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Tendências de segurança de alimentos na Europa: informações da base de dados CHEFS, com milhões de registros de resíduos de pesticidas em alimentos

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Como já dizia o estatístico e professor americano William E. Deming, “o que não pode ser medido, não pode ser gerenciado”. Essa frase, aplicada no contexto de food safety, é de extrema utilidade e veracidade pois se trata de um assunto complexo em uma cadeia que movimenta bilhões de euros todos os anos e é regida por muitos atores, como produtores de alimentos, processadores, importadores e exportadores. Os políticos têm responsabilidade de estabelecer políticas governamentais e diplomáticas para fazer com que todos funcionem com harmonia e entreguem alimentos seguros tanto dentro como fora dos seus domínios. As informações e o seu gerenciamento são elementos cruciais desse universo pois estamos falando da saúde humana e animal.

O tema tem tudo a ver com o Brasil, um dos poucos celeiros do mundo atual e futuro, pois como produtor e exportador de quase tudo que se come, se bebe e se veste, é regido e influenciado por legislações e tratados internacionais que muitas vezes podem ser utilizados como verdadeiras barreiras não tarifárias e protecionistas. Resíduos de pesticidas, contaminantes do processo de produção e processamento e de produtos veterinários são e serão cada vez mais monitorados, analisados, banidos e alvos de protestos de sociedades extremamente preocupadas com o que se alimentam, muitas vezes despertando reações superestimadas e irreais por não conhecerem a seriedade e a responsabilidade para ser um agricultor/processador/exportador. Se falarmos dos países europeus, que rejeitam os GMOs e são muito conservadores e tradicionalistas, isso pode ter uma importância e impactos ainda maiores mundo afora.

Nesse caminho é que surgiram ainda nas décadas de 1970, 1980 e 1990, diretivas como as 91/414 e a 396/2005, que regulamentaram o registro, comercialização, utilização dos pesticidas na União Europeia (UE), além de definirem regras para o estabelecimento de Limites Máximos de Resíduos (LMR) harmonizados para todos. Isso levou em um dado momento à reavaliação e ao banimento de centenas de produtos considerados prejudiciais à saúde humana não somente para uso na UE, mas também para alimentos que fossem importados para dentro do bloco de países. Outras diretivas foram estabelecidas para regular os contaminantes e produtos veterinários seguindo essa mesma direção. Um texto muito interessante e que resume o exposto pode ser visto aqui.

Mas como dizia William Deming, era preciso medir e monitorar o que era resíduo ou não conformidade e o que estava dentro dos MRLs permitidos e considerados seguros para todos esses insumos, o que abarca do seu lado outra indústria não menos bilionária, a desses insumos, que também tem seus interesses e joga pesado quando se trata de banir produtos registrados, onde foram investidos muitos recursos. Como se percebe, é um jogo extremamente complexo e que vem sendo jogado há décadas. No final da linha estamos nós, os consumidores, a parte mais interessada da cadeia.

Para coordenar e harmonizar informações de tantas fontes das dezenas de países da União Europeia foi fundada em 2002 a European Food Safety Authorithy (EFSA), um organismo  que visa fornecer à Comissão Europeia e à sociedade pareceres científicos independentes sobre a segurança de alimentos e os riscos possíveis nessa cadeia. Em 2021 o seu orçamento anual era de €118,6 milhões e contava com um total de 542 funcionários. A agência também apoia o Parlamento Europeu e os Estados Membros da União Europeia além de Islândia, Noruega, Suíça e Reino Unido, na tomada de decisões eficazes de gestão do risco que garantem a proteção da saúde dos consumidores e a segurança da cadeia alimentar, incluindo os alimentos para animais e aves, como as rações e vacinas.

Até então o que se tem no âmbito da UE, para integrar os dados oficiais de monitoramento da segurança de alimentos recolhidos pelos Estados-Membros e  submeter à Autoridade EFSA é a plataforma Zenodo. Estes dados incluem 392 milhões de resultados analíticos derivados de mais de 15,2 milhões de amostras, abrangendo mais de 4.000 tipos diferentes de produtos alimentares compilados desde a fundação da EFSA, originados em 235 países, o que pode oferecer grandes oportunidades para a inteligência artificial analisar tendências, prever riscos e apoiar sistemas de alerta precoce, hoje existentes, mas que podem ser aprimorados haja vista a dinâmica desse imenso mercado.

Resultados

Nesse complexo cenário de muitas partes interessadas é que se apresentam os resultados do trabalho Food safety trends across Europe: insights from the 392-million-entry CompreHensive European Food Safety (CHEFS) database”, (aqui), a ser publicado na Food Control, uma revista da European Federation of Food Science and Technology (EFFoST) e a International Union of Food Science and Technology  (IUFoST), organismos já conhecidos pelos leitores desse blog e que reúnem cientistas e empresas da área de food safety na Europa e em muitos outros países.

O trabalho tem como destaques a unificação desses 392 milhões de resultados analíticos em um único conjunto de dados estruturado abrangendo pesticidas, medicamentos veterinários e contaminantes químicos em 15,2 milhões de amostras de alimentos, listando 4.035 produtos alimentícios diferentes provenientes de 235 países, ou seja, países do bloco e uma série de exportadores, incluindo obviamente o Brasil. Isso vem facilitar os problemas de acesso ao consolidar os mais de 1.000 arquivos da plataforma Zenodo com várias centenas de gigabites em um único banco de dados organizado, revelando as principais tendências no monitoramento da segurança de alimentos em toda a Europa no período 2000–2024.

