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Doenças transmitidas por alimentos que deixaram sequelas graves – casos reais

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No meio das possibilidades que vão de um breve mal-estar até morte, existe uma categoria de doenças transmitidas por alimentos que deixam sequelas graves, afetando a qualidade de vida de suas vítimas. Vamos à algumas histórias:

CASO 1: Jovem de 20 anos contrai E. coli e luta para andar novamente

Stephanie Smith shops at Teals Market in Cold Spring, Minn., on Tuesday, August 11, 2009. (Ben Garvin for the Times)
Stephanie Smith shops at Teals Market in Cold Spring, Minn., on Tuesday, August 11, 2009. (Ben Garvin for the Times)

A jovem Stephanie Smith, dos Estados Unidos, tinha 20 anos e era professora de dança para crianças quando ingeriu num churrasco de família um hambúrguer contaminado com E. coli em 2007. Após a ingestão da bactéria, a jovem desenvolveu anemia hemolítica, uremia (insuficiência renal aguda), tendo ficado 9 meses internada em hospital, incluindo mais 3 meses de coma induzido para prevenir convulsões. Também ficou paralisada e fez inúmeras sessões de fisioterapia, para ganhar forças e tentar andar novamente sem a necessidade de cadeira de rodas.

A ligação da doença de Stephanie com o hambúrguer foi por acaso, principalmente porque ela praticamente não come carne e porque a tia dela ainda tinha alguns hambúrgueres congelados, da mesma marca e data de fabricação que aqueles que tinham sido consumidos. A mãe de Stephanie havia pensado inicialmente que a contaminação tinha sido dada pelo consumo de espinafres, alimento regular na dieta da filha, que naquela época também tinham sido relacionados a um surto de E. coli. No entanto, as análises apontaram que a cepa de E. coli que infectou Stephanie era geneticamente idêntica a outra que também tinha aparecido em outros casos de contaminação relacionados ao mesmo hambúrguer.

As investigações apontaram que a contaminação ocorreu num hambúrguer fabricado pela Cargill e distribuído e vendido nas lojas do Sam’s Club, da rede Walmart, já que os outros casos também estavam ligados exatamente ao mesmo lote de hambúrguer. Stephanie teve a reação mais extrema e grave de todos os consumidores afetados. O lote foi todo rastreado, e tinha sido fabricado com carne de diversos abatedouros (incluindo de outros países), sendo difícil determinar exatamente em qual ponto ocorreu a contaminação. A Cargill havia feito análise do produto acabado, mas não havia análise de todos os lotes de matéria-prima (faltou o certificado da carne comprada no Uruguai). Além disso, a investigação apontou que a equipe de qualidade da Cargill havia feito auditorias nos fornecedores, e que em alguns deles, havia falhas graves de higiene e segurança de alimentos, mas a comunicação interna foi insuficiente, o problema não chegou à direção da empresa e nenhuma ação foi tomada. As autoridades americanas e canadenses (o produto também foi distribuído no Canadá) também demoraram a alertar o público. A Cargill teve que recolher cerca de 380 toneladas de produtos e arcar com milhares de dólares no tratamento dos consumidores doentes, incluindo as sessões de fisioterapia de Stephanie e seu tratamento hospitalar. E é provável que Stephanie ainda necessite de transplantes, hemodiálise e outros cuidados durante a sua vida.

 

CASO 2: Menina australiana de 7 anos fica tetraplégica e sem capacidade de fala após ingerir refeição contaminada com Salmonella

