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Do papel à prática: aplicando o novo Guia de Cultura da GFSI

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Se não traduzirmos esta imagem em comportamentos, vira só “quadro de parede”. Daí a questão:  como virar prática no chão de fábrica e na gestão, sem gerente só cobrando volume e operador pulando etapas?

Os fundamentos da cultura organizacional devem focar a segurança de alimentos explicitamente na missão, com KPIs de diretoria incluindo food safety e não somente custo/produção e ter evidências concretas das decisões de qualidade. Aqui, o pilar Adaptabilidade e Melhoria Contínua, junto com missão, visão e valores da organização, consideram que o desvio gera melhoria, não só correção, com revisão de processo após incidente e indicadores de tendência, não apenas resultado pontual a ser tratado pela “liderança de topo”. Como exemplo, a empresa fraca diz: “produza assim mesmo e depois ajustamos” e o KPI de diretoria é o volume entregue. Já empresa com cultura: pare a linha, ajuste higienização/setup e assuma o atraso.

Sobre pessoas, o treinamento deve ter avaliação real, com operador empoderado que pode parar linha de produção, sem punição; e com a liderança cobrando comportamento, não só resultado. Treinamento baseado em risco real (ex.: contaminação cruzada), simulações práticas (recall, crise, desvio) e avaliação comportamental (não só prova teórica). Cada área tem dono de riscos, não pode ser “a qualidade resolve”. Os desvios têm responsável + prazo + consequência e na auditoria interna com cobrança real (sem “passar pano”).

Para consistência os padrões operacionais seguidos sem variação por turno (funciona igual dia e noite? Auditor presente ou não?), checklists validados e não preenchidos depois e com a mesma regra para todos, inclusive as gerências. A conscientização sobre riscos engloba se o operador sabe “o que pode dar errado aqui”, os pontos críticos visíveis na área e com reuniões diárias rápidas sobre riscos.

O ambiente de trabalho deve ter leiaute que evite cruzamento (cru x pronto), pressão por produção não pode gerar atalhos e recursos disponíveis (EPIs, utensílios, tempo). Se isto tudo não estiver acontecendo, teremos então:

  • treinamento sem mudança de comportamento = cultura fraca;
  • desvio repetido = sem aprendizado;
  • produção manda mais que qualidade = cultura falsa;
  • indicador sem ação = gestão decorativa.

Implemente indicadores de cultura como: % desvios recorrentes, tempo de resposta e adesão a procedimentos; Gemba real com a liderança indo à área ver comportamento, tendência de desvios via gráfico mostrando evolução e evidência de decisão difícil que é parar produção por risco.

Que tal podermos dizer e fazer assim:

Em nossa cultura, desvio não é evento a ser corrigido — é gatilho obrigatório de melhoria sistêmica, com decisão sustentada pela liderança e evidência em indicadores de tendência.

Bravo!

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