Sanitário Duas Paixões Brasileiras: churrasco e gambiarra Mosca na sopa? Só mais uma Humor – comunicando um ingrediente alergênico Você compra comida na rua

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ISO 9001 x ISO 22000

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Impacto da Implementação da ISO 9001 x ISO 22000 em empresas de alimentos

Ana Cláudia Frota e Juliane Dias

Revista Controle de Contaminação Janeiro 2011 pg 26-28. Ano 13 n 141

Muitas empresas de alimentos se vêem indecisas diante da decisão a tomar: o que é melhor para minha reputação no mercado: Obter certificação em ISO 22000 ou em ISO 9001? Qual norma exigirá mais tempo e recursos para implementação? Que requisitos estas normas têm em comum? A norma ISO 22000 foi criada para substituir a ISO 9001 em empresas da cadeia produtiva de alimentos? Leia o artigo completo aqui.

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Monitoramento de contaminantes em produtos vegetais

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Nos dias 19 e 20 de julho, ocorreu a Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas, organizada pela Eurofins, em Indaiatuba, SP. Na ocasião, o Sr. Nélio Castro, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento falou sobre o Plano Nacional de Controle de Resíduos e Contaminantes em Produtos de Origem Vegetal (PNCRC/Vegetal).

Sob o comando da Coordenação de Resíduos e Contaminantes (CRC), órgão ligado diretamente à Secretaria de Defesa Agropecuária, o PNCRC/Vegetal é um programa anual, instituído em 2008, com objetivo de monitorar a frequência, os níveis e a distribuição de resíduos e contaminantes em vegetais, além de investigar e controlar os produtos agropecuários provenientes de propriedades suspeitas de violações. A cada ano, uma Instrução Normativa é publicada contendo os parâmetros monitorados no ano-safra correspondente. Ao final das análises, publica-se nova Instrução Normativa apresentando os resultados do monitoramento. Para a safra 2011-2012, o escopo analítico lista 23 culturas (passando por abacaxi, arroz, feijão, soja, uva, pimenta-do-reino, etc) sob monitoramento de resíduos de pesticidas, aflatoxinas, desoxinivalenol, fumonisinas, ocratoxina A e Salmonella. Os limites tolerados seguem as normas estabelecidas pela Anvisa. A amostragem é aleatória e os produtos são coletados nos estabelecimentos produtores, beneficiadores e nas centrais de abastecimento. Segundo Nélio, 100% das amostras são rastreadas até o produtor e as análises são feitas em laboratórios credenciados e acreditados pela Norma ISO 17.025. Para toda não conformidade é aberto um processo administrativo de investigação e o Plano de Amostragem segue as recomendações da FAO/WHO. As amostragens do último Plano tiveram início em julho de 2011 e a publicação dos resultados deve sair em setembro ou outubro próximos.   Respondendo aos questionamentos do público, foi esclarecido que os produtos destinados à indústria não são contemplados no Plano, assim como produtos industrializados, como sucos e bebidas à base de vegetais.

Analisando os resultados do ano-safra 2010-2011, observa-se que as culturas de pimentão, morango e alface tiveram altos índices de não conformidades nas análises de agrotóxicos. Nélio destacou que estas não conformidades não comprometem a segurança dos produtos, pois embora se refiram a resíduos de pesticidas não aprovados para a cultura, tais resíduos estão presentes em nível baixo e os pesticidas estão em processo de aprovação,  portanto não se configura um risco à saúde. Ele também informou, em diálogo com a plateia, que a segurança do alimento não é de competência do MAPA, mas do Ministério da Saúde (Anvisa). Nélio destacou ainda que importantes culturas, como arroz, feijão, batata, café e tomate tiveram índice de 100% de conformidade. Foi ressaltado um trecho da conclusão do Relatório final de 2009 da Missão Européia sobre Resíduos de Agrotóxicos em Vegetais onde se considera haver “um nível satisfatório de garantia de que as frutas exportadas para a UE estão em conformidade com os limites legais europeus de resíduos de agrotóxicos (…) Muitas melhorias na área laboratorial foram constatadas desde a última missão em 2007”.

Entre outras, a CRC tem como metas para o PNCRC/Vegetal a coleta de produtos importados, o monitoramento de contaminantes biológicos e de produtos orgânicos e a implantação do Sistema de Resíduos e Contaminantes para a área Vegetal (SISRES Vegetal).