Monica Samaan, uma menina saudável de 7 anos vivendo num subúrbio de Sydney, entrou em coma durante 6 meses, teve o cérebro profundamente afetado e acabou ficando tetraplégica e sem capacidade de fala após ingerir um lanche de frango da rede KFC contaminado com Salmonella. O caso ocorreu em 2005. Os pais de Monica e um irmão também comeram o mesmo lanche, tiveram diarreia e vômitos, porém se recuperaram rapidamente. Monica hoje tem quase 15 anos, e é completamente dependente de cadeira de rodas e dos cuidados de seus pais e irmãos, e de acordo com os médicos, os danos ao sistema nervoso foram tão profundos que ela não será capaz de falar novamente ou de se mover. A família de Monica entrou com um processo contra o KFC, no valor de 8 milhões de dólares australianos (cerca de 17 milhões de reais), alegando que a contaminação no lanche provocou todos os danos à filha. Após ouvir os depoimentos de todas as partes em abril de 2012, um juiz de Sydney ordenou o pagamento daquele valor como indenização e ressarcimento de todas as despesas que a família de Monica teve com os tratamentos, bem como toda a adaptação da casa e os cuidados que serão necessários até o fim da vida dela. O pai de Monica teve que pedir demissão do emprego para poder ajudar a cuidar da filha. O KFC entrou com recurso, alegando que a família não tinha como comprovar que comeu o lanche e que ficou doente em função dele, e que as lojas possuem o mais alto grau de higiene. Em setembro de 2012, Monica e sua família reencontraram o KFC no tribunal mais uma vez, e os depoimentos apontaram que a loja onde o lanche foi adquirido não apresentava condições adequadas de higiene e segurança de alimentos. Alguns funcionários admitiram que os produtos nem sempre eram manipulados com as mãos limpas ou com luvas e que os produtos que caíam no chão também eram reaproveitados. O KFC alegou “falha na consideração de evidências” e “erro nas constatações factuais por parte do juiz”, além de pesos equivocados dados a certas evidências. Ainda não existe um desfecho para este triste caso. A família de Monica aguarda o pronunciamento do juiz após o recurso do KFC.

 

Mais informações:

http://www.nytimes.com/2009/10/04/health/04meat.html?pagewanted=all

http://www.foodpoisonjournal.com/food-poisoning-watch/stephanie-smith-remains-in-a-wheelchair-fighting-to-walk-and-dance-once-again-she-ate-an-e-c/#.UPloKCd9KSp

http://www.huffingtonpost.com/2012/09/19/monika-samaan-kfc-lawsuit-brain-damage-salmonella_n_1897019.html

http://www.thesun.co.uk/sol/homepage/news/4282773/5million-compo-for-KFC-chicken-Twister-poisoning-of-wheelchair-bound-Monika-Samaan.html

 Leia também o post:

Doenças transmitidas por alimentos podem ter consequências por toda a vida

 

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Doenças transmitidas por alimentos podem ter consequências por toda a vida

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Entre os dois extremos: ter uma indisposição gastrointestinal passageira e morrer por ingestão de um alimento contaminado, há um universo de sequelas pouco relatadas no Brasil. 

Estudos realizados pela Scientific American mostraram que pessoas que foram afetadas por algum surto de DTA têm maiores chances de desenvolver sequelas e outras doenças para o resto da vida: diabetes, insuficiência renal, artrite, hipertensão e até mesmo ataques cardíacos e derrames.

Algumas delas, tais como danos aos rins causados por toxinas liberadas pelos microrganismos e artrite desencadeada por uma resposta imunológica defeituosa, ocorrem em algumas semanas. Outras, como aumento da pressão sanguínea, podem levar anos para aparecer.

Especialistas dizem que a chance desta ligação entre uma DTA e as doenças crônicas já citadas ser coincidente é remota, e esperam que maiores ações sejam tomadas no sentido de identificar vítimas de DTAs e monitorar a saúde delas em longo prazo. Outros dizem que a prevenção é a chave de tudo – e um manuseio adequado, higiene e segurança dos alimentos diminuiriam o número de casos de DTA e consequentemente, o número de afetados que desenvolvam doenças crônicas e complicações para o resto da vida.

Aproximadamente 90 mil casos de intoxicação e infecção alimentares são registrados a cada ano na Inglaterra e no País de Gales. No entanto, o número real provavelmente está mais próximo de 1 milhão, uma vez que a grande maioria das vítimas não procura o serviço de saúde e não fornecem amostras para serem compiladas nas estatísticas oficiais. No Brasil, este número é obscuro, pois temos falhas muito sérias no registro e comunicação de DTAs, até mesmo por parte dos médicos, além dos problemas de falta de acesso ao serviço de saúde ou então o chamado “tratamento caseiro”, que nunca são contabilizados. Não temos estatísticas confiáveis.

