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O que realmente está no seu prato? Seis realidades do sistema alimentar que você precisa conhecer

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A maioria de nós acredita que entende bem dos alimentos que compra. Conferimos rótulos, escolhemos frutas e verduras e confiamos que os produtos nas prateleiras são seguros e autênticos. Porém, por trás de cada item existe um sistema alimentar global de enorme complexidade — que está sendo rapidamente remodelado por avanços tecnológicos, desafios ocultos e descobertas surpreendentes. O caminho do campo até o prato nunca foi tão longo e intrincado.

Este artigo revela seis verdades impactantes — e muitas vezes assustadoras — sobre segurança dos alimentos, abastecimento e tecnologia nos dias de hoje. Com base em dados recentes e análises de especialistas, esses pontos mostram um sistema ao mesmo tempo mais transparente e mais vulnerável; mais avançado, mas ainda lutando contra problemas antigos. Do verdadeiro significado dos recalls alimentares aos “guardiões invisíveis” que vigiam as linhas de produção, a realidade do seu alimento é bem mais fascinante do que parece.

1. Mais recalls de alimentos podem ser, na verdade, uma boa notícia

Embora o aumento no número de recalls de alimentos — cerca de 15% entre 2020 e 2024 — pareça alarmante, isso não significa necessariamente que os alimentos estejam menos seguros. Pode indicar justamente o contrário. O impacto é gigantesco: as doenças transmitidas por alimentos custam aos Estados Unidos cerca de US$ 75 bilhões por ano em despesas médicas, perda de produtividade e mortes prematuras.

Esse aumento se deve sobretudo à tecnologia mais eficiente e a sistemas avançados de rastreabilidade. Essas ferramentas conseguem identificar problemas antes que eles atinjam um grande número de consumidores. Em um caso recente, uma empresa preparada para a Regra 204 da Lei de Modernização da Segurança dos Alimentos (FSMA) conseguiu ajudar a FDA a rastrear informações críticas em apenas alguns minutos — algo que antes podia levar dias ou semanas.

Esse movimento mostra uma mudança fundamental na segurança dos alimentos: da gestão reativa de crises para a prevenção proativa baseada em tecnologia. No fim das contas, isso torna o sistema alimentar mais seguro para todos.

2. Sua água mineral engarrafada provavelmente contém 100 vezes mais plástico do que se imaginava

Uma nova técnica de microscopia revelou um dado chocante sobre a água engarrafada. Em média, um único litro contém cerca de 240 mil fragmentos detectáveis de plástico — um valor de 10 a 100 vezes maior do que estimativas anteriores. Noventa por cento dessas partículas são nanoplásticos. Tão minúsculos que conseguem atravessar o sistema digestivo e atingir a corrente sanguínea, órgãos, células individuais e até a placenta.

Embora os efeitos à saúde a longo prazo ainda sejam desconhecidos, essa descoberta muda completamente o entendimento sobre a exposição humana aos microplásticos por meio de produtos de uso cotidiano. Abre-se, assim, um novo capítulo na pesquisa sobre contaminantes ambientais e saúde humana.

3. Um quarto dos alimentos no Brasil são reprovados de forma constante nos testes de agrotóxicos

Dados do Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) mostram que a taxa de amostras irregulares permanece elevada no Brasil — entre 25% e 26% de 2018 a 2025.

Uma amostra é considerada irregular quando contém resíduos acima do limite legal ou quando são detectados agrotóxicos não autorizados para aquela cultura. Apesar disso, o cenário é mais complexo do que parece. O programa apontou que o risco potencial de dano agudo à saúde, decorrente de uma única refeição, permaneceu baixo, com pico máximo de apenas 0,67% das amostras em 2023. Além disso, não foram detectados riscos crônicos nos ciclos avaliados.

4. Fraudes em alimentos são um problema antigo — e movimentam US$ 49 bilhões

Fraudes alimentares — adulteração, substituição ou rotulagem enganosa com objetivo financeiro — não são novidade. Na Roma Antiga, já se misturava água do mar ao vinho para aumentar o volume. Hoje, esse crime gera um prejuízo estimado de US$ 49 bilhões por ano à indústria global de alimentos.

