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Alimentação Kosher: uma perspectiva científica

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A alimentação kosher (ou kasher) refere-se às normas dietéticas judaicas chamadas leis de kashrut, que ditam quais alimentos podem ser consumidos e como devem ser preparados e processados. Embora tenham origem religiosa e ética, várias práticas envolvidas na kashrut podem ser analisadas à luz de princípios científicos, sobretudo em segurança dos alimentos, microbiologia e prevenção de doenças transmitidas por alimentos.

As práticas alimentares kosher são muito antigas, formalizadas na Torá, com origem por volta do século VI a.C., durante e após o exílio babilônico. Ou seja, essas normas já eram seguidas por comunidades judaicas há mais de 2500 anos, muito antes de existirem conceitos científicos como microbiologia, germes ou toxinas alimentares.

Isso indica que muitas regras da kashrut emergiram da observação empírica de efeitos sobre a saúde: grupos que praticavam essas normas tendiam a evitar certas doenças alimentares sem entender os mecanismos biológicos por trás disso.

Em épocas antigas, sem refrigeração, sem análises laboratoriais e sem conhecimento de microrganismos, as pessoas confiavam no que observavam repetidamente. Alguns exemplos: certas carnes cruas podiam causar enfermidades ou misturar tipos de alimentos aumentava problemas digestivos.

Leia também: A alimentação kosher: origem, tradição e certificação

Abate e inspeção de animais

Em kashrut, animais terrestres devem ser abatidos por um especialista, o shochet, que realiza um corte rápido e preciso na garganta para drenar o sangue e, em seguida, inspeciona o corpo para sinais de doença ou lesões que tornariam a carne proibida. Embora o principal objetivo seja normativo-religioso, a inspeção detalhada da carcaça pode detectar anomalias que, em teoria, também seriam identificadas em inspeções veterinárias modernas.

A kashrut exige que a carne tenha todo o sangue drenado antes do consumo. Isso é feito através de uma combinação de imersão em água fria, salgamento e lavagem, que fazem parte do processo chamado de kashering.

O salgamento usado nesse processo pode reduzir contagens bacterianas, incluindo Salmonella e Escherichia coli, em parte porque o sal causa dano osmótico às bactérias e facilita a remoção das células da superfície da carne.

Contudo, é importante ressaltar que o sal não esteriliza a carne: ele pode reduzir alguns microrganismos na superfície, mas o sangue ainda fornece um meio propício para a proliferação de bactérias se a carne não for manipulada ou cozida corretamente.

Algumas pesquisas também sugerem que o processo kosher acelera o sangramento, o que, do ponto de vista microbiológico, reduz a quantidade de sangue residual, um meio em que bactérias podem proliferar.

Proibição de certos alimentos

Outro aspecto da alimentação kosher é a proibição de certos alimentos, como carne de porco, frutos do mar sem escamas e aves de rapina.

Da perspectiva científica, a carne suína, especialmente antes do advento da refrigeração e das práticas modernas de inspeção sanitária, apresentava risco elevado de parasitas transmitidos por alimentos.

Entre eles, destaca-se Trichinella spiralis, causador da triquinose, uma doença que pode se manifestar com febre, dores musculares e complicações graves se a carne não for devidamente cozida.

Outros parasitas historicamente associados ao consumo de carne suína incluem Taenia solium (tênia ou solitária), responsável por cisticercose em humanos, Ascaris suum, um nematoide que pode causar infecções intestinais, e Toxoplasma gondii, um protozoário que pode provocar toxoplasmose, particularmente perigosa em gestantes e indivíduos imunocomprometidos.

No caso dos frutos do mar sem escamas, como certos mariscos, crustáceos e moluscos filtradores, há um risco histórico significativo de acúmulo de toxinas e microrganismos patogênicos.

A proibição kosher de certos frutos do mar sem escamas pode ser entendida, além de seu fundamento religioso, como uma precaução prática de saúde alimentar.

Alguns moluscos bivalves como mexilhões, ostras e vieiras, por exemplo, podem concentrar toxinas produzidas por algas durante fenômenos conhecidos como marés vermelhas, incluindo saxitoxinas, que causam paralisia neurotóxica, e ácido domoico, responsável pela síndrome amnésica por moluscos.

Esses organismos filtradores também podem abrigar parasitas como Clonorchis sinensis, um trematódeo associado a doenças hepáticas, ou Anisakis spp., um nematoide capaz de provocar anisakíase se ingerido cru ou mal cozido.

