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O que muda em Food Defense com a atualização da NR 01 — e por que isso fortalece a segurança dos alimentos

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Pensar em Food Defense ainda é, na maioria das vezes, pensar sob a ótica de controles físicos: acesso restrito, câmeras, barreiras, monitoramento.

Mas existe um ponto cego que persiste em muitos programas: o fator humano — não apenas como elo frágil, mas como potencial agente de risco.

Com a inclusão de riscos psicossociais no PGR, a nova NR-01 reforça que o fator humano passa a ser decisivo para a eficácia do Food Defense e da segurança dos alimentos.

A pergunta, então, deixa de ser operacional e passa a ser estrutural: o clima organizacional de uma empresa pode favorecer uma ameaça interna?

Ambientes marcados por estresse crônico, assédio moral, sobrecarga, baixa percepção de justiça organizacional e falta de equidade no reconhecimento não impactam apenas indicadores de RH. Eles moldam comportamentos.

E comportamento é, no fim, o que sustenta — ou derruba — qualquer sistema de Food Defense.

O que muda com a atualização da NR 01 — e por que isso importa

A atualização da NR-01 não é apenas uma ampliação de escopo. Ela muda a lógica de como o risco é entendido dentro das organizações.

O Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) passa a exigir a identificação, avaliação e controle dos riscos psicossociais, incluindo:

  • estresse ocupacional;
  • burnout;
  • assédio moral;
  • sobrecarga e pressão excessiva;
  • conflitos interpessoais.

Na prática, isso desloca o risco do campo exclusivamente tangível para um território mais complexo — e menos controlável por barreiras físicas.

Pela primeira vez de forma estruturada, a gestão é chamada a olhar para fatores que influenciam diretamente:

  • tomada de decisão;
  • percepção de risco;
  • engajamento;
  • comportamento sob pressão.

E isso tem implicações diretas — ainda que pouco discutidas — na segurança dos alimentos.

O impacto (ainda subestimado) na segurança de alimentos

A segurança de alimentos, especialmente Food Defense, é profundamente dependente de comportamento.

Uma indústria pode ter controles robustos, procedimentos validados e monitoramento estruturado. Mas quem executa — ou ignora — tudo isso são pessoas.

E pessoas não operam em vazio técnico. Elas respondem ao ambiente, à cultura e à forma como são geridas.

Quando a NR-01 exige a gestão de riscos psicossociais, ela passa a atuar, indiretamente, sobre variáveis críticas para Food Defense:

  • adesão consistente aos controles;
  • disposição para reportar desvios;
  • senso de responsabilidade coletiva;
  • vigilância ativa sobre comportamentos atípicos.

Em outras palavras: ela começa a atuar exatamente onde muitos sistemas de Food Defense são mais vulneráveis — no comportamento cotidiano.

O que poucos admitem

Não se trata de afirmar que um colaborador insatisfeito irá causar danos. Mas também não é técnico ignorar que ambientes deteriorados:

  • aumentam a negligência deliberada;
  • reduzem o comprometimento com controles;
  • enfraquecem a cultura de reporte;
  • e, em casos extremos, podem favorecer intenções destrutivas.

Um colaborador exausto não apenas erra mais. Ele também se importa menos.

E um sistema baseado em pessoas que “não se importam” é, na prática, um sistema vulnerável.

Onde a reflexão fica mais sensível

Os maiores eventos de adulteração intencional não começaram com uma falha de processo, começaram com uma falha de controle — sobre pessoas, motivações e comportamento.

Porque, em Food Defense, o risco raramente entra pela porta. Ele costuma nascer dentro de casa.

E isso nos leva a uma reflexão que merece mais profundidade:

Food Fraud é, por definição, motivado por ganho econômico.
Food Defense, por motivação ideológica ou intencional.

Mas, na prática, ambos têm um ponto em comum: são viabilizados por decisões humanas dentro de um contexto organizacional.

Se a fraude, muitas vezes, está associada a decisões de gestão, é legítimo questionar: até que ponto o Food Defense também é influenciado — direta ou indiretamente — pelo mesmo ambiente organizacional criado pela gestão?

Decisões humanas: a origem silenciosa do risco

A atualização da NR-01 não foi feita para tratar Food Defense. Mas, ao exigir que as empresas gerenciem riscos psicossociais, ela expõe uma camada que sempre esteve presente e raramente foi tratada como risco: o fator humano.

Talvez o fortalecimento do Food Defense não venha apenas de mais controles. Mas de algo menos visível e mais difícil de medir: o ambiente em que as pessoas tomam decisões.

Imagem: Anna Shvets

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Detox de Plástico: o documentário vai muito além das embalagens

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Em muitos casos, mudanças relevantes na forma como a sociedade percebe riscos não começam dentro de laboratórios ou órgãos reguladores. Elas começam em casa, quando alguém assiste a um conteúdo audiovisual e passa a enxergar elementos cotidianos, antes invisíveis, como potenciais fontes de preocupação. Foi assim com o açúcar, com os ultraprocessados, com aditivos alimentares e, mais recentemente, com as embalagens.

O documentário “Detox de Plástico”, lançado pela Netflix em 2026, se insere exatamente nesse contexto. Ele não apenas apresenta um tema técnico, mas constrói uma narrativa de impacto público ao associar o uso de plásticos e compostos derivados da indústria petroquímica a possíveis efeitos sobre a saúde humana, especialmente no campo da fertilidade.

Este artigo não analisa o mérito científico do documentário, mas sim o seu papel na ampliação da percepção de risco e as implicações desse movimento para a indústria de alimentos e materiais em contato com alimentos.

O debate proposto pelo documentário não se restringe às embalagens plásticas em si. O eixo central é mais amplo: a exposição contínua e cumulativa a compostos químicos presentes no cotidiano moderno.

Entre os principais grupos citados estão os bisfenóis (como BPA e substitutos como BPF e BPS) e os ftalatos, amplamente utilizados em diferentes aplicações industriais.

Essas substâncias não estão limitadas a embalagens de alimentos. A narrativa amplia o escopo para utensílios domésticos, cosméticos, poeira ambiental e outros produtos derivados da cadeia petroquímica. O ponto central é a ideia de exposição simultânea a múltiplas fontes ao longo do tempo.

A fertilidade humana é utilizada como eixo narrativo principal. Nesse contexto, são acompanhados casais com dificuldades de concepção que passam por mudanças de hábitos, reduzindo contato com plásticos e priorizando materiais como vidro, inox e bambu.

Ao longo da experiência são apresentadas mudanças de comportamento e ambiente doméstico, redução de biomarcadores urinários associados a bisfenóis e ftalatos e desfechos reprodutivos positivos em parte dos casos observados.

Do ponto de vista técnico, é importante reforçar que a redução de biomarcadores indica menor exposição recente, mas não estabelece por si só relação causal direta com desfechos reprodutivos, que são multifatoriais.