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Europa publica relatório sobre resíduos de dioxina em alimentos

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A Autoridade Européia de Segurança de Alimentos publicou o relatório científico
Atualizações sobre o monitoramento dos níveis de dioxina em alimentos e rações
(EFSA Journal 2012;10(7):2832)

Para os recém-chegados, as dioxinas são substâncias persistentes no meio ambiente, bio-acumulativas nos organismos vivos, tendo afinidade pela gordura. Seus danos à saúde são vastos, de depressão do sistema imunológico, ataque ao sistema nervoso, danos ao sistema endócrino e reprodutivo a até câncer.

Destaquei algumas conclusões que me chamaram a atenção:

• Alimentos e rações de origem animal apresentaram níveis maiores de dioxinas e PCBs que outras de origem vegetal. Carne de enguia e fígado de peixe e derivados apresentaram maior média de contaminação tanto para dioxinas como PCBs.

Os níveis de dioxinas e DL-PCBs excederam o nível máximo permitido em 9,7% das amostras de alimentos e em 2,3% das rações.

• Uma queda nos níveis de contaminação por dioxina e PCD foram observadas durantes os entre 1995 e 2010 em três grupos selecionados para análise de tendências: leite cru e derivados do leite, ovos de galinha e derivados e carne de pescados (exceto enguia).

Carne de ovelha apresentou em média menos dioxinas e PCBs que a carne bovina.

Ovos de granja apresentaram quantidade significativamente menor de dioxina e PCBs do que as criadas livremente, em produção orgânica aberta. Salmão de cativeiro e truta apresentaram em média menos dioxinas e PCBs do que os de pesca selvagem.

Resumo:

Dioxins and polychlorinated biphenyls (PCBs) are environmentally persistent substances that have been associated with human health effects. Their presence in food and feed available on the European market is monitored. A total of 13,797 samples were assessed for dioxins and dioxin-like PCBs (DLPCBs) and 19,181 samples for non dioxin-like PCBs (NDL-PCBs). These samples were submitted between 1995 and 2010 by 26 European countries. At least one quantified congener of dioxins and DL-PCBs was found in almost all samples, whereas at least one NDL-PCB indicator was quantified in 68.4 % of the feed and 82.6 % of the food samples. “Meat from eels” and “Fish liver and derived products” contained the highest average contamination levels of both dioxins and PCBs. Levels of dioxins and DL-PCBs, and of NDL-PCBs were above the permitted maximum levels in respectively 10 % and 3 % of the food samples. Depending on the population group, defined as the combination of age class and the respective survey, average exposure to dioxins and DL-PCBs was estimated to be between 0.57 and 2.54 pg TEQWHO05/kg b.w. per day and the 95th percentile between 1.2 and 9.9 pg TEQWHO05/kg b.w. per day. Average exposure to NDL-PCB indicators was estimated to be between 4.3 and 25.7 ng/kg b.w. per day and the 95th percentile between 7.8 and 53.7 ng/kg b.w. per day. Fish, meat and dairy products appeared to be the highest contributing food groups to dietary exposure. Their relative importance depended on age and country of the consumer. A general decrease in dietary exposure of dioxins and DL-PCBs was observed between 2002-2004 and 2008-2010, estimated to be between 16.6 % and 79.3 % for the different population groups. A smaller decrease was observed for NDL-PCBs. Full compliance with legislative requirements for analysis and reporting would facilitate future Europe-wide risk assessments.

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OGM: “Ausência de evidência não significa evidência de ausência”

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Qualquer discussão sobre organismos geneticamente modificados (OGM), também conhecidos popularmente por transgênicos, certamente gera polêmica. Há defensores ferrenhos desta tecnologia, assim como há muitas pessoas que ainda desconfiam de seus benefícios e sua segurança para a humanidade e para o meio ambiente.

Segundo o artigo da revista Scientific American Brasil, o que existe hoje é uma campanha defendendo o uso quase indiscriminado dos OGMs, que não levam em consideração os possíveis riscos e muitas vezes apresentando argumentos que podem ser enganosos.

Dentre estes argumentos, podem ser citados:

1)      Nenhum problema de saúde foi registrado nos últimos dez anos por conta do consumo de alimentos transgênicos: Uma década, considerando-se a história biológica do planeta, é um período muito curto de tempo. Em comparação com a magnitude do tempo geológico, é impossível prever as consequências da ingestão de OGMs. Além disso, o não aparecimento imediato de problemas ambientais ou de saúde humana não significa que eles não existam.

