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Mais que um evento: Recife recebe o VIII Workshop Food Safety Brazil em 2026

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Após enquete realizada com os leitores do Food Safety Brazil, em 25 de novembro de 2025, Recife foi escolhida como a cidade do próximo Workshop.

Quando será? Onde será? O que será abordado?

VIII Workshop Food Safety Brazil – Recife/PE
Dias 12 e 13 de agosto de 2026 (apenas presencial)
Auditório do Riomar Trade Center (Torres 1,2,3)
Tema: “Do problema à prática: segurança de alimentos sem fronteiras”

Do problema à prática: o momento da execução

O tema desta edição traduz, com precisão, o momento atual da indústria: saímos do campo das intenções e avançamos para a execução consistente.

Os desafios da Segurança de Alimentos deixaram de estar na interpretação das normas. Hoje, eles estão na prática, na disciplina operacional, na consistência e na capacidade de transformar requisitos em cultura organizacional.

O Workshop Food Safety Brazil 2026 está sendo desenhado para este cenário. Um ambiente de troca real entre profissionais que vivem, diariamente, os desafios da indústria de alimentos. Mais do que discutir requisitos, discutiremos decisões, aquelas que impactam diretamente a segurança, a reputação e os resultados do negócio.

Macroáreas que direcionam o workshop deste ano

Para garantir profundidade e aplicabilidade, o evento será estruturado em quatro macroáreas estratégicas:

  • Certificações
  • Fornecedores
  • Prática na operação
  • Gestão e performance

Esses pilares conduzirão discussões que vão além da conformidade.

Vamos abordar sustentabilidade, maturidade de gestão e geração de valor, conectando auditorias, cultura de segurança de alimentos e performance organizacional.

Recife: uma escolha estratégica

Estar em Recife será estratégico. A cidade destaca-se como um dos principais polos de desenvolvimento do Nordeste, integrando tecnologia, indústria e logística em um ecossistema dinâmico, exatamente o tipo de ambiente que reflete os desafios atuais da Segurança de Alimentos.

Um convite à ação

Se você atua com Qualidade, Segurança de Alimentos, Auditorias, Certificações, Gestão Industrial e áreas afins, este é o seu espaço.

Reserve sua agenda. Prepare seu time. E participe de um evento que vai além do conteúdo técnico, um encontro que impulsiona decisões, fortalece conexões e contribui diretamente para o futuro da Segurança de Alimentos no Brasil.

Recife nos espera, vamos simbora meu povo!

Em breve divulgaremos as inscrições para o VIII Workshop Food Safety Brazil pelo Sympla. Este ano o evento será apenas de forma presencial.

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Alimentação Kosher: uma perspectiva científica

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A alimentação kosher (ou kasher) refere-se às normas dietéticas judaicas chamadas leis de kashrut, que ditam quais alimentos podem ser consumidos e como devem ser preparados e processados. Embora tenham origem religiosa e ética, várias práticas envolvidas na kashrut podem ser analisadas à luz de princípios científicos, sobretudo em segurança dos alimentos, microbiologia e prevenção de doenças transmitidas por alimentos.

As práticas alimentares kosher são muito antigas, formalizadas na Torá, com origem por volta do século VI a.C., durante e após o exílio babilônico. Ou seja, essas normas já eram seguidas por comunidades judaicas há mais de 2500 anos, muito antes de existirem conceitos científicos como microbiologia, germes ou toxinas alimentares.

Isso indica que muitas regras da kashrut emergiram da observação empírica de efeitos sobre a saúde: grupos que praticavam essas normas tendiam a evitar certas doenças alimentares sem entender os mecanismos biológicos por trás disso.

Em épocas antigas, sem refrigeração, sem análises laboratoriais e sem conhecimento de microrganismos, as pessoas confiavam no que observavam repetidamente. Alguns exemplos: certas carnes cruas podiam causar enfermidades ou misturar tipos de alimentos aumentava problemas digestivos.

Leia também: A alimentação kosher: origem, tradição e certificação

Abate e inspeção de animais

Em kashrut, animais terrestres devem ser abatidos por um especialista, o shochet, que realiza um corte rápido e preciso na garganta para drenar o sangue e, em seguida, inspeciona o corpo para sinais de doença ou lesões que tornariam a carne proibida. Embora o principal objetivo seja normativo-religioso, a inspeção detalhada da carcaça pode detectar anomalias que, em teoria, também seriam identificadas em inspeções veterinárias modernas.

A kashrut exige que a carne tenha todo o sangue drenado antes do consumo. Isso é feito através de uma combinação de imersão em água fria, salgamento e lavagem, que fazem parte do processo chamado de kashering.

O salgamento usado nesse processo pode reduzir contagens bacterianas, incluindo Salmonella e Escherichia coli, em parte porque o sal causa dano osmótico às bactérias e facilita a remoção das células da superfície da carne.

Contudo, é importante ressaltar que o sal não esteriliza a carne: ele pode reduzir alguns microrganismos na superfície, mas o sangue ainda fornece um meio propício para a proliferação de bactérias se a carne não for manipulada ou cozida corretamente.

Algumas pesquisas também sugerem que o processo kosher acelera o sangramento, o que, do ponto de vista microbiológico, reduz a quantidade de sangue residual, um meio em que bactérias podem proliferar.

Proibição de certos alimentos

Outro aspecto da alimentação kosher é a proibição de certos alimentos, como carne de porco, frutos do mar sem escamas e aves de rapina.

Da perspectiva científica, a carne suína, especialmente antes do advento da refrigeração e das práticas modernas de inspeção sanitária, apresentava risco elevado de parasitas transmitidos por alimentos.

Entre eles, destaca-se Trichinella spiralis, causador da triquinose, uma doença que pode se manifestar com febre, dores musculares e complicações graves se a carne não for devidamente cozida.

Outros parasitas historicamente associados ao consumo de carne suína incluem Taenia solium (tênia ou solitária), responsável por cisticercose em humanos, Ascaris suum, um nematoide que pode causar infecções intestinais, e Toxoplasma gondii, um protozoário que pode provocar toxoplasmose, particularmente perigosa em gestantes e indivíduos imunocomprometidos.

No caso dos frutos do mar sem escamas, como certos mariscos, crustáceos e moluscos filtradores, há um risco histórico significativo de acúmulo de toxinas e microrganismos patogênicos.

A proibição kosher de certos frutos do mar sem escamas pode ser entendida, além de seu fundamento religioso, como uma precaução prática de saúde alimentar.

Alguns moluscos bivalves como mexilhões, ostras e vieiras, por exemplo, podem concentrar toxinas produzidas por algas durante fenômenos conhecidos como marés vermelhas, incluindo saxitoxinas, que causam paralisia neurotóxica, e ácido domoico, responsável pela síndrome amnésica por moluscos.

Esses organismos filtradores também podem abrigar parasitas como Clonorchis sinensis, um trematódeo associado a doenças hepáticas, ou Anisakis spp., um nematoide capaz de provocar anisakíase se ingerido cru ou mal cozido.

A contaminação bacteriana era igualmente relevante: espécies como Vibrio vulnificus e Vibrio parahaemolyticus proliferam em águas quentes e salgadas, tornando o consumo de frutos do mar crus ou pouco cozidos altamente arriscado em épocas sem refrigeração adequada.

Da mesma forma, a proibição de consumir camarão faz sentido cientificamente, considerando que ele contém a proteína tropomiosina, altamente alergênica, responsável por muitas reações graves, como inchaço, dificuldade respiratória e até choque anafilático em pessoas sensíveis. Além disso, nestes casos, podem provocar respostas inflamatórias intensas, aumentando a produção de citocinas e ativando células do sistema imunológico. Esse excesso de inflamação interfere na cicatrização, pois a regeneração de tecidos depende do equilíbrio entre inflamação e reparo celular.

Quando a inflamação é exagerada, há atraso na formação de colágeno e no fechamento de feridas, e em épocas remotas de guerras ou ambientes sem antibióticos, ingerir camarão poderia, portanto, não apenas desencadear alergias perigosas, mas também dificultar a recuperação de ferimentos, tornando a proibição kosher uma medida de proteção biológica plausível.

Separação de carne e leite

Uma das regras mais conhecidas da kashrut é a proibição de misturar carne e leite, tanto no consumo quanto na preparação e nos utensílios utilizados.

Do ponto de vista moderno, a separação entre carne e leite não tem uma base direta em microbiologia de alimentos, e não há evidência científica robusta de que misturá-los cause mais doenças.

No entanto, a prática de manter utensílios, superfícies e fluxos de trabalho separados reduz o risco de contaminação cruzada durante a manipulação de alimentos. Em consequência, essa separação pode ser benéfica para pessoas com alergias ou intolerância à lactose, evitando reações adversas e facilitando o consumo seguro de alimentos em contextos diversos.

Supervisão rabínica e controle de processos

O sistema kosher exige supervisão rabínica, realizada por um mashgiach, garantindo que normas sejam seguidas em todas as etapas da produção, desde a origem dos ingredientes até o preparo final.

Essa supervisão está relacionada não apenas à observância religiosa, mas também ao controle rigoroso de processos, inspeção e rastreabilidade, conceitos que são pilares das práticas modernas de segurança dos alimentos aplicadas nos tempos atuais em certificações como HACCP ou ISO 22000.

