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O FDA considera coco alergênico?

3 min leitura

Aproximadamente 32 milhões de americanos sofrem de alergias alimentares. Em resposta a isso, em 2004 o Congresso Americano aprovou a Lei de Rotulagem de Alimentos Alergênicos e Proteção ao Consumidor (Food Allergen Labeling and Consumer Protection Act, FALCPA), que exige que os rótulos dos alimentos listem determinados ingredientes que possam causar reações alérgicas.

A lei identifica 8 principais alergênicos alimentares, escolhidos porque respondem por mais de 90% de todas as alergias alimentares registradas nos Estados Unidos, que são:

Como se vê, um dos grupos refere-se a nozes de árvores (tree nuts), e o Food and Drug Administration (FDA) dos EUA, para fins da FALCPA, reconhece o coco como uma noz de árvore e, portanto, seria o coco alergênico que deve ser declarado, apesar de em stricto sensu, botanicamente falando, o coco não ser propriamente uma noz, mas um fruto seco simples de uma palmeira da família Arecaceae chamada Cocos nucifera, classificado como drupa fibrosa.

Nesta drupa, existe um epicarpo liso que corresponde a uma casca externa, o mesocarpo que é a parte fibrosa na qual existe um “caroço” revestido por um endocarpo lenhoso, e dentro deste existe uma polpa comestível que é o endosperma, ou seja, o que comemos num coco é a polpa contida no caroço de uma fruta fibrosa.

O próprio FDA reconhece que sua lista de nozes é ampla e que muito do que está identificado como nozes sob o olhar da FALCPA não são propriamente nozes, mas parte-se do princípio de que é tarefa da FDA proteger o maior número possível de pessoas das preocupações com alergia alimentar, e não necessariamente determinar a taxonomia botânica correta de todos os alimentos.

Isso pode ser confuso para muitos países que exportam para os EUA, já que os cocos normalmente não são considerados nozes, mas apesar disso, embora não seja tão comum, há registros de casos de pessoas com alergia ao coco nos Estados Unidos, e o que se busca via a rotulagem exigida pela FALCPA é a segurança dos alimentos no espectro mais amplo possível.

Para produtos alimentícios que contenham nozes, crustáceos ou peixes, o tipo específico de noz, ou espécie de peixe ou marisco, deve ser declarado pelo seu nome comum ou usual.

Busquei para este artigo, alguma estatística sobre casos de alergia causados por coco nos EUA e no Brasil; infelizmente, não encontrei dados seguros que pudesse utilizar, apenas generalizações, inclusive se algum leitor tiver dados confiáveis e puder compartilhar nos comentários com a devida fonte, agradeço.

Por fim, é definitivo: empresas que produzem alimentos destinados aos EUA que contenham coco em seus ingredientes devem fazer a rotulagem declarando-o. Se isso não for feito, a FDA poderá considerar a identificação do produto como incorreta, o que poderá resultar em ações regulatórias, como cartas de aviso, alertas de importação ou mesmo detenções, e se o produto já estiver sido introduzido no mercado norte americano, até exigir um recall como já ocorreu e foi publicado aqui no blog no artigo Falta de alerta de coco para alérgicos resulta em recall nos EUA.

20 thoughts on

O FDA considera coco alergênico?

  • Josilene de Sena Santos

    E nos casos dos derivados do coco? leite de coco; óleo e o açúcar de coco?

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    • Marco Túlio Bertolino

      Segue a mesma lógica. Trata-se produtos derivado de coco. Lembre sempre que alergias não estão associadas a quantidade, mas ao contato com a proteína de desencadeia a reação alérgica, portanto, na perspectiva de minimizar riscos, se informa ao consumidor.

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  • Juliane

    Muito bem explicado. Sabe se algum outro país segue este alinhamento, Marco?

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    • Marco Túlio Bertolino

      O Brasil foi diferente, não considerou coco, por outro lado, considerou latex. Tirando estes dois casos os outros que o FDA considera são meio unânimes, justamente porque há maior probabilidade de causarem alergias típicas. E muitos países, e mais que isto, grandes players do segmento de alimentos, seguem o FDA.

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  • Rafaele Sens
    • Marco Túlio Bertolino

      Sim, apesar deste artigo tratar especificamente de coco, aquilo que for “nozes de árvores” deve ser considerado como determina a diretriz do FDA.

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  • Adriana Nodari

    Boa tarde!

    Não tenho estatística, mas tenho uma amiga que e alérgica a côco, antes dela não conhecia ninguém e não sabia que poderia haver…

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  • Marcel

    Marco,
    Tem mais informações sobre alergia ao coco?

