Cultura de Protagonismo (Accountability) na Indústria de Alimentos

5 min leitura

A disciplina é um fator crítico e decisivo para o sucesso do Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos. Usada da maneira certa, a disciplina estabelece o compromisso de uma organização na aplicação das regras e nos procedimentos para manter a consistência, transparência e qualidade, incentivando e engajando os colaboradores a estarem sempre atentos em relação às normas e aos procedimentos de segurança, especialmente quando se envolvem em tarefas de alto risco.

Já a disciplina punitiva, aplicada de maneira errada ou na hora errada, pode prejudicar a segurança e a cultura de alimentos. É o que chamamos de “dilema da disciplina”, e se torna mais aparente quando se concentra no fracasso, em vez de se promover o sucesso.

Quando se trata de promover fortes resultados, o foco deve estar em assegurar que as pessoas tenham as competências e as ferramentas necessárias para trabalhar na garantia da segurança dos alimentos. Isso significa que a disciplina deve ser usada para gerar responsabilidade sobre o desempenho e elevar a performance em Food Safety.

Em organizações que se destacam, todos são responsáveis pela qualidade e a segurança de alimentos!!

Os líderes podem basear-se em três princípios para promover a responsabilidade em sua organização: contexto, direção e rastreamento.

Contexto: ajudar as pessoas a entender o seu papel estratégico dentro da cadeia de segurança na organização. O papel da liderança é modelar os comportamentos desejados e criar um ambiente e uma cultura nos quais os colaboradores possam trabalhar para promover a segurança de alimentos. Em tal cultura, os colaboradores comprometidos, além das regras estabelecidas, compartilham, discutem problemas e colaboram com ideias juntamente com os parceiros de trabalho sobre questões estratégicas de Food Safety. O papel desses líderes é promover boas práticas, fornecer feedback, apoiar e reconhecer os colaboradores que possuem e propagam a disciplina. O contexto também cria responsabilidade ajudando as pessoas a entender como o alto desempenho dos processos as beneficia.

Direção: trata-se de ajudar as pessoas a desenvolver e atingir objetivos claros que se vinculem às metas de Food Safety na organização. Toda a liderança precisa ter objetivos de Food Safety claros e específicos. Espera-se que os colaboradores da linha de frente sigam as regras e os procedimentos e participem ativamente dos programas de qualidade e segurança de alimentos estabelecidos.

Rastreamento: medir o desempenho em relação aos objetivos por meio de processos de monitoramento e sistemas de suporte bem projetados, simples e eficazes. O rastreamento exige que os líderes garantam a eficácia dos processos e sistemas e usem os dados coletados para fornecer feedback de sucesso e orientação. É importante concentrar o rastreamento nas informações, e não na opinião. As métricas geralmente desempenham um papel nisso, mas as informações sobre os comportamentos observados ou relatados também são importantes.

Os três princípios estabelecidos e associados promovem aos líderes uma base sólida quanto à responsabilidade pela cultura de segurança de alimentos, vinculada à disciplina e à transparência.

A indústria 4.0 traz um novo cenário onde devemos nos reinventar e nos modelar para atender a uma onda altamente tecnológica e conectada. Isso impacta diretamente o perfil das lideranças nas organizações. Gestores são fortemente desafiados para inovar, motivar e gerir de forma assertiva, focando o desenvolvimento dos seus colaboradores e lidando com as responsabilidades e as circunstâncias das novas mudanças. As lideranças precisam mudar o velho pensamento cartesiano para uma mentalidade exponencial caso elas queiram sobreviver em um mercado complexo e em transformação.

Ascensão da alta tecnologia, surgimento de novas gerações e a instabilidade econômica permitiram e exigiram a criação de modelos de negócios mais inovadores com atuação mais ágil. Nesse cenário um conceito começou a ganhar força ocupando espaços na cultura das organizações pelo mundo todo, a cultura de accountability, fundamental para o sucesso das organizações, o fio condutor dos negócios.

Sem ainda uma tradução fiel para o português, o accountability fala de uma cultura de responsabilidade, protagonismo, autonomia e coragem. Responsabilização pelos seus comportamentos e atitudes, responsável pelo seu desenvolvimento e compreensão da sua atuação diante das vitórias e derrotas tomando como pontos vitais de crescimento, reconhecendo e assumindo todos os sucessos e insucessos a frente de suas atividades.

Segundo o autor de Accountability: The Key to Driving a High-Performance Culture, Greg Bustin: “Quando bem vivida a cultura de accountability nas organizações, a confiança, o engajamento, o senso de pertencimento é facilmente percebido e o crescimento da receita e do lucro é consistente.

