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Tabela nutricional e sua importância

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A tabela nutricional presente nos rótulos de alimentos orienta o consumidor na escolha de produtos mais adequados às suas necessidades de saúde, preferências alimentares e estilo de vida. Muitas pessoas ainda ignoram ou não compreendem totalmente essas informações, mas a leitura correta contribui diretamente para uma alimentação mais equilibrada e consciente.

De modo geral, a tabela nutricional apresenta a composição do alimento em termos de energia e nutrientes. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) estabelece sua obrigatoriedade e define as regras de apresentação. Entre os principais itens, encontram-se o valor energético, carboidratos, proteínas, gorduras totais, gorduras saturadas, gorduras trans, fibra alimentar, sódio e, em alguns casos, vitaminas e minerais.

Interpretação das informações nutricionais

O consumidor deve observar primeiramente a porção indicada na tabela. A porção representa uma quantidade média que as pessoas costumam consumir e aparece em gramas ou mililitros, acompanhada de uma medida caseira. Todas as informações nutricionais referem-se a essa porção. Portanto, quando alguém consome quantidades diferentes, precisa ajustar proporcionalmente os valores ingeridos. Muitas pessoas negligenciam esse ponto, o que pode gerar interpretações equivocadas.

O valor energético indica a quantidade de energia que o alimento fornece ao organismo, em quilocalorias (kcal). Esse dado auxilia o controle do peso corporal, seja para emagrecimento, manutenção ou ganho de massa. Ainda assim, o consumidor não deve avaliar o alimento apenas pelas calorias, pois a qualidade dos nutrientes também influencia a saúde.

Os carboidratos fornecem a principal fonte de energia para o corpo e aparecem em alimentos como pães, massas, frutas e açúcares. A tabela apresenta esses nutrientes em gramas e inclui tanto os açúcares naturais quanto os adicionados. A rotulagem mais recente destaca os açúcares adicionados, o que facilita a identificação de produtos com alto teor. O consumo excessivo desse componente aumenta o risco de doenças como obesidade e diabetes.

As proteínas desempenham papel essencial na construção e reparação dos tecidos, além de contribuírem para o sistema imunológico. Alimentos de origem animal, como carnes, ovos e leite, fornecem proteínas, assim como fontes vegetais, como leguminosas. A tabela nutricional informa a quantidade por porção, permitindo que o consumidor avalie sua contribuição na dieta.

As gorduras também exigem atenção. A tabela diferencia gorduras totais, saturadas e trans. O consumo excessivo de gorduras saturadas eleva o risco de doenças cardiovasculares, enquanto as gorduras trans apresentam ainda mais prejuízos à saúde e devem ser evitadas. Por outro lado, gorduras insaturadas oferecem benefícios ao organismo, embora nem sempre apareçam destacadas.

A fibra alimentar contribui para o bom funcionamento do intestino, auxilia no controle da glicose no sangue e promove maior saciedade. O consumidor pode usar a tabela nutricional para identificar alimentos com maior teor de fibras e melhorar a qualidade da dieta.

O sódio atua como um mineral essencial, mas o consumo excessivo aumenta a pressão arterial e o risco de doenças cardiovasculares. Muitos alimentos industrializados contêm altos níveis de sódio, o que reforça a importância da leitura atenta da tabela nutricional.

O percentual de valores diários (%VD) mostra quanto uma porção do alimento contribui para a ingestão diária recomendada de cada nutriente, com base em uma dieta de 2.000 calorias. Esse indicador ajuda o consumidor a identificar se o alimento apresenta alto ou baixo teor de determinado nutriente. Em geral, valores acima de 20% indicam alto teor, enquanto valores abaixo de 5% indicam baixo teor.

Os rótulos atuais também trazem alertas frontais que indicam alto teor de açúcar, sódio ou gorduras saturadas. Esses símbolos facilitam a compreensão das informações e permitem escolhas mais rápidas e conscientes, principalmente para quem encontra dificuldade na leitura detalhada.

Além disso, o consumidor deve analisar a lista de ingredientes em conjunto com a tabela nutricional. Essa lista apresenta os componentes em ordem decrescente de quantidade, o que permite identificar rapidamente os ingredientes predominantes no produto.

Importância para a saúde e consumo consciente

A leitura da tabela nutricional torna-se ainda mais importante para pessoas com restrições alimentares, como diabéticos, hipertensos, celíacos ou indivíduos com intolerâncias. Para esses grupos, a análise do rótulo garante mais segurança e auxilia na manutenção da saúde.

Muitos consumidores ainda enfrentam dificuldades para interpretar essas informações, seja por desconhecimento ou pela complexidade dos termos técnicos. Por isso, a educação nutricional desempenha papel fundamental na promoção de hábitos alimentares mais saudáveis. Iniciativas educativas podem incentivar a leitura dos rótulos e melhorar a compreensão das informações.

Em conclusão, a tabela nutricional oferece informações valiosas que ajudam o consumidor a fazer escolhas mais conscientes. Ao desenvolver o hábito de ler e interpretar os rótulos, as pessoas conseguem melhorar a qualidade da alimentação e promover uma vida mais saudável e equilibrada.

3 min leituraA tabela nutricional presente nos rótulos de alimentos orienta o consumidor na escolha de produtos mais adequados às suas necessidades de saúde, preferências alimentares e estilo de vida. Muitas pessoas […]

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Alimentos com lupa “alto em”: o que você precisa saber? Post alto em informação

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Entra em vigor hoje, dia 09 de outubro de 2023, uma das fases de maior impacto para o consumidor em relação às novas regras de rotulagem nutricional no Brasil.