2)      A engenharia genética e a produção de transgênicos é uma extensão da reprodução seletiva natural: Há uma grande diferença entre cruzar variedades diferentes (isto vem sendo feito desde o surgimento da agricultura) e introduzir genes de uma espécie em outra distante filogeneticamente. OGMs podem ser mais perigosos em especial quando os novos atributos inseridos artificialmente são capazes de aumentar a sua competitividade de forma rápida. Já que a seleção natural não escolhe seus alvos, ela atuará tanto nos organismos não modificados em laboratório quanto naqueles que foram alterados, podendo levar à reprodução diferencial desses OGMs e à ampliação do tamanho de suas populações em pouco tempo. Desde Darwin, sabe-se que a evolução é imprevisível, e portanto, não é possível determinar o impacto ambiental da seleção destes transgênicos.

3)      Os alimentos transgênicos vão “salvar” o mundo da fome: As questões relativas ao problema da fome estão muito mais relacionadas à distribuição de renda e acesso aos alimentos, do que à produção mundial de alimentos em si, que hoje é suficiente para alimentar, com sobras, toda a população do globo. E parece muito pouco provável que as grandes empresas produtoras dos OGMs alimentícios concordem em reduzir as suas margens de lucro. Uma análise feita pela instituição Amigos da Terra Internacional sobre os alimentos transgênicos, entre 1996-2006, afirma que atributos atraentes nestes alimentos desaparecem na segunda geração. Ainda neste estudo, afirma-se que os OGMs não oferecem qualquer benefício em termos de qualidade e preço para o consumidor, e que nada tem sido feito para aliviar a fome no mundo. Como comentado anteriormente, o problema da fome é político. Não se pode esquecer que a maioria dos grãos transgênicos são destinados para a alimentação na pecuária em países ricos.

Alguns dados são úteis para avaliar a consequência da introdução dos OGMs no ambiente natural. O pesquisador Jeffrey Smith, em seu livro “Roleta Genética”, aponta os seguintes casos: 1) Depois da introdução da soja transgênica no Reino Unido, os casos de alergia a este alimento dispararam; 2) Foi observada alta na mortalidade de ovelhas que pastaram em lavoura de algodão transgênico; 3) Ratos alimentados com milho transgênico apresentam múltiplos problemas de saúde; 4) O número de mortes em galinhas dobrou quando foram alimentadas com milho transgênico em relação ao grupo alimentado com milho comum; 5) Também no Reino Unido, um suplemento alimentar transgênico à base de triptofano matou 100 pessoas e provocou doença em outras 500; 6) Aumentaram as taxas de câncer entre pessoas que ingeriram leite produzido com hormônio de crescimento bovino projetado com técnicas transgênicas.

Para Peter Raven, um dos autores de livros-texto de botânica mais importantes do final do século 20, afirmou que “não há dados científicos de que o processo de transferência de genes de um organismo para outro cause problemas intrínsecos”. Porque supostamente “nada aconteceu” durante um teste controlado com populações pequenas e isoladas não significa que todos os OGMs são seguros ou mesmo que um OGM pesquisado será seguro quando comercializado em larga escala. Em outras palavras, ausência de evidência não significa evidência de ausência.

Pode parecer inacreditável um mundo futuro sem os OGMs. Seus benefícios seriam extraordinários e produziriam um impacto tão positivo na sociedade que a deixaria cada vez mais semelhante aos mundos utópicos da literatura. Segundo Raven, “os danos ambientais causados pela agricultura tradicional e o amplo uso de produtos químicos nas plantações são bem maiores do que os danos causados por plantações de OGMs”. Quem não gostaria de proteger o meio ambiente e promover a biodiversidade? É admissível a esperança neste admirável mundo novo, mas o entusiasmo demasiado sobre essa nova tecnologia deve ser relativizado, pois os efeitos colaterais de sua aplicação estão longe de ser compreendidos. Existem ainda muitas dúvidas sobre o que os OGMs poderão causar à saúde humana e ao meio ambiente.