Segundo ele, cria-se um DNA de propósito, responsabilidade e realização. O líder tem um importante papel para auxiliar e dar suporte na transição do velho modelo mental de comando e controle para o de construtivismo, que apoia a evolução da carreira de todo o time. Empatia, capacidade de saber ouvir, dar feedbacks e colaboração são competências mais apreciadas para desenvolver o que chamamos de um líder accountable. Esse profissional deve acompanhar o progresso dos liderados, analisando o seu desempenho, o engajamento e protagonismos, impulsionando-os para o seu desenvolvimento, colaboração e conexão, trabalhados diretamente alinhados à missão e visão da organização.

Proatividade, engajamento, resiliência e visão estratégica são apenas alguns exemplos de atribuições buscadas pelas organizações e é nesse quesito que entra a palavra accountability.

Pessoas accountable possuem um enorme valor para as organizações, pois são profissionais que cumprem a palavra, entregam o que prometem e assumem a responsabilidade voluntariamente. Estamos falando da responsabilidade como um comportamento intrínseco.

E quais as dicas para se tornar um profissional accountable?

Primeiramente é necessário mudar o modelo mental, sair do vitimismo e entrar no protagonismo. Demonstrar um profundo engajamento, ter senso de pertencimento, ser uma liderança inspiradora, trabalhar com objetivos e metas claras, rever as práticas existentes e correlacionar com a congruência. Realizar menos julgamentos e utilizar mais encorajamentos, desenvolver uma postura de líder coach e líder mentor com o uso de ferramentas para ajudar nos negócios. Ser o fio condutor da excelência e possuir uma forte clareza da estratégia e consciência dos resultados sabendo que tipo de conduta é esperado deles.

A cultura de accountability permeia forte atitude ágil de resolução de problemas e implementação de estratégias com rapidez e a abertura quanto aos fracassos cometidos e responsabilidade assumida bem como a capacidade de aprendizado com os erros vividos.

Cada empresa tem suas práticas de gestão de pessoas para promover o accountability, mas uma coisa é certa: quanto mais engajado o colaborador estiver com a missão e a estratégia, mais este vai contribuir com inovações para manter e elevar os resultados e a sustentabilidade de negócio. Entre outras palavras, accountability significa não esperar as ordens virem de seus superiores, mas sim tomar as atitudes necessárias para resolver os problemas, assumir suas responsabilidades. É fundamental ter em mente que, para obter os resultados desejados, é preciso ir além do que é esperado.

Em oposto ao comportamento de protagonistas, temos os profissionais que não assumem as próprias ações: os vitimistas ou em novos termos, o próprio desculpability. Colaboradores que agem com modelo mental de dar desculpas e culpar os outros, transferindo também responsabilidades, o que torna-se parte permanente da personalidade da pessoa. Quem age assim reclama de tudo, não colabora em nada, tem que ser empurrado, entrega resultados parciais e, diante de cenários difíceis, não consegue ver luz no fim do túnel. Por outro lado, quem convive com pessoas assim, em casa ou no trabalho, sofre muito e trabalha mais do que deveria porque, além de fazer a sua parte, também tem que fazer a do outro. O desculpability existente pode ser neutralizado com o modelo mental da cultura de accountability, a virtude moral que nos faz pensar e agir como dono e entregar resultados excepcionais.

Inspirar-se, reunir energias e assumir o próprio papel na empresa são comportamentos que ajudam a encontrar melhores resultados e superar qualquer desafio que possa aparecer.

Fontes:

https://foodsafetytech.com/news_article/the-accountability-factor-in-food-safety-culture/

https://ise.org.br/blog/voce-anda-cultivando-sua-accountability/

https://www1.folha.uol.com.br/empreendedorsocial/colunas/2015/09/1685881-desculpability-uma-barreira-para-a-alta-performance-de-gestores.shtml

 

 

21 thoughts on

Cultura de Protagonismo (Accountability) na Indústria de Alimentos

  • Teresa

    Excelente artigo! Objetivo e vai na “ferida”. Parabéns.

  • GLEICIANE RODRIGUES BARBOSA

    muiiiiiiiiiito bom. parabéns

  • Noélia Figueiredo

    Que leitura.
    Excelente texto, vai de encontro a tudo q penso sobre gestão especialmente na gastronomia.

  • Rosângela Gomes

    Excelente artigo!

  • Marjorie Alves

    Excelente texto!