A contaminação bacteriana era igualmente relevante: espécies como Vibrio vulnificus e Vibrio parahaemolyticus proliferam em águas quentes e salgadas, tornando o consumo de frutos do mar crus ou pouco cozidos altamente arriscado em épocas sem refrigeração adequada.

Da mesma forma, a proibição de consumir camarão faz sentido cientificamente, considerando que ele contém a proteína tropomiosina, altamente alergênica, responsável por muitas reações graves, como inchaço, dificuldade respiratória e até choque anafilático em pessoas sensíveis. Além disso, nestes casos, podem provocar respostas inflamatórias intensas, aumentando a produção de citocinas e ativando células do sistema imunológico. Esse excesso de inflamação interfere na cicatrização, pois a regeneração de tecidos depende do equilíbrio entre inflamação e reparo celular.

Quando a inflamação é exagerada, há atraso na formação de colágeno e no fechamento de feridas, e em épocas remotas de guerras ou ambientes sem antibióticos, ingerir camarão poderia, portanto, não apenas desencadear alergias perigosas, mas também dificultar a recuperação de ferimentos, tornando a proibição kosher uma medida de proteção biológica plausível.

Separação de carne e leite

Uma das regras mais conhecidas da kashrut é a proibição de misturar carne e leite, tanto no consumo quanto na preparação e nos utensílios utilizados.

Do ponto de vista moderno, a separação entre carne e leite não tem uma base direta em microbiologia de alimentos, e não há evidência científica robusta de que misturá-los cause mais doenças.

No entanto, a prática de manter utensílios, superfícies e fluxos de trabalho separados reduz o risco de contaminação cruzada durante a manipulação de alimentos. Em consequência, essa separação pode ser benéfica para pessoas com alergias ou intolerância à lactose, evitando reações adversas e facilitando o consumo seguro de alimentos em contextos diversos.

Supervisão rabínica e controle de processos

O sistema kosher exige supervisão rabínica, realizada por um mashgiach, garantindo que normas sejam seguidas em todas as etapas da produção, desde a origem dos ingredientes até o preparo final.

Essa supervisão está relacionada não apenas à observância religiosa, mas também ao controle rigoroso de processos, inspeção e rastreabilidade, conceitos que são pilares das práticas modernas de segurança dos alimentos aplicadas nos tempos atuais em certificações como HACCP ou ISO 22000.

Em termos estritamente científicos, não há consenso de que seguir uma dieta kosher reduza de forma sistemática o risco de doenças alimentares além do que garantem boas práticas modernas de higiene, refrigeração, cocção e fiscalização sanitária. No entanto, os princípios e procedimentos kosher coincidem com várias recomendações de higiene alimentar.

Além disso, a presença de um mashgiach responsável por acompanhar a preparação dos alimentos segundo as normas kosher, tende a aumentar a atenção à limpeza geral, à organização das áreas de manipulação e ao cuidado com utensílios e superfícies, o que pode reforçar a segurança dos alimentos de maneira prática.

Ciência moderna e práticas alimentares

As práticas de higiene e segurança dos alimentos hoje difundidas são muito recentes. A microbiologia moderna começou a se desenvolver no final do século XIX, com cientistas como Louis Pasteur e Robert Koch, que estabeleceram que microrganismos poderiam causar doenças. Com isso, surgiram práticas como:

  1. Refrigeração em larga escala;
  2. Pasteurização;
  3. Inspeções sanitárias obrigatórias;
  4. Sistemas de controle de higiene industrial (como HACCP);
  5. Normas modernas de preparo e conservação de alimentos.

Grande parte dessas normas só se tornou amplamente aceita no ocidente no século XX, especialmente entre as décadas de 1930 e 1960, com a expansão dos órgãos de vigilância sanitária e das pesquisas em microbiologia de alimentos.

Por isso, embora práticas kosher, como salga, drenagem de sangue, separação de carne e leite e escolha de animais específicos não tenham sido formuladas com base em conceitos científicos modernos, hoje podemos dizer que componentes específicos do processo kosher se alinham com princípios da microbiologia e segurança dos alimentos.

Muito do que hoje é ensinado como “boas práticas de higiene e de fabricação” pelos órgãos de saúde, como cuidado na manipulação, prevenção de contaminação cruzada e atenção à conservação, já estava presente, de forma normativa, nas leis de kashrut há milhares de anos, muito antes de existirem conceitos científicos formalizados sobre microrganismos e doenças transmitidas por alimentos.

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Sulfitos no camarão: qual é o risco?