Mas como foi construída essa poderosa ferramenta? De maneira resumida, o processamento concentrou-se na harmonização dos formatos de dados, na criação de identificadores exclusivos para amostras e resultados analíticos, no tratamento de valores ausentes e na remoção de duplicatas. Havia arquivos de dados separados por grupo de contaminantes, país e ano. O desenvolvimento do banco de dados seguiu um processo estruturado começando com o download e a extração automáticos dos arquivos de dados brutos da EFSA, resumido na Figura 1.

Figura 1. Esquema da elaboração do banco de dados nas diferentes fases e suas aplicações.

 

A próxima etapa envolveu a análise e harmonização dos diferentes formatos de dados, não apenas entre os principais grupos de contaminantes (pesticidas, contaminantes químicos e resíduos de medicamentos veterinários), mas também dentro deles. Para permitir uma integração de dados eficiente e repetível foram desenvolvidos scripts para o processamento automatizado dos arquivos de dados brutos da EFSA e sua importação para o banco de dados CHEFS. Um resumo é apresentado na Tabela 1.

Tabela 1. Número e percentagem de resultados analíticos na base de dados CHEFS. Os resultados analíticos com os códigos de avaliação “Superior às Quantidades Máximas Permitidas”, “Não Conforme”, “Detectado” e “Insatisfatório” foram definidos como acima dos limites ou “não conformes”.

Um total de 4.170 IDs de contaminantes foram incluídos no conjunto de dados CHEFS abrangendo as categorias “contaminantes químicos”, por exemplo, metais pesados, micotoxinas, dioxinas, “resíduos de pesticidas” e “resíduos de medicamentos veterinários” aqui chamado de VMPR. Foram examinadas as tendências nos perigos mais frequentemente testados, agregando todos os resultados analíticos associados a cada ID de contaminante exclusivo em todos os países, anos e tipos de produto por tipo de contaminante. Os 10 contaminantes mais frequentemente analisados foram visualizados usando gráficos de barras, estratificados pelas categorias acima mencionadas. Foram realizadas análises estatísticas descritivas para três tipos principais de análises: tendências ao longo dos anos, estatísticas de contaminantes e alimentos e estatísticas por país. Por questões de espaço vou me limitar a análise dos resultados das tendências ao longo dos anos e estatísticas de contaminantes, dando um foco maior aos resíduos de pesticidas, área da minha especialidade, deixando as estatísticas por país para uma outra oportunidade.

Resultados: tendências ao longo dos anos

O número de resultados analíticos para contaminantes químicos, resíduos de pesticidas e VMPR apresentou um aumento geral ao longo do tempo (Figura 2). Foram considerados dados de monitoramento posteriores a 2000, embora os dados disponíveis na EFSA comecem em 1970. Enquanto os resultados analíticos de contaminantes químicos são registrados desde 2.000 no banco de dados da EFSA, os dados de monitoramento de resíduos de pesticidas só estavam disponíveis após 2010 e os de VMPR somente após 2016.

Figura 2. Número de resultados analíticos e número de resultados analíticos acima dos limites legais de (a) contaminantes químicos, (b) resíduos de pesticidas e (c) VMPR.

Os resultados mostrados nos gráficos são claros. Todos os grupos mostram um aumento ao longo do tempo no número de resultados analíticos, e os resíduos de pesticidas mostram um aumento ao longo do tempo no número de resultados analíticos acima do limite (non compliance) de maneira consistente a partir de 2011. Isso se deve a vários fatores, incluindo o refinamento das técnicas para coleta e detecção de resíduos desde o início da série em 2010.

Apesar do avanço nas técnicas de produção e no aumento na produção de alimentos mais saudáveis, como os orgânicos, uso de produtos biológicos, adoção de protocolos de garantia da qualidade como o Global GAP, Rain Forest, SGS, HACCP etc., a pressão na produção da agricultura tradicional e seus desafios de aumento da produtividade são cada vez mais impactados por fatores externos como o aquecimento global, que diminui o ciclo de reprodução de pragas e doenças e leva ao aumento no uso de pesticidas, bem como o aumento da resistência a esses produtos devido ao uso continuado e muitas vezes sem critérios, seja por desconhecimento dos efeitos ou pela necessidade, que não é justificada. Os resultados estão aí expostos.

Estatísticas baseadas em contaminantes

Ao analisar as estatísticas baseadas em contaminantes, é importante observar que, dos 4.529 IDs de contaminantes no conjunto de dados, apenas 3.180 eram únicos. Isso ocorre porque alguns IDs de contaminantes estavam associados a vários tipos de resultados analíticos e, portanto, não eram exclusivos de um único tipo de resultado: 2,3% (n = 73) dos IDs de contaminantes únicos estavam incluídos em todas as três categorias de perigo (ou seja, contaminantes químicos, resíduos de pesticidas e VMPR), o que significa o pior dos mundos para os consumidores. E 37,8% deles foram usados por duas das três categorias. Resíduos de pesticidas e VMPR apresentaram a maior sobreposição.

Os 10 principais contaminantes mais analisados por categoria são mostrados na Figura 3. Entre os contaminantes químicos, o chumbo (Pb) foi o contaminante mais testado, com 133.264 resultados analíticos (3,1% do total de 4.344.679 resultados analíticos para 897 contaminantes únicos no grupo de contaminantes químicos), seguido por cádmio (Cd) (2,9%) e aflatoxina B1 (1,8%).