Em termos estritamente científicos, não há consenso de que seguir uma dieta kosher reduza de forma sistemática o risco de doenças alimentares além do que garantem boas práticas modernas de higiene, refrigeração, cocção e fiscalização sanitária. No entanto, os princípios e procedimentos kosher coincidem com várias recomendações de higiene alimentar.

Além disso, a presença de um mashgiach responsável por acompanhar a preparação dos alimentos segundo as normas kosher, tende a aumentar a atenção à limpeza geral, à organização das áreas de manipulação e ao cuidado com utensílios e superfícies, o que pode reforçar a segurança dos alimentos de maneira prática.

Ciência moderna e práticas alimentares

As práticas de higiene e segurança dos alimentos hoje difundidas são muito recentes. A microbiologia moderna começou a se desenvolver no final do século XIX, com cientistas como Louis Pasteur e Robert Koch, que estabeleceram que microrganismos poderiam causar doenças. Com isso, surgiram práticas como:

  1. Refrigeração em larga escala;
  2. Pasteurização;
  3. Inspeções sanitárias obrigatórias;
  4. Sistemas de controle de higiene industrial (como HACCP);
  5. Normas modernas de preparo e conservação de alimentos.

Grande parte dessas normas só se tornou amplamente aceita no ocidente no século XX, especialmente entre as décadas de 1930 e 1960, com a expansão dos órgãos de vigilância sanitária e das pesquisas em microbiologia de alimentos.

Por isso, embora práticas kosher, como salga, drenagem de sangue, separação de carne e leite e escolha de animais específicos não tenham sido formuladas com base em conceitos científicos modernos, hoje podemos dizer que componentes específicos do processo kosher se alinham com princípios da microbiologia e segurança dos alimentos.

Muito do que hoje é ensinado como “boas práticas de higiene e de fabricação” pelos órgãos de saúde, como cuidado na manipulação, prevenção de contaminação cruzada e atenção à conservação, já estava presente, de forma normativa, nas leis de kashrut há milhares de anos, muito antes de existirem conceitos científicos formalizados sobre microrganismos e doenças transmitidas por alimentos.

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Riscos da confusão entre alimentos comestíveis e tóxicos

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Diversos acidentes graves e até fatais ocorrem todos os anos em razão da confusão entre alimentos naturais comestíveis e espécies tóxicas visualmente semelhantes. Esse problema é especialmente relevante em contextos de coleta doméstica, consumo de alimentos silvestres e uso de plantas fora da cadeia formal de produção e controle sanitário.

Dados epidemiológicos disponíveis indicam que essa confusão representa um problema global de segurança dos alimentos (food safety).

  • Na China, sistemas nacionais de vigilância registram anualmente centenas de surtos de intoxicação por cogumelos silvestres, envolvendo milhares de pessoas e dezenas de mortes, quase sempre associados à identificação incorreta de espécies comestíveis e venenosas.
  • Nos Estados Unidos, dados dos Centros de Controle de Intoxicações apontam mais de 130 mil exposições a cogumelos potencialmente tóxicos ao longo de aproximadamente duas décadas, com milhares de atendimentos anuais, centenas de hospitalizações e óbitos ocasionais.

Já em países europeus e outras regiões do mundo com tradição de coleta de alimentos silvestres, estudos hospitalares e registros nacionais indicam que plantas e cogumelos naturais figuram entre as principais causas de envenenamento alimentar de origem não industrial, frequentemente associado à semelhança visual entre espécies seguras e tóxicas.

Embora exista subnotificação e variação nos sistemas de registro entre países, o conjunto dessas evidências confirma que se trata de um risco recorrente e quantificável em escala global, relevante tanto para a segurança dos alimentos quanto para a saúde pública.

Por que alimentos parecidos podem ter efeitos tão diferentes?

Do ponto de vista de food safety, a semelhança morfológica entre espécies seguras e venenosas constitui um perigo químico de origem natural, frequentemente subestimado.

Alimentos naturais visualmente semelhantes podem apresentar efeitos completamente distintos porque sua toxicidade depende de múltiplos fatores interligados, incluindo a espécie botânica ou fúngica correta, a parte consumida (raiz, folha, fruto ou semente), a presença e concentração de compostos tóxicos naturais, a forma de preparo e processamento e a condição de saúde do consumidor.

A identificação correta da espécie é fundamental, pois pequenas diferenças genéticas podem resultar na presença de toxinas potentes, como alcaloides, glicosídeos cianogênicos ou toxinas hepáticas e neurológicas.

Além disso, toxinas naturais nem sempre estão distribuídas de forma uniforme na planta, de modo que a parte consumida pode determinar se o alimento é seguro ou perigoso.

O método de preparo também é decisivo: alguns processos reduzem ou eliminam a toxicidade, enquanto outros a mantêm ou até a intensificam. Por fim, fatores individuais como idade, doenças pré-existentes ou sensibilidade metabólica, podem agravar significativamente os efeitos de uma ingestão tóxica.

Cogumelos: o exemplo mais crítico em escala global

Os cogumelos silvestres estão entre os principais alimentos naturais associados a intoxicações graves no mundo, justamente porque espécies comestíveis e altamente venenosas podem ser extremamente semelhantes do ponto de vista visual, tornando a confusão frequente, mesmo entre pessoas experientes.

  • Na Europa, um dos erros mais perigosos envolve a confusão entre cogumelos comestíveis do gênero Agaricus e a Amanita phalloides, espécie altamente tóxica, ambas semelhantes na coloração clara do chapéu e no formato geral quando jovens.
  • Na América do Norte, cogumelos conhecidos popularmente como “cogumelos-do-campo” são frequentemente confundidos com Amanita virosa ou Amanita bisporigera, espécies letais de aparência branca e odor pouco marcante.
  • Na Ásia, especialmente na China e no Sudeste Asiático, espécies tradicionais comestíveis são confundidas com Amanita subjunquillea e espécies próximas, responsáveis por numerosos surtos fatais. Na América do Sul, também há registros de confusão entre cogumelos comestíveis locais e espécies tóxicas dos gêneros Amanita e Galerina.

O risco é agravado pelo fato de que as principais toxinas desses cogumelos não alteram significativamente o cheiro nem o sabor, e quantidades muito pequenas podem causar falência hepática grave. Por isso, em escala global, os cogumelos venenosos figuram consistentemente entre as principais causas de intoxicação alimentar grave associada a alimentos naturais.

Alimentos tradicionais no Brasil: riscos menos visíveis, mas reais

No Brasil, embora não exista o hábito cultural de coleta de cogumelos silvestres para alimentação, outros riscos relevantes de confusão entre alimentos naturais seguros e tóxicos são bem documentados, especialmente envolvendo plantas tradicionais.

O exemplo mais clássico é a mandioca, amplamente consumida no país. A mandioca doce (ou mansa) é segura quando corretamente preparada, enquanto a mandioca brava contém elevados teores de glicosídeos cianogênicos, capazes de liberar cianeto.

Quando o processamento adequado, que inclui ralagem, prensagem, fermentação e cocção prolongada, não é seguido, o consumo de mandioca brava pode resultar em intoxicação aguda, com efeitos neurológicos e sistêmicos graves.

Leia também:

Outro caso relevante é a taioba. A taioba verdadeira (Xanthosoma sagittifolium) é comestível após cocção, mas pode ser confundida com espécies semelhantes não comestíveis ou ornamentais, como o inhame-bravo ou orelha-de-elefante (Colocasia spp.), que contêm cristais de oxalato de cálcio, capazes de causar irritação intensa da boca, garganta e trato gastrointestinal.

PANCs: quando o conhecimento técnico é indispensável

Há registros consistentes de confusão entre Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANCs) e espécies tóxicas visualmente semelhantes, sobretudo quando a coleta ocorre sem identificação botânica adequada.

Um exemplo conhecido envolve o boldo-do-Chile (Peumus boldus), usado medicinalmente, que pode ser confundido com o boldo-brasileiro (Plectranthus barbatus) ou outras espécies do mesmo gênero, que possuem perfis químicos distintos e podem causar efeitos adversos quando consumidas de forma inadequada.

Há também relatos de confusão entre a erva-doce verdadeira (Foeniculum vulgare) e plantas semelhantes da família Apiaceae, que inclui tanto espécies comestíveis quanto espécies altamente tóxicas, como a cicuta (Conium maculatum).

Essas situações demonstram que plantas culinárias podem ter “gêmeos” perigosos, compartilhando formato de folhas, coloração e aroma semelhantes, e que a ingestão acidental pode resultar em efeitos que variam de distúrbios gastrointestinais leves até manifestações neurológicas e cardiovasculares graves.

Frutas silvestres, sementes e castanhas: quando a aparência engana

O risco associado a frutas silvestres está frequentemente ligado à semelhança visual entre espécies comestíveis e tóxicas. Frutinhas pequenas e coloridas são particularmente perigosas, pois muitas espécies venenosas apresentam aparência atraente.