Os produtos mais fraudados incluem azeite de oliva, peixes, alimentos orgânicos, leite, grãos, mel, café, especiarias e vinhos. Essa prática muda completamente o foco da segurança dos alimentos: deixa de ser apenas prevenir contaminações acidentais e passa a ser o combate a crimes intencionais por ganho econômico.

O combate à fraude exige controle baseado na identificação de vulnerabilidades na cadeia produtiva e na compreensão dos incentivos econômicos que impulsionam esse tipo de crime.

5. O Brasil atinge mínimos históricos na fome

Em um marco histórico de política pública, o Brasil alcançou em 2024 o menor nível de insegurança alimentar grave já registrado, patamar que só havia sido atingido em 2013. Em apenas dois anos, impressionantes 26,5 milhões de pessoas saíram da condição de fome grave.

Segundo o IBGE, os resultados foram rápidos e expressivos. Entre 2023 e 2024, a proporção de domicílios em insegurança alimentar grave caiu de 4,1% para 3,2%, retirando mais de 2 milhões de pessoas dessa condição em apenas um ano. No mesmo período, 8,8 milhões passaram a ter segurança alimentar plena.

Esse resultado mostra que políticas bem estruturadas e executadas podem, sim, produzir impactos reais no combate à fome.

6. A inteligência artificial está se tornando a guardiã invisível da segurança dos alimentos

Ao longo da cadeia global de alimentos, a Inteligência Artificial (IA) e o Machine Learning (ML) estão sendo aplicados silenciosamente para elevar a segurança e a qualidade dos alimentos — em níveis que antes pareciam ficção científica.

Algumas aplicações já em funcionamento:

  • Visão computacional: câmeras com IA identificam manchas, rachaduras e corpos estranhos com muito mais rapidez e precisão que o olho humano.

  • Previsão de deterioração: modelos preditivos analisam temperatura, umidade e histórico de dados para calcular com precisão a vida útil dos produtos, reduzindo perdas.

  • Gêmeos digitais: réplicas virtuais das linhas de produção permitem testar ajustes de processo sem arriscar a produção real.

Essas tecnologias estão transformando a segurança de alimentos de um modelo reativo para um sistema previsível e preventivo. Resultado: um sistema mais robusto, confiável e seguro.

Um futuro mais complexo — e mais transparente

As seis realidades apresentadas mostram um sistema alimentar em profunda transformação. Mais tecnológico, mais transparente — mas também mais exposto a riscos invisíveis e antigos problemas. Da fraude milenar à exposição moderna aos nanoplásticos, passando pelo combate à fome e pelo uso da inteligência artificial, o cenário é desafiador.

A grande pergunta permanece: serão a tecnologia e as políticas públicas suficientes para garantir um sistema alimentar realmente seguro, autêntico e justo para todos?

Se depender da ciência, o futuro é promissor.

Qual dessas realidades é mais impactante para você: os nanoplásticos na água ou os agrotóxicos na comida? Deixe nos comentários. 

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Do glamour ao perigo: a utilização do glitter com PP micronizado em produções alimentícias

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O brilho característico dos glitters comestíveis conquistou espaço nas confeitarias, redes sociais e celebrações de todo tipo. No entanto, nem todo brilho é tão inofensivo quanto parece e pode trazer riscos ao consumidor. Recentemente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) emitiu um comunicado alertando sobre glitter que contenha em sua composição polipropileno (PP) micronizado, devido ao potencial risco à saúde dos consumidores. O assunto veio à tona após alguns vídeos viralizados nas redes sociais, que mostravam o rótulo do glitter adquirido em lojas que fornecem materiais para o preparo de doces e bolos. O rótulo informava a presença de polipropileno (PP) micronizado como ingrediente.

A Anvisa realizou um pronunciamento por meio de seu site oficial, reforçando a proibição do PP micronizado em produtos alimentícios:

Anvisa esclarece que plásticos, incluindo o polipropileno (PP) micronizado, não estão autorizados para uso na composição de alimentos, sejam eles preparados ou industrializados.