Para 1.612 resíduos de pesticidas, os três principais contaminantes foram clorpirifós com 949.017 resultados analíticos (0,31%), diazinon 944.958 (0,31%) e pirimifós-metil 935.180 (0,30%). Ao analisar em detalhe essas informações vemos que a maioria dos produtos são organofosforados (clorpirifós, diazinon, pirimifós-metil, methidation, triazopós, profenofós), um dos grupos químicos de inseticidas mais antigos usados na agricultura e que vêm sendo utilizados há mais de 60 anos, cujos registros para uso na Europa e para importação pelo bloco em grande parte foram banidos já há algum tempo. No Brasil poucos produtos ainda restam e em alguns casos são registrados para uso emergencial (exemplo: dimetoato para cultura dos citros), haja vista que opções mais interessantes do pronto de vista de eficácia e toxidade estão disponíveis aos agricultores, mas seus resíduos persistem mostrando que ainda são utilizados de maneira significativa. A tendência é que diminuam ao longo dos próximos anos, mas a distância entre um produto ser banido, descontinuado e seu uso ser totalmente finalizado é grande, até porque as legislações preveem um tempo para que isso ocorra.

Temos que também levar em conta que centenas de países exportam para a EU, entre eles países “em desenvolvimento” onde a utilização desse tipo de produtos não sofre o mesmo controle de países “desenvolvidos” e têm diferentes desafios no campo da produção e processamento. Isso também se passa com os piretróides (deltametrina e bifentrina), segunda categoria em ocorrência, que são pesticidas que ainda continuam a ser utilizados em larga escala, muito eficazes e apresentam na sua maioria um baixo custo, Não existe previsão que seu uso seja descontinuado, ou seja, seus resíduos continuarão a aparecer de modo consistente. Quanto à azoxystrobina, único fungicida listado, por ser um produto muito utilizado para frutas e hortaliças, na produção e na pós-colheita, também haverá sempre registro de seu resíduo, bem como o uso de produtos do seu grupo, as estrobilurinas.

O contaminante dentro da categoria VMPR com o maior número de resultados analíticos foi a doxiciclina com 2.877.150 resultados analíticos (3,54%), seguida pela eritromicina com 2.838.678 (3,49%) e danofloxacina 2.834.309 (3,48%) (Fig. 3).

Figura 3. Os 10 principais contaminantes mais analisados para cada grupo de risco: a) contaminantes químicos, b) resíduos de pesticidas e c) VMPR, agregados em todos os países e anos. As porcentagens que ultrapassam os limites legais são mostradas nos gráficos de barras à direita.

Conclusões

Esse é um tema sobre o qual poderíamos escrever infinitas páginas devido à sua abrangência e complexidade. O mais importante, a meu ver, é o que pode ser feito com base nesses resultados. Apesar de despertar reações apaixonadas e muitas vezes até irracionais de todos os lados dessa mais que complexa cadeia, ninguém quer, como consumidor, ter à sua mesa alimentos com alto risco de contaminação. Certamente existem nesse momento muitas pessoas, instituições como a própria EFSA, governos da UE e todos aqueles que alimentam esse imenso mercado, desenvolvendo e aprimorando meios, políticas e ferramentas para que essas curvas que apontam aumentos nas contaminações diminuam. Temos que concordar que não é uma missão fácil, mas sistemas como o CHEFS trarão uma contribuição imensa a todo esse processo a partir do momento em que expõem os pontos mais críticos e urgentes para propor mudanças.

Marcos Pozzan é engenheiro agrônomo pela ESALQ/USP, atuando há 35 anos no agribusiness nas áreas de consultoria, segurança de produtos e certificações Global GAP, Rainforest, IFOAM. É MSc pela Universidade Politécnica de Valencia, Espanha. Atualmente vive em Portugal acompanhando tendências em food safety na Europa

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MAPA lança plataforma para consulta de LMR por países

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O Ministério da Agricultura e Pecuária lançou uma plataforma para consulta de Limites Máximos de Resíduos (LMR) com o objetivo de ajudar as empresas, especialmente as áreas que cuidam da qualidade, a identificar os limites de pesticidas por países e ou blocos econômicos.

A disponibilização de informações na plataforma é feita pela publicação de dados originais dos órgãos oficiais de cada país, de acordo com os requisitos estabelecidos pelos países importadores, a partir de compilação de informações de bases de dados oficiais ou bases de referência fornecidas pelos Adidos Agrícolas.

O projeto teve origem por conta do tema de um mestrado profissional em Ciência e Tecnologia de Alimentos na Universidade Federal de Pelotas (UFPEL), cujo título é “Identificação e disponibilização dos Limites Máximos de Resíduos (LMR) de agrotóxicos em grãos e derivados estabelecidos pelos principais parceiros comerciais brasileiros do agronegócio”. A dissertação foi desenvolvida pela Coordenadora Geral da Qualidade Vegetal do Departamento de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal (DIPOV), Helena Pan Rugeri, que contou com a orientação do Dr. Maurício de Oliveira.

Essa plataforma chega em boa hora porque há muito tempo existe a necessidade de elaboração de um sistema de consulta de LMR para exportação, devido aos seguintes cenários:

A-      Falta de aceitação dos LMR do Codex Alimentarius pelos países membros;

B-      Estabelecimento de LMR distintos pelas autoridades de cada país;

C-      Potenciais prejuízos econômicos ao exportador brasileiro devido às não conformidades nos LMR;

D-      Dificuldade de acesso à regulamentação atualizada sobre os LMR de determinados países.