Bisfenóis e ftalatos são frequentemente estudados dentro do grupo dos chamados disruptores endócrinos, substâncias com potencial de interferência hormonal em determinadas condições de exposição. Disruptores endócrinos são substâncias químicas externas ao organismo capazes de interferir no funcionamento normal do sistema hormonal (endócrino). Essa interferência pode ocorrer ao imitar hormônios naturais, bloquear sua ação ou alterar sua produção, transporte, metabolismo e eliminação, impactando processos biológicos como crescimento, metabolismo, reprodução e desenvolvimento.

Organismos internacionais como OMS e UNEP destacam a necessidade de aprofundamento científico sobre esses compostos e suas exposições combinadas em cenários reais.  

Isso não implica causalidade direta, mas reforça a importância de monitoramento contínuo e avaliação científica permanente.

O documentário também traz comparações entre diferentes abordagens regulatórias globais.

Na União Europeia, o sistema REACH (Registration, Evaluation, Authorisation and Restriction of Chemicals) estabelece um modelo estruturado de registro, avaliação e restrição de substâncias químicas ao longo de seu ciclo de vida (veja aqui). Esse modelo é frequentemente citado em debates internacionais como referência de gestão preventiva de risco químico.

No Brasil, os materiais em contato com alimentos são regulados principalmente pela ANVISA, com base em estruturas próprias e harmonizações regionais. Esse arcabouço inclui:

  • listas positivas de substâncias autorizadas;
  • limites de migração específica e global;
  • critérios técnicos para polímeros e aditivos;
  • requisitos de segurança aplicáveis a materiais em contato com alimentos.

Embora existam diferenças de abordagem em relação ao modelo europeu, trata-se de um sistema regulatório estruturado e funcional dentro do contexto nacional.

O principal risco na interpretação de conteúdos como este está na polarização.

De um lado, o alarmismo, que amplia riscos sem considerar contexto, dose, finalidade de uso e controle regulatório.
De outro, o negacionismo, que ignora evidências científicas emergentes e desconsidera a necessidade de evolução do debate técnico.

Ambos simplificam uma realidade que é inerentemente complexa.

A abordagem tecnicamente adequada está no equilíbrio: reconhecer a importância dos materiais plásticos na cadeia de alimentos e, ao mesmo tempo, manter vigilância científica e regulatória contínua sobre seus componentes e aplicações.

Independentemente do debate científico em torno do documentário, há um ponto central: a percepção de risco do consumidor está em transformação aceleradaIsso impacta diretamente:

  • a confiança em embalagens e materiais de contato;
  • a demanda por transparência e rastreabilidade;
  • a pressão por alternativas tecnológicas;
  • a comunicação de risco pela indústria;
  • decisões de consumo baseadas mais em percepção do que em evidência técnica consolidada.

A indústria de alimentos não responde apenas à regulação formal, mas também à forma como o risco é interpretado pela sociedade.

“Detox de Plástico” não é apenas um documentário sobre embalagens. Ele reflete um movimento mais amplo de busca por compreensão dos impactos da vida industrial moderna sobre a saúde humana.

Ao colocar a fertilidade como eixo narrativo e expandir o debate para além das embalagens, reforça-se uma tendência contemporânea importante: a tentativa de reduzir incertezas em um ambiente de exposição química contínua e múltiplas fontes.

Para profissionais de segurança de alimentos, o desafio não está em aderir a extremos, mas em sustentar a complexidade do tema com clareza, responsabilidade e base técnica.

Porque, no fim, o debate não é apenas sobre plástico. É sobre como ciência, risco e percepção pública interagem, e como a indústria de alimentos responde a essa dinâmica sem perder rigor, coerência e confiança.

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Por que as doenças transmitidas por alimentos continuam a acontecer?

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Em 2008, um surto de listeriose no Canadá, associado à empresa Maple Leaf Foods, resultou em dezenas de mortes e expôs falhas significativas nos sistemas de controle de alimentos. O caso levou a uma investigação independente e a uma das conclusões mais relevantes para o setor: investir em segurança dos alimentos não é apenas uma obrigação — é uma decisão com impacto direto na saúde pública, na reputação das empresas e nos resultados financeiros.

Passaram-se mais de 15 anos. Hoje temos mais conhecimento, mais normas, mais certificações, mais tecnologia e sistemas cada vez mais estruturados. Ainda assim, os números globais de doenças transmitidas por alimentos (DTA) continuam elevados — e, em muitos contextos, relativamente estáveis.

Isso nos leva a uma reflexão inevitável: se sabemos mais do que nunca sobre segurança dos alimentos, por que as DTA continuam a acontecer?

O quanto evoluímos — e evoluímos muito

Seria injusto dizer que nada mudou. A segurança dos alimentos evoluiu de forma consistente ao longo das últimas décadas.

A implementação do APPCC (Análise de Perigos e Pontos Críticos de Controle) trouxe uma abordagem preventiva e estruturada. As certificações internacionais ajudaram a harmonizar práticas. A rastreabilidade tornou-se mais robusta. A digitalização permitiu maior controle e rapidez na tomada de decisão.

Além disso, temas como cultura de segurança dos alimentos começaram a ganhar espaço, reforçando que não basta ter sistemas, é preciso que eles sejam compreendidos e aplicados.

Ou seja, avançamos muito. Mas então, onde está o problema?

O problema não está no sistema — está na execução

Na maioria das empresas, os sistemas existem. Os procedimentos estão escritos. Os registros são preenchidos. As auditorias são realizadas.

Mas a grande questão é: isso está funcionando na operação?

Em muitos casos, a segurança dos alimentos é tratada como uma obrigação documental e não como uma prática operacional. Procedimentos são seguidos porque “é preciso”, não porque são compreendidos. Registros são preenchidos para cumprir auditorias, não necessariamente para controlar riscos.

Esse desvio entre o que está no papel e o que acontece na prática é um dos principais fatores que explicam por que as DTA continuam a acontecer.

O fator humano continua a ser determinante

Nenhum sistema funciona sem pessoas.

Pressão produtiva, falta de formação prática, rotatividade de colaboradores e ausência de acompanhamento no dia a dia comprometem a aplicação consistente dos controles definidos.

A cultura de segurança dos alimentos não se constrói com documentos — constrói-se com comportamento.

Como já discutido no artigo Cultura de segurança dos alimentos: o elo invisível que protege a cadeia produtiva, quando as equipes entendem o porquê das regras, a aplicação muda. Quando não entendem, o sistema passa a ser apenas mais uma tarefa.

E isso faz toda a diferença.

Sistemas cada vez mais complexos — resultados nem sempre melhores

Outro ponto que merece reflexão é a crescente complexidade dos sistemas.

Mais requisitos, mais indicadores, mais plataformas, mais controle.

Mas será que mais complexidade significa mais segurança?

Em alguns casos, o efeito pode ser o contrário. Sistemas demasiado complexos tornam-se difíceis de gerir, afastam as equipes do essencial e aumentam o risco de falhas operacionais.