  • Na Europa, bagas tóxicas como a belladona (Atropa belladonna), a daphne (Daphne mezereum) e o teixo (Taxus baccata) podem ser confundidas com pequenas cerejas ou frutos silvestres comestíveis.
  • Na América do Norte, frutos do pokeweed (Phytolacca americana) e de espécies do gênero Solanum lembram amoras ou mirtilos, mas podem causar intoxicações gastrointestinais e neurológicas.
  • Na África e na Ásia, há registros de consumo acidental de frutos silvestres semelhantes a bagas comestíveis locais, resultando em surtos esporádicos de envenenamento.
  • No Brasil, frutos de plantas ornamentais ou silvestres, como o ligustro (alfeneiro), também podem ser confundidos com frutinhas comestíveis, apesar de conterem compostos capazes de causar distúrbios gastrointestinais, neurológicos ou cardiovasculares.

Situação semelhante ocorre com sementes e castanhas, em que pequenas diferenças determinam se o alimento é seguro ou perigoso.

A castanha-de-caju, por exemplo, só é comestível após processamento térmico adequado, pois a castanha crua contém compostos tóxicos.

Outro exemplo clássico envolve as amêndoas: a amêndoa doce (Prunus dulcis var. dulcis) é segura, enquanto a amêndoa amarga (Prunus dulcis var. amara), visualmente muito semelhante, contém amigdálina, um glicosídeo cianogênico que pode liberar cianeto durante a digestão. Por esse motivo, seu consumo cru é proibido ou rigidamente controlado em diversos países.

Recomendações de segurança ao consumidor

A prevenção de intoxicações por alimentos naturais começa com informação e cautela. Não se deve consumir plantas, cogumelos ou frutos silvestres sem identificação técnica confiável, pois a semelhança visual entre espécies é uma das principais causas de acidentes.

Também não é seguro confiar em aparência, cheiro ou sabor, já que muitas toxinas naturais não alteram essas características. “Testes caseiros”, crenças populares ou dicas informais não possuem base científica e podem gerar falsa sensação de segurança.

Sempre que possível, deve-se priorizar alimentos provenientes de cadeias formais e controladas, com rastreabilidade, identificação correta das espécies e aplicação de boas práticas de produção.

Em caso de suspeita de ingestão de alimento potencialmente tóxico, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente, mesmo na ausência de sintomas iniciais, pois muitas intoxicações apresentam evolução tardia.

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Publicada a 2ª versão do Documento de Posição da GFSI sobre Cultura de Segurança de Alimentos

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Lá em 2018 abordamos em um post a 1ª edição deste documento, traduzido por voluntário (veja aqui). Agora, no dia 26/03/26 (bem fresquinho!), a GFSI refina o arcabouço global para a cultura de segurança de alimentos ao incorporar as pesquisas acadêmicas mais recentes e o feedback dos stakeholders desde 2018, após a ampliação da compreensão de como a cultura organizacional interage com os sistemas de segurança de alimentos, reforçando-os mutuamente.

Isso não significa que todo o valioso trabalho do grupo técnico que apoiou o documento de 2018 tenha sido descartado. Em vez disso, esta edição representa uma evolução conceitual para definir e descrever a cultura de segurança de alimentos e as suas dimensões.

Ele esclarece o papel da GFSI como uma entidade de benchmarking que define “o quê” — os principais pontos de referência conceituais e dimensões que permitem o alinhamento global, enquanto deixa o “como” — as ferramentas específicas e métodos de implementação para especialistas do setor, responsáveis pelas normas reconhecidas e empresas individuais, ou seja, se concentra mais claramente na definição da estrutura central do tema e avalia se os conceitos e dimensões fundamentais permanecem válidos e relevantes, ao invés de prescrever abordagens de implementação.

Nesta atualização, o que antes era uma ideia emergente passou a ser reconhecido como um fator crítico que influencia o desempenho em segurança de alimentos, o comportamento organizacional e a proteção do consumidor. Em organizações de alto desempenho, sistemas e cultura operam em conjunto para sustentar os resultados em segurança de alimentos, ou seja, buscar preencher a lacuna entre a teoria e as exigências da prática, que possa ser usada para transformar a intenção cultural em um desempenho consistente e mensurável.

O objetivo é apoiar o alinhamento contínuo e melhorar os resultados de segurança de alimentos em todo o mundo. A quem se destina? Líderes sêniores, gestores de instalações, auditores, formadores e reguladores que necessitam de um ponto de referência comum e de um vocabulário partilhado. O que não faz? Não prescreve ferramentas de implementação, diagnósticos, modelos de maturidade ou intervenções — esses aspectos permanecem fora do escopo do Documento de Posicionamento e, portanto, do Guia.

Inicia com a nova definição sobre a Cultura de Segurança de Alimentos: “um conceito presente em todas as empresas do setor alimentício, relacionado às crenças, comportamentos, valores e pressupostos profundamente enraizados, aprendidos e compartilhados por todos os funcionários, e que se integram para impactar o desempenho da organização em segurança de alimentos.”  É visto como uma roda de dimensões interativas, organizadas em dois níveis interdependentes, conforme as figuras a seguir (estrutura dimensional do modelo evoluído):

Essa abordagem de dupla camada reconhece que a maturidade da cultura de segurança de alimentos não se expressa apenas por meio de aspectos da cultura organizacional, como visão e liderança, mas também se concretiza por meio da eficácia dos comportamentos operacionais de segurança de alimentos, incluindo as respostas à mudança.

A iniciativa reconhece que a cultura não é um conceito “abstrato”, mas sim um determinante crucial dos resultados em segurança de alimentos. Com base em mais de 180 fontes — incluindo estudos empíricos, teoria comportamental, pesquisa organizacional e normas da indústria — esta edição propõe um modelo revisado de cinco dimensões para a cultura de segurança de alimentos. Essas dimensões são organizadas em dois níveis, refletindo a distinção entre os fatores fundamentais da cultura organizacional e as manifestações culturais na prática de segurança de alimentos. Não é meramente produto de liderança ou treinamento, mas sim uma estrutura integrada de valores compartilhados, comportamentos, consciência de riscos e aprendizado organizacional. Para ser eficaz, a cultura deve ser mensurável, acionável e continuamente aprimorada. A literatura destaca ainda a interação dinâmica entre sistemas formais (como HACCP e SGSA) e elementos culturais informais (incluindo o tom da liderança, o empoderamento dos funcionários e a consistência comportamental).

A nova estrutura dimensional circular enfatiza a interação entre todas as dimensões e seus componentes críticos, além de demonstrar o foco fundamental das dimensões Pessoas e Valores da Empresa, Visão e Missão no suporte às demais dimensões. Há uma carência de pesquisas sobre as dimensões Consistência, Adaptabilidade e Melhoria Contínua na literatura sobre cultura de segurança de alimentos. Dentro destes pilares há alguns fundamentos bem demarcados, também chamados de áreas temáticas, tais como:

– a equipe de lideranças de todas as organizações, que dependendo da natureza do negócio pode incluir o proprietário e o conselho de administração, estabelece os valores, a visão e o propósito da organização. Esses valores fundamentais transcendem todos os aspectos do negócio e norteiam a cultura de segurança de alimentos;

– a coordenação consiste no alinhamento de funções, responsabilidades e comunicação entre departamentos, turnos e locais para promover resultados de segurança. O alinhamento de objetivos entre os departamentos é fundamental e é fomentado por meio de sessões colaborativas, equipes de projeto multifuncionais e comunicação eficaz. É importante ressaltar que a coordenação com as estruturas de governança de segurança de alimentos internas e externas e a integração com os parceiros da cadeia de suprimentos também contribuem para esse componente crítico;

– os membros da equipe precisam ser responsabilizados pelos resultados em segurança de alimentos que estejam dentro de suas atribuições. Isso requer coordenação, comunicação e treinamento eficazes para gerar o entendimento e o comprometimento necessários, bem como a conscientização sobre as pressões do trabalho e os recursos disponíveis dentro da organização;

– a pressão no trabalho pode ser gerenciada por meio de planejamento, programação da produção e garantia de recursos adequados em todos os momentos, incluindo pessoal, equipamentos, ingredientes e materiais. É necessário considerar o impacto de fatores externos, como auditorias e visitas externas, sobre a carga de trabalho e a pressão no trabalho, e elaborar planos para superar desafios e obstáculos;

– a comunicação precisa ser aberta, proativa e bidirecional, com a verificação do entendimento por meio de feedbacks bidirecionais como parte integrante do processo. É importante considerar a linguagem, o uso de ferramentas e materiais apropriados, os canais de comunicação adequados e como superar as barreiras de comunicação e estabelecer confiança. Para garantir uma comunicação eficaz, de cima para baixo, de baixo para cima e em toda a organização, a comunicação precisa ser planejada e estruturada, assim como os métodos e canais de comunicação com as partes interessadas externas;

– os esforços em treinamento e capacitação são essenciais para apoiar tanto a cultura organizacional quanto as iniciativas do SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos). Intervenções de treinamento específicas precisam ser planejadas de forma eficaz para atender às necessidades dos grupos de participantes, evitando-se abordagens genéricas;

atitudes positivas em relação à segurança de alimentos e uma cultura de segurança de alimentos são importantes, e é necessário evitar discrepâncias entre atitudes e comportamentos. Intervenções na cultura de segurança de alimentos e treinamentos em segurança de alimentos podem ter efeitos positivos sobre atitudes e comportamentos, mas todas as intervenções devem ser monitoradas para comprovar sua eficácia. O envolvimento contínuo é necessário para um engajamento sustentado e consistente e para impulsionar a mudança na cultura interna;