          Um outro motivo importante é o crescente número de notificações internacionais recebidas pelo Brasil por conta de contaminantes químicos associados a resíduos de pesticidas.

A criação da plataforma foi uma parceria entre a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário (SDA/MAPA) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) através do programa “Fortalecimento e Modernização da Defesa Agropecuária (ProDefesa)” e teve financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que tem como objetivo contribuir para o aumento da produtividade agropecuária e para o acesso a mercados nacionais e internacionais por meio do fortalecimento dos Serviços de Defesa Agropecuária do Brasil.

Os Adidos Agrícolas forneceram as fontes das legislações internacionais quanto às exigências sanitárias e de qualidade para produtos de origem vegetal nos países pesquisados.

O acesso à plataforma é feito pelo seguinte endereço:

https://mapa-indicadores.agricultura.gov.br/publico/extensions/DSN_DIPOV_LMR3/DSN_DIPOV_LMR3.html

A ferramenta é de fácil compreensão e aplicação! Nela é possível fazer pesquisas através de filtros conforme o exemplo nas imagens abaixo:



Pela plataforma também é possível fazer comparações de limites aceitos entre os países e blocos que estão mapeados.

Além de tudo isso, pode-se efetuar consultas sobre outras legislações usando a opção “Fontes de Referência” que traz links com informações importantes sobre legislação sanitária em diversos países nos cinco continentes.

O DIPOV espera que as pessoas e empresas contribuam com o enriquecimento de informações de dados para que ela se torne referência em conteúdo e aplicabilidade.

Mais do que saber usar, é preciso contribuir para fazer com que as informações se multipliquem e ajudem a fazer do Brasil uma fonte de produção de alimentos saudáveis, seguros e confiáveis!

Imagem: Tom Fisk

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5 estratégias para a indústria alimentícia minimizar resíduos de pesticidas

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O uso de pesticidas tem sido justificado ao longo dos anos como uma ferramenta que garante a produtividade na agricultura. Por outro lado, seus resíduos deixam uma preocupação relevante em relação à segurança do alimento.

Entre esses dois pontos de vista, sabemos que o tema carrega consigo discussões políticas que tornam cada vez mais complexa uma resolução. Afinal, como a indústria de alimentos deve se posicionar neste impasse?

Recentemente o Idec (Instituto de Defesa dos Consumidores) publicou os resultados da terceira edição da pesquisa Tem Veneno Nesse Pacote. Parando pra pensar: se este termo estivesse estampado nas embalagens, muito provavelmente decidiríamos por não consumir, não é mesmo?

Tem_Veneno_Nesse_Pacote_Vol3

(Reprodução: Instituto de Defesa dos Consumidores – Tem Veneno Nesse Pacote Volume 3).

Esta pesquisa vem analisando diversos alimentos nos últimos anos, como biscoitos, bebidas, pães, bolos, lácteos e, nesta última edição, foram incluídos alimentos plant-based.

Nos dois primeiros volumes, cerca de 60% dos produtos analisados apresentaram resíduo de, pelo menos, um tipo de pesticida. Já no volume que acaba de ser publicado, 12 dos 24 produtos analisados apresentaram resíduo de agrotóxico, sendo o glifosato o mais frequente entre os pesticidas encontrados.

Mas o que a indústria alimentícia pode fazer para minimizar esse perigo e evitar a exposição de suas marcas?

1. Selecionar seus fornecedores

Sabe-se que a presença de resíduos de pesticidas em alimentos é um reflexo de sua manipulação na agricultura. Por isso, é importante que a indústria alimentícia escolha a dedo seus fornecedores, priorizando aquele que demonstre e evidencie as boas práticas agrícolas.

Entre elas, adotar as recomendações de aplicação fornecidas pelo fabricante do pesticida é o básico. Ou seja, seguir as instruções de dosagem e intervalo de segurança, bem como se atentar aos cuidados para evitar contaminação de solo e recursos hídricos, os quais podem acabar contaminando os produtos alimentícios em uma outra etapa da produção.

Para isso, estabelecer um processo robusto de homologação de fornecedores é um excelente começo para a minimização de resíduos de pesticidas no alimento pronto para consumo.

2. Definir meios de incentivo a práticas combinadas de controle de pragas

Uma alternativa interessante para garantir a motivação dos agricultores neste tema é atrelar benefícios quando demonstrado que se praticam ações associadas ao controle de pragas que minimizam o uso de inseticidas. Esses benefícios podem variar em contratos de maior longevidade, além de aplicação de preços mais chamativos.

Outra alternativa é oferecer programas de capacitação, suporte técnico e até mesmo participação em eventos de desenvolvimento tecnológico e de inovação como benefícios aos agricultores/fornecedores que garantem práticas combinadas no manejo de pragas.

3. Apoiar pesquisas e o desenvolvimento de variedades mais resistentes

Variedades de recursos vegetais mais resistentes foram desenvolvidas ao longos dos últimos anos. Mas a indústria alimentícia pode apoiar as pesquisas que foquem não apenas a produtividade, mas associada a isto, mais resistência a pragas e outras intempéries, o que tem o potencial de minimizar o uso de pesticidas na lavoura.

4. Estimular a prática da agricultura regenerativa

A Agricultura Regenerativa foi abordada no Fórum Econômico Mundial de 2023. O conceito é que a agricultura não pode ser compreendida de maneira isolada, visto que ela é dependente de fatores abaixo do solo e acima dele, bem como de questões climáticas.