Portanto, nenhum pó decorativo/glitter que contenha o chamado “PP micronizado” pode ser usado em produtos de confeitaria ou para decoração de alimentos. Esses materiais são permitidos apenas em objetos decorativos não comestíveis, como, por exemplo, cenários para decoração temática de festas.

Reforçou ainda que:

 Os produtos usados para colorir bolos, doces e similares, tanto em confeitarias como no ambiente doméstico, são considerados alimentos. Por isso, devem ser fabricados a partir de ingredientes e aditivos alimentares (que incluem os corantes e outros produtos que servem para alterar a cor, textura e sabor dos produtos) previamente autorizados pela Anvisa. Essa autorização é feita após uma avaliação da segurança para o consumo da população.

E quais os riscos da ingestão de microplásticos, que é o caso do PP micronizado?

Os efeitos adversos da ingestão direta ou indireta de microplásticos estão sendo discutidos com afinco atualmente. Alguns estudos científicos revelam evidências de processos inflamatórios relacionados à presença de plástico no intestino humano e já constataram até a presença de microplásticos no coração humano.

Para saber mais sobre microplásticos, indico os seguintes posts já publicados aqui no blog:

E diante de tal cenário, acabou o glamour das produções realizadas nas confeitarias? A resposta é NÃO! Por isso, é importante saber que alguns cuidados devem ser tomados ao eleger o glitter a ser utilizado nas produções.

Cuidados ao escolher os produtos para decoração de alimentos

  • Fique atento à lista de ingredientes: se houver menção ao PP micronizado na composição, FUJA! Os aditivos autorizados para utilização em alimentos podem ser encontrados neste site disponibilizado pela Anvisa.
  • Verifique se o rótulo contém a denominação de venda destinada à utilização para alimentos, como por exemplo “Glitter para fins alimentícios”, “corante artificial para fins alimentícios” e etc.
  • Cheque validade, lote e empresa que fabrica o produto.
  • Declaração da ausência e presença de glúten

Encontrei glitter comercializado para fins alimentícios com PP micronizado na composição; o que fazer?

A Anvisa reforça que essa prática deve ser denunciada. A denúncia pode ser realizada na unidade local da Vigilância Sanitária da cidade onde você reside, por meio dos canais fornecidos ou pode ser realizada diretamente por meio do site, no endereço https://www.gov.br/anvisa/pt-br/canais_atendimento

É importante colher o máximo de informações possíveis para auxiliar na investigação, como por exemplo:

  • a marca e a denominação;
  • as instruções de uso (quando presentes);
  • os dados do fabricante e/ou distribuidor (razão social e CNPJ);
  • a lista de ingredientes/composição, lote e data de validade.

Com essas informações, você pode fazer seu papel de cidadão consciente e ajudar a manter a segurança dos alimentos, afinal o brilho pode até encantar os olhos… mas não deve ir para o estômago!

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O que uma não conformidade recorrente conta sobre meu sistema de gestão?

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Nenhum sistema de gestão de segurança de alimentos é isento de falhas.
As não conformidades são parte do processo de aprendizado: mostram onde o sistema foi testado e não resistiu. Mas quando a mesma falha se repete, o problema deixa de estar no evento — e passa a estar na estrutura que o sustenta.

O que a recorrência realmente revela?

De forma simples, uma não conformidade recorrente indica que o sistema não aprendeu com o erro anterior. E isso pode acontecer por várias razões:

1 – Ação corretiva superficial
O desvio foi corrigido, mas a causa raiz não foi eliminada. É o caso clássico de limpar o efeito sem tratar a origem.
A BRCGS Issue 9 (2022) reforça que a reincidência demonstra falhas na verificação da eficácia das ações corretivas, um dos pilares do ciclo PDCA (Plan–Do–Check–Act).

2 – Análise de causa incompleta
Sem ferramentas adequadas, como o Ishikawa (espinha de peixe) ou o método dos 5 Porquês, investiga-se o sintoma e não o mecanismo real.
A ISO 22000:2018 estabelece que as ações corretivas devem ser “proporcionais à magnitude do problema e capazes de prevenir sua repetição”.