A segurança dos alimentos precisa de rigor, mas também de clareza.

Uma cadeia alimentar cada vez mais exigente

Não podemos ignorar outro fator: a complexidade da própria cadeia alimentar.

Matérias-primas que vêm de diferentes países, múltiplos fornecedores, processos logísticos mais longos e exigências regulatórias cada vez maiores.

O risco está mais distribuído — e, por isso, mais difícil de controlar.

Mesmo sistemas bem estruturados podem falhar quando dependem de múltiplos pontos externos.

O que mudou entre 2008 e 2024 — e o que continua igual

Quando analisamos a evolução dos últimos anos, dois casos ajudam a enquadrar esta reflexão: o surto de listeriose no Canadá em 2008, associado à Maple Leaf Foods, e os eventos mais recentes nos Estados Unidos, em 2024, ligados à Boar’s Head.

À primeira vista, poderíamos assumir que houve uma evolução significativa. E houve. Hoje temos mais conhecimento sobre Listeria monocytogenes, melhores práticas de higienização, maior controle ambiental e sistemas de monitorização mais sofisticados.

No entanto, ao olhar para esta evolução, há um padrão que se repete:

  • sinais iniciais desvalorizados
  • falhas na interpretação de dados
  • detecção tardia
  • impacto elevado quando o problema se torna visível

Em 2008, no Canadá, o surto resultou em dezenas de mortes e levou a uma revisão profunda das práticas de segurança dos alimentos. Em 2024, nos Estados Unidos, voltamos a ver um cenário com impacto relevante, incluindo hospitalizações e mortes, associado a falhas que, em teoria, já deveriam estar controladas.

Ou seja, evoluímos em conhecimento e ferramentas — mas isso não eliminou a ocorrência de eventos críticos.

O impacto que vai muito além da segurança dos alimentos

Outro ponto que merece atenção é o impacto econômico e humano associado às doenças transmitidas por alimentos.

Estima-se que, globalmente, as DTA representem um custo superior a 110 mil milhões de dólares por ano, considerando não apenas os sistemas de saúde, mas também a perda de produtividade e os impactos indiretos na economia.

Nos Estados Unidos, os números são claros:

  • cerca de 48 milhões de pessoas afetadas anualmente
  • mais de 120 mil hospitalizações
  • milhares de mortes

Para além do impacto humano, há também consequências diretas para as empresas:

  • recalls
  • encerramento de unidades
  • processos legais
  • perda de confiança do consumidor

No caso canadense, o surto de 2008 levou a mudanças estruturais no setor. Já nos Estados Unidos, eventos recentes mostram que, mesmo em mercados altamente regulados, o risco continua presente — e com consequências reais.

Evoluímos — mas não o suficiente onde mais importa

Ao cruzar estes dois pontos — evolução técnica e impacto real — surge uma conclusão importante.

A segurança dos alimentos evoluiu, mas essa evolução nem sempre se traduz numa redução proporcional dos incidentes ou dos seus impactos. E isso reforça uma ideia central: o desafio não está apenas em desenvolver melhores sistemas, mas em garantir que esses sistemas funcionam de forma consistente, no dia a dia.

Investir em segurança dos alimentos traz retorno

O caso do Canadá deixou uma mensagem clara: investir em segurança dos alimentos traz retorno. Evita perdas, protege a marca e, acima de tudo, salva vidas, mas esse investimento só é eficaz quando sai do papel.

A segurança dos alimentos não falha por falta de normas, certificações ou tecnologia. Falha quando os sistemas deixam de ser compreendidos, aplicados e vividos no dia a dia das operações.

Mais do que acrescentar novos requisitos, talvez o maior desafio hoje seja garantir que o que já existe funciona de forma simples, consistente e eficaz.

Porque, no final, não é o sistema que garante a segurança dos alimentos — são as pessoas que o aplicam.

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A informação que acompanha o alimento (Parte 6): Quando a informação também é segurança

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A cena é comum. Um alimento chega à mesa.

Pode ser um produto industrializado, uma refeição pronta, um pedido por delivery ou algo preparado a partir de diferentes ingredientes.

Para quem consome, aquele é o ponto final. É também o último momento de uma jornada muito mais longa. Uma jornada que não envolve apenas o alimento, mas também a informação que deveria acompanhá-lo.

O que vimos ao longo do caminho

Ao observar diferentes formas de consumo, um aspecto se torna evidente: a forma como a informação acompanha o alimento não é fixa, ela se adapta ao contexto.

  • Em alguns casos, ela está estruturada.
  • Em outros, depende da comunicação.
  • Em alguns momentos, se fragmenta.
  • Em outros, simplesmente deixa de estar presente.

O alimento muda de ambiente. E, com ele, muda também a forma como a informação se manifesta.

Um padrão que não é pontual

À primeira vista, essas situações podem parecer desconectadas.

  • Um problema no delivery;
  • Uma limitação na comunicação em restaurantes;
  • Um desafio nas doações.

Mas, quando observadas em conjunto, revelam algo maior. Não se trata de falhas isoladas. Trata-se de um padrão.

O modelo atual de circulação de alimentos evoluiu rapidamente, com novas formas de consumo, novos canais de distribuição e novas dinâmicas de acesso.

Mas a forma como a informação acompanha esses alimentos nem sempre evoluiu na mesma velocidade. E isso cria uma assimetria silenciosa: o alimento chega, mas a informação nem sempre.

Dois fluxos que nem sempre caminham juntos

A segurança de alimentos sempre foi pensada a partir de um fluxo principal, um fluxo amplamente controlado, monitorado e regulamentado, o do alimento, que passa por:

  • produção;
  • processamento;
  • transporte;
  • consumo.

Mas existe um segundo fluxo, menos visível, o fluxo da informação:

  • composição;
  • origem;
  • condições de conservação;
  • orientações de consumo.

E, diferentemente do alimento, esse fluxo nem sempre percorre todo o caminho. Em muitos casos, ele se interrompe, se fragmenta ou se adapta ao contexto.

Quando a informação se torna parte do risco

Tradicionalmente, os riscos em alimentos são associados a contaminação microbiológica, falhas de processo e condições inadequadas de conservação, mas existe um outro tipo de risco, mais sutil: o risco da ausência de informação. Sem informação adequada, o consumidor pode:

  • ingerir alergênicos sem saber;
  • armazenar de forma incorreta;
  • consumir fora do prazo seguro;
  • interpretar erroneamente o alimento.

O produto pode estar correto do ponto de vista técnico, mas a falta de informação compromete a capacidade de uso seguro.

Entre a norma e a prática

Ao longo dessa jornada, também ficou evidente que o desafio não está apenas na existência de normas.

O sistema regulatório brasileiro, conduzido por instituições como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, estabelece requisitos robustos para rotulagem, boas práticas e controle sanitário; no entanto, muitos desses requisitos foram estruturados considerando modelos tradicionais de consumo.

E o cenário atual introduziu novas formas de circulação, tais como, consumo à distância, múltiplos intermediários e contextos onde não há interação direta.