As bactérias causadoras de DTAs que estão mais comumente ligadas a sequelas e problemas crônicos são E. coli, normalmente associada ao consumo de carne bovina mal passada, incluindo hambúrguer e carne picada / moída; Campylobacter, encontrada em carnes cruas ou mal cozidas, em especial no frango e Salmonella, encontrada em ovos, carnes e leite. Apesar de que em alguns casos elas podem ser fatais, a maioria das pessoas afetadas se recupera em poucos dias.

Os estudos ligaram E. coli a falência renal e diabetes; Campylobacter foi relacionada a problemas intestinais e desenvolvimento da síndrome de Guillain-Barre, uma condição potencialmente fatal em que o sistema imunológico da vítima ataca os próprios nervos, causando atrofia muscular e paralisia; Salmonella foi relacionada a uma das formas de artrite. É bastante assustador imaginar que uma DTA, que geralmente dura apenas alguns dias, pode nos causar efeitos posteriores e complicações crônicas, para o resto das nossas vidas. Pensava-se que a incidência de tais sequelas era baixa, mas até então poucos pesquisadores tinham estudado estes problemas, até os dias de hoje. O fenômeno parece ser muito mais comum do que se imaginava.

É recomendável que as pessoas que tenham sido afetadas por E. coli O157:H7 façam checkups regulares da pressão sanguínea e das funções renais. Porém, a prevenção continua sendo a ação mais importante, já que não podemos fazer muita coisa para reduzir as complicações, porém antes de tudo podemos evitar a exposição ao microrganismo.

A grande maioria das pessoas não irá sofrer as consequências, mas uma pequena parte sim. É por isso que é essencial reduzir o número de DTAs. As regras de ouro que sempre comentamos por aqui – lavar as mãos, cozinhar bem os alimentos e evitar contaminações cruzadas entre carnes cruas e outros alimentos – continuam sendo o grande “remédio” para a prevenção.

 

Fonte: http://www.dailymail.co.uk/health/article-2117948/Food-poisoning-lifelong-consequences-bugs-linked-host-illnesses.html

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Aspectos microbiológicos dos ovos para consumo

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RESUMO

Os ovos são amplamente utilizados na culinária nacional, principalmente por seu baixo custo e elevado valor nutricional. Entretanto, muitos surtos de doenças veiculadas por alimentos têm como origem os ovos e seus derivados contaminados por micro-organismos patogênicos antes ou após sua postura pelas aves. Tendo em vista a importância dos ovos na alimentação humana o presente trabalho teve por objetivos realizar um estudo sobre os aspectos microbiológicos dos ovos de consumo abordando os principais micro-organismos envolvidos e sua importância para o ser humano. Foi observada uma grande variedade de micro-organismos sendo a Salmonella enteritidis a de maior relevância. Concluindo que apesar das barreiras naturais do ovo a contaminação pode ocorrer; portanto, é importante garantir um manejo adequado deste produto a fim de evitar a sua contaminação e possível transmissão de doenças.
Palavras-chaves: Contaminação. Patógenos. Manejo. Segurança dos alimentos.
Rev. Higiene Alimentar, vol. 26, n. 204/205, p. 73-77, Janeiro/Fevereiro 2012.

Natália Ferreira Simão,  Alfredo Tavares Fernandez

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Amendoim x Salmonella – de novo???