3 – Indicadores de controle mal definidos
Muitos sistemas medem apenas a quantidade de não conformidades, não sua reincidência. Estudos publicados em 2019, liderados por Berking, mostram que a frequência de não conformidades pode ser usada como indicador da eficácia do controle de alimentos: uma frequência alta indica controles frágeis; uma frequência muito baixa pode sinalizar inspeções pouco rigorosas.

4 – Falta de cultura de aprendizado
A repetição também denuncia quando a empresa trata o desvio como culpa individual e não como falha de processo. Ambientes punitivos inibem o reporte espontâneo e bloqueiam o ciclo de melhoria contínua.

O que dizem as boas práticas

Além de nossa vivência na indústria, a literatura recente também reforça que a gestão eficaz de não conformidades depende da transformação do dado em ação. Uma pesquisa publicada na revista Sustainability apresentou a ferramenta “Daily Challenge”, que propõe o acompanhamento diário de causas e ações para evitar reincidência.

O estudo mostrou que integrar o monitoramento de não conformidades à rotina operacional melhora a resposta do sistema e reduz falhas repetidas.

O princípio é simples: quanto menor o tempo entre detectar, analisar e agir, menor a chance de reincidência.

Como transformar a recorrência em aprendizado

  • Mapeie os desvios reincidentes
    Identifique quais falhas voltam com frequência e em quais áreas do processo. Agrupe-as por tipo de causa (humana, técnica, procedimental).

  • Avalie a eficácia das ações passadas
    Verifique se houve verificação documentada após cada ação corretiva e se a melhoria foi padronizada.

  • Promova a análise coletiva
    A reincidência raramente é culpa de uma pessoa — é sinal de falha sistêmica.
    Envolver operadores, supervisores e qualidade na análise fortalece a cultura de food safety.

  • Transforme a recorrência em indicador de maturidade
    Medir quantos desvios retornam é mais valioso do que apenas contar quantos ocorrem. Um sistema maduro é aquele que erra menos vezes a mesma coisa.

Em síntese

“Toda não conformidade é um dado. Uma recorrente é uma lição não aprendida.”

A reincidência revela o ponto em que o sistema parou de evoluir. Enquanto ela existir, há espaço para aprimorar procedimentos, treinar pessoas e fortalecer a cultura de segurança dos alimentos.
O objetivo não é eliminar erros — é impedir que o mesmo erro tenha segunda chance.

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O que uma Listeria no ralo quer dizer sobre meu processo?

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Poucos resultados geram tanta apreensão em auditorias quanto a detecção de Listeria monocytogenes. O impacto vai além do laboratório: dependendo do local de coleta, pode indicar risco direto ao consumidor ou a presença de nichos ocultos de contaminação. Quando o microrganismo aparece em ralos, muitos se perguntam: é apenas algo esperado em áreas úmidas ou um sinal de falha sistêmica? A resposta exige investigação estruturada, uso de ferramentas da qualidade e, acima de tudo, mudança de mentalidade para não normalizar ocorrências que podem levar a recalls e a crises públicas.

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Microplásticos aumentam resistência de bactérias e preocupam cientistas

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Você já ouviu falar que os microplásticos são nocivos ao meio ambiente, certo? Eles estão nos oceanos, no solo, no ar – e até em nossos alimentos. A presença de microplásticos em produtos alimentícios tem se tornado uma preocupação crescente, principalmente pela contaminação ambiental em áreas de cultivo e produção. Embora ainda não haja evidências científicas conclusivas sobre a migração direta de micro ou nanoplásticos das embalagens para os alimentos e bebidas, a exposição humana pode acontecer por diversas vias — incluindo ingestão, inalação e até absorção pela pele. Mas o que talvez você não saiba é que esses fragmentos minúsculos de plástico também estão reforçando um problema ainda mais grave: a resistência de bactérias aos antibióticos.

Um novo estudo da Universidade de Boston revelou algo alarmante: os microplásticos não apenas favorecem a formação de biofilmes bacterianos — uma espécie de “comunidade protetora” para os microrganismos — como também aumentam a resistência aos antibióticos da Escherichia coli (ou E. coli), uma bactéria comum e perigosa, frequentemente associada à contaminação de alimentos e água.