Isso não invalida a regulação existente, mas revela um espaço entre o que a norma prevê e como o alimento, de fato, circula.

Como seria o cenário ideal?

Se a informação precisa acompanhar o alimento, então vale imaginar como isso poderia acontecer na prática, em diferentes contextos, não como um modelo único, mas como uma direção.

Nos alimentos industrializados, esse cenário está mais consolidado, a rotulagem já reúne, de forma estruturada, informações sobre composição, origem, validade e conservação.

Nos serviços de alimentação, como restaurantes e buffets, o cenário ideal passa por tornar a informação acessível mesmo na ausência de rótulos. Cardápios mais descritivos, tabelas de alergênicos, equipes preparadas para orientar e canais claros de comunicação ajudam a manter essa continuidade.

No delivery, esse desafio se torna mais evidente. Aqui, o ideal é que a informação esteja disponível antes da decisão de compra, nas plataformas digitais e que acompanhe o alimento, ainda que de forma simplificada, até o momento do consumo.

Nas doações, o cenário ideal não está na complexidade, mas no essencial. Identificações básicas, datas e orientações simples já são suficientes para reduzir incertezas e ampliar a segurança para quem recebe.

Em todos esses casos, um ponto em comum emerge: a informação precisa ser pensada como parte do produto e não como um elemento acessório.

O que torna isso possível, na prática

Garantir que a informação acompanhe o alimento ao longo de toda a cadeia não depende de uma única solução. Depende da incorporação de alguns princípios ao longo do processo.

  1. A informação precisa ser pensada desde a origem, e não apenas no momento da entrega ao consumidor. Ela deve nascer junto com o alimento;
  2. Precisa ser adaptável ao contexto. Nem sempre será um rótulo completo, mas deve ser suficiente para permitir compreensão e uso seguro;
  3. Precisa ser acessível no momento da decisão. Informação que não chega a tempo perde parte de sua função;
  4. Precisa ser preservada ao longo do caminho. Cada etapa da cadeia deve evitar que ela se perca, seja na manipulação, no transporte ou na redistribuição, e por fim:
  5. Precisa ser compreensível. Não basta existir, precisa fazer sentido para quem vai utilizar o alimento.

E o que vem pela frente?

À medida que novas formas de consumo surgem, esse desafio tende a se ampliar.

Cozinhas compartilhadas, marketplaces digitais, produção descentralizada, alimentos preparados para múltiplos canais e modelos ainda em desenvolvimento adicionam novas camadas de complexidade.

O alimento continuará evoluindo em sua forma de produção e distribuição, e isso levanta um ponto inevitável: a informação precisará evoluir junto. Não apenas para atender a requisitos normativos, mas para acompanhar um consumidor que acessa alimentos de maneiras cada vez mais diversas, e muitas vezes, mais distantes da origem.

O papel de quem produz, comunica e consome

Diante desse cenário, a responsabilidade pela informação não está concentrada em um único ponto. Ela se distribui ao longo da cadeia. Envolve:

  • quem produz;
  • quem prepara;
  • quem comercializa;
  • quem entrega;
  • e também quem consome.

Garantir que a informação acompanhe o alimento passa a ser um esforço coletivo, não apenas regulatório. Como também, operacional e cultural.

Cena final: quando o fluxo se completa

Agora imagine novamente a cena inicial.

O alimento chega à mesa. Mas, desta vez, junto com ele, chegam também as informações necessárias para compreendê-lo: o que contém, como deve ser conservado, como deve ser consumido e quais cuidados devem ser observados.

Nada em excesso. Mas o suficiente. Suficiente para permitir uma escolha consciente, para reduzir riscos, para transformar o consumo em um ato informado.

Quando o alimento viaja, a informação precisa viajar junto

A forma como os alimentos circulam continuará evoluindo. Mas existe um princípio que tende a permanecer: a segurança de alimentos não depende apenas da integridade do produto. Depende também da integridade da informação que o acompanha.

E isso leva a uma conclusão simples, mas cada vez mais relevante: o alimento pode chegar com qualidade, mas é a informação que permite que essa qualidade seja compreendida.

Ao longo desta série, acompanhamos o alimento por diferentes caminhos. E, em cada um deles, observamos o que acontece com a informação.

No fim, a pergunta que permanece não é apenas técnica, é estrutural: estamos garantindo que a informação percorra o mesmo caminho que o alimento?

Porque, em um sistema cada vez mais dinâmico, essa pode ser uma das diferenças mais importantes entre consumir… e consumir com segurança.

Aprendemos a observar o alimento. Talvez seja o momento de aprender a observar também a informação que o acompanha.

Quando a informação não acompanha o alimento, a segurança deixa de ser uma característica do produto e passa a ser uma suposição do consumidor.

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A informação que acompanha o alimento (Parte 5): Quando o alimento é doado… a informação também deveria ser

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A cena é simples.

Uma mesa sendo organizada em uma instituição social. Panelas grandes, recipientes reutilizados, pessoas se movimentando com agilidade.

Alimentos chegam de diferentes origens:

  • sobras de produção;
  • excedentes de restaurantes;
  • produtos próximos do vencimento;
  • doações organizadas por empresas ou voluntários.

Para quem observa de fora, é um gesto claro de solidariedade. E de fato é. Mas existe algo nessa cena que raramente é percebido.

Entre o momento em que o alimento sai de onde foi produzido e o momento em que é consumido, existe um elemento que nem sempre faz o mesmo percurso: a informação que acompanha esse alimento.

Quando o alimento muda de lugar e de lógica

Ao longo desta série, vimos como a informação acompanha os alimentos em diferentes contextos.

  • Nos produtos industrializados, ela está estruturada em rótulos;
  • Nos serviços de alimentação, ela depende da comunicação direta;
  • No delivery, ela pode se fragmentar;
  • Mas quando o alimento é doado, algo diferente acontece.

Ele deixa não apenas o local onde foi preparado ou comercializado, ele deixa também o modelo de relação com o consumidor. Quem recebe o alimento doado, na maioria das vezes não escolhe, não compara, não pergunta. E muitas vezes, não pode. Se, ao longo desta série, vimos a informação se fragmentar, aqui ela pode simplesmente deixar de existir.

 O que se perde no caminho

https://www.pexels.com/pt-br/foto/mulher-doacoes-dentro-de-casa-interior-6995015/

Quando alimentos entram em cadeias de doação e redistribuição, eles podem passar por diferentes etapas:

  • produção;
  • armazenamento;
  • transporte;
  • triagem;
  • repreparo.

Nesse percurso, é comum que informações importantes se tornem menos acessíveis ou simplesmente desapareçam. Entre elas:

  • ingredientes utilizados;
  • presença de alergênicos;
  • prazo seguro de consumo;
  • condições adequadas de conservação;
  • orientações de preparo ou reaquecimento;

Isso não significa, necessariamente, que o alimento doado esteja impróprio. Mas significa que quem recebe pode não ter todos os elementos necessários para avaliar com segurança o que está consumindo.