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Quando você ouve a palavra amendoim, o que você pensa?
Muitos diriam pasta de amendoim, eu diria micotoxinas, mas certamente, nos últimos dias a FDA diria salmonela.
A associação de amendoim com micotoxinas vem desde 1960, com o fato que ficou conhecido como “Turkey x Disease”, quando um surto de mortes de aves, principalmente de perus. Descobriu-se mais tarde que as mortes foram causadas pela ingestão da ração dos animais que era feita à base de amendoim. Este amendoim estava contaminado com uma substância fluorescente, produzida pelo fungo Aspergillus flavus, descobrindo-se então a Aflatoxina e é claro, as micotoxinas.
A Sunland Inc., empresa cuja a manteiga de amendoim gerou um surto de salmonela que deixou doente 41 pessoas este ano, tem um histórico de problemas de saneamento que datam de 2003, de acordo com relatórios divulgados quarta-feira (14/11/2012).
Inspetores da Food and Drug Administration (FDA) dos EUA observou uma série de condições insalubres na fábrica da empresa de processamento de manteiga de amendoim, entre 2003 e 2011, revelam os documentos publicados recentemente. Durante a sua investigação na sequência do surto de salmonela este ano, a FDA descobriu que a empresa havia distribuído amendoim e manteiga de amendoim com teste positivo para salmonela em um total de 21 vezes desde 2009.
Durante a inspeção pós-surto, as autoridades de saúde encontraram salmonela em quatro amostras de produto acabado de manteiga de amendoim e uma amostra de amendoim cru sem casca. Duas das estirpes encontradas na manteiga de amendoim são conhecidos como sendo Salmonella Bredeney. Os sorotipos dos outros três ainda estavam sendo analisados quando o relatório foi lançado.
Os testes também revelaram resquícios de Salmonella em 23 amostras de esfregaço de equipamentos de processamento e piso na planta do processo de manteiga de amendoim.Três delas foram S. Bredeney, nove eram outras cepas, e o resto ainda têm de ser analisados, de acordo com o relatório.
Os inspetores observaram uma “falta de controle de fabricação necessários para minimizar o potencial crescimento de microrganismos e contaminação,” em sua inspeção pós-surto, realizada entre 17 de setembro e 16 de outubro de 2012.
Um total de nove outras violações também foram registradas. Entre os problemas que conduzem estas citações foram:
– Equipamentos de processamentos e linhas de embalagens não foram adequadamente limpos;
– As superfícies onde o produto seco é processado estavam úmidas;
– A construção de alguns equipamentos de processamento não permitiam a limpeza adequada;
– Algumas superfícies de contato com alimentos são desiguais, uma condição que permite o acolhimento de patógenos;
– Foi observado que os funcionários não lavavam as mãos antes de manusear o produto, e não era forncedias as instalações adequadas de lavagem de mão.
? Amendoim em casca eram armazenados em recipientes abertos, onde estavam vulneráveis à contaminação;
? O produto não era adequadamente protegido de pragas;
Em um exemplo, fezes de aves foram observadas em um palete de recipientes de manteiga de amêndoa.

Um histórico de problemas de saneamento

Relembrando relatórios de inspeção dos anos anteriores, os mesmos mostraram que esta não foi a primeira vez que a Sunland foi encontrada operando sob condições insalubres. Na verdade, foi a quinta vez em seis anos.
Em 2007, os inspetores descobriram que os funcionários não lavavam as mãos ou os equipamentos de higienização adequadamente, nem dispunham de locais de lavagem de mãos adequados disponível. Buracos foram encontrados tanto nas parede e os equipamentos de fabricação dos produtos eram armazenados em recipientes que não os protegiam de pragas.Um total de seis violações foram citadas no relatório emitido pela FDA para a empresa, pós-inspeção.
A FDA também encontrou salmonela em uma amostra feita a partir da porta de acesso à sala do moedor. As 60 amostras de outras tomadas da instalação deram resultados negativos.
Neste relatório de 2007, a FDA menciona uma inspeção realizada em 2003, no qual cinco violações foram relatadas. Duas delas não tinham sido corrigidas no momento da inspeção de 2007, de acordo com o documento. Estas incluíam o controle de pragas inadequado e partes do edifício em ruínas.
A FDA visitou a fábrica em 2009 e apenas duas das seis violações observadas em 2007 tinham sido corrigidas. Os problemas contínuos, incluindo um fracasso para minimizar o riscos de crescimento microbiano, falha em minimizar os riscos de contaminação na lavagem das mãos e incapacidade de programa integrado contra pragas.
Uma amostra ambiental tomadas durante esta inspeção em 2009, mostrou teste positivo para salmonela.
No ano seguinte, outra inspeção revelou que a empresa ainda não estava tomando as precauções adequadas contra a contaminação ou pragas. Os problemas anteriores parecem ter sido corrigidos, no entanto, os pisos ainda foram encontrados em condições precárias, os trabalhadores do sexo masculino não estavam usando proteção de barba e equipamentos não eram construídos de modo a evitar a adulteração do produto.
Finalmente, em março de 2011, a FDA realizou sua última inspeção na planta da empresa antes do surto deste ano, que começou em junho e durou até setembro. Durante essa visita, os inspetores encontraram duas violações em instalações da empresa: 1) amendoins em casca estavam sendo armazenados desprotegidos contra a contaminação, e 2) inadeuqdas medidas de prevenção de pragas persistiam.
A empresa Sunland relatou em uma carta datada de 13 de abril de 2011, que tinha tomado medidas para corrigir os problemas. A empresa respondeu a FDA com outras semelhantes após as inspeções de 2009 e 2010.