Como os microplásticos estão fortalecendo bactérias perigosas

No experimento, os cientistas testaram de que forma os diferentes tipos de microplásticos – como poliestireno e polietileno – afetam a E. coli. O resultado? Formação de biofilmes mais espessos e bactérias mais resistentes, mesmo após dias sem exposição a antibióticos. A presença de microplásticos aumentou a resistência da bactéria a vários medicamentos, incluindo ciprofloxacino e estreptomicina.

A E. coli é um dos principais patógenos de origem alimentar, e sua resistência crescente a antibióticos pode dificultar ainda mais o tratamento de surtos alimentares.

E isso não é tudo.

Outros estudos têm reforçado essa relação perigosa:

Por que isso importa?

A Organização Mundial da Saúde já declarou que a resistência antimicrobiana é uma das 10 maiores ameaças à saúde global. Estima-se que cerca de 5 milhões de pessoas morrem anualmente por infecções resistentes a medicamentos. Se adicionarmos à equação a onipresença de microplásticos em nossos oceanos, rios, alimentos – e até em nossos corpos – a situação fica ainda mais alarmante.

O ciclo vicioso do plástico

Os microplásticos agem como uma espécie de “condomínio de luxo” para as bactérias: oferecem abrigo, proteção contra antibióticos e até nutrientes. Isso favorece o crescimento de biofilmes mais densos e resistentes. Além disso, quando absorvem antibióticos presentes no ambiente, esses plásticos ajudam a treinar as bactérias para resistirem aos medicamentos.

Esse cenário já foi observado em estações de tratamento de esgoto e em ambientes marinhos e até mesmo no transporte de bactérias multirresistentes em ambientes urbanos.

E agora?

Esse problema não tem solução simples, mas exige ações urgentes:

  • Redução do uso de plásticos descartáveis: repensar hábitos e priorizar materiais reutilizáveis.

  • Avanços na gestão de resíduos plásticos: melhorar sistemas de coleta, reciclagem e tratamento.

  • Investimentos em pesquisa: entender melhor como essas partículas interagem com microrganismos é fundamental para conter essa ameaça.

Como consumidores, também podemos fazer nossa parte: questionar marcas, apoiar políticas sustentáveis e reduzir o consumo de plásticos sempre que possível.

Leia também: 

Nova página do FDA: o que precisamos saber sobre microplásticos e nanoplásticos em alimentos

O perigo dos microplásticos em moluscos bivalves

Microplásticos e nanoplásticos em alimentos

A ciência já deu o alerta. Vamos continuar alimentando o problema ou escolher agir antes que seja tarde demais?

Imagem: Stijn Dijkstra

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Você está estrategicamente preparando sua empresa para o futuro? A Nova Era de um Food Safety mais Inteligente!

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Uma parte da responsabilidade do líder de Food Safety de uma empresa é garantir a conexão de planos de segurança de alimentos ao Plano Estratégico da Empresa.

Ou seja, é responsabilidade da liderança não somente olhar para os temas do agora (HACCP, simulados, treinamentos) mas também planejar os próximos passos da organização acompanhando as “Best Practices” do mercado.

Para isso é sempre importante ficar de olho em movimentos de outras regiões para compreender as tendências, de maneira a antecipar mudanças de processos e sistemas.

A FDA está adotando uma nova abordagem para a segurança de alimentos, aproveitando a tecnologia e outras ferramentas para criar um sistema mais seguro, digital e rastreável. O objetivo final é reduzir a curva de doenças transmitidas por alimentos no país.

O plano chama-se “New Era of Smarter Food Safety”, anunciado há 2 anos (mas mantido on hold por um período devido à pandemia de covid-19). Ele é o próximo passo após o FSMA (Food Safety Modernization Act), sobre o qual você pode ler aqui. O plano descreve metas para:

  • melhorar a rastreabilidade,
  • melhorar a análise preditiva,
  • responder mais rapidamente a surtos,
  • abordar novos modelos de negócios,
  • reduzir a contaminação de alimentos
  • e promover o desenvolvimento de culturas de segurança de alimentos mais fortes.