Quando a gratidão silencia as perguntas

https://www.pexels.com/pt-br/procurar/pessoa%20recebendo%20alimento/

Existe um ditado popular bastante conhecido: “a cavalo dado não se olha os dentes.”

No contexto da doação de alimentos, ele ganha um significado mais profundo. Muitas pessoas que recebem esses alimentos estão em situação de vulnerabilidade e, nesses casos, o alimento não é apenas uma escolha, é uma necessidade. E quando a necessidade fala mais alto, o questionamento muitas vezes se cala.

Perguntar sobre ingredientes, validade ou conservação pode parecer inadequado, ou simplesmente inviável. Mas existe um ponto importante aqui e talvez o mais sensível de todos: a ausência de perguntas não elimina a necessidade de informação. Ela apenas revela que quem recebe o alimento nem sempre está em posição de questionar.

O papel de quem doa e de quem organiza doações

Entre quem doa e quem consome, muitas vezes existe uma rede silenciosa de pessoas que organizam, redistribuem e tornam essa ação possível. E é nesse ponto intermediário que a informação pode se perder ou ser preservada.

No Brasil, a Lei nº 15.224/2025 representa um avanço importante ao estruturar uma política nacional voltada à redução do desperdício e ao incentivo à doação de alimentos. Mais do que viabilizar a doação, essa abordagem incentiva a construção de uma cultura de aproveitamento responsável.

A legislação amplia o olhar sobre o tema ao integrar diferentes atores da cadeia (doadores, instituições intermediárias e beneficiários) e reforça que os alimentos destinados à doação devem permanecer próprios para o consumo humano e em conformidade com as normas sanitárias.

Ainda assim, na prática, muitas das informações que ajudam a interpretar essa segurança – como preparo, conservação e composição -, continuam dependendo da forma como o processo de doação é conduzido.

E é aqui que surge uma responsabilidade silenciosa.

Sempre que possível, incluir informações simples pode fazer diferença real, pois em muitos casos, pequenas informações já são suficientes para fazer essa diferença.

  • identificação do alimento;
  • data de preparo ou recebimento;
  • orientações básicas de conservação;
  • recomendações de consumo.

Não se trata de burocratizar a doação. Trata-se de ampliar o cuidado com o alimento doado.

Quando a informação também é parte do cuidado

Em muitos contextos, segurança de alimentos é associada a controles técnicos, tais como temperatura, higiene e processos. E tudo isso é essencial. Mas ao longo desta série de artigos, um outro elemento vem se tornando evidente: a informação também faz parte da segurança.

Sem ela, o consumidor ou quem prepara o alimento perde a capacidade de tomar decisões conscientes. E, no caso do alimento doado, esse efeito pode ser ainda mais sensível. Porque quem recebe nem sempre tem a possibilidade de compensar a falta de informação com perguntas.

Cena final: quando o cuidado se completa

Agora imagine a mesma cena inicial. A mesa sendo organizada e os alimentos sendo separados para distribuição. Mas desta vez alguns recipientes trazem pequenas identificações:

  • nomes das preparações;
  • datas;
  • orientações simples.

Nada complexo, mas suficiente para orientar quem vai manipular aqueles alimentos. Suficiente para reduzir incertezas. Suficiente para transformar um gesto de solidariedade em algo ainda mais completo. O alimento chegou, e desta vez, a informação também.

Porque, no fim, doar alimento é um ato de cuidado. Mas garantir que ele seja compreendido também é.

 Quando o alimento circula, a informação também precisa circular

Ao longo desta série, vimos o alimento percorrer diferentes caminhos: da indústria ao delivery, do restaurante à mesa, e agora, da doação ao consumo.

Em cada um desses trajetos, a informação pode se manter, se transformar… ou se perder. E garantir que ela continue disponível é um desafio cada vez mais relevante.

Porque, no final das contas, segurança de alimentos não é apenas sobre produzir alimentos seguros. É também sobre garantir que as pessoas tenham condições de compreender aquilo que estão consumindo.

No próximo e último artigo desta série, o olhar se amplia. Depois de percorrer diferentes contextos de consumo, surge uma pergunta maior:

Como garantir que a informação acompanhe o alimento ao longo de toda a cadeia alimentar?

Da origem ao consumo, passando por diferentes etapas, sistemas e atores. Porque, quando o alimento viaja, a informação precisa viajar junto.

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O que o caso Ypê revela sobre controle de qualidade e gestão de risco

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Quando uma agência reguladora determina o recolhimento de produtos de uma marca amplamente consolidada no mercado, a discussão vai muito além da retirada de itens das prateleiras. O caso recente envolvendo produtos da marca Ypê trouxe novamente à tona um dos pilares mais importantes da indústria: a fragilidade que falhas em etapas críticas de produção podem representar para a segurança sanitária, para a confiança do consumidor e para a credibilidade construída ao longo de décadas.

A decisão da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada por meio da Resolução nº 1.834/2026, determinou a suspensão da fabricação, comercialização, distribuição e uso de determinados produtos saneantes fabricados pela Química Amparo, incluindo detergentes, lava-roupas líquidos e desinfetantes de lotes específicos com numeração final 1. Segundo a Agência, inspeções identificaram descumprimentos relevantes em etapas críticas do processo produtivo, incluindo falhas relacionadas ao sistema de garantia da qualidade, produção e controle de qualidade, além da possibilidade de contaminação microbiológica.

A repercussão do caso rapidamente ultrapassou o ambiente técnico e chegou ao consumidor final, principalmente porque a marca possui forte presença no varejo brasileiro e faz parte da rotina doméstica de milhões de pessoas. Em situações como essa, o impacto não se limita ao recolhimento em si, mas também atinge diretamente a percepção de segurança, confiança e transparência que o consumidor deposita em um produto.

Ademais, para além da repercussão pública, o episódio traz reflexões importantes sobre gestão de risco e cultura da qualidade dentro da indústria.

Em qualquer segmento regulado, especialmente na fabricação de produtos saneantes, cosméticos, medicamentos ou alimentos, o sistema de qualidade não pode funcionar apenas como exigência documental. Ele precisa ser operacional, contínuo e efetivamente aplicado em todas as etapas da cadeia produtiva. Isso inclui monitoramento microbiológico, validação de processos, rastreabilidade, qualificação de fornecedores, controle ambiental e investigação rápida de desvios.

Falhas em etapas consideradas críticas possuem um peso diferente justamente porque comprometem a capacidade da empresa de garantir estabilidade, segurança e padronização do produto. E, quando essa garantia deixa de ser plenamente sustentada, a atuação regulatória se torna necessária.

É importante destacar que medidas de recolhimento não devem ser interpretadas automaticamente como confirmação de dano ao consumidor. Em muitos casos, elas representam justamente o funcionamento do sistema de vigilância sanitária de maneira preventiva.