História repetida?

Os resultados desta investigação são estranhamente parecidos com o da Peanut Corporation of America, na sequência do surto de salmonela devastador de 2008-2009 ligadas a produtos de amendoim dessa empresa.
Assim como os produtos da Sunland enviados para testes apresentaram resultados positivos para salmonela, os executivos da APC teria ordenado amendoim para ser enviado para processadores após testes internos terem detectado salmonela em amostras de nozes.
Pelo menos 700 pessoas ficaram doentes pelo surto e nove morreram como resultado de suas infecções.
Vítimas do surto da APC e suas famílias entraram com acusações criminais contra Stewart Parnell, ex-CEO da empresa, que teria enviado um e-mail para o seu gerente de fábrica sobre os amendoins contaminados, ordenando-lhe para “deixá-los soltos.”
A Portales Sunland, em New México e plantas de manteiga de amendoim foram fechadas depois que autoridades de saúde ligados a empresa com surtos de salmonela Bredeney em setembro. Até agora, a empresa ainda tem de retomar as operações.

Referências: 

 http://www.microbiologia.vet.br/micotoxinas.htm

 http://www.foodsafetynews.com/2012/11/long-history-of-health-violations-at-peanut-co-linked-to-salmonella-outbreak/

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Suscetibilidade aos antimicrobianos em enterococos e salmonelas isolados de carcaças de frango congeladas comercializadas no Brasil

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 Relatório do Monitoramento da prevalência e do perfil  de suscetibilidade aos antimicrobianos em enterococos e salmonelas isolados de carcaças de frango congeladas comercializadas no Brasil

Confesso que não tinha conhecimento deste relatório publicado em 2008, nem da gravidade de seu conteúdo. Trata-se do relatório do Programa Nacional de Monitoramento da Prevalência e da Resistência Bacteriana em Frango, elaborado pela ANVISA.  Antimicrobianos são utilizados na criação de aves com o propósito de aumento de peso, daí serem conhecidos como promotores de crescimento. O uso indiscriminado desses promotores de crescimento pode trazer sérias conseqüências à Saúde Pública, pois favorecem ao desenvolvimento de resistência bacteriana que repercute no âmbito do tratamento humano. Em outras palavras, super bactérias podem se tornar invencíveis perante antibióticos utilizados para a cura de infeções.

Seguem trechos do relatório:

“Isolou-se Salmonella spp em 4% das amostras, que embora seja um nível relativamente baixo de positividade pode representar risco à saúde humana. Por outro lado, houve elevada positividade de Enterococcus sp (próxima a 100% nas análises realizadas em meios sem vancomicina). Todavia, o dado mais preocupante refere-se ao alto grau de resistência encontrado. Por exemplo, no caso das espécies de Salmonella, a totalidade das cepas apresentou resistência a uma ou mais drogas.

Tanto em relação a salmonelas quanto aos enterococos, resistência cruzada foi observada entre drogas de última geração de uso exclusivo veterinário, com aquelas empregadas na clínica humana, provavelmente relacionada ao emprego de antimicrobianos nos animais, com finalidades terapêuticas, profiláticas ou como promotores do crescimento. Os elevados percentuais de resistência aos antimicrobianos nas cepas analisadas alertam para uma condição de risco à saúde pública,tendo em vista as possíveis implicações no tratamento de quadros clínicos graves de salmonelose.