Ela tem como pilares a redução do revolvimento do solo, a manutenção de sua cobertura, a integração de animais na lavoura, entre outros. Os cuidados propostos por este modelo são capazes de diminuir o uso de fertilizantes e defensivos agrícolas, entre vários outros.

Dessa maneira, a indústria alimentícia deve considerar o estímulo a esse modelo de negócio, considerando o seu benefício em sustentabilidade para a cadeia produtiva de alimentos.

5. Reduzir a cadeia de fornecimento

Gradualmente a indústria de alimentos deve priorizar a agricultura local, substituindo os fornecedores que exijam uma longa cadeia de distribuição, sempre que possível. Essa estratégia traz resultados significativos na redução de agentes pós-colheita que buscam conservar os vegetais até que cheguem ao seu destino.

Além disso, o trabalho com fornecedores locais facilita o contato, acompanhamento do manejo e fornecimento de apoio técnico, entre outras ferramentas que podem auxiliar na avaliação e manutenção de fornecedores de alimentos mais seguros, como mencionado no item 1.

A pesquisa Tem Veneno Nesse Pacote também traz um ponto relevante relacionado ao monitoramento de resíduo de agrotóxicos em alimentos. Segundo o relatório, a Anvisa não define limites de resíduos destes químicos em alimentos processados e ultraprocessados. Os limites estão estabelecidos apenas para os alimentos in natura. Assim, esta definição é necessária para garantir um controle que vai além do simples monitoramento.

Dessa maneira, não apenas a indústria alimentícia tem um papel relevante e transformador neste cenário, mas também os consumidores. Afinal, é a partir da mudança dos hábitos alimentares que se obtém a transformação do consumo e, como consequência, as mudanças para o fornecimento de alimentos cada vez mais seguros.

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Análise de pesticidas em alimentos: o que você precisa saber a respeito

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Falar de pesticidas é sempre um assunto difícil. Muito já se falou sobre os LMR (limites máximos de resíduos) e as diversas legislações existentes acerca do assunto. Aqui no Food Safety Brazil esse tema já foi abordado diversas vezes (veja aqui).

Hoje vou falar do aspecto prático. Supondo, por exemplo, que a sua empresa monitora pesticidas em matérias primas e/ou produtos acabados e, dentro de uma frequência pré-estabelecida, manda para análise em laboratório externo. Você sabe quais os cuidados e avaliações necessários antes de escolher um laboratório? Muitas vezes pensamos que basta ser ISO 17025 e assim já estamos assegurados, atendendo a todas as normas de certificação de segurança de alimentos, não é mesmo?

Porém, análises de pesticidas têm algumas particularidades que são importantes de serem consideradas, como por exemplo:

A escolha do laboratório – Os provedores de serviços de testes laboratoriais são melhores realizando os testes no país de produção. Por que isso? Primeiro porque as amostras, particularmente as de origem animal, podem ser barradas pela alfândega do outro país e, com isso, você perdeu a sua amostragem, o seu tempo e o seu dinheiro. Aliado a isso há o custo de exportar 1 kg de amostra, que pode ser muito alto. Segundo porque nem todos os pesticidas são estáveis no produto, na amostra homogeneizada ou no extrato e, por isso, precisam ser analisados rapidamente. Dependendo do tipo de extração realizada, quebras devido à hidrólise, reações enzimáticas ou oxidação não serão reveladas – para minimizar a degradação de pesticidas, os laboratórios usam mistura criogênica por gelo seco.

Métodos de análise – Um método pode não ser apropriado para todos os pesticidas que você precisa testar – as matrizes podem ter pH, gordura ou pigmentos diferentes e irão modificar algumas etapas e a velocidade para completar toda a análise. A calibração da matriz é difícil se você tiver uma grande variedade de tipos de amostra. Testes rápidos com amostras positivas e resíduos excedendo os LMR precisam ser repetidas com determinação e calibração que permitam a quantificação do nível. O desafio é fornecedor isso dentro do tempo de resposta requerido pelo cliente. Além de tudo isso, os padrões de referência são extremamente caros e podem ser difíceis de obter em determinados países. Portanto, esteja atento ao verificar orçamentos com valores muito diferentes entre si.

O que esperar, então, do laboratório?

  • Apesar de não ser uma exigência das normas de certificação de segurança de alimentos, neste caso específico é altamente desejável que laboratórios possuam a acreditação ISO 17025 para controle oficial de pesticidas e estejam inscritos para testes de proficiência. Você pode ler mais sobre isso em um ótimo artigo já publicado aqui no Food Safety Brazil;
  • Os métodos utilizados devem obedecer às regras comunitárias ou reconhecidas internacionalmente;
  • O método de análise de pesticidas deve ser validado;
  • O transporte rápido deve ser facilitado – as análises devem iniciar preferencialmente dentro de 01 dia;
  • Flexibilidade para a demanda súbita da indústria por análise de pesticidas, o que inclui tempo de resposta rápido.

Qualificar um serviço de laboratório vai muito além de pedir cópia do certificado ISO 17025. Há vários detalhes que deveríamos conhecer e sobre os quais deveríamos questionar os laboratórios. É importante reavaliarmos a nossa abordagem quando o assunto se trata de qualificação de serviços de análises. Algumas dicas já foram publicadas pelo Food Safety Brazil e podem ser vistas aqui.