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  • Thais Tamires

    Tenho uma bebê de 1.3meses ela é extremamente alérgica ao coco, nunca comeu mas se a pessoa só pegar nela com as mãos sujas de coco, pronto fica cheia de caroços e incha tudo. Eu descobri numa praia, foi uma loucura pq eu não sabia ainda. E depois aconteceu uma segunda vzs quando eu tava fazendo um bolo, e descascando uma cocos… Lavei as mãos rapidamente e peguei nela… Foi horrível!!! Até os olhos incharam😰

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    • Marco Túlio Bertolino

      Oi Thais, ruim que seu bebê seja alérgico a um alimento, mas bom que você já descobriu e assim pode tomar os devidos cuidados, que consistem realmente em prevenir o coco na alimentação ou o contato, pois como relata, em alguns casos realmente simplesmente tocar pode desencadear a reação alérgica. Uma alergia é uma reação do corpo a uma proteína que para a maioria é inofensiva, mas que indevidamente nossos anticorpos consideram como “um inimigo”, então o sistema imunológico reage de forma inadequada e exagerada, gerando sintomas como você relatou de olhos inchados, em outros casos podem ser olhos lacrimejantes e pruriginosos, corrimento nasal, prurido na pele, erupções cutâneas ou espirros. Cuide bem de seu bebê, também tenho filhos e sei o quanto são valiosos. A minha menina não tem alergias alimentares, mas tem a dipirona.

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    • Nara

      Eu sou alérgica ao côco e castanha do Pará. Também fico igual sua bebê, toda inchada, língua pinicando, coceira na garganta e no ouvido, olhos inchados e respiração difícil.

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  • Danyela

    Boa noite Marco.
    Tenho uma filha de 5 anos que foi APLV e alérgica múltipla, reagia a ovos, leguminosas, oleaginosas, frutos do mar, banana e coco.
    Está quase 100% curada, porém tive outro bebê, tem 4 meses e infelizmente seguiu as mesmas alergias da irmã. A reação ao coco é uma das mais severas nele. Descobri hoje que todos os shampoos e sabonetes líquidos que tenho aqui em casa tem coco-glucoside na composição.
    E ele está reagindo, é muito difícil pq são as principais marcar no mercado para uso em bebês.
    Além dos meus filhos tenho um amigo próximo que também é alérgico a coco.
    Vc saberia me dizer onde posso achar mais informações a respeito?

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    • Marco Túlio Bertolino

      OI Danyela, realmente são raras as informações e a literatura técnica especificamente para alergia por coco, justamente por não terem tantas ocorrências quanto outros agentes, até por isso, veja que nem entrou na lista de alergênicos na legislação nacional, ou seja, ele não aparece com indicação de “alergênico”, porém, está na lista de ingrediente e é importante que como no seu caso, sempre se dê uma atenção a isto, acredito que já faça. Mas como no seu caso, ha outros relatos, os comentários aqui no artigo tem demonstrado isso. Contudo, como em toda alergia, é preciso evitar o agente que desencadeia o processo (o corpo identifica este “agente” como um inimigo e reage abruptamente, desencadeando a reação alérgica), não só coco como alimento e ingrediente para seu bebê, mas pelo que entendi também como cosmético, e o óleo de coco (que pode carrear alguma proteína) realmente é intensamente usado nisso, pois tem muitas propriedades que o tornam útil a esta finalidade. Cuide bem de seu bebê, rs.

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  • Mari

    Tenho a dermatite atòpica,estava em crise,mas, estava melhorando, achando eu que o coco seria inofensivo e por gostar muito comprei para comer, adoro!!! Jesus.. piorou na mesma,minhas mãos caçavam muito, ficaram em carne vivas,doendo,até o pescoço que estava sarado,começou a coça,foi aí que fui pesquisar sobre o coco.

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    • Marco Túlio Bertolino

      Mari, para qualquer alergia, veja que curioso, um alimento que e inofensivo para muitos é identificado pelos anticorpos de alguns “sortudos” como um problema, daí o corpo reage bruscamente trazendo sintomas alérgicos. Sabendo qual é o alimento que desencadeia o processo, a regra é evitá-lo, inclusive olhando rótulos de alimentos para saber se não podem estar presentes como ingredientes. É sempre, também, indicado conversar com um médico sobre estes casos!

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  • Louri

    Boa tarde! Acho tão estranho. Nunca tive alergia a frutas ou algumas frutas e agora comecei a ter. Minha garganta resseca quando como melão, agora comecei a ter bebendo constantemente água de coco. Fora outros que comecei a desenvolver isso. Porque muitos desenvolvem com uma certa idade, mais velhos? Está relacionado ao sistema imunológico que muda com a idade? Ou é algo de família, mas que começa a desenvolver com certa idade?

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    • Marco Túlio Bertolino

      Oi Louri, o mesmo aconteceu comigo, depois de certa idade desenvolvi alergia a kiwi, fico todo empolado, e era algo que cu consumia sem problema. Há vários fatores, todos associados justamente com os pontos que vc levanta, como genética, pré-disposição, reações adversas do sistema imunológico, algumas surgem com o tempo, mas não só isso, algumas aparecem em crianças, desaparecem com a idade.

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  • Nara

    Boa noite dr. Sou alérgica ao côco e castanha do Pará. Quando eu não sabia e comia, ficava toda inchada, comichão na língua, na garganta e nos ouvidos, coceira e inchaço nós olhos e respiração difícil. E uma pena isso não ser considerado um alérgeno.

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    • Marco Túlio Bertolino

      Muitas castanhas oleoginosas podem ser alergênicas, nos EUA caem todas no grupo de “nuts”.

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