** Este texto é um resumo do artigo da revista Scientific American Brasil, Edição nº 122, Ano 11 – Julho de 2012.

E qual é a sua opinião em relação aos transgênicos, caro leitor? A utilização de OGMs é realidade na nossa vida, basta visitar qualquer “pet shop” e ver que quase todos os alimentos e “snacks” destinados a cães, gatos, pássaros e outros animais de estimação contém o símbolo abaixo. Nos alimentos para consumo humano, é bem mais raro encontrar o símbolo, mas será que eles realmente contêm menos do que 1% de transgênicos e o consumidor está de fato sendo adequadamente informado, para que possa tomar uma decisão racional, baseada em seus próprios princípios?

Nota da Edição: Você tem uma posição contrária ao apresentado? Deseja fazer um comentário? Nosso blog é aberto a comentários e podemos publicar seu post.

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Normas SQF e IFS em consulta pública

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Aqui no Brasil muito pouco se fala nas normas IFS (International Featured Standard) e SQF (Safe Quality Food Institute), que pelo GFSI são consideradas equivalentes no processo de benchmarking, tais como são a FSSC 22000 e o BRC Food Safety.

 Muitos se queixam da dificuldade de acessar as normas, ou mesmo os critérios estabelecidos. É nestes momentos em que as partes interessadas (stakeholders) devem fazer uso de sua influência e participar com comentários.

A SQF estará aberta para consulta por 4 semanas,  com início em 17 jul, 2012. 

http://mygfsi.com/gfsi-benchmarking-general/consultation/sqf-benchmarking-consultation.html

Já a IFS estará aberta para um período de consulta de 4 semanas com início em 13 de julho de 2012

http://www.mygfsi.com/gfsi-benchmarking-general/consultation/ifs-benchmarking-consultation.html

 

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Qual o melhor método para análises de alergênicos?

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Nos dias 19 e 20 de julho passados, aconteceu a Conferência Internacional em Segurança dos Alimentos, Controle de Qualidade e Gerenciamento de Risco em Produtos Agrícolas, organizada pela Eurofins. A empresa gentilmente cedeu uma vaga para o Blog Food Safety Brazil compartilhar as novidades apresentadas em Indaiatuba, SP. Neste post, comento a apresentação sobre análises de alergênicos em alimentos.

Dr. Bert Pöpping, diretor de desenvolvimento científico da Eurofins, falou sobre análise e monitoramento de alergênicos, destacando inicialmente os pré-requisitos para um bom gerenciamento de alergênicos, como conhecer seus insumos, seus processos e saber controlar os perigos a eles relacionados. Atenção especial deve ser dada à possibilidade de mudança na formulação ou no processo dos fornecedores, assim como para a própria mudança de um fornecedor.

A troca de produtos numa mesma linha tem que gerar questionamentos: será que um mesmo procedimento de limpeza é capaz de garantir a remoção de qualquer alergênico? O mesmo vale quando um único produto é fabricado em diferentes unidades da empresa: trata-se realmente do mesmo produto? Todos os ingredientes provém dos mesmos fornecedores?

O controle dos perigos relacionados à presença de alergênicos deve se apoiar numa documentação sólida, num plano HACCP, em auditorias de fornecedores e nas análises laboratoriais efetuadas. Quando se pensa na análise laboratorial, o primeiro cuidado deve ser com a amostragem, pois lotes muito grandes são representados por diminutas amostras que ainda serão fracionadas no laboratório para a análise final. Na medida do possível, analisar mais de uma amostra de cada lote seria o procedimento recomendável.

E aí vem uma questão fundamental: qual método utilizar?

O método de PCR ou Reação em Cadeia da Polimerase (Polymerase Chain Reaction), que amplifica ou copia cadeias de DNA, é uma das técnicas mais utilizadas. No entanto, seu uso não é irrestrito. A albumina de ovo, por exemplo, por não conter DNA, não é detectada por este método, mesmo contendo grandes quantidades de proteína alergênica. Não obstante, como destacou Dr. Bert, é possível adquirir no mercado kits PCR para detecção de proteínas de ovo. Na Europa, o aipo ou salsão (celery) é considerado substância alergênica, ao contrário da salsinha (parsley). No entanto, como são vegetais que tem DNA muito parecido, análises por PCR costumam indicar presença de aipo em alimento que contenha salsinha. Bert destacou que os métodos baseados em PCR são sempre passíveis de questionamentos, não funcionam bem para ovo e leite e tem bons resultados para castanhas, amendoim e soja, porém mesmo neste caso, a possibilidade de hidrólise das proteínas pelos processos industriais (extrusão, concentração, etc) ainda pode gerar resultados equivocados.