– a colaboração e o trabalho em equipe são importantes para a cultura de segurança de alimentos, e foi relatado que um influencia o outro. As organizações precisam desenvolver planos para fortalecer o trabalho em equipe e a colaboração por meio de iniciativas de gestão e cultura de segurança de alimentos. O aprendizado baseado em equipes e métodos participativos pode ajudar a incutir um melhor trabalho em equipe e colaboração com outros componentes críticos da cultura de segurança de alimentos em todas as dimensões, como Treinamento e Conhecimento, Comunicação e Coordenação, Comportamento e Atitude, Reconhecimento e Empoderamento, Conscientização de Riscos e compreensão das Pressões no Trabalho, o que contribui para um ambiente propício ao trabalho em equipe e à colaboração eficazes;

– o reconhecimento e o empoderamento são fatores positivos que impactam o desenvolvimento da cultura de segurança de alimentos, e abordagens como treinamento e participação de funcionários/equipes têm sido destacadas como importantes. Algumas ferramentas estão disponíveis para auxiliar na compreensão do nível atual de autonomia, de modo que estratégias para aumentar o empoderamento possam ser desenvolvidas. Promover um diálogo seguro e aberto e reconhecer os funcionários que se destacam são fundamentais para a construção de equipes mais empoderadas;

– a conscientização sobre riscos é fundamental tanto para o controle eficaz dos perigos à segurança de alimentos por meio de sistemas e programas de gestão da segurança de alimentos, quanto para o desenvolvimento de uma cultura de segurança de alimentos madura, podendo inclusive ser o resultado dela. As organizações precisam tomar medidas para avaliar o nível de conscientização sobre riscos em seus funcionários e aplicar ferramentas adequadas de educação e comunicação para manter e aumentar essa conscientização, de acordo com o setor de produtos em que atuam;

– o SGSA (Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos) precisa ser bem projetado, desenvolvido, implementado e mantido de forma eficaz. A importância da interação entre o SGSA e a cultura de segurança de alimentos tem sido mais bem compreendida à medida que mais pesquisas e estudos sobre as dimensões culturais têm sido realizados. Dar ênfase ao planejamento de como as abordagens se apoiarão mutuamente em qualquer projeto ou ciclo de melhoria permitirá a tomada de ações apropriadas;

– os comportamentos consistentes e corretos em matéria de segurança de alimentos são essenciais em todos os níveis. Outros aspetos importantes incluem a medição do desempenho, a documentação e os sistemas de registro e sua utilização na análise de tendências. A medição de desempenho, por exemplo, por meio do monitoramento de PCCs (Pontos Críticos de Controle), permite que a empresa verifique se está atendendo aos requisitos de segurança de alimentos definidos, além de reconhecer o bom desempenho e identificar problemas. As métricas precisam ser escolhidas  cuidadosamente e normalmente incluem medidas reativas (de resultado) e proativas (de previsão);

– o ambiente de trabalho precisa atender a um bom padrão de higiene, com instalações e acabamentos que promovam práticas de segurança de alimentos e permitam que os funcionários desempenhem suas funções de forma eficaz e confortável. A literatura confirma que o ambiente impacta comportamentos, conformidade e cultura, e a falta de boas práticas ambientais tem sido associada a surtos de doenças transmitidas por alimentos. No contexto da adaptabilidade, da mudança e da melhoria contínua, a qualidade do ambiente de trabalho, incluindo acabamentos, ferramentas, equipamentos e serviços necessários para a segurança de alimentos, é fundamental não apenas para o cumprimento dos requisitos de segurança de alimentos, mas também para gerar uma cultura de melhoria contínua;

– o componente crítico de Adaptabilidade e Melhoria Contínua pode ser subdividido em vários tópicos essenciais. Agilidade e Adaptabilidade são conceitos interligados; agilidade é a capacidade de reagir, mover-se e mudar de forma rápida e fácil em resposta a um estímulo, enquanto adaptabilidade diz respeito à consideração de todas as opções e oportunidades e ao planejamento do caminho a seguir. Ambos são importantes para a capacidade de uma organização responder e se adaptar às mudanças de circunstâncias, e essa capacidade pode impactar a cultura de segurança de alimentos.

Com isto, a cultura de segurança de alimentos existe em um espectro de maturidade, que varia de mais fraca a mais forte, e isso tem sido descrito como de negativo para positivo, menos maduro para mais maduro ou reativo para proativo. Independentemente do sistema ou escala de medição utilizada, é importante poder traçar o perfil da cultura existente de uma organização para entender onde residem os pontos fortes e fracos em todas as dimensões e para desenvolver um programa de intervenções para fortalecer a cultura de segurança de alimentos na empresa.

É sobre agir. Cabe a nós aplicar modelos de maturidade, usar instrumentos certos e avaliar com profundidade — para identificar onde realmente estamos e, principalmente, onde precisamos evoluir com urgência.

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Conheça mais sobre a BRAFP e a IAFP, organizações dedicadas à segurança dos alimentos

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Caros leitores, neste artigo trago uma entrevista com Caio Carvalho, para que você conheça mais sobre a BRAFP e IAFP. São duas renomadas instituições que fazem muita diferença para a indústria de alimentos no Brasil e no mundo.

Caio é pós-graduado em Gestão da Segurança dos Alimentos pelo SENAC e graduado em Ciência e Tecnologia de Laticínios pela UFV. É um profissional com mais de 15 anos de experiência em microbiologia, segurança dos alimentos e qualidade, atuando em indústrias de bebidas, ingredientes, nutrição animal, equipamentos e embalagens. É o atual presidente da Associação Brasileira para Proteção dos Alimentos (BRAFP – 2026–2027) e ex-membro da diretoria da Associação Internacional Para Proteção dos Alimentos (IAFP – 2024-2025).

Cristina: Caio, como funciona a IAFP?

Caio: A IAFP é uma das mais relevantes organizações globais dedicadas à segurança dos alimentos. Seu principal objetivo é promover a proteção dos alimentos por meio da ciência, educação e networking entre profissionais da indústria, academia e setor público.

Globalmente, a IAFP oferece publicações científicas de alto impacto, como a Revista de Proteção Alimentar (Journal of Food Protection – JFP) e o Tendências em Proteção Alimentar (Food Protection Trends – FPT), além de webinars, workshops, grupos técnicos e o Encontro Anual nos Estados Unidos, que reúne mais de 3.000 profissionais do mundo todo. Regionalmente, a IAFP conta com cerca de 60 afiliadas ao redor do mundo. No Brasil, temos a Associação Brasileira para Proteção dos Alimentos (BRAFP), afiliada oficial da IAFP.

Na América Latina, também fazem parte a CAIA (Argentina), AMEPAL (México), CCFP (Chile) e CAFST (Colômbia). O IAFP Latino é realizado a cada dois anos por uma das afiliadas da região. Em 2024, foi organizado pela BRAFP em Santos, e a próxima edição acontecerá em setembro na Argentina, sob coordenação da CAIA.

Cristina:  Qual sua atual função na associação e quais os planos para 2026?

Caio: Na IAFP, atuei como Diretor das Afiliadas (Affiliate Chairperson), representando as afiliadas LATAM na Diretoria, e atualmente integro o Programa de Palestrantes da Diretoria IAFP (IAFP Extended Executive Speaker Board Program), representando a Associação em eventos estratégicos de Segurança dos Alimentos.

Na BRAFP, assumi a Presidência para o biênio 2026–2027. Em 2026, o foco será fortalecer a integração entre América Latina e IAFP Global, ampliando a presença institucional nos principais eventos da região.

Já estão programadas participações no Encontro Anual da IAFP (EUA), no IAFP Latino (Argentina) e no INOFOOD (Chile). No Brasil, daremos continuidade ao trabalho iniciado pelo Prof. Dr. Luis Augusto Nero, fortalecendo eventos próprios e colaborações estratégicas.

Já confirmamos apoio ao SIMCOPE (que será realizado em Santos, em maio/2026) e à segunda edição do Prêmio BRAFP, dentro das ações do Dia Mundial de Segurança dos Alimentos (World Food Safety Day).

Cristina: Como estão os planejamentos para o IAFP LATAM e como nossos leitores podem se inscrever para participar?

Caio: O IAFP Latino é organizado pela afiliada do país-sede, com apoio das demais afiliadas na comissão científica internacional. Este ano, a coordenação está sob responsabilidade da CAIA (Argentina).

Os preparativos estão avançados, com patrocinadores confirmados e local definido. Para informações sobre inscrições, submissão de trabalhos e programação científica, recomendo acompanhar os canais oficiais da CAIA (CAIA) e da IAFP (IAFP Latino 2026).

Cristina: Há alguma forma de patrocínio ou bolsa para estudantes ou jovens profissionais conseguirem participar?

Caio: Sim. A IAFP Global possui programas estruturados de Patrocínio de Viagens (Travel Awards) e bolsas para estudantes. Da mesma forma, eventos organizados pelas afiliadas frequentemente incluem categorias de apoio financeiro.

No IAFP Latino 2024 (saiba mais em Destaques do IAFP Latino 2024: o que fazer quando os biofilmes atacam?) e no FoodMicro Latino 2025, organizados pela BRAFP, foram disponibilizadas diferentes modalidades de incentivo para estudantes e jovens profissionais.