Os dados do PREBAF mostram uma elevada positividade de Enterococcus sp, próxima de 100% nas
análises realizadas em meio sem vancomicina.

Em virtude dos resultados obtidos no Programa, o relatório aponta para necessidade de se prosseguir com os estudos do PREBAF para ampliar a pesquisa de clones multirresistentes aos antimicrobianos, a fim de comparar linhagens bacterianas presentes nas cepas isoladas no PREBAF e isoladas na clínica humana.

Saiba mais no portal da ANVISA.

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Melões e patógenos – o que está acontecendo?

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Já foi o tempo em que a preocupação com a contaminação por patógenos passava longe do universo das frutas frescas. Um artigo da Food Safety News destaca que não é um “problema com cantaloupe”  e sim um “problema de manipulação”. Com o recente surto de Salmonella typhimurim em melão, além do já comentado caso de Listeria monocytogenes na mesma fruta, decidimos conversar com a pesquisadora científica em microbiologia do ITAL, Dra Neliane Ferraz Silveira, para nos explicar o que está acontecendo.
Primeiro foi a L. monocytogenes. Agora a S.typhimurium, dois patógenos de ocorrência inédita nesta fruta. O que está acontecendo?
Os melões sãoo cultivados diretamente no solo, dessa forma, os perigos biologicos são os mesmos do solo onde estao sendo cultivados;Tanto a Salmonella como a Listeria podem sobreviver no solo por meses e anos, vindos de adubos organicos, contaminados com material de esgoto . Dessa forma esses patogenos podem contaminar o melao nas varias etapas do processo como na colheita, onde se encontram animais domesticos, veiculos sujos , caixas, pallets contaminados; no manuseio: pessoas sem habitos de higiene como é comum no trabalhador rural, os utensilios utilizados, desde tratores, caminhoes, objetos de corte; e na empresa processadora ou embaladora, onde há falta de higiene nos equipamentos, formaçõa de biofilmes nestes, especialmente desses 2 patogenos,o que é bem comum; entre outras causas. Dai a contaminar o produto é muito rapido. A utilização de água contaminada ou poluida na irrigação e outras operações inerentes é tambem fonte primária de contaminação do melão por patogenos dessa natureza . Resumindo: a falta de observação de boas práticas agricolas e de fabricação são apontadas como falhas nesses casos.

Como se proteger destes perigos? A cloração doméstica é eficaz?
No processo, dotando as boas praticas de fabricação, comprando materias primas de locais que forneçam laudos ou através de documentos, que garantam a aplicação das boas praticas agricolas,ou ainda, auditorias realizadas pelo comprador nos seus fornecedores, são algumas medidas que ajudam a industria na redução da ocorrencia desses perigos biológicos.

Quanto a lavagem com cloro, sempre vai ser benvindo esse tipo de procedimento, porém, quando o microrganismo entra por lesões externas, fica dificil,… tem nichos protetores nas polpas de frutas, que podem proteger a bactéria, especialmente a Listeria….(que costuma se esconder atras de monócitos….)….

No Brasil, o consumo desta fruta apresenta os mesmos riscos que nos EUA?
Sim, pois são coletadas do solo, e ai entra toda a preocupação com a adoção das boas práticas. O importante mesmo seria conscientizar o trabalhador. No México, ja ouvi noticias de que houve a contaminação dessa fruta por patogenos, que vieram carreados pelas iguanas. Mantendo boas práticas, do campo a mesa, esses perigos são reduzidos em qualquer país do mundo.O treinamento e a conscientização são relevantes. Países industrializados podem ter a conscientização mais consolidada.