Os métodos imunoenzimáticos (ELISA ou Enzyme-Linked Immunosorbent Assay) são testes que permitem a detecção de anticorpos específicos. Pöpping citou o exemplo de um pão contendo sete tipos de proteínas alergênicas que só teve três delas detectadas por este método. O processamento industrial do alimento pode destruir a estrutura proteica detectável pelo anticorpo. Num ovo cru, por exemplo, é possível detectar a proteína alergênica por teste ELISA, mas o mesmo não acontece num ovo frito.

Por não depender de uma estrutura, mas apenas da sequência dos aminoácidos, a espectrometria de massa desponta como o melhor método para detecção das proteínas alergênicas, com a vantagem de poder detectar múltiplos alergênicos numa única análise. Trata-se, porém, de um método caro, disponível ainda para poucos laboratórios e validado somente para algumas matrizes alimentares (produtos de panificação e soluções de enxágue de equipamentos).

Em resumo, não há um método perfeito para análise de todos os alergênicos. Os métodos devem ser selecionados de acordo com a matriz a ser analisada. O método de PCR é usado com frequência muito mais por razões econômicas que por razões técnicas. Os imunoensaios funcionam bem para alimentos crus, mas não necessariamente para os processados. A espectrometria de massa funciona muito bem para as matrizes já validadas, mas é pouco acessível por questões de custo e disponibilidade de equipamentos.

Leia também:

Métodos de análises de alergênicos em alimentos: prós e contras

Boa notícia sobre a prevenção de alergia ao amendoim

Corantes artificiais causam hiperatividade em crianças?

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Guia de interpretação da BRC Food Safety Versão 6

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No último dia 29 de junho foi publicada a versão em inglês britânico do BRC Global Standard for Food Safety – Interpretation Guideline: Issue 6, que é um guia para a interpretação da BRC Global Standard for Food Safety – Issue 6 (BRC Segurança de Alimentos – Versão 6). No dia 17 de julho, foi a vez da publicação do guia em inglês americano. O guia tem como função ajudar os fabricantes de alimentos na obtenção da certificação na norma, apresentando os princípios por trás de cada um dos requisitos, cláusula por cláusula, auxiliando as empresas na interpretação e numa implementação eficaz em todos os setores da indústria alimentícia.
Além do guia de interpretação e implementação, existem também os guias de boas práticas em gerenciamento das reclamações, auditoria interna, rastreabilidade, controle de pragas e detecção de materiais estranhos. Todas elas estão atualmente na versão 2.
Infelizmente, nenhum destes guias é gratuito, e também não há previsão de publicação deles em português, embora já exista a norma em português do Brasil.

Para maiores informações e para adquirir os guias de interpretação e boas práticas, acesse:
http://www.tsoshop.co.uk/brcbookshop/bookstore.asp?FO=1235946&CLICKID=004557

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Fungos toxigênicos e aflatoxinas em cacau

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 Aflatoxigenic fungi and aflatoxin in cocoa

International Journal of Food Microbiology 148 (2011) 141–144

Marina V. Copetti, Beatriz T. Iamanaka, José Luís Pereira, Maria H. Fungaro d, Marta H. Taniwaki

This paper reports the occurrence of aflatoxigenic fungi and the presence of aflatoxins in 226 cocoa samples collected on Brazilian farms. The samples were taken at various stages of fermentation, drying and storage.
A total of 819 potentially aflatoxigenic fungi were isolated using Dichloran 18% Glycerol agar after surface disinfection, and identified by standard techniques. The ability of the fungi to produce aflatoxins was determined using the agar plug technique and TLC. The presence of aflatoxins in cocoa samples was determined by HPLC using post-column derivatization with bromide after immunoaffinity column clean up.
The aflatoxigenic fungi isolated were Aspergillus flavus, A. parasiticus and A. nomius. A considerable increase in numbers of these species was observed during drying and storage. In spite of the high prevalence of aflatoxigenic fungi, only low levels of aflatoxin were found in the cocoa samples, suggesting the existence of limiting factors to the accumulation of aflatoxins in the beans.

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Conteúdo gentilmente cedido pela autora e pesquisadora do ITAL Marta Taniwaki ao Blog Food Safety Brazil.

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