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O camarão é um crustáceo decápode porque tem dez patas. Habita água doce e salgada, enquanto o lagostim habita os mares do mundo. Nesta ocasião, quero fazer referência ao camarão, que, como já se sabe, tem bom valor comercial, desde que mantida a qualidade original. As formas de apresentação mais comuns são: 1) inteiro; 2) descabeçado e 3) descascado. Nos três casos é apresentado fresco refrigerado ou congelado.

Quando o camarão é retirado da água e morre, inicia-se um fenômeno bioquímico que afeta sua coloração e é conhecido como melanose, mancha preta ou black spot. Essa mudança de cor afeta muito o seu valor comercial, no mercado local e internacional, a ponto de ser rejeitada pelos consumidores, embora por si só não tenha efeitos prejudiciais à saúde. Essa descoloração ocorre poucas horas após a pesca ou colheita em empresas de camarão, começando pela cabeça (cefalotórax) e se espalhando pelo resto do corpo, incluindo a casca e a carne, dando-lhe um aspecto desagradável que diminui sua qualidade, prazo de validade e anula seu valor comercial. O escurecimento do camarão se deve à atividade da enzima polifenoloxidase ou tirosinase, que atua sobre certo aminoácido e está localizada abaixo do exoesqueleto. Embora a refrigeração pós-colheita do camarão seja necessária para evitar a deterioração microbiana, ela por si só se mostrou inadequada para interromper o processo de melanose além de algumas horas.

A indústria do camarão usa vários aditivos como conservantes para prevenir a melanose. Entre os mais utilizados por sua estabilidade química, sua alta solubilidade em água e seu baixo custo está o metabissulfito de sódio. Este aditivo (INS 223) atua inibindo a enzima polifenoloxidase e, portanto previne ou retarda a melanose preservando a qualidade do camarão. A forma de utilização é imergir o camarão, imediatamente após a colheita, em uma solução que pode ser de 10% a 12% por quinze a vinte minutos com água e gelo. A temperatura da solução não deve ser superior a 2°C. É importante fazer este tratamento antes do início da melanose. Desta forma, o camarão absorve o metabissulfito de sódio. Posteriormente, é transportado para a planta de beneficiamento para ser classificado e embalado in natura, refrigerado ou congelado. Durante esse processo, o dióxido de enxofre SO2 é gradualmente eliminado por drenagem e evaporação, diminuindo sua concentração inicial.

Desvantagens do metabissulfito de sódio: os sulfitos residuais na carne do camarão têm a desvantagem de produzir reações adversas ao consumidor, quando ultrapassam os limites máximos permitidos pelas disposições legais. Essas reações podem ser graves em usuários sensíveis e especialmente em asmáticos. Por esse motivo, os níveis de SO2 devem ser controlados antes de lançar o produto no mercado. É importante que exista um sistema ou norma que estabeleça um estudo e gestão de riscos para evitar que um produto com falta de segurança entre no mercado. Os seguintes sintomas foram observados em consumidores: constrição brônquica; reação semelhante à asma (sem ser alérgica) e pode ter efeitos adversos como irritação da pele, olhos e trato respiratório, dor de cabeça, dificuldade em respirar, náuseas, vômitos, diarreia.

O único método de detecção de resíduos de dióxido de enxofre (SO2) internacionalmente reconhecido é o Monier Williams. Em nível de planta, outros métodos são usados com resultados mais rápidos, como a iodometria. O metabissulfito de sódio é seguro e não causa danos à saúde quando utilizado nas quantidades delimitadas pela legislação.

O Codex Stan 92 reconhece a concentração de sulfito de 100 ppm na parte comestível do camarão cru. No Uruguai, o limite máximo de dióxido de enxofre é de 30 ppm no camarão cozido. Na União Europeia, a EFSA concluiu que a IDA (Ingestão Diária Aceitável) é 0,7 mg expressa como equivalente de dióxido de enxofre por kg de peso corporal por dia. Nos Estados Unidos da América, o FDA (Food and Drug Administration) estabelece o limite de SO2 em 150 ppm. Portanto o aditivo INS 223 ou E223, em níveis legais, pode ser utilizado com segurança no tratamento de camarões e lagostins. Os sulfitos no camarão não causam alergias. Veja aqui.

Fontes:

https://core.ac.uk/download/pdf/11052167.pdf

http://www.elika.net/consumidor/es/alergia_alimentaria_sulfitos.asp

https://www.monografias.com/trabajos81/metabisulfito-sodio-preservante-camaroneras/metabisulfito-sodio-preservante-camaroneras2.shtml

https://foodsafetybrazil.org/por-favor-parem-de-chamar-os-sulfitos-de-alergenicos/

https://www.aquaculturebrasil.com/artigo/42/a-utilizacao-do-metabissulfito-de-sodio-como-conservante-na-industria-do-camarao-cultivado

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Revista americana encontra antibiótico em camarões importados

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Após a realização de estudos, foi possível descobrir alguns antibióticos, que são ilegais no cultivo de camarão. Além disso foram encontradas também algumas bactérias que causam intoxicação alimentar nos camarões importados.