Há exemplos de outros patógenos que são um perigo comum em outros países mas que inexistem em outros? Por que razão isso acontece?
Não dá mais hoje em dia para garantir que nunca teremos a contaminação por um certo patógeno, que nao existe aqui no Brasil. Com a globalização, comercio de produtos, tudo é possivel. Pode até ser que um patogenos especifico como a E coli O157:H7, “boom” dos anos 90, nos EUA, não tenha ocorrido aqui no Brasil, exatamente nessa linhagem como foi encontrado lá. Talvez fatores genéticos, específicos, dessa linhagem não tenham sido isoladas. Isso pode ser atá por falta de uma metodologia de detecção idêntica,ou outro impedimento técnico qualquer; porém linhagens semelhantes, pertencentes ao grupo das entero- hemorragicas com o mesmo efeito na saúde do consumidor ocorreram, e provocaram o mesmo cenário. Tivemos um surto em manga contaminada com Salmonella em manga, em 2007. Outro fato: a falta de comunicação oficial talvez por desconhecimento do consumidor e muitas vezes da falta de consciência da área medica dos casos de toxinfecção alimentar, possam ter contribuido para omissão de ocorrências oficiais.

A midia agora até que anda notificando mais quando o consumidor “põe a boca no trombone”, porém precisamos melhorar muito nessa area de conscientização, que exige interação da saúde pública com o consumidor, além de conhecimento técnico especializado, o que poderia ser dado por profissionais da area de alimentos.


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Resfriamento de ovos x Salmonella

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De acordo com um estudo publicado em 11 de junho no site da Universidade de Purdue, conduzido pelo professor de ciência dos alimentos Kevin Keener, o resfriamento rápido de ovos poderia adicionar semanas a sua vida útil e reduzir os riscos de infecções.

O processo de resfriamento, desenvolvido por Keener, utiliza dióxido de carbono líquido para estabilizar as proteínas dos ovos ao ponto de serem classificados como AA durante 12 semanas – atualmente esse tipo na classificação americana somente é possivel por até seis semanas. “Não há diferença estatística de valores nos testes de unidade Haugh (teste que mede a qualidade do albúmem) quando comparamos ovos logo após a postura e ovos com 12 semanas de postura submetidos ao resfriamento realizado na pesquisa”, disse Keener. “Este rápido processo de resfriamento pode proporcionar um aumento significativo na vida de prateleira de ovos em relação ao tratamento tradicional.”

A figura abaixo mostra imagens de ovos classificados conforme o sistema de qualidade americano, baseado na avaliação da unidade Haugh. Nota-se principalmente o aumento da câmara de ar e deslocamento da gema.

De acordo com Keener, uma das aplicações para o método de resfriamento rápido seria em ovos para exportação. “Se você consegue obter ovos com qualidade AA por até oito semanas, poderia enviá-los para qualquer lugar do mundo”, disse ele. “Atualmente, você não pode enviar os ovos para certos países e esperar manter essa qualidade.”

Os resultados de Keener, publicados na revista Poultry Science, também mostram que as membranas que envolvem as gemas dos ovos foram mantidas intacatas por 12 semanas quando os ovos foram resfriados rapidamente. Essa membrana se comporta como uma barreira contra bactérias que conseguem penetrar no interior do ovo.

“A integridade estrutural da membrana da gema permanece forte por mais tempo, o que pode fornecer um benefício de segurança alimentar”, disse ele. “Esta membrana, sendo mais forte, poderia ser mais uma defesa contra a invasão de bactérias como a salmonela, por exemplo.”

Keener disse que com financiamento adicional vai poder continuar a estudar os benefícios do resfriamento rápido, incluindo a inoculação da Salmonela dentro dos ovos e análise de como outras proteínas nas claras e gemas são afetadas.

O resumo da pesquisa está no site abaixo:
http://www.purdue.edu/newsroom/research/2012/120611KeenerCooled.html

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Salmonella em alimentos de baixa atividade de água

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Sources and risk factors for contamination, survival, persistance, and heat resistance of Salmonella in low moisture foods

Richard Podolack at alli.

Journal of Food Protection vol 73, no 10.