Em termos de certificação e/ou auditoria de segurança de alimentos, o auditor pode ficar satisfeito com a apresentação apenas do certificado e entender que a sua empresa cumpre os requisitos, mas na prática, você pode estar perdendo dinheiro com análises que fornecem resultados não tão confiáveis assim.

Já parou para pensar nisso?

Referências 

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Novo alerta para a presença de pesticidas em alimentos

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Os produtores sabem que não é possível produzir sem a necessária preocupação com os limites máximos de resíduos de pesticidas, além, é claro, da aplicação de produtos permitidos, mas então por que esse alerta para a presença de pesticidas em alimentos?

Durante a SIAL 2018 na França, uma das maiores feiras de alimentos no mundo, um assunto veio à tona: a situação mundial de segurança dos alimentos. Segundo eles, resíduos de glifosato, acetato e outros fungicidas têm sido encontrados com frequência em exames laboratoriais, isso tem provocado sanções à comercialização de diversos produtos e como consequência deverão aumentar as exigências para a produção e comercialização dos produtos bem como a necessidade de rastreabilidade dos produtos.

Quais alimentos apresentam pesticidas?

Dados divulgados pela PROTESTE (2018), indicaram que cerca de 70% dos alimentos consumidos no Brasil possuem aditivos químicos.  Com esse número, o país alcançou o primeiro lugar na lista dos que mais utilizam agrotóxico e permanece nessa posição desde 2009.  Diante desta realidade, já em 2016, realizamos um teste com 30 amostras adquiridas em supermercados e feiras nas cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro.  O teste revelou que em 14% das amostras, os níveis de pesticidas estavam acima dos recomendados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  Já 37% continham substâncias não autorizadas para o plantio de determinado tipo de alimento ou proibidas no Brasil (porque não tiveram sua segurança para a saúde comprovada).

Conforme divulgação da Anvisa, no período de 2013 a 2015 foram monitorados 25 alimentos, abrangendo as seguintes categorias: cereais/leguminosas, frutas, hortaliças folhosas, hortaliças não folhosas e tubérculos/raízes/bulbos. Foram analisadas 12.051 amostras, sendo que em 42,0% não foram detectados resíduos, considerando os agrotóxicos pesquisados, e em 38,3% das amostras foram detectados resíduos em concentrações iguais ou inferiores ao LMR. Foram consideradas insatisfatórias 2.371 amostras (19,7%), sendo que 362 destas amostras (3,00%) apresentaram concentração de resíduos acima do LMR e 2.211 (18,3%) apresentaram resíduos de agrotóxicos não autorizados para a cultura.

Considerando o número total de amostras analisadas por alimento, verificou-se que a abobrinha, a uva e a goiaba possuem, respectivamente, 38%, 26% e 10% de resultados considerados insatisfatórios por apresentarem como único motivo de irregularidade resíduos não autorizados para a cultura com concentrações abaixo de 0,01 mg/kg.

Dados do Estadão (31.07.17) indicaram resíduos de pesticidas em 60% das amostras de 12 alimentos comuns na mesa dos brasileiros, como feijão, arroz, banana, etc. Deste total analisado, as irregularidades apresentadas foram a presença de agrotóxicos proibidos no Brasil ou em concentrações superiores ao limite máximo estabelecido na legislação. Ainda segundo a reportagem há consumidores preferindo adquirir frutas com casca a fim de eliminar os agrotóxicos, mas será que é possível reduzir ou eliminar agrotóxico de frutas e verduras?

Como reduzir os efeitos de agrotóxicos nos alimentos?

Segundo um estudo norte-americano divulgado pela revista cientifica Journal of agricultural and food chemistry, o bicarbonato de sódio pode reduzir a presença destes resíduos. Quando comparado a outros métodos de limpeza o bicarbonato de sódio se mostrou eficaz quando se utilizou uma solução aquosa de 10 mg/ml. Os pesquisadores perceberam que a mistura levou entre 12 a 15 minutos para remover completamente resíduos de tiabendazol ou phosmet que estivessem na superfície de maçãs (frutas utilizadas para os testes). A fruta foi exposta ao pesticida previamente durante 24 horas. Porém, segundo o estudo a ação não teve a mesma eficácia quando o pesticida estava localizado no interior da fruta, permitindo a permanência de químicos.

Segundo os estudiosos, lavar as frutas com bicarbonato de sódio pode reduzir a maior parte das substâncias na superfície, mas não se garante ausência no seu interior.

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) orienta para algumas atitudes que podem minimizar a exposição aos resíduos químicos:

  • Optar por alimentos rotulados com a identificação do produtor, o que contribui para o comprometimento dos produtores em relação à qualidade dos seus produtos;
  • Sempre que possível, recomenda-se também adquirir alimentos orgânicos ou provenientes de sistemas agroecológicos, assim como os chamados alimentos da “época” (safra), por receberem em média uma menor carga de agroquímicos. Porém, a impossibilidade de aquisição de alimentos orgânicos não deve ser motivo para a diminuição no consumo de frutas, legumes e verduras produzidos pelo sistema convencional de cultivo.

Os agrotóxicos podem ser classificados em dois grandes modos de ação: sistêmicos ou de contato, independentemente da forma como são aplicados às culturas agrícolas. Os sistêmicos atuam no interior das folhas e polpas, portanto penetrando nas mesmas. Já os de contato agem principalmente nas partes externas do vegetal, ainda que uma quantidade possa ser igualmente absorvida para as partes mais internas. Assim, os procedimentos de lavagem dos alimentos em água corrente, bem como a retirada de cascas e folhas externas, contribuem para a redução dos resíduos de agrotóxicos presentes em seu exterior, porém são incapazes de eliminar aqueles contidos no interior do alimento.

