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Riscos emergentes: método de identificação e insights para controle

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A EFSA, autoridade europeia em segurança de alimentos, define riscos emergentes como:

um risco resultante de um perigo recém-identificado ao qual pode ocorrer uma exposição significativa, ou de uma nova exposição significativa inesperada ou aumentada e/ou suscetibilidade a um perigo conhecido.

Esse tema, ainda que pouco discutido no Brasil, é de essencial importância para os governos e empresas. Deve-se estar preparado para uma tomada de ação a tempo na prevenção ou mitigação de futuros riscos.

Algumas ações da União Europeia, por meio da EFSA, da FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e de pesquisadores já apresentam resultados. Entretanto, o processo de identificação destes riscos é complexo por diversos fatores, como: lacunas de dados e informações, aumento de exposição e susceptibilidade etc.

Um estudo publicado na revista “Innovative Food Science and Emerging Technologies”, da rede ELSEVIER, apresenta uma metodologia de identificação de perigos e riscos emergentes, que aborda as seguintes etapas:

  1. Coleta de dados amplos: São reunidas grandes quantidades de informações (ex.: dados científicos, relatórios, tendências do setor alimentício).
  2. Processamento automatizado/semi-automatizado: Algoritmos são usados para filtrar e organizar esses dados, reduzindo o volume inicial e destacando possíveis riscos.
  3. Triagem por especialistas: Após a filtragem automática, especialistas analisam os resultados para identificar quais riscos realmente são relevantes.
  4. Classificação dos riscos: Os riscos identificados são organizados em categorias ou temas.
  5. Sistema estruturado de gestão do processo: Todo esse fluxo segue um modelo estruturado (workflow), garantindo rastreabilidade e repetibilidade.
  6. Uso de métodos analíticos variados: O estudo também discute diferentes técnicas de análise de dados que podem ser aplicadas para melhorar a detecção de riscos.

Como resultado da aplicação da metodologia, foram identificados 58 riscos emergentes, classificados em 10 categorias, apresentados de forma sintetizada abaixo:

  1. Segurança microbiológica de verduras e cogumelos frescos prontos para consumo / alimentos crus prontos para consumo
  2. Problema de alimentos para animais (pet food)
  3. Micro e nanoplásticos
  4. Questões de resistência antimicrobiana
  5. Problemas relacionados a contaminantes químicos (incluindo problemas com aditivos, pesticidas e materiais de contato)
  6. Questões relacionadas à sustentabilidade (incluindo fontes alternativas de proteína – insetos e engenharia genética)
  7. Inovação tecnológica (incluindo manipulação genética e questões relacionadas à nanotecnologia)
  8. Questões relacionadas às mudanças climáticas
  9. Microrganismos emergentes
  10. Tendências de consumo, como catering (ex. flores comestíveis) e técnicas de cozinha (ex. fermentação caseira)

Claro que uma metodologia deste porte requer das empresas um conhecimento mais aprofundado em análise de dados. Entretanto, as próprias conclusões deste estudo já servem de alerta para as empresas começarem a olhar para seus sistemas de gestão além da legislação e se antecipar a questões atualmente ainda não tão discutidas.

E você, já controla ou considera algum desses riscos na sua empresa? Conte-nos nos comentários!

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Por que não utilizar madeira na indústria de alimentos?

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Em inúmeros casos podemos observar o uso de madeira dentro de nossas casas, como colheres, tábuas, cabos de vassoura, palitos de churrasco e outros. Na indústria de alimentos também é possível observá-la em caixas de frutas, tabuleiros, palitos de sorvetes, paletes e outros.

A meu ver, ela apresenta 06 aspectos negativos para o alimento: microbiológico, físico, químico, imunológico, organizacional e operacional.

Por ser um material poroso, a madeira armazena no seu interior água, resíduo de alimentos, micro-organismos, tendo assim potencial de contaminação MICROBIOLÓGICA. Há pesquisas que indicam que os micro-organismos morrem aos poucos dentro dos poros da madeira.Também há processos, geralmente os que utilizam tabuleiros para secagens, que submetem a madeira a estufas de altas temperaturas por longos períodos de tempo. Todavia, esse processo não elimina micro-organismos esporulados e não elimina resíduos de lotes anteriores, causando falha ORGANIZACIONAL na rastreabilidade e também não elimina resíduos de ingredientes alergênicos, causando riscos IMUNOLÓGICOS.

Em alguns casos, o fato do material ser poroso não o impede de ser higienizado. Isso pode ser observado em tecidos e qualquer outro que possa passar por imersão e ser enxaguado corretamente. A imersão da madeira em agentes sanitizantes abre margem para uma contaminação QUÍMICA e pode fazer com que ela se esfarele, causando uma contaminação FÍSICA.

A contaminação física proveniente da madeira também pode ocorrer por impactos que soltam lascas e pedaços. Essas mesmas lascas são um risco OPERACIONAL, pois machucam as mãos dos manipuladores, os quais podem liberar sangue, gerando outros riscos.

A RDC 326/97 cita que:“deve evitar-se o uso de madeira e de outros materiais que não possam ser limpos e desinfetados adequadamente, a menos que se tenha a certeza de que seu uso não será uma fonte de contaminação”.

Se levarmos em consideração as colocações do texto, podemos ter essa certeza?

Na escolha de um material é importante avaliarmos que se ele não pode ser higienizado, não causará apenas problemas microbiológicos. Mesmo que ele seja submetido a altas temperaturas, como no caso do tabuleiro para secagem, mesmo que os micro-organismos não se multipliquem, como o caso da pesquisa. Não higienizar uma superfície causará problemas como mistura de lotes (rastreabilidade) e contaminações cruzadas (alergênicos).

O grande problema da madeira é que não podemos lavar e sanitizar toda sua extensão; se em um futuro próximo for desenvolvida uma solução, me coloco a favor do uso. Até lá, sou a favor de utilizar palitos de sorvete de plástico, espetos de aço, tabuleiros de plástico resistentes ao calor, cabos de alumínio e tudo o que for possível substituir.

Nota: Não encontrei uma colocação para alergênicos, devido a esse fato o classifiquei como imunológico, afinal, é nosso sistema imunológico que reage à partícula que ele considera alergênica.

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