O FDA está trabalhando com parceiros nos setores público e privado e continua promovendo metas em cada uma das quatro áreas prioritárias,.

Conheça os Elementos Centrais

  1. Rastreabilidade habilitada para tecnologia
  2. Ferramentas e abordagens mais inteligentes para prevenção e resposta a surtos
  3. Novos Modelos de Negócios e Modernização do Varejo
  4. Cultura de Segurança de Alimentos

Esses são os pilares fundamentais da “New Era of Smarter Food Safety”, abrangendo a gama de tecnologias, análises, modelos de negócios, modernização e valores que são seus blocos de construção.

Esses elementos, trabalhando juntos, ajudarão a criar um sistema mais seguro, digital e rastreável.

Recomendamos que você assista a este vídeo  para entender um pouco mais do programa e encontrar mais informações.

Ainda assim, como acreditamos que a conexão entre estratégia de negócios da empresa deve sempre considerar os pontos relevantes de Segurança de Alimentos, vamos fazer uma série de mais 4 artigos, cada um detalhando um pouco mais dos 4 elementos.

Referências:

https://www.fda.gov/food/new-era-smarter-food-safety

https://www.fda.gov/food/new-era-smarter-food-safety/new-era-smarter-food-safety-blueprint

https://www.fda.gov/media/139868/download

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Gripe aviária como risco potencial em alimentos

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Vamos desenvolver a ideia da gripe aviária como potencial risco alimentar.
O vírus da Influenza Aviária (IA) afeta basicamente diferentes espécies de aves silvestres e também aves domésticas e pode ser transmitido ao homem. É, portanto, uma zoonose (uma doença que é transmitida de animais para humanos e vice-versa).

Sobre o vírus
Até agora, mais de 12 tipos de gripe aviária foram identificadas, 2 das quais são perigosas para os seres humanos: H5N1 e H7N9. Essas infecções podem ser fatais para os seres humanos. Embora alguns casos isolados de transmissão do vírus de humano para humano tenham sido descritos, isso parece ser raro até agora, mas é um risco potencial significativo para a saúde pública.
O vírus pode afetar galinhas, perus, patos e gansos e a via de transmissão é pelo contato com aves infectadas, seus excrementos e sua carne e ovos crus ou mal cozidos.

Controle
Para inativar o vírus durante o consumo de carne e ovos de aves infectadas, é recomendado e necessário cozinhar a uma temperatura interna de pelo menos 74°C. Evite ovos crus ou mal cozidos em certas preparações culinárias quando sua origem é desconhecida. Sempre que forem consumidos produtos derivados de aves, devemos nos certificar de que sejam provenientes de frigoríficos ou de produtores de ovos que tenham inspeção sanitária oficial da autoridade competente.
Evite o contato com aves doentes ou superfícies contaminadas com excrementos. Por exemplo: o exterior dos ovos deve ser lavado com água potável antes do uso. Evite a contaminação cruzada com outros alimentos. As mesmas considerações são válidas para evitar a transmissão de salmonela pelo consumo de aves e seus derivados.

Sintomas
O maior perigo é representado por aves infectadas. Quando as pessoas são infectadas podem ter complicações como: pneumonia, insuficiência respiratória, disfunção renal e problemas cardíacos.

Recomendações
As recomendações conhecidas sobre higiene na manipulação de alimentos devem ser aplicadas como forma de prevenção rotineira.
As 3 principais recomendações ao preparar alimentos à base de carne de aves e ovos são:
1- Evite a contaminação cruzada.
2- Cozinhe completamente a carne de aves (74°C no centro do produto, por pelo menos 3 minutos)
3- Evite comer ovos crus ou mal cozidos.

Referências:

https://www.mayoclinic.org/es-es/diseases-conditions/bird-flu/symptoms-causes/syc-20368455

https://espanol.cdc.gov/flu/avianflu/virus-transmission.htm#:~:text=Las%20infecciones%20en%20humanos%20por,cuando%20la%20persona%20lo%20inhala.

https://www.who.int/emergencies/disease-outbreak-news/item/2022-E000111

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