Já a imersão prévia dos alimentos por 20 min em água com hipoclorito de sódio (água sanitária) pode (e deve) ser feita, com a finalidade de diminuir a contaminação por germes e micróbios, devido a sua ação biocida.

A PROTESTE, por sua vez, também faz algumas recomendações aos consumidores, como o consumo de alimentos orgânicos ou o cultivo de uma horta em casa.

Dê preferência às frutas e verduras da época

No período de safra, as frutas têm melhor qualidade nutricional, são mais frescas, têm mais sabor e são mais baratas. Fora da estação adequada, é quase certo que uma fruta, verdura ou legume tenham recebido cargas maiores de agrotóxicos.

Descasque sempre

Como a oferta de frutas produzidas organicamente ainda não é satisfatória, procure sempre descascar as frutas, em especial frutas como pêssegos, nectarinas, peras e maçãs. Alguns resíduos de agrotóxicos ficam depositados nas cascas.

Lave bem as frutas e verduras

Em água corrente, coloque-as numa solução com vinagre (4 colheres de sopa de vinagre para 1 litro de água), durante 20 minutos, ou numa solução com bicarbonato de sódio (1 colher de sopa de bicarbonato para 1 litro de água) por 20 a 30 minutos.

Independentemente da forma que você optar para ficar mais seguro é importante manter o alerta e exigir qualidade dos alimentos que vão a nossa mesa.

4 min leituraOs produtores sabem que não é possível produzir sem a necessária preocupação com os limites máximos de resíduos de pesticidas, além, é claro, da aplicação de produtos permitidos, mas então […]

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PARA – Resultados de Agrotóxicos em Alimentos de 2013 a 2015

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O palestrante Peter Rembischevski, da ANVISA, abordou o programa de monitoramento de resíduos de agrotóxicos em alimentos, com conotações de juízo de valor (defensivo agrícola = defende, sem paralelo em outras línguas), já agrotóxico é perigo ao meio ambiente e a saúde. Em 11/07/89, a Lei 7.802 definiu o que é agrotóxico. O PARA foi iniciado em 2001 pela Anvisa, com o objetivo de avaliar continuamente os níveis de resíduos de agrotóxicos nos alimentos de origem vegetal que chegam à mesa do consumidor.

O registro do agrotóxico compete à GGTOX com agrotóxicos para uso e não uso agrícola (herbicidas para beiras de estradas), para tratamento de madeira, uso em água e uso domissanitário.

O monitoramento iniciou-se por esforços isolados, mas já havia em 1996 na União Europeia, assim como em 1991 nos EUA, possibilitando verificar a correta utilização, quais os mais utilizados incorretamente, mapeamento de áreas de produção. Em 2003, através da RDC 119/03 e em 2012 as coletas são nacionais com 4 laboratórios públicos (Lacens de MG, GO, RS e PR) e um privado para 25 alimentos, escolhidos por critérios de consumo baseado no IBGE e disponibilidade em diferentes estados, com mais de 70% do consumo de alimentos vegetais no Brasil. Até 2013, foram 23.849 e em 2015 passam de 30 mil amostras avaliadas pelo PARA, iniciando pelas coletas semanais por VISAs locais. A ANVISA coordena o programa, com POP’s baseados no Codex Alimentarius, cadastrando no SISGAP (Sistema de Informação e Gerenciamento de amostras do PARA) e envia para Lacens, depois divulga os resultados.

Pontos mais sensíveis definidos pelos índices de irregularidade como metodologia de divulgação do programa, ou seja, acima do LMR ou maior parte não autorizada para cultura, com resultado que gera risco à saúde e não mensurado (pimentão, morango e uva os campeões de agrotóxicos) e desestimula o consumo de frutas e hortaliças e gera falência de produtores. Irregularidade não significa risco à saúde, o consumo é pequeno para dar problema crônico. De 2008 a 2011 piorou a irregularidade sem mudar o cenário.

Na metodologia atual (sem ranking), o enfoque muda com avaliação do risco baseada em ciência, gerenciamento de risco baseado na política e a comunicação do risco (baseado na troca interativa de informações e opiniões a respeito de riscos) dietético agudo até 24 h após o consumo – resíduos x consumo/peso corpóreo, por ex., criança de 3 anos de idade comeu uma caixa inteira de morangos com sintomas de intoxicação por carbamato (organofosforado) em Brasília que foi corretamente avaliada e tratada e em conformidade com metodologias internacionais. 

O perfil das amostras monitoradas de 2013 -2015 com 16,7% de não autorizados para a cultura e 1,33% acima do LMR e 1,68% LMR e não autorizado para a cultura.

O risco agudo foi realizado, mas ainda não o crônico, pois precisa de alimentos representativos da dieta e amostras suficientes para estimar a exposição. No risco agudo pode ser realizado para cada alimento e requer menos amostras, que foram publicados no ano passado apenas o agudo. Na metodologia da EFSA, o potencial de risco agudo superior a 100% para caracterização do risco: %DrfA = Exposição x100/Drfa para fazer o comparativo.  Na tabela do IBGE só há de crianças acima de 10 anos de idade para orçamento familiar, ilustrando feijão para adulto a exposição é 0,025mg/kg peso corpóreo e criança é 0,008mg/kg com padrão extrapolado por alimento e agrotóxico para criança.