A orientação é acompanhar os sites e redes sociais da IAFP (Call for IAFP 2026 Award Nominations) e da BRAFP (brafp.org.br/) para não perder prazos e oportunidades.

Cristina: Como os interessados podem contribuir para o IAFP Latam, pensando em outras atividades, além do evento?

Caio: O primeiro passo é se associar. No Brasil, por meio da BRAFP, o profissional passa a integrar uma comunidade técnica ativa, com acesso a conteúdo científico, eventos e networking qualificado.

Em paralelo, a filiação à IAFP amplia ainda mais as possibilidades: acesso a uma extensa biblioteca de publicações, webinars ao vivo e gravados, além da oportunidade de atuar em comitês, conselhos e grupos de desenvolvimento profissional (Professional Development Groups – PDG).

Esse engajamento permite não apenas consumir conhecimento, mas também contribuir ativamente com discussões técnicas, organização de sessões científicas e desenvolvimento de novas iniciativas para a área.

Cristina: Quais as vantagens em participar destes eventos?

Caio: Posso afirmar, por experiência própria, que participar da IAFP e da BRAFP é um divisor de águas no desenvolvimento profissional.

Além do acesso a conteúdo técnico de excelência, o maior valor está na rede de contatos. Nos eventos das associações, é comum ver estudantes interagindo diretamente com líderes globais da indústria, pesquisadores renomados e autoridades regulatórias. Essa proximidade gera oportunidades reais de aprendizado e crescimento.

Se você atua em Segurança e Qualidade dos Alimentos, 2026 pode ser o ano de dar esse passo.

Associe-se à IAFP e à BRAFP, acompanhe os prazos de inscrição para os próximos eventos e faça parte de uma comunidade que realmente impulsiona carreiras e fortalece a proteção dos alimentos no Brasil, na América Latina e no mundo.

Cristina: Caio, agradeço sua participação e recomendo a todos que participem!

Dica da autora: já tive oportunidade de apresentar vários trabalhos científicos no encontro anual do IAFP dos EUA e palestrar no IAFP LATAM. O conhecimento adquirido e o networking valem o investimento!

4 min leituraCaros leitores, neste artigo trago uma entrevista com Caio Carvalho, para que você conheça mais sobre a BRAFP e IAFP. São duas renomadas instituições que fazem muita diferença para a […]

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O mito da segurança no congelamento de alimentos

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Um recall recente de blueberries congelados contaminados por Listeria monocytogenes reforça um erro comum: pensar que o congelamento de alimentos elimina riscos microbiológicos.

Em fevereiro de 2026, mais de 55 mil libras de blueberries congelados foram recolhidas nos Estados Unidos após a detecção potencial de Listeria monocytogenes. O recall, iniciado pela Oregon Potato Company e posteriormente classificado pela FDA como Classe I — o nível mais alto de risco sanitário, envolveu produtos distribuídos para a indústria de alimentos e serviços alimentícios em vários estados e no Canadá.

O episódio traz uma lição importante para a indústria: o congelamento não é uma etapa de eliminação de patógenos. Ele apenas reduz a atividade microbiana, permitindo que microrganismos sobrevivam e voltem a crescer quando o alimento é descongelado.

Congelar não é matar microrganismos

O congelamento é frequentemente percebido — inclusive por consumidores — como um mecanismo de segurança. Na realidade, sua função principal é preservar alimentos, não esterilizá-los.

Durante o congelamento:

  • a atividade de água diminui

  • o metabolismo microbiano desacelera

  • a multiplicação microbiana é praticamente interrompido

No entanto, muitos patógenos sobrevivem a essas condições.

Entre eles:

Quando o alimento é descongelado ou incorporado a uma formulação pronta para consumo, esses microrganismos podem voltar a se multiplicar.

Por que a Listeria é especialmente problemática

Entre os patógenos relevantes para alimentos congelados, a Listeria monocytogenes possui características que ampliam o risco.

1. Sobrevive ao congelamento

A bactéria consegue sobreviver em temperaturas negativas por longos períodos. Assim, o congelamento preserva o patógeno junto com o alimento.

2. Cresce em refrigeração

Mesmo após o descongelamento, a Listeria pode crescer em temperaturas de refrigeração, o que amplia o risco em produtos prontos para consumo.

3. Alta gravidade clínica

A listeriose é rara, mas potencialmente grave, especialmente para:

  • gestantes

  • idosos

  • imunocomprometidos

  • recém-nascidos

Por isso, recalls associados à bactéria frequentemente recebem classificação de maior risco pelas autoridades sanitárias.

Frutas congeladas: ingrediente de alto alcance

No caso recente das blueberries, os produtos não eram destinados diretamente ao consumidor, mas sim a distribuidores e fabricantes de alimentos. Isso revela outro ponto crítico.

Ingredientes congelados são amplamente utilizados em:

  • smoothies e bebidas

  • sobremesas e sorvetes

  • produtos de panificação

  • cereais e snacks

  • refeições prontas

Quando ocorre contaminação na matéria-prima, o risco pode se multiplicar ao longo da cadeia de processamento, atingindo diversos produtos finais.

O que a indústria precisa revisar

Casos como esse reforçam a importância de revisar premissas na análise de perigos.

Não tratar congelamento como etapa de controle

Em planos HACCP, o congelamento não deve ser considerado medida de eliminação microbiológica.

Reforçar controles no pré-processamento

Para frutas e vegetais, o risco microbiológico costuma estar associado a:

  • colheita

  • contato com solo ou água contaminada

  • equipamentos de processamento

  • ambiente de embalagem

Avaliar fornecedores com foco em patógenos ambientais

Programas robustos de controle devem incluir:

  • monitoramento ambiental

  • validação de higienização

  • rastreabilidade por lote

Aplicação prática para indústria, qualidade e laboratório

Para profissionais de segurança dos alimentos, algumas ações são especialmente relevantes:

1. Revisar análise de perigos de ingredientes congelados
Produtos congelados não devem ser classificados automaticamente como de baixo risco.

2. Validar premissas em planos HACCP 
Garantir que o congelamento não esteja sendo tratado como etapa de letalidade.

3. Intensificar controle de fornecedores agrícolas
Principalmente para frutas, vegetais e ingredientes minimamente processados.

4. Avaliar risco em produtos prontos para consumo com frutas congeladas
Especialmente smoothies, sobremesas e formulações sem etapa térmica.

Conclusão

  • Impacto: recalls recentes mostram que patógenos podem sobreviver ao congelamento e entrar na cadeia industrial.

  • Recomendação prática: revisar análise de perigos para ingredientes congelados e reforçar controle na origem da matéria-prima.

  • O que monitorar: eventos de Listeria associados a frutas e vegetais congelados e requisitos regulatórios para controle ambiental.

Imagem: Christopher Seufert

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5 paradoxos da cadeia de alimentos: entendendo as contradições do sistema e os desafios da segurança de alimentos

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Quem atua na área de alimentos sabe da sua complexidade e conhece na prática alguns dos desafios da cadeia produtiva. Quem já parou para imaginar quantos quilômetros um alimento pode percorrer até ser consumido conclui rapidamente que manter sua qualidade e segurança e também a credibilidade das informações ao longo dos elos é, no mínimo, desafiador.

A cadeia de alimentos conecta produção primária e seus territórios rurais com os sistemas produtivos que incluem indústria, transporte e armazenamento e seus desafios de logística até alcançar os consumidores através dos diversos tipos de pontos de venda. Lembrando que as embalagens em todos os seus formatos acompanham todo esse caminho.

Toda essa complexidade traz para a cadeia de alimentos um caminho cheio de paradoxos: global e local, industrial e rural, tecnológico e profundamente humano. Reconhecer essas aparentes contradições talvez seja um dos caminhos para construir sistemas alimentares mais seguros, transparentes e resilientes.

É claro que a produção de alimentos com toda sua dimensão tem suas particularidades, mas podemos elencar aqui 5 grandes paradoxos característicos de quaisquer segmentos da cadeia! Vamos a eles:

1 – Produzimos mais alimentos do que nunca — mas ainda existe fome

Aumento de produtividade impulsionado pelo uso de tecnologias e globalização fizeram a produção global de alimentos crescer de forma expressiva nas últimas décadas.

Ainda assim, centenas de milhões de pessoas enfrentam insegurança alimentar, segundo a Food and Agriculture Organization (FAO). Neste mapa interativo da FAO podemos conhecer os dados de insegurança alimentar ao redor do mundo.

O paradoxo aqui é evidente: não é apenas um problema de produção — é um problema de distribuição, acesso e gestão da cadeia alimentar, incluindo a gestão de desperdício ao longo de toda a cadeia.

2 – A cadeia de alimentos é global — mas o alimento nasce local

Existem as multinacionais e as gigantes do mercado, mas muitas delas dependem de propriedades rurais, em sua maioria médias e pequenas, ou mesmo familiares.

A cadeia alimentar começa de forma localizada: em uma propriedade de um território específico, sob determinadas condições climáticas e produtivas.

Esses elos menores podem estar também na ponta, mais próximos dos consumidores: não só os grandes varejistas são responsáveis pela distribuição de alimentos para a população, mas algumas regiões e públicos específicos ainda frequentam as feiras locais.

Por isso não podemos deixar de olhar para esses personagens tão importantes da cadeia de alimentos.