O princípio da precaução é uma das bases da gestão de risco sanitário. Diante de possíveis falhas capazes de comprometer a segurança, a prioridade passa a ser interromper a exposição até que a situação seja completamente esclarecida.

Nesse contexto, a atuação da Anvisa possui papel fundamental não apenas como órgão fiscalizador, mas como estrutura de proteção à saúde pública. A identificação de desvios, a suspensão cautelar e a determinação de recolhimento fazem parte das ferramentas regulatórias utilizadas para reduzir riscos e preservar a segurança da população.

Ao mesmo tempo, a forma como a empresa responde a esse tipo de situação também se torna decisiva.

Em comunicado oficial divulgado aos consumidores, a Ypê informou que a medida envolve lotes específicos e reforçou que vem colaborando com as autoridades regulatórias. A empresa também orientou os consumidores a procurarem os canais oficiais de atendimento para identificação dos lotes e procedimentos de troca ou devolução, além de retirada de dúvidas.

Esse ponto é extremamente importante em situações de crise. Transparência e comunicação clara reduzem ruídos, evitam desinformação e demonstram comprometimento com a gestão do problema. Em cenários envolvendo possível risco sanitário, silêncio ou demora na comunicação tendem a gerar impactos ainda maiores do que a própria ocorrência inicial.

Além disso, o caso reforça uma questão frequentemente negligenciada fora do ambiente técnico: a segurança de um produto não depende apenas da formulação. Ela depende de todo o sistema que sustenta sua fabricação.

Um produto pode possuir formulação aprovada, matérias-primas adequadas e processo validado, mas ainda assim apresentar risco caso ocorram desvios em etapas de produção, armazenamento, higienização ou controle microbiológico. É justamente por isso que sistemas de Boas Práticas de Fabricação (BPF) e programas de garantia da qualidade são tão rigorosos.

Na prática, a indústria moderna trabalha constantemente tentando reduzir variáveis capazes de comprometer estabilidade e segurança. Pequenas falhas operacionais podem gerar consequências amplas quando não identificadas rapidamente.

Outro aspecto importante é o impacto desse tipo de ocorrência sobre o varejo e os pontos de distribuição.

Assim que uma determinação de recolhimento é emitida, toda a cadeia precisa responder rapidamente, sendo identificação de lotes, segregação de produtos, retirada da área de vendas, comunicação interna e orientação das equipes. A eficiência dessa resposta é essencial para reduzir a exposição do consumidor e evitar circulação indevida de itens afetados.

Para o consumidor, situações como essa também reforçam a importância de observar comunicados oficiais e verificar corretamente informações relacionadas a lotes e orientações de uso. Em episódios de recolhimento, informações desencontradas costumam circular rapidamente nas redes sociais, muitas vezes ampliando pânico ou gerando interpretações equivocadas. Por isso, a consulta a canais oficiais da Anvisa e da própria empresa é sempre a forma mais segura de obter orientação confiável.

No caso específico da Ypê, a orientação divulgada envolve a verificação dos lotes afetados, identificados pelo número final 1, e a interrupção do uso até esclarecimento completo da situação.

Do ponto de vista técnico, o episódio também serve como alerta para um tema central na gestão da qualidade: sistemas robustos não são construídos apenas para momentos de estabilidade, mas principalmente para detectar falhas antes que elas se tornem eventos de maior impacto.

É justamente aí que entram ferramentas como auditorias internas, monitoramento contínuo, investigação de desvios, validação de limpeza, controle microbiológico e análise de risco. Quando esses mecanismos funcionam adequadamente, aumentam significativamente a capacidade da empresa de identificar problemas precocemente e agir antes que o consumidor seja afetado.

Em um cenário de mercado cada vez mais exposto e conectado, a gestão da qualidade deixou de ser apenas uma exigência regulatória. Ela se tornou também um fator de reputação.

Hoje, consumidores observam não apenas o produto final, mas a forma como marcas lidam com crises, assumem responsabilidades e comunicam riscos. A credibilidade não está ligada à ausência absoluta de falhas, algo praticamente impossível em sistemas complexos, mas à capacidade de responder de maneira rápida, transparente e tecnicamente responsável quando elas acontecem.

Casos como esse mostram que segurança sanitária é um processo vivo, sustentado diariamente por monitoramento, prevenção e tomada de decisão técnica. E reforçam algo essencial para qualquer segmento regulado, qualidade não pode existir apenas no discurso, nos documentos ou durante auditorias. Ela precisa estar presente na rotina operacional, em cada etapa do processo e em cada decisão tomada ao longo da cadeia produtiva.

No fim, episódios de recolhimento também cumprem um papel importante de aprendizado coletivo. Eles lembram que sistemas regulatórios, controle de qualidade e gestão de risco existem justamente para reduzir danos, aumentar a segurança e fortalecer a confiança entre indústria, varejo e consumidor. Em segurança sanitária, a credibilidade de uma marca não é construída apenas quando tudo funciona perfeitamente, mas principalmente na forma como riscos são identificados, comunicados e gerenciados.

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Como a IA ajuda na auditoria?

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Responder à pergunta do título (Como a IA ajuda na auditoria?) exige sair da visão limitada de que auditoria é apenas um evento periódico.

A inteligência artificial está reposicionando a auditoria como um processo contínuo, baseado em dados, e não mais como uma fotografia pontual de conformidade e sim um filme atual, de maneira “phygital” (ou “figital”) que é a combinação de físico + digital, ou seja, experiências que integram o mundo real com tecnologias digitais de forma fluida.

Na prática, a IA já começa a atuar na preparação da auditoria, organizando grandes volumes de dados, identificando lacunas e estruturando evidências. Esse movimento acompanha uma transformação maior: a digitalização dos sistemas de gestão está criando novos modelos de auditoria, com impacto direto não apenas nas organizações certificadas, mas também em toda a cadeia de fornecedores.

Esse avanço não é teórico. A própria FSSC 22000 já incorporou o uso de inteligência artificial em decisões estratégicas, como evidenciado na lista de decisão do Board of Stakeholders # 8, de setembro de 2025, que foi incluído na versão 7 para os processos de certificação nos OC’s e nas organizações certificadas (ver item 9 da parte 4 do esquema FSSC v.7). Isso afetará tanto os Organismos de Certificação quanto as empresas certificadas, consolidando a IA como parte integrante dos processos de certificação.

Com o uso crescente de IA, surge uma mudança estrutural: o compartilhamento de informações ao longo da cadeia. Não se trata mais apenas de apresentar certificados válidos. Partes interessadas, especialmente varejistas, querem entender o que está por trás deles — incluindo não conformidades, tendências e riscos.

Isso cria um novo paradigma: a confiança deixa de ser baseada apenas na certificação e passa a ser construída pela transparência dos dados.

No entanto, essa abertura traz um dilema relevante. Até que ponto as informações devem ser compartilhadas? Como equilibrar transparência com confidencialidade e segurança da informação?

