Revista americana encontra antibiótico em camarões importados

2 min leitura

Após a realização de estudos, foi possível descobrir alguns antibióticos, que são ilegais no cultivo de camarão. Além disso foram encontradas também algumas bactérias que causam intoxicação alimentar nos camarões importados.

Tais testes foram realizados pela Consumer Reports, que é uma revista americana onde possui publicação mensal. A mesma tem atuação desde 1936 e é líder em publicações referente a análises e comparações de produtos de consumo e serviços.

A Consumer Reports quer que o governo americano aumente o financiamento para o FDA para que ele possa inspecionar e testar mais os camarões importados e assim manter os contaminados fora do abastecimento de alimentos.

A pesquisa foi realizada com 342 pacotes de camarão cru e cozido congelado adquiridos em grandes redes supermercados e lojas de produtos naturais. Onze deles apresentaram traços de antibióticos.

O que a pesquisa deseja apresentar é que o FDA precisa aplicar melhor a legislação quanto a questão de análises e que é necessário investimento nesse segmento.

Vale a pena ressaltar que o uso de antibióticos em camarões não é aprovado pelo FDA e é ilegal a importação do mesmo. O uso de antibióticos contribui para a resistência dos microrganismos causando assim o uso indiscriminado de altas dosagens, que é um risco para a saúde pública. Além disso, pode causar problemas ambientais.

Conforme o artigo citado, em 2014 o FDA testou apenas 1% dos camarões importados para o EUA.

A questão do antibiótico foi só o início do estudo. Foi descoberto também bactérias como a E. coli e Vibrio. Cerca de 60% das amostras apresentaram resultado insatisfatório para a presença desses microrganismos. Lembrando que Vibrio é comumente testado em ostras e não em camarão.

A revista convida o FDA a intensificar os testes em portos dos EUA e em fazendas de camarão. E também adicionar Vibrio á lista de bactérias que são testadas para o camarão.

Dados importantes!

94% do camarão consumido nos EUA é importada de fazendas na Indonésia, Tailândia e índia e na maior parte não é inspecionado.

 

Aqui no Brasil, há o Plano nacional de controle de resíduos biológicos em produtos de origem animal, mas ele só analisa antibióticos de uso proibido no país, como o cloranfenicol e nitrofuranos. O uso de antibiótico não é permitida em camarões, mas na prática muitos deles são utilizados. Mas infelizmente o seu uso também não vem sendo fiscalizado pelas autoridades sanitárias do nosso país.

E agora quem irá nos salvar?

As informações referente ao estudo foram apresentadas no site: foodpoisoningbulletin

3 thoughts on

Revista americana encontra antibiótico em camarões importados

  • Simone Moraes Raszl

    Maciella,

    Na verdade o Vibrio pode ser encontrado em qualquer alimento de origem marinha, o problema é que não consumimos camarão cru, por isso não é tão comum. Na China e no Japão, onde eles comem os alimentos mais crus há casos relatados. Além disso, como a ostra filtra a água do mar, ela retém mais bactérias e acaba acumulando mais que em outros alimentos.
    A questão do antibiótico é realmente preocupante. Isso também mostra que o MAPA está deixando passar… o plano de amostragem do PNCRC é baseado no Codex, mas é como encontrar uma agulha num palheiro… Bom ficarmos atentos!

    Simone Moraes Raszl

    DVM
    Master in Food Science
    Doctorate Student in Food Science
    Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) / University of North Carolina (UNC)
    Institute of Marine Sciences (Morehead City, NC)

    0
    • Maciella

      Simone,
      Obrigada pela suas considerações!

      0
  • Luciano Ferreira

    O consumo de camarão cru ou mal cozido na forma de sushi e sashimi e cada vez maior conforme trecho do trabalho científico abaixo:
    “…Vibrio parahaemolyticus, Salmonella, Escherichia coli e Sthaphylococcus aureus são patógenos humanos comuns e distribuídos nos mais diversos ambientes. São isolados com grande frequência em peixes, camarões,moluscosbivalves, caranguejos, sushis e sashimis, os quais vêm fazendo parte da dieta dos brasileiros, devido às mudanças no hábito alimentar da população. As bactérias, abordadas neste trabalho, sobre as quais a Legislação estabelece limites, quase sempre não alteram a aparência do pescado, sendo a razão de suas limitações o fato de que são patógenas ao homem, e não deterioradoras do produto. Portanto, logo após a morte do pescado, deve-se implantar todos os cuidados sanitários necessários, para evitar o surgimento de condições que favoreçam a introdução e o desenvolvimento de patógenos e parasitas. Tais patógenos vêm sendo considerados como uma causa comum de casos de gastrenterite em diversos países do mundo, e em vários estados brasileiros, na maioria das vezes, associados ao consumo de pescados..”. (Bactérias Patogênicas Relacionadas a Ingestão de Pescados – Revisão- Arq. Ciên. Mar, Fortaleza, 2013, 46(2): 92 – 103.)
    E outros tantos reforçam a pesquisa de Vibrios principalmente principalmente pq esses microrganismos estão nas águas das fazendas de cultivo de camarões e essas em via de regra não exercem ou não tem boas práticas de cultivo.

    Além disso, são poucas a empresas que realizam algum tipo de análise para vibrios, uma vez que não há parâmetros legais, a exceção para produtos prontos para consumo na RDC 12 ANVISA para vibrio parahaemolyticus.

    Por fim, o código de defesa do consumidor diz que a empresa não pode transferir a responsabilidade para o consumidor, caso afirme que o produto ainda será cozido.
    A empresa pode consultar a possibilidade de informar que o produto pode ser potencialmente perigoso caso não receba o tratamento correto. Com isso atenderia o CDC, mas acho que essa medida não traria um propagando positiva.

    0

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Todos os textos são assinados e refletem a opinião de seus autores.

lorem

Food Safety Brazil Org

CNPJ: 22.335.091.0001-59

organização sem fins lucrativos

Produzido por AG74
© 2020, Themosaurus Theme
Compartilhar