Sources and risk factors for contamination, survival, persistence and heat resistance for Salmonella in low moisture foods are reviewed. Processed foods such as peanut butter, infant formula, chocolate, cereal products, and dried milk are characteristically low-water-activity-foods and do not support growth of vegetative pathogens such as Salmonella. Significant food safety risk might occur when contamination occurs after a lethal processing step. Salmonella cross-contamination in low moisture foods was traced to factors such as poor sanitation process, poor equipment design, and poor ingredient control. It is well recognized that Salmonella can survive for long periods in low water activity foods products. Although some die-off occurs during storage, the degree of reductions depends on factors such as temperature and product formulation. The heat resistance of Salmonella is affected by many factors, mostly by types and serotype tested, previous groth and storage conditions, the chemical and physical composition, test media and the media used to recover heat-damaged cells. Salmonella heat resistance generally increases with reducing moisture. Care must be taken when applying published D-and z values to specific food process. The product composition, heating medium and conditions should no be significantly different from the product and process parameters used by processors.

Clique aqui para baixar.

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Quando devemos lavar ovos?

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Os ovos são um dos principais produtos de origem animal consumidos pelos brasileiros. O consumo deste produto fechou em 165,2 per capita no ano de 2011, segundo a Ubabef. Este valor inclui os ovos consumidos in natura e também aqueles utilizados na fabricação de produtos industrializados.

 

Mas, quando consumimos os ovos na casca, devemos lavá-los? Segundo dados da Secretaria de Vigilância em Saúde, conforme postado neste blog pela Aline Santana em 14 de maio de 2012, a classe de alimentos mais freqüentemente envolvida em surtos alimentares são ovos e alimentos a base de ovos, e como conseqüência disso, a maior incidência por agente etiológico dá-se pela Salmonella sp. Porém, grande número de pesquisas sobre o assunto identificou a Salmonella sp. na casca dos ovos, não no seu interior, o que demonstra que a maioria das contaminações é devido à manipulação incorreta dos ovos, principalmente no momento da quebra da casca.

 

A casca do ovo é formada por 5 camadas, como mostra a figura abaixo.

 

 

O número 1 está representando as duas membranas testáceas, interna e externa. É entre elas que se forma a câmara de ar logo após a postura. O número 2 representa a camada mamilar, e o número 3 a cama esponjosa, onde estão presentes cristais calcíticos  pequenos e grandes, respectivamente. O número 4 é a camada de cristais verticais e o número 5 representa a cutícula, formada de proteína (90%), carboidratos e lipídios. Esta última é responsável pela proteção dos poros da casca (número 6) e se esta proteção é retirada, pode provocar a contaminação interna do ovo. Por isso, não devemos lavar os ovos assim que compramos ou quando chegamos em casa, pois eles vão permanecer durante algum tempo sem a barreira protetora da cutícula.

 

A lavagem dos ovos não é obrigatória para a sua comercialização. Nas granjas avícolas e nos entrepostos de ovos a limpeza pode ser feita, se necessário, a seco, com jatos de ar, escovas e esponjas secas. É bom lembrar que ovos sujos ou trincados não podem ser colocados no comércio.

 

Alguns entrepostos de ovos já realizam a lavagem de todos os ovos a serem embalados, porém após este procedimento é obrigatória a secagem e cobertura da casca com óleo específico para este fim, justamente com o objetivo de proteger novamente os poros da casca. Quando os ovos seguem para industrialização, sua lavagem e secagem são obrigatórias.

 

Temos que considerar também que muitos surtos de doenças veiculadas por alimentos são causados pela utilização de ovos crus ou sem o devido cozimento. As autoridades reconhecem que a contaminação dos ovos por Salmonella sp. é possível e por isso a ANVISA publicou a RDC 35/2009, que dispõe sobre a obrigatoriedade de instruções de conservação e consumo na rotulagem de ovos.

 

Então o que deve ser feito para diminuir o risco de contaminação pelo consumo de ovos?

– Adquirir somente ovos com a casca limpa e íntegra;

– Conservar os ovos na geladeira sempre que possível;

– Lavar os ovos somente antes de utilizá-los;

– Não consumir ovos crus ou mal cozidos.

 

Adotando esses cuidados, certamente estaremos mais seguros

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