Participei recentemente do III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos (CSQA), na Unicamp. Este é o segundo post baseado nas apresentações que assisti (acesse o primeiro aqui).
A palestra da Profa. Marciane Magnani foi, sem dúvida, uma das mais provocativas do III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos (CSQA). A mensagem central foi direta: não há segurança alimentar sem segurança dos alimentos.
Quando olhamos para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), percebemos um cenário ainda paradoxal. De um lado, avanços tecnológicos e uso de inteligência artificial; de outro, problemas básicos como fome, desigualdade e deficiência nutricional persistindo para uma parcela significativa da população mundial.
No Brasil, o desperdício — que pode chegar a 30% da produção — contrasta com a vulnerabilidade de muitos e a produção altamente tecnificada de comodities. As questões de nutrição da população refletem diretamente em seu desempenho e produtividade.
E aqui entra um ponto muitas vezes negligenciado: a segurança do alimento não se perde só na produção. Transporte, distribuição e ponto de venda ainda são elos frágeis da cadeia, especialmente em um país com forte dependência logística rodoviária. As cadeias precisam garantir a estabilidade dos alimentos, não só no produtor, mas com sistemas que garantam a chegada do alimento com segurança para o consumidor.
One Health e dados: o futuro já começou
Outro conceito que atravessou várias discussões deste III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos foi o One Health, integrando saúde humana, animal, ambiental e segurança de alimentos.
Na prática, isso significa usar dados de forma integrada para monitorar riscos, antecipar surtos e tomar decisões mais rápidas. Não estamos mais falando apenas de controle — mas de previsão e prevenção.
Isso se conecta diretamente com um dos temas mais atuais do evento: o uso de tecnologia. Por isto, é muito importante desenvolver políticas públicas para rastreamento e controle para termos populações mais saudáveis.
Dra. Larissa Bertollo Gomes Porto, gerente de avaliação de riscos na ANVISA, explicou como a ANVISA regula contaminantes na prática, como representam o Brasil no Codex e os principais projetos em discussão no momento, focando prevenção e redução de contaminantes, como metais pesados, micotoxinas e acrilamida.
One Health deixou de ser conceito — é necessidade.
Integrar saúde humana, animal e ambiental, com uso de dados para prever riscos, já não é tendência: é o caminho para um sistema mais resiliente.
Leia também:
Destaques do III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos (CSQA) 2026 – 1
2 min leituraParticipei recentemente do III Congresso de Segurança e Qualidade de Alimentos (CSQA), na Unicamp. Este é o segundo post baseado nas apresentações que assisti (acesse o primeiro aqui). A palestra […]