Resultados com 99% sem potencial de risco agudo, mas 1,11% risco agudo em 13 alimentos com proposta de banimento de carbofurano ou no minimo restringi-lo. Casca de laranja/abacaxi com baixa permeabilidade de agrotóxicos detectados nas situações de risco (estão na casca com baixa exposição em um chá, por ex.), porém as análises foram feitas com cascas mas não são consumidas assim. Outra ação foram várias notas técnicas e Fóruns, com critérios éticos fundamentais (não omitir, atenuar ou amplificar os resultados). Incertezas fazem parte do conhecimento científico não sendo prerrogativa para a inação nas tomadas das decisões. Ambos os riscos agudos e crônicos são relevantes e serão abordados nos relatórios. Recomendações para redução de agrotóxicos das cascas: lavar bem com água corrente/detergente pelo consumidor. Alimentos da safra tem menos agrotóxicos. Optar por agriculturas orgânicas (pesquisa com 623 mulheres com linfomas para quem somente come orgânicos). Alimentos in natura são a base de uma alimentação de prevenção contra doenças crônicas não transmissíveis. Há proposta de plano plurianual (2017 – 2019) que incluirá: aveia, pera, maracujá, chuchu, quiabo, soja, amendoim, ervilha, alho, batata doce e café. Há planos de análises fiscais com rastreabilidade comprovada.

Por que os resultados de riscos e irregularidades ainda persistem, exceto para as cadeias mais organizadas, como batata?

– controle ineficaz de venda no varejo;

– carência de programas de assistência e extensão rural;

– fiscalização do uso segundo as BPA ainda aquém do esperado;

– baixo nível de instrução no meio rural;

– Minor Crops (baixa disponibilidade autorizada para as culturas;

– agricultor sem uso de EPI’s no meio rural.

Percepção do risco: o comportamento humano depende de percepções, não de fatos! Raciocínio binário: é seguro ou não é seguro? Agrotóxicos da laranja na casca, mas dependo dos aspectos psicológicos aumentando ou atenuando a percepção do que é voluntário é seguro, já se é obrigatório é arriscado. O conhecimento consiste de crença verdadeira e justificada mas precisa ser conhecimento verdadeiro casando com a crença. O que o homem deseja não é conhecimento, mas a certeza.

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MAPA divulga informações sobre o monitoramento de pesticidas e contaminantes em vegetais

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O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) divulgou no dia 27 de junho, a relação das 21 culturas agrícolas que serão monitoradas em relação aos resíduos de praguicidas e contaminantes na safra 2013-2014. A medida faz parte de um programa anual, instituído em 2008, com objetivo de monitorar a frequência e os níveis de resíduos e contaminantes em vegetais, além de investigar e controlar os produtos agropecuários provenientes de propriedades suspeitas de violações (PNCRC/Vegetal). A cada ano, uma Instrução Normativa é publicada contendo as culturas e os parâmetros monitorados no ano-safra correspondente. Este ano, as culturas serão as seguintes: abacaxi, alho, amêndoa de cacau, amendoim, arroz, banana, batata, café, castanha do Brasil, cebola, feijão, kiwi, maçã, mamão, manga,  milho, pimenta, soja, tomate, trigo e uva.

Ao todo, o plano prevê análise de 1875 amostras. Os produtos serão coletados nos estabelecimentos produtores, beneficiadores e nas centrais de abastecimento. No último levantamento, divulgado em janeiro de 2013, as culturas que apresentaram os menores índices de conformidades foram: pêssego (14%), pimentão (38%), trigo (47%) e morango (50%).

Conforme a percepção de representantes do MAPA, nem sempre as não conformidades registradas no monitoramento de pesticidas comprometem a segurança dos produtos, pois em alguns casos, referem-se a resíduos de pesticidas ainda não aprovados para aquela cultura, mas em processo de aprovação e presentes em nível baixo, portanto podem não configurar um risco à saúde.

No caso do pêssego, os frutos importados da Argentina e Chile tiveram índice zero de conformidade, pois os ativos encontrados não são previstos nas normas brasileiras para uso no pêssego, mas são autorizados para outras culturas (com uma única exceção). Houve, porém, amostras da fruta coletadas no RS e SC que continham ometoato, um ativo proibido no Brasil. Em relação ao trigo, o baixo índice geral deveu-se ao produto importado da Argentina, que continha três ativos proibidos em nosso país, sendo que um deles também foi detectado no trigo produzido em MG. Já o trigo produzido no PR e DF teve 100% de aprovação. Para mais detalhes, consulte a tabela completa, com dados por região e princípio ativo, clicando aqui

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Ranking de pesticidas norte-americano

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Environmental Working Group publicou na semana passada o EWG’s 212 Shopping Guide –  to Pesticides in Produce, no qual apresenta o Ranking dos 12 horti-frutigranjeiros mais comumente contaminados com resíduos de pesticidas. O levantamento é do USDA é de 2000-2010, e abarcou mais de 60.700 amostras. O guia contudo omite a concentração encontrada. Clique abaixo para visualizar os “vilões e mocinhos”

A água de torneira (tratada) também apresentou problemas:  65 pesticidas positivos em 284 samples. O herbicida atrazina foi encontrado e todas as amostras e mais outros seis pesticidas em metade das demais.

As autoridades americanas fazem questão de reforçar que o consumo de frutas e verduras supera qualquer questão relacionada à ingestão de resíduos de pesticidas.

Para quem quiser os dados brutos do USDA, veja aqui o Pesticide Data Program

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