Ou seja, o paradoxo aqui é que o sistema alimentar pode ser global, mas a origem e muitos pontos de venda continuam sendo locais e influenciados pelas características culturais daquela região.

3 – O controle dos processos nunca foi tão robusto — mas a percepção de risco nunca foi tão alta

Conhecer e garantir as características do produto a fundo, mediante controle de processos, análises laboratoriais, programas preventivos e controle de perigos, além da procura por padrões internacionais é tendência nos últimos anos, assim como a percepção de riscos à saúde.

Discussões em torno da percepção de riscos e sobre o envolvimento da gestão são pautas de normas, documentos de referência internacionais e de conceitos de cultura de segurança de alimentos.

Riscos além dos operacionais, envolvendo o contexto da empresa e os riscos de Saúde Pública estão sendo colocados à mesa. O envolvimento da população em relação aos riscos também acompanha a globalização dos alimentos.

Sendo assim, podemos perceber que, mesmo com sistemas de controle mais avançados, mais atenção e percepção de risco surgem na sociedade.

4 – Quanto mais tecnologia na cadeia de alimentos, mais percebemos sua complexidade

Atualmente temos disponíveis ferramentas avançadas para rastreabilidade, monitoramentos e inteligência de dados, mas tudo isso nos revela a quantidade de detalhes, informações relevantes e variáveis que podem mudar as decisões e os caminhos possíveis da produção.

Ou seja, usamos a tecnologia, mas continuamos tendo que dominar os processos, suas nuances e desafios, além de continuar dependendo de uma palavra-chave na cadeia produtiva: a confiança nas informações geradas.

Concluímos que, apesar da tecnologia, continuamos valorizando a simplicidade de processos simples e bem executados, a capacitação das pessoas e a responsabilidade humana nas tomadas de decisão!

5 – O consumidor quer saber mais sobre o alimento — mas está cada vez mais distante da produção

Com todo esse alcance e globalização dos produtos e suas matérias-primas, muitos consumidores estão mais longe da cadeia primária e até dos processos, e talvez até por isso exista uma cobrança maior em relação à:

– origem dos produtos;

– confiança das informações (rastreabilidade) e

– sustentabilidade.

Também há interesse por outras informações, como bem-estar animal, por exemplo, nos casos que envolvem os alimentos de origem animal.

Espero que tenham gostado desses 5 paradoxos e adoraria que vocês acrescentassem outras contradições que percebem na nossa área!

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O recall da Ajinomoto nos EUA e o risco de vidro em alimentos

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Um recall multimarca e de grande escala nos Estados Unidos recoloca um tema incômodo no centro da segurança dos alimentos: perigos físicos continuam capazes de gerar dano ao consumidor, crise reputacional e revisão urgente de controles industriais.

Em 3 de março de 2026, o USDA/FSIS anunciou a expansão do recall da Ajinomoto Foods North America para 36.987.575 libras de alimentos congelados, após a inclusão de 33.617.045 libras adicionais por possível presença de fragmentos de vidro. O caso envolve diferentes marcas e categorias de produtos, incluindo fried rice, ramen e shu mai, e merece atenção não só pelo tamanho, mas pelo tipo de problema que ele sinaliza: quando o controle de corpo estranho falha em um ponto compartilhado do processo ou da cadeia de suprimentos, o impacto deixa de ser local e passa a ser sistêmico.

O que aconteceu no caso Ajinomoto

O recall havia começado em 19 de fevereiro de 2026, quando a empresa recolheu mais de 3,3 milhões de libras de chicken fried rice após quatro reclamações de consumidores relatarem vidro nos alimentos. Em 3 de março, o FSIS informou a expansão do caso para um volume muito maior e para um portfólio mais amplo de itens, envolvendo marcas como Ajinomoto, Kroger, Ling Ling, Tai Pei e Trader Joe’s.

Esse ponto importa porque a expansão de um recall costuma indicar que a investigação encontrou alcance maior do que o inicialmente estimado. Em termos práticos, isso sugere que o problema não estava restrito a um SKU isolado, mas possivelmente relacionado a um insumo, etapa ou condição compartilhada por diferentes produtos. Essa leitura é reforçada por coberturas que apontam as cenouras como origem da contaminação.

Por que este recall é mais relevante do que parece

Perigos físicos às vezes recebem menos atenção do que perigos microbiológicos no debate público, mas isso é um erro operacional. O próprio acervo do Food Safety Brazil destaca que corpos estranhos geram reclamações, publicidade negativa e risco real ao consumidor, além de exigirem seleção adequada de sistemas de inspeção e detecção conforme o processo.

O caso Ajinomoto é relevante porque combina quatro fatores críticos ao mesmo tempo: volume excepcional, múltiplas marcas, múltiplos produtos e um contaminante de alta severidade potencial, já que o vidro nos alimentos pode causar lesões na cavidade oral e no trato gastrointestinal. Para a indústria, isso muda a conversa: não se trata apenas de “mais um recall”, mas de um lembrete de que um desvio físico mal contido pode atravessar contratos, canais, rótulos e mercados.

Onde a indústria costuma falhar em perigos físicos

1. Confiar demais na inspeção final

Detector de metais, raio X, peneiras, filtros e separadores são importantes, mas não compensam um programa fraco de prevenção. O material do IFS citado pelo Food Safety Brazil enfatiza justamente a necessidade de uma abordagem mais ampla, com requisitos legais, avaliação de risco, tecnologias de detecção, prevenção, monitoramento, verificação e validação.

Quando um contaminante como vidro entra no sistema, a pergunta não deveria ser apenas se “o equipamento detectaria?”, mas também “por que o material chegou até aqui?”, “em que ponto ele poderia ter sido barrado?” e “quais produtos compartilharam a mesma rota de risco?” Sem essa lógica, a empresa fica dependente de barreiras tardias.

2. Tratar fornecedor como assunto só de interesse comercial

Se a origem estiver em um ingrediente ou matéria-prima compartilhada, o problema deixa de ser uma falha de linha e vira falha de governança da cadeia. Isso inclui homologação técnica insuficiente, especificações incompletas para perigos físicos, auditorias pouco orientadas a risco e verificação deficiente de mudanças no processo do fornecedor. A escala do recall mostra exatamente por que esse tema não pode ficar restrito ao setor de compras.

3. Subestimar manutenção e integridade de barreiras

O conteúdo do Food Safety Brazil sobre peneiras lembra algo básico, mas frequentemente negligenciado: malhas defeituosas, danos mecânicos, limpeza inadequada e substituições mal controladas podem introduzir ou deixar passar corpos estranhos. Em outras palavras, o sistema de controle físico também pode se transformar em fonte de risco quando não é bem gerido.

Aplicação prática para indústria, qualidade, laboratório, regulatório e gestão

Para a indústria, a lição mais imediata é revisar a análise de perigos com foco em ingredientes e etapas compartilhadas entre famílias de produto. Um recall multimarca mostra que o risco real não acompanha o organograma da fábrica; ele acompanha o fluxo do processo e da cadeia.

Para qualidade e food safety, vale reavaliar se os controles de corpo estranho estão distribuídos de forma coerente entre prevenção, detecção e resposta. Quando toda a confiança recai sobre a última barreira, a organização aceita um risco silencioso de amplificação.

Para laboratório e investigação, o caso reforça a importância de protocolos claros para triagem de reclamações, retenção de amostras, preservação de evidências e rastreio de lotes afetados. Mesmo quando a confirmação analítica do contaminante é complexa, a velocidade da investigação influencia diretamente o tamanho do dano.

Para regulatório e gestão, a principal lição é sobre prontidão de crise. Quanto maior o portfólio e mais distribuída a operação, mais decisivas se tornam a rastreabilidade, a comunicação entre áreas e a capacidade de definir rapidamente o universo potencialmente afetado. O recall da Ajinomoto é um exemplo claro de como uma resposta tardia ou estreita demais pode exigir ampliação posterior, com custo reputacional ainda maior.

O que fazer agora na prática

Revisar a análise de perigos físicos por família de produto

Não basta listar “vidro” como perigo genérico. É mais útil mapear fontes plausíveis, pontos de entrada, barreiras existentes, métodos de verificação e critérios de escalonamento quando o mesmo insumo abastece vários SKUs.

Reabrir a conversa com fornecedores críticos

Ingredientes vegetais processados, misturas prontas, componentes com múltiplos estágios e materiais recebidos já fracionados merecem perguntas mais objetivas sobre prevenção de contaminação física, inspeção, triagem, manutenção e gestão de desvios.

Testar a robustez da rastreabilidade

O caso mostra por que uma empresa precisa saber com rapidez quais produtos, clientes e datas compartilham o mesmo risco. Rastreabilidade “que funciona em auditoria” não é necessariamente rastreabilidade que funciona em recall.

Conclusão

  • Impacto: o recall ampliado da Ajinomoto mostra como um perigo físico pode sair de um evento aparentemente pontual e alcançar escala sistêmica, com efeito simultâneo em marcas, SKUs e canais.

  • Recomendação prática: revisar imediatamente gestão de fornecedores, análise de perigos físicos, integridade de barreiras e critérios de investigação quando houver ingrediente ou etapa compartilhada por diferentes produtos.

  • O que monitorar: novos desdobramentos da investigação oficial, eventual detalhamento adicional da causa raiz e sinais de resposta do mercado para controles de corpo estranho em ingredientes e congelados prontos.