Tais testes foram realizados pela Consumer Reports, que é uma revista americana onde possui publicação mensal. A mesma tem atuação desde 1936 e é líder em publicações referente a análises e comparações de produtos de consumo e serviços.

A Consumer Reports quer que o governo americano aumente o financiamento para o FDA para que ele possa inspecionar e testar mais os camarões importados e assim manter os contaminados fora do abastecimento de alimentos.

A pesquisa foi realizada com 342 pacotes de camarão cru e cozido congelado adquiridos em grandes redes supermercados e lojas de produtos naturais. Onze deles apresentaram traços de antibióticos.

O que a pesquisa deseja apresentar é que o FDA precisa aplicar melhor a legislação quanto a questão de análises e que é necessário investimento nesse segmento.

Vale a pena ressaltar que o uso de antibióticos em camarões não é aprovado pelo FDA e é ilegal a importação do mesmo. O uso de antibióticos contribui para a resistência dos microrganismos causando assim o uso indiscriminado de altas dosagens, que é um risco para a saúde pública. Além disso, pode causar problemas ambientais.

Conforme o artigo citado, em 2014 o FDA testou apenas 1% dos camarões importados para o EUA.

A questão do antibiótico foi só o início do estudo. Foi descoberto também bactérias como a E. coli e Vibrio. Cerca de 60% das amostras apresentaram resultado insatisfatório para a presença desses microrganismos. Lembrando que Vibrio é comumente testado em ostras e não em camarão.

A revista convida o FDA a intensificar os testes em portos dos EUA e em fazendas de camarão. E também adicionar Vibrio á lista de bactérias que são testadas para o camarão.

Dados importantes!

94% do camarão consumido nos EUA é importada de fazendas na Indonésia, Tailândia e índia e na maior parte não é inspecionado.

 

Aqui no Brasil, há o Plano nacional de controle de resíduos biológicos em produtos de origem animal, mas ele só analisa antibióticos de uso proibido no país, como o cloranfenicol e nitrofuranos. O uso de antibiótico não é permitida em camarões, mas na prática muitos deles são utilizados. Mas infelizmente o seu uso também não vem sendo fiscalizado pelas autoridades sanitárias do nosso país.

E agora quem irá nos salvar?

As informações referente ao estudo foram apresentadas no site: foodpoisoningbulletin

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Resistência antimicrobiana de Salmonella spp. isoladas de fazendas de camarão

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Antimicrobial susceptibility of Salmonella isolated from shrimp farms in Ceará State,
Brazil
Fatima Cristiane Teles de Carvalho,  Norma Suely Evangelista Barreto,  Cristhiane Moura Falavina dos Reis, Ernesto Hofer e Regine Helena Silva dos Fernandes Vieira

Resumo – O uso convencional de antibióticos, principalmente em cultivos intensivos, tem aumentado a resistência
antimicrobiana, selecionando patógenos resistentes. Este trabalho objetivou testar a susceptibilidade antimicrobiana de 23 cepas de Salmonella spp., isoladas de água, sedimento e camarão, de quatro fazendas de carcinicultura no Estado do Ceará,a diferentes antimicrobianos comerciais. Os sorovares testados frente aos antibióticos foram Salmonella Newport 14 (61%), Salmonella Anatum 05 (22%), Salmonella Albany 03 (13%) e Salmonella Soahanina 01 (4%). As cepas isoladas apresentaram perfil de resistência à tetraciclina de 39% e sensibilidade intermediária de 61%. Para o ácido nalidíxico, a resistência ficou em 17% e para a gentamicina em 04%. Perfil de multirresistência foi observado em 03 (13%) sorovares de Salmonella Albany e 01 (04%) de Salmonella Newport. Os resultados obtidos alertam quanto ao uso indiscriminado de antibióticos na carcinicultura, prática que contribui para a seleção de linhagens resistentes a estes antimicrobianos normalmente empregados no combate a infecções alimentares humanas.

Palavras-chave – Camarão marinho. Poluição. Atividade antimicrobiana.

 Acesse o trabalho completo aqui.

http://www.ccarevista.ufc.br/seer/index.php/ccarevista/article/viewFile/891/381

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