Até esta data, somente novos alimentos precisavam estar de acordo com a norma RDC nº 429/2020, da Anvisa, que estabeleceu o sistema de rotulagem nutricional frontal, ou seja, as lupas pretas com a descrição “alto em”, que você provavelmente já está vendo nos supermercados. Mas a partir de 09 de outubro de 2023, todos os alimentos que já estavam em circulação nos supermercados também deverão se adequar. É importante salientar que alimentos produzidos até o dia 08 de outubro de 2023, que já se encontravam nos supermercados, poderão ser comercializados até o final do prazo de validade.

Após esta etapa faltarão apenas os alimentos produzidos por agricultor familiar, empreendimento econômico solidário, microempreendedor individual e agroindústria de pequeno porte, que terão até 08 de outubro de 2024 para a adequação, além das bebidas não alcoólicas comercializadas em embalagens retornáveis, que terão até 08 de outubro de 2025 para o fazer o ajuste.

Estamos em um momento decisivo na etapa de implementação da norma, justamente porque é o momento de educar o consumidor a respeito dessas novas fermentas. Para isso, é preciso informar as principais mudanças e como utilizá-las no momento da compra de um produto.

A lupa (rotulagem nutricional frontal)

Sempre que você ouvir falar de rotulagem nutricional frontal, estamos nos referindo à lupa “ALTO EM”, considerada a maior inovação da norma. Trata-se de um símbolo informativo na parte da frente, na metade superior do rótulo do alimento, cuja área é facilmente capturada pelo nosso olhar. A ideia é mostrar ao consumidor, de forma simples, o alto conteúdo de nutrientes que têm relevância para a saúde, tais como açúcar adicionado, sódio e gordura saturada.

Confira os modelos:

Fonte: site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa

A tabela

Já conhecida pelos consumidores, a tabela de informação nutricional passou por mudanças significativas. A primeira delas é que a tabela passa a ter apenas letras 100% pretas e fundo 100% branco, facilitando a legibilidade das informações. Outra alteração na tabela é que passará a ser obrigatória a quantificação de açúcares totais, açúcares adicionados e também a declaração do valor energético e nutricional por 100 g ou 100 ml do alimento, para ajudar na comparação de produtos, além do número de porções por embalagem.

 <—- De olho na tabela, você fica sabendo:
– O número de porções do alimento contidas na embalagem.


 A porção de referência, isto é, a porção de consumo equivalente em medida caseira (ex.: colher).


Essas informações são uma referência importante para orientar suas escolhas alimentares.

 

  Fonte: Instrução Normativa N° 75, de 8 de outubro de 2020 – ANVISA

Medida Caseira

Por exemplo, no caso de salgadinho de milho, a porção de referência é de 25 g. Em medida caseira, isso equivale a uma xícara e meia de salgadinhos. Esse é apenas um exemplo que você pode encontrar: as porções e sua equivalência em medida caseira vão depender de cada produto e estarão indicadas na tabela nutricional do rótulo.

<—-   De olho na tabela, você fica sabendo:
Valor energético e a lista de nutrientes de declaração obrigatória nas quantidades em 100 g e ou ml do alimento

Essa é uma indicação importante para que você possa comparar diferentes alimentos. 

Fonte: Instrução Normativa N° 75, de 8 de outubro de 2020 – ANVISA

 

<—-   De olho na tabela, você fica sabendo:

Valor energético e a lista de nutrientes de declaração obrigatória na porção do produto.

 

Fonte: Instrução Normativa N° 75, de 8 de outubro de 2020 – ANVISA

Porção

Na maionese, por exemplo, é muito difícil alguém comer 100 g de maionese de uma vez! Assim, essa medida da porção de referência permite uma visão mais clara para orientar o consumo no dia a dia.

  • ALTO EM: Gordura Saturada (maior ou igual a 6 g por 100 g do produto)
  • Porções por embalagem: 20 porções de referência
  • Porção de referência: 12 g (1 colher de sopa)

O consumidor precisa saber como interpretar estas informações. Em produtos como a maionese, por exemplo, é provável que a maioria das marcas apresentem em seus rótulos a lupa ¨alto em gordura saturada¨, mas vale ressaltar que esta informação foi adicionada com base em 100 g de maionese. Mas pense bem, será que realmente alguém consome 100 g de maionese no momento de saborear um lanche? Neste caso, o ideal é olhar para a quantidade de gordura saturada na porção, que no caso da maionese, é de 12 g (1 colher de sopa). Outros exemplos semelhantes são a margarina, molhos prontos, adoçantes. Sendo assim, ressalto a importância de o consumidor buscar informações do significado de cada informação nutricional contida no rótulo, pois tão importante quanto verificar a indicação da lupa no rótulo, é olhar o tamanho da porção consumida.

Se para as pessoas com conhecimento técnico na área, inserir no rótulo todas estas informações foi e está sendo um desafio, imagine para o consumidor que não tem conhecimento técnico. Acredito que quanto mais informações forem publicadas de uma forma que o consumidor entenda, mais fácil será para que realmente estas ferramentas sejam úteis na escolha de alimentos mais saudáveis.

Resumo

Você já deve ter encontrado no supermercado um alimento com a nova rotulagem nutricional frontal, ou seja, a com a lupa “ALTO EM”. Esta indicação tem o objetivo de informar o consumidor sobre o alto teor de sódio, gordura saturada e ou açúcar adicionado por 100 g ou ml. O mais importante é que o símbolo ajuda a comparar diferentes alimentos e auxilia as escolhas alimentares.

Lilian Carezia é formada em Tecnologia em Alimentos, com especialização em Análise e Controle Químico. Atua como consultora na área de alimentos e bebidas e reside em Chapecó, SC

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