A resposta não está em restringir dados, mas em amadurecer a governança sobre eles. É necessário “abrir a cabeça” para um modelo onde:

  • mais dados são compartilhados,
  • mais análises são realizadas e;
  • melhores decisões de risco são tomadas.

Ao mesmo tempo, critérios claros devem definir o que pode ou não ser disponibilizado, garantindo proteção estratégica sem comprometer a confiança do ecossistema.

Apesar de todo o potencial, o uso da IA precisa ser priorizado de forma pragmática. A sequência lógica de implementação é clara:

  • primeiro, estruturar a base de dados, padronizando registros — especialmente monitoramento ambiental e dados de processo;
  • em seguida, aplicar IA para análise de tendências, onde está o maior ganho real e o retorno mais rápido;
  • depois, utilizar IA na preparação de auditorias e checklists inteligentes, reduzindo não conformidades básicas;
  • por fim, automatizar relatórios, trazendo eficiência operacional — mas sem confundir isso com melhoria do sistema.

Essa ordem importa. Pular etapas leva a sistemas sofisticados com dados ruins — e decisões piores.

O que vem pela frente: evolução das normas e novas prioridades

Nos próximos dois anos, a evolução das normas e esquemas de certificação deve se concentrar em temas que ampliam o escopo tradicional da segurança de alimentos:

  • Integração com ESG;
  • Gestão de resíduos, especialmente embalagens;
  • Valorização das pessoas e fortalecimento da cultura organizacional;
  • Alinhamento com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS);
  • Investimento em digitalização para qualificar a gestão de dados.

Essa agenda reforça que qualidade e segurança de alimentos deixam de ser áreas isoladas e passam a atuar como pilares estratégicos do negócio.

A transformação também traz riscos relevantes. Um dos mais críticos é a escassez de auditores qualificados, impulsionada pela aposentadoria de profissionais experientes. Isso pode comprometer a consistência das auditorias e, consequentemente, a confiança no sistema de certificação.

Além disso, há desafios como:

  • Falta de alinhamento entre os diferentes elos da cadeia;
  • Visão limitada à indústria, sem considerar o ecossistema completo;
  • Sobrecarga e impacto na saúde mental dos profissionais envolvidos.

Ignorar esses fatores compromete não apenas a conformidade, mas a credibilidade de todo o sistema.

Por outro lado, surgem oportunidades importantes. Programas de desenvolvimento voltados para pequenas e médias empresas tendem a ganhar força, elevando o padrão da cadeia como um todo. Da mesma forma, iniciativas para harmonizar critérios entre certificadoras podem aumentar a consistência e a confiança nos processos.

Conclusivamente, além das normas, uma mudança de mentalidade. Mais do que uma evolução normativa, o que está em curso é uma mudança de lógica. A auditoria deixa de ser um fim em si mesma e passa a ser parte de um sistema maior, orientado por dados, transparência e tomada de decisão baseada em risco.

A IA não substitui o julgamento humano, mas amplia sua capacidade. E as organizações que entenderem isso primeiro não apenas estarão em conformidade, estarão à frente na construção de uma cadeia de alimentos mais confiável, resiliente e alinhada às demandas globais.

Não dá para ficar preso em requisito de checklist que se atualiza demoradamente, vamos para smart standard, nuvem de qualidade e metrológica, certificado de calibração digital, inspeção remota, sensorialmente remoto para predição dos problemas deixando o risco imaterializável, interação de compliance… não dá para tratar o mundo digital de forma analógica! E o consumidor deve ficar melhor informado e mais atento, pois a decisão é humana (“Human in the loop” – HITL)!

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Quando a liderança se torna o maior risco para a segurança dos alimentos

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As normas reconhecidas pela Global Food Safety Initiative (GFSI) são claras ao estabelecer que “a alta direção deve demonstrar comprometimento ativo com o Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos (SGSA), garantindo recursos, promovendo uma cultura de segurança de alimentos e assegurando que responsabilidades e autoridades estejam definidas e comunicadas”. Além disso, reforçam que a liderança deve ser exemplo, promovendo comportamentos que sustentem essa cultura no dia a dia.

De acordo com os requisitos das normas de segurança de alimentos, a liderança possui responsabilidades e competências para tomar decisões que podem impactar diretamente o SGSA.

No entanto, o que acontece quando a própria liderança é incapaz de agir de forma preventiva, evitando problemas e riscos significativos? Ou quando minimiza situações que podem comprometer a segurança dos alimentos?

Muitas não conformidades têm como causa-raiz falhas nas decisões da liderança, ausência de investimentos adequados ou, em alguns casos, ações voltadas apenas “para inglês ver”, com o objetivo de atender auditorias, sem priorizar de fato a cultura de segurança de alimentos.

Em diversas organizações, ao se analisar as causas-raízes de não conformidades, percebe-se que muitas delas não estão relacionadas diretamente a falhas operacionais. São problemas que poderiam ser evitados, mas que esbarram na autoridade maior — seja um líder de setor, gerente ou até mesmo o diretor da empresa — que, ao invés de apoiar e disponibilizar recursos, os restringe ou ignora o problema, justificando com argumentos como custo elevado ou adiamento de prioridades.

Esse cenário limita equipes que, muitas vezes, estão engajadas e focadas na prevenção e solução de problemas, mas não possuem autonomia ou suporte suficiente para agir. Como consequência, quando as não conformidades se concretizam, a responsabilidade recai sobre aqueles que tinham menor poder de decisão para evitá-las.

Outro ponto crítico é a falta de responsabilidade da liderança. Em muitos casos, não há disposição para assumir as consequências das próprias decisões. E, por mais competente que seja, não existe Equipe de Segurança de Alimentos (ESA) capaz de compensar uma liderança que não está comprometida. Segurança de alimentos não se sustenta com esforços isolados — ela depende, essencialmente, de direcionamento estratégico.

Enquanto a prioridade de muitas lideranças estiver centrada exclusivamente em lucro, volume de produção ou outros objetivos de curto prazo, relegando a segurança de alimentos a segundo plano, a organização estará vulnerável. Mais cedo ou mais tarde, essa negligência se traduzirá em falhas, riscos à saúde do consumidor e prejuízos à reputação da empresa.

Dessa forma, é fundamental que todos os ocupantes de cargos de liderança — incluindo gestores e proprietários — tenham consciência de que suas decisões são determinantes para o sucesso ou fracasso do SGSA. São essas decisões que podem garantir a eficácia do sistema ou comprometer todo o esforço construído pelas equipes.

É possível que você, leitor, esteja se identificando com a realidade aqui descrita. Mas como mudar esse cenário? Um caminho importante é a sensibilização da liderança por meio de dados concretos, indicadores de desempenho, análises de risco e demonstração de impactos financeiros e reputacionais decorrentes de falhas na segurança de alimentos.

Mostrar resultados positivos também é essencial, evidenciando que investir em segurança de alimentos não é custo, mas proteção e valor para o negócio.

