Em um país de clima tropical como o Brasil, onde em algumas regiões as temperaturas atingem facilmente a marca de 40ºC, buscar alternativas para se refrescar não é uma má ideia. E algo muito comum em nosso país é o consumo de sorvetes, que movimenta um mercado de milhões. Mas o que muita gente não sabe é que existem perigos ocultos nas (para muita gente inofensivas) casquinhas de sorvetes.
A casquinha de sorvete tornou-se um símbolo tão icônico quanto o próprio sorvete. Sua origem remonta ao início do século XX, mais precisamente à Feira Mundial de St. Louis, nos Estados Unidos. Conta a história que um vendedor de sorvete ficou sem recipientes para servir seus clientes em meio ao calor intenso e à grande demanda. Ao lado dele, um confeiteiro sírio preparava uma espécie de waffle fino e crocante. Em um momento de improviso e genialidade, eles decidiram enrolar aquela massa ainda quente em formato de cone e usá-la para servir o sorvete. O resultado não só resolveu um problema imediato, como criou uma das combinações mais queridas do mundo. Desde então, a casquinha deixou de ser apenas um recipiente e passou a fazer parte da experiência — prática, comestível e irresistível, ela transformou a forma como consumimos sorvete e conquistou gerações ao redor do planeta.
Por se tratar de um alimento seco, com baixa atividade de água e não tão crítico como outros alimentos, como carne ou leite, pode-se ter uma falsa sensação de que não há risco algum nas casquinhas de sorvete, porém esse é um ledo engano. Para saber quais perigos existem é importante conhecer um pouco sobre como são feitas as deliciosas casquinhas de sorvetes e quais os principais controles para evitar potenciais perigos.
Matérias-primas
Como para todo produto composto por vários ingredientes, é de suma importância o cuidado com as matérias-primas utilizadas. Assim como para um bolo ter qualidade, não se pode usar farinha de trigo estragada, ovo podre ou leite azedo, da mesma forma uma casquinha de sorvete necessita de matérias-primas bem selecionadas, de qualidade e principalmente seguras para serem usadas e consumidas. Para esse objetivo é necessário realizar a homologação e qualificação dos fornecedores, exigir laudos de qualidade, executar ações preventivas quanto a fraudes, controles no recebimento de cada ingrediente, além de outras cuidados rigorosos para que seja possível evitar qualquer tipo de perigo logo no inicio.
Massa
Nessa etapa, os maiores cuidados são relacionados a prevenção de perigos físicos, pois com a mistura dos materiais durante o preparo da massa pode eventualmente ocorrer contaminação por partículas sólidas das matérias-primas ou do processo, que não são bem-vindas para o produto final. É nessa etapa onde geralmente são usadas as peneiras e filtros capazes de reter objetos indesejados.
Produção
Essa é fase de final das casquinhas de sorvete, onde são assadas e tomam as formas de cone que conhecemos. Já produzidas, elas passam por detectores de metais que identificam e retêm, em caso de incidência, partículas metálicas que podem ser provenientes dos equipamentos. Também nessa etapa as altas temperaturas dos fornos eliminam todos os microrganismos que possam eventualmente se desenvolver nas etapas anteriores.

O maior perigo das casquinhas de sorvete ocorre exatamente após a sua fabricação. O artigo Indicadores gerais de contaminação em casquinhas para sorvete mostra que há um alto índice de contaminação microbiológica nos pontos de vendas. Isso demonstra a importância de orientações quanto ao armazenamento, manuseio do produto e higienização das mãos de manipuladores em sorveterias.
É importante ter conhecimento sobre esses perigos, assim como sobre os cuidados para evitá-los, para que não se retire do povo brasileiro um dos maiores prazeres: deliciar-se tomando um sorvete de casquinha. Estejam atentos aos estabelecimentos que comercializam estes sorvetes e observem os cuidados que tomam.
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