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“Gororoba narrada”: por que um turista pode adoecer com comida de rua e um local não?

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Sempre me divirto muito assistindo aos vídeos chamados “gororoba narrada”, aqueles em que cenas de comida de rua na Ásia, especialmente na Índia, exibem preparo com higiene aparentemente duvidosa.

É tão esdrúxulo que vira comédia: bolinhos sendo moldados nas axilas, massas sendo manipuladas sobre o chão, roedores passando, alimentos expostos ao ar livre em meio à poeira urbana intensa, frituras reutilizando óleo por longos períodos, utensílios compartilhados entre ingredientes crus e prontos, recipientes de molhos abertos à beira da rua e, em alguns casos que viralizam nas redes, situações ainda mais extremas que só assistindo para acreditar.

O contraste entre essas cenas, que para muitos espectadores ocidentais soam quase como um “desafio imunológico”, e o fato de populações locais consumirem esses alimentos diariamente sem aparente alarme imediato torna-se ainda mais evidente quando viajantes que se arriscam acabam adoecendo, às vezes seriamente, enquanto os habitantes parecem sofrer pouco ou nada com isso.

Pois é justamente esse cenário que serve de ponto de partida para uma discussão técnica séria sobre exposição microbiana, adaptação imunológica e a diferença entre risco real e percepção cultural de risco sanitário. Este artigo explora os fatores que contribuem para essa discrepância, tomando como base evidências sobre a diarreia do viajante, adaptação imunológica e microbiota intestinal.

A diarreia do viajante (DV) é a doença infecciosa mais comum entre pessoas que viajam internacionalmente para regiões com níveis sanitários mais baixos.

Região / Países típicos % DV – Alto risco % DV – Turista urbano Patógenos mais comuns Observações / Fatores de risco
Sul da Ásia (Índia, Paquistão, Nepal, Sri Lanka) 50–60% 10–20% ETEC (50–60%), Campylobacter (10–15%), Shigella (5–10%), Giardia lamblia (5–10%), Norovírus (2–5%) Risco alto em áreas rurais, mercados de rua e água não tratada; turistas urbanos em hotéis seguros têm risco baixo
África Subsaariana (Quênia, Tanzânia, Nigéria) 55–70% 10–15% ETEC (50–60%), Shigella (10–15%), Salmonella (5–10%), Giardia lamblia (5–10%), Entamoeba histolytica (2–5%) Risco alto para mochileiros e viajantes rurais; surtos bacterianos e parasitários frequentes
América Latina (Peru, México, Colômbia, Bolívia) 30–50% 5–15% ETEC (50–60%), Shigella (5–10%), Salmonella (5%), Giardia lamblia (5–10%), Norovírus (2–5%) Maior risco em viajantes mochileiros; turistas urbanos têm risco intermediário; água e comida de rua são fatores principais
Oriente Médio (Egito, Jordânia, Emirados Árabes) 30–55% 5–10% ETEC (50–60%), Salmonella (5–10%), Shigella (5–10%), Giardia lamblia (2–5%), Norovírus (2–5%) Risco depende da região e tipo de hospedagem; alimentos de rua e água não tratada aumentam risco
Sudeste Asiático (Tailândia, Vietnã, Indonésia) 40–60% 10–15% ETEC (50–60%), Campylobacter (10–15%), Shigella (5–10%), Giardia lamblia (5–10%), Norovírus (2–5%) Alto risco em viajantes que consomem alimentos de rua e frutos do mar crus
Caribe / América Central (República Dominicana, Cuba, Panamá) 20–40% 5–10% ETEC (50–60%), Giardia lamblia (5–10%), Salmonella (5%), Norovírus (2–5%) Risco moderado; água e comida de rua são fatores principais
Ásia Central (Uzbequistão, Cazaquistão) 30–50% 5–10% ETEC (50–60%), Shigella (5–10%), Giardia lamblia (5%) Risco intermediário; mais em áreas rurais e pequenas cidades

Fonte: Dados compilados a partir de revisões científicas e guias de medicina de viagem, incluindo Atlas da Saúde, TravelHealth Pro, StatPearls, MSD Manuals, Ministério da Saúde do Brasil e publicações especializadas em diarreia do viajante. Os percentuais representam a incidência média estimada de diarreia em viajantes em turistas que se expõem a comida de rua durante as duas primeiras semanas em cada região (geral e área urbana), e os patógenos listados refletem os agentes bacterianos, virais e parasitários mais comumente identificados em estudos epidemiológicos. A distribuição regional considera fatores de exposição, como tipo de hospedagem, consumo de água e alimentos de rua. 

No quadro, os percentuais representam estimativas de risco médio de diarreia durante as duas primeiras semanas de viagem, não números absolutos de atendimentos clínicos e podem variar conforme a região, tipo de viagem e hábitos de consumo, mas refletem a distribuição média encontrada em estudos de medicina de viagem, sendo que % Alto Risco indica viajantes expostos a água e alimentos de risco e % Turista Urbano indica viajantes com cuidados básicos de higiene e hospedagem segura.

Estes números mostram que um turista pode adoecer apenas por entrar em contato com alimentos ou água contaminados, mesmo sem exposições extremas. Na maioria dos casos, a diarreia do viajante é causada por microrganismos transmitidos pela via fecal-oral, sendo que:

Contudo, a exposição repetida a microrganismos desde a infância estimula o sistema imunológico a produzir anticorpos específicos contra agentes repetidamente encontrados, assim como uma resposta imunológica mais moderada a patógenos que para um turista seriam totalmente desconhecidos.

Pessoas que retornam frequentemente a destinos de alto risco têm menor probabilidade de apresentar DV em comparações posteriores, um sinal indireto de imunidade adaptativa adquirida pela exposição.

Além disso, a microbiota intestinal, ou seja, a comunidade de microrganismos que habita nosso intestino, também atua como um guia de defesa, uma vez que compete com microrganismos invasores e mantém equilíbrio que dificulta a colonização por patógenos. Esta microbiota varia significativamente entre populações com diferentes exposições ambientais.

Pessoas que vivem em ambientes microbiologicamente ricos tendem a ter microbiotas mais diversas e resilientes, o que reduz a chance de colonização por patógenos entéricos que causam DV.

O Índice de Diversidade de Shannon é uma métrica matemática usada para medir diversidade biológica, incluindo diversidade de microbiota intestinal. Ele considera dois componentes:

  • Riqueza: número de espécies presentes;
  • Equitabilidade: quão equilibrada é a distribuição entre essas espécies.

A fórmula é:

onde pi = proporção da espécie i na comunidade.

Figura: Conceito baseado no Índice de Diversidade (Shannon) – Diversidade Microbiana versus Tempo de Exposição Ambiental:

Interpretação técnica da figura:

  • Populações locais expostas cronicamente a ambientes com maior carga microbiana tendem a apresentar índices de Shannon frequentemente entre ~3,5 e 4,5, conforme observado em estudos comparando microbiota rural vs urbana;
  • Indivíduos provenientes de ambientes altamente higienizados podem apresentar valores médios entre ~2,0 e 3,0, dependendo da dieta e histórico de antibióticos.

Maior diversidade está associada a competição ecológica contra patógenos, maior estabilidade do ecossistema intestinal e menor probabilidade de colonização sustentada por ETEC e outros agentes de diarreia do viajante.

Esse gráfico simplificado sugere, portanto, que a microbiota local tende a ser mais diversificada devido à exposição contínua; em contraponto, a microbiota de um viajante costuma ser menos diversificada para microrganismos locais, facilitando desequilíbrios e doenças.

Por isso, o contraste entre um turista que fica doente ao comer comida de rua e um local aparentemente saudável não é sorte ou coincidência, mas o resultado de fatores biológicos reais, incluindo:

  • Imunidade adquirida ao longo do tempo;
  • Microbiota intestinal adaptada ao ambiente local;
  • Exposição repetida a agentes microbianos desde a infância.

Mesmo assim, ninguém está totalmente imune. Tanto moradores quanto visitantes podem adoecer, especialmente em surtos ou exposições intensas. A diferença principal está na probabilidade e na severidade média das respostas imunológicas.

Diante de tudo isso, imunidade adaptativa, microbiota resiliente, índice de Shannon, talvez a conclusão mais prudente seja simples: se o seu intestino foi educado em ambiente altamente pasteurizado e climatizado, talvez não seja sábio testá-lo subitamente contra um “buffet ecológico” de rua a 40°C sob poeira urbana intensa.