Outro ponto relevante é envolver a liderança nas análises críticas e nas discussões de causa-raiz, ampliando a visão de que nem toda não conformidade tem origem operacional. Muitas vezes, decisões estratégicas — como restrição de recursos, adiamento de investimentos ou definição de prioridades — estão diretamente relacionadas à recorrência de problemas. Ao promover esse tipo de reflexão, a área de qualidade deixa de atuar apenas de forma reativa e passa a exercer um papel mais estratégico dentro da organização.

E fica a reflexão: em sua organização, as não conformidades são tratadas apenas como falhas operacionais ou existe espaço para analisar criticamente decisões da liderança que possam estar na origem desses problemas?

Leia também:

https://foodsafetybrazil.org/virei-meu-proprio-chefe-e-agora-com-quem-eu-brigo-sobre-food-safety/

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Do papel à prática: aplicando o novo Guia de Cultura da GFSI

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Se não traduzirmos esta imagem em comportamentos, vira só “quadro de parede”. Daí a questão:  como virar prática no chão de fábrica e na gestão, sem gerente só cobrando volume e operador pulando etapas?

Os fundamentos da cultura organizacional devem focar a segurança de alimentos explicitamente na missão, com KPIs de diretoria incluindo food safety e não somente custo/produção e ter evidências concretas das decisões de qualidade. Aqui, o pilar Adaptabilidade e Melhoria Contínua, junto com missão, visão e valores da organização, consideram que o desvio gera melhoria, não só correção, com revisão de processo após incidente e indicadores de tendência, não apenas resultado pontual a ser tratado pela “liderança de topo”. Como exemplo, a empresa fraca diz: “produza assim mesmo e depois ajustamos” e o KPI de diretoria é o volume entregue. Já empresa com cultura: pare a linha, ajuste higienização/setup e assuma o atraso.

Sobre pessoas, o treinamento deve ter avaliação real, com operador empoderado que pode parar linha de produção, sem punição; e com a liderança cobrando comportamento, não só resultado. Treinamento baseado em risco real (ex.: contaminação cruzada), simulações práticas (recall, crise, desvio) e avaliação comportamental (não só prova teórica). Cada área tem dono de riscos, não pode ser “a qualidade resolve”. Os desvios têm responsável + prazo + consequência e na auditoria interna com cobrança real (sem “passar pano”).

Para consistência os padrões operacionais seguidos sem variação por turno (funciona igual dia e noite? Auditor presente ou não?), checklists validados e não preenchidos depois e com a mesma regra para todos, inclusive as gerências. A conscientização sobre riscos engloba se o operador sabe “o que pode dar errado aqui”, os pontos críticos visíveis na área e com reuniões diárias rápidas sobre riscos.

O ambiente de trabalho deve ter leiaute que evite cruzamento (cru x pronto), pressão por produção não pode gerar atalhos e recursos disponíveis (EPIs, utensílios, tempo). Se isto tudo não estiver acontecendo, teremos então:

  • treinamento sem mudança de comportamento = cultura fraca;
  • desvio repetido = sem aprendizado;
  • produção manda mais que qualidade = cultura falsa;
  • indicador sem ação = gestão decorativa.

Implemente indicadores de cultura como: % desvios recorrentes, tempo de resposta e adesão a procedimentos; Gemba real com a liderança indo à área ver comportamento, tendência de desvios via gráfico mostrando evolução e evidência de decisão difícil que é parar produção por risco.

Que tal podermos dizer e fazer assim:

Em nossa cultura, desvio não é evento a ser corrigido — é gatilho obrigatório de melhoria sistêmica, com decisão sustentada pela liderança e evidência em indicadores de tendência.

Bravo!

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Treinamos em segurança dos alimentos e nada muda? Psicologia ambiental

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Você já percebeu que, na indústria, cada vez há mais treinamentos em segurança dos alimentos e… algumas vezes continuamos corrigindo os mesmos desvios?

Boas Práticas de Fabricação são apresentadas, reforçadas, recicladas, integrações são feitas, listas de presença assinadas, conteúdos revisados. Do ponto de vista formal, tudo acontece como deveria. Ainda assim, na rotina, o comportamento insiste em não acompanhar.

O colaborador sabe que precisa higienizar as mãos, sabe como manipular corretamente, já ouviu mais de uma vez muitas informações sobre contaminação cruzada. Mesmo assim, em algum momento, ele adapta, simplifica ou simplesmente não executa a tarefa como foi orientado?

Talvez o problema não esteja na falta de treinamento, nem na qualidade do conteúdo. Pode estar na forma como estamos entendendo o próprio comportamento dentro da operação.

A psicologia organizacional já aponta isso há décadas. Nesse ponto trago uma referência: Kurt Lewin, um dos principais nomes dessa linha. Ele sintetizou uma ideia de forma simples e direta:

O comportamento é função da pessoa e do ambiente.

Essa frase muda completamente a forma de olhar para o problema. Porque, se o comportamento depende não apenas do indivíduo, mas também do ambiente, então não basta treinar melhor, é preciso olhar para o contexto onde esse comportamento acontece.

Na prática, grande parte dos treinamentos ainda parte de uma lógica de transmissão: alguém explica, alguém escuta e espera-se que, a partir disso, o comportamento mude. Porém, no ambiente real da operação, o que prevalece não é o que foi dito, é o que faz sentido dentro da rotina, da pressão e das condições em que o trabalho acontece.

E aqui surge um ponto crítico: segurança de alimentos não é conhecimento declarado, é comportamento repetido, sustentado mesmo quando ninguém está olhando.

  • Se o ambiente não favorece esse comportamento, ele não se sustenta.
  • Se a rotina empurra para atalhos, o padrão se perde.
  • Se o processo não conversa com a realidade, ele deixa de existir na prática.

Por isso, não é raro ver colaboradores que “sabem” exatamente o que fazer, mas não fazem, não por falta de informação, mas porque o ambiente não sustenta a execução daquilo que foi aprendido.

Treinar, nesse cenário, vira um evento, mas segurança de alimentos não acontece em eventos, acontece na rotina.

Talvez seja esse o ponto que precisamos revisitar. Não se trata de treinar mais, nem de treinar melhor, no sentido tradicional. Trata-se de garantir que o ambiente esteja alinhado com aquilo que foi ensinado a ponto de sustentar o comportamento mesmo diante da pressa, da repetição e das adaptações do dia a dia.

Porque, no fim, a pergunta não é se o colaborador participou do treinamento; é se ele consegue agir de forma diferente quando volta para o ambiente onde tudo continua igual.

E talvez seja por isso que, mesmo entendendo o problema, tantas organizações têm dificuldade em mudar esse cenário, como provocava Kurt Lewin:

Se você realmente quer entender algo, tente mudá-lo.

Mudar, nesse caso, vai muito além do conteúdo. Mudar passa, necessariamente, pelo ambiente onde o comportamento acontece.

Leia também: 

PNL e treinamentos em segurança de alimentos: como transformar obrigação em engajamento

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