Viajar para países com maior risco de DV não significa evitar a culinária local, mas adotar práticas de segurança que reduzem a probabilidade de doença, o que inclui:

  1. Prefira alimentos bem cozidos e quentes – Cozinhar a altas temperaturas elimina bactérias, vírus e parasitas; pratos quentes indicam preparo recente;

  2. Evite saladas e frutas não descascadas – Podem ter sido lavadas com água contaminada; prefira frutas que você possa descascar ou alimentos cozidos;

  3. Beba água engarrafada ou purificada – Água local pode conter microrganismos perigosos; use sempre lacrada ou fervida;

  4. Lave as mãos frequentemente – Antes e depois de comer, para evitar contaminação via mãos. Use álcool em gel se não houver sabão;

  5. Evite gelo em bebidas – Gelo feito com água não confiável pode transmitir doenças, peça bebidas sem gelo ou com gelo seguro;

  6. Escolha vendedores com muitos clientes – Barracas com muitos clientes indicam rotatividade rápida, reduzindo o risco de alimentos armazenados por muito tempo;

  7. Observe higiene do local e do vendedor – Utensílios limpos, mãos limpas e ausência de insetos são bons sinais de segurança;

  8. Prefira comidas simples e locais – Pratos feitos com ingredientes locais frescos costumam ser mais seguros que misturas exóticas desconhecidas;

  9. Evite alimentos crus de origem duvidosa – Ostras, sushi, carnes mal passadas e molhos caseiros podem ser riscos elevados em países com saneamento precário;

  10. Fique atento a sinais de risco – Cheiro ruim, aparência estranha ou armazenamento em locais sujos são alertas claros para não consumir;

  11. Atenção a alimentos em expositores – Molhos ou cremes deixados fora da refrigeração entram na “zona de perigo” (5–60°C), favorecendo crescimento bacteriano. Por isso, prefira itens mantidos refrigerados ou preparados na hora.

A ciência explica muita coisa, mas não negocia com a pressa do turista faminto, portanto, se a curiosidade for maior que a coragem imunológica, a alternativa mais segura continua sendo apreciar essas aventuras gastronômicas à distância, pelo Instagram, assistindo à boa e velha “gororoba narrada”, e dar risadas confortavelmente hidratado, no ar condicionado, com seu microbioma intacto.

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O maior surto de botulismo infantil dos EUA: lições de uma crise que atingiu mais de 50 bebês — Parte 3/3

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Chegamos ao último post que nos coloca a par do maior surto de botulismo já registrado na história – apesar de ocorrer nos Estados Unidos, lembre-se de que o produto era comercializado também no Brasil. O que sabemos até o momento? Quais foram os esforços internacionais e qual o impacto deste surto no futuro? Para acessar os outros posts desse assunto, acesse aqui e aqui.

O que se sabe, esforços internacionais e perspectiva de futuro

Como resposta ao surto, a FDA está trabalhando em conjunto com especialistas internacionais e entidades de padronização para avaliar o risco do Clostridium botulinum em fórmulas infantis, enquanto investiga a origem desse surto específico. Além disso, estão analisando os ingredientes lácteos da cadeia de suprimentos e ampliando o conhecimento científico sobre esta bactéria. Já fortaleceram a comunicação com a indústria, consumidores e órgãos de saúde, visando minimizar riscos futuros e garantir a segurança das fórmulas infantis. No entanto, os resultados das investigações até agora não foram conclusivos, e o nome do fornecedor do leite em pó não foi revelado.

É sabido que os esporos de Clostridium botulinum estão presentes em baixos níveis em diversos alimentos, e a presença deles não implica necessariamente em risco, pois nem todos são viáveis para provocar a doença. No entanto, a bactéria é extremamente resistente e consegue sobreviver a pasteurização convencional e a condições ambientais desfavoráveis por longos períodos, graças a um esporo protetor, o que significa que os esporos podem não ser eliminados durante o processamento.

A Agência está empenhada em entender melhor os fatores que levaram a este surto e busca preencher as lacunas no conhecimento científico sobre o Clostridium botulinum. Na 55ª Sessão do Codex Committee on Food Hygiene, sugeriu-se que a JEMRA — reunião conjunta de especialistas da FAO e da OMS — conduza uma avaliação de risco microbiológico voltada a patógenos formadores de esporos, como Clostridium botulinum e Bacillus cereus, em fórmulas infantis em pó. Da mesma forma, foram requeridas outras orientações sobre medidas de controle na fabricação de fórmulas infantis, desde a produção inicial e embalagem até a reconstituição do produto, englobando o monitoramento ambiental. O encontro ocorreu de 15 a 19 de dezembro de 2025, na cidade de Nashville, nos Estados Unidos.

Em resposta, a FAO e a OMS fizeram um apelo internacional, inclusive com abertura de seleção de vagas de especialistas que queiram contribuir com conhecimento científico na avaliação de risco microbiológico destas fórmulas. Os dados servirão como subsídios para o desenvolvimento de pareceres científicos que orientarão a revisão dos documentos atuais do Codex Alimentarius e a elaboração dos textos pertinentes. O esforço é global para entender melhor os riscos de patógenos formadores de esporos. Além disso, busca-se estimar a carga de doenças atribuíveis a esses microrganismos e suas toxinas associadas ao consumo de fórmulas. Também se pretende determinar a prevalência e os níveis de contaminação desses patógenos desde a produção até o momento do consumo. Além disso, solicitaram que governos, indústria, academia, laboratórios e quaisquer outras organizações e indivíduos interessados enviem quaisquer dados e informações disponíveis que possam contribuir para este trabalho até 15 de maio. A avaliação dos candidatos será realizada em 15 de março de 2026, até que se tenha um número suficiente de candidatos interessados.

Com o objetivo de estabelecer estratégias para reduzir riscos e garantir a segurança da fórmula infantil em pó no futuro, a FDA lançou a página intitulada “Ações da FDA para Responder a Doenças Causadas por Clostridium botulinum Associadas ao Consumo de Fórmula Infantil em Pó”.

Todas as fórmulas infantis deverão realizar análise para Clostridium?

Os Estados Unidos iniciaram, em fevereiro, testes extensivos dos componentes utilizados em fórmulas infantis. De acordo com o FDA, ingredientes como leite em pó e concentrado de proteína de soro de leite serão analisados para identificar esporos de Clostridium botulinum. O objetivo é avaliar se a infecção bacteriana causadora do botulismo deve ser classificada como um risco previsível, permitindo que as empresas a integrem de forma proativa em seus procedimentos de inspeção. Como esses esporos nunca foram considerados contaminantes, os fabricantes de fórmulas infantis não eram obrigados a testá-los. As autoridades podem usar a análise para determinar os próximos passos.

As empresas podem ser obrigadas a verificar a presença de esporos de Clostridium botulinum. Não se sabe se houve alterações na produção desta fórmula infantil ligada ao surto ou se o risco de contaminação por essa bactéria foi ignorado ao longo do tempo. A Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA (FDA) espera obter a resposta por meio desta série de testes.

Não existem detalhes sobre a continuidade da fabricação da fórmula infantil pela ByHeart. A empresa não se pronunciou sobre o assunto, porém interrompeu as operações até que a investigação seja finalizada. A fábrica foi inspecionada pela FDA, porém o resultado não foi tornado público.

Conclusão

Neste caso único de botulismo infantil nos Estados Unidos, as autoridades estão realizando uma investigação conjunta sem precedentes. Ela envolve a FDA, o CDC, o IBTPP do CDPH, além de especialistas estaduais, locais e internacionais. Isso evidencia a necessidade de um esforço coletivo no enfrentamento ao botulismo. Também evidencia que o surto poderia ter sido internacional. Os dados foram divulgados de forma transparente em sites oficiais do governo dos Estados Unidos. A empresa de fórmula infantil ByHeart Whole Nutrition participa ativamente da pesquisa.

Em 2023, a FDA expressou preocupação com as áreas de produção de fórmulas infantis em pó ao enviar uma carta à indústria alertando sobre os riscos biológicos conhecidos ou razoavelmente previsíveis, como a bactéria Clostridium botulinum. Durante o atual surto e após a realização de testes especializados na fórmula infantil ByHeart, incluindo análises genéticas, o microrganismo identificado mostrou-se compatível com o C. botulinum presente no produto final. Isso indica que a contaminação detectada pode estar relacionada à cadeia de suprimentos e aos casos de botulismo registrados, sugerindo que a origem da contaminação pode estar na cadeia de suprimentos.

O desfecho ainda é desconhecido. As investigações continuam e não se sabe se a ByHeart pretende suspender a produção da fórmula. Também não se sabe se os fabricantes de fórmulas infantis em pó terão que realizar análises de C. botulinum a partir de agora, considerando-o um risco previsível. No entanto, é provável que as autoridades de padronização avaliem este risco nessas fórmulas. Cientificamente, o entendimento sobre o Clostridium botulinum está sendo expandido com o objetivo de minimizar riscos futuros e assegurar a segurança deste produto.

O surto foi rapidamente contido e não se espalhou além dos Estados Unidos, mesmo com o produto sendo vendido em 22 países. Não houve registro de casos internacionais. O governo se manifestou publicamente, orientando pais e responsáveis a descartar todos os lotes produzidos pela empresa em um recall internacional. Além disso, forneceu instruções aos médicos sobre como diagnosticar o botulismo, demonstrando seu compromisso com a população e a saúde pública. Foi rigoroso com os varejistas que continuavam vendendo o produto mesmo após o recolhimento. Reconheceu-se a ocorrência de um surto de botulismo infantil sem precedentes no país, uma vez que nenhum país encontra-se livre. No entanto, foi demonstrado um controle ágil e eficaz. As medidas são verdadeiramente inspiradoras para qualquer país do mundo, servindo como uma aula sobre botulismo e controle sanitário para quem quiser aprender. Obrigada pelo mergulho no tema!

Doralice Goes é  mestranda em Segurança dos Alimentos pela UFSJ, sobreviveu ao botulismo alimentar em 2022 e, desde então, dedica-se ao estudo da doença, monitora casos globais, faz palestras na indústria e é autora de livro sobre o botulismo.

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