  • Amanda Almeida

    Excelente texto!! Hoje em dia esse tipo de modelo será cobrado em muitas empresas, pois todos são protagonistas dos resultados. Um Líder deve ter disciplinar muito bem seus liderados, torna-los responsáveis pelos seus atos e protagonistas dos resultados, deixando de lado o vitimismo. Ser protagonistas é ter seus objetivos e metas alcançados, e uma maior segurança e qualidade dos alimentos.

  • Thayná Duarte dos Anjos

    Exatamente isso, um bom líder sabe ser protagonista e se destaca cada vez mais com bons resultados. Ao contrário dos vitimistas que se colocam em posições inferiores com atitudes que muitas vezes poderiam ser responsáveis e diferentes.

  • Talita Uchoa

    Ótimo texto! Acredito que a disciplina é fundamental em qualquer organização. Os princípios de contexto, direção e rastreamento são super necessários para uma liderança assertiva. Coincidentemente, hoje em reunião na empresa falamos sobre a importância de cada um assumir suas responsabilidades e ações, pois dessa forma encaramos nosso papel e temos um resultado satisfatório para todos, melhorando sempre o desempenho da equipe.

  • Mariane Martins

    Pessoas accountable têm comprometimento, senso de responsabilidade, são conscientes de seu papel, agem de forma proativa e encaram os desafios, características fundamentais para o sucesso dos resultados das organizações.

  • Michelle Facundo

    Maravilhoso! Bem verdade que uma pessoa que só reclama sempre deixa o trabalho para o outro, e o trabalho em equipe não funciona. É necessário analisar cada colaborador e entender onde o mesmo se enquadra nas atividades..

  • Marcela Andrade

    Texto esclarecedor, que nos ajuda a tirar a mentalidade de que liderança seria sinônimo de autoritarismo e hierarquia. O líder, na verdade, é quem acolhe e guia, instruindo o colaborador na direção correta para que toda a empresa colha bons resultados.

  • Amanda Brandão

    Texto brilhante! Hoje a realidade é essa, pois antes o líder apenas mandava e o colaborador obedecia e hoje não, o líder pergunta, escuta, interagi e discuti assuntos importantes com o colaborador para manter e elevar os resultados positivos para o sucesso do Sistema de Gestão de Segurança de Alimentos.

  • Dayane kétia

    Excelente Artigo! E é exatamente da forma que penso sobre autonomia que os lideres devem ter , e que muitas vezes tem mais pela a politica que já vem trabalhando meio que se torna dificil cumpri-las. a cultura de accountability, não só é uma melhoria para as organizações mais também uma melhor qualidade profissional como um todo.

  • José Macêdo Neto

    Texto interessante, professor. Vai de encontro com o que foi abordado na segunda metade da aula anterior. Acho que quando o colaborador possui senso de pertencimento na empresa, ele executa suas funções com mais zelo e gera resultados desejados, podendo até entregar além do que foi estabelecido como meta. Como exposto no texto, para tal é necessário uma liderança que crie o contexto adequado, fornecendo subsidio e fomento à cultura de responsabilidade e protagonismo perante os processos e as atitudes desejadas sobre os mesmos. Aliado a isso deve existir monitoramento da postura do colaborador perante os processos e mecanismos de suporte para embasar o tipo de feedback a ser dado.

  • Samara Braz

    Excelentes colocações! Diante do atual cenário, é fundamental desenvolver o papel de protagonistas, solucionar problemas e tomar iniciativas. Com toda a mudança que ocorre rotineiramente na indústria de alimentos, é preciso adotarmos esse modelo.

  • Tereza Raquel Tavares

    Excelente post!
    Vejo que futuramente a Food Safety como cultura dentro da organização será um requisito (até mesmo para a busca de certificações internacionais), sendo assim, se for possível controlar a segurança dos alimentos e suas expectativas, logo será possível “controlar” o comportamento daqueles que produzem os alimentos. Antes de ler o post, eu não tinha conhecimento a respeito dos 3 princípios para promover a responsabilidade na organização (contexto, direção e rastreamento), para mim, fez todo o sentido. E toda a explicação sobre o termo “accountability” é bem esclarecedora. Hoje em dia, por estarmos inseridos no mundo VUCA, aumenta ainda mais a necessidade de um líder protagonista. E estas informações do post me trouxe mais conhecimento sobre isso.

  • Thayna Ribeiro de Almeida

    Assunto bem atual, ótima leitura para quem está querendo ingressar no mercado de trabalho. Este está cada vez mais rigoroso, profissionais com as características accountable sem dúvida tem mais destaque, a empresa e o funcionário ganham com isso, pois a empresa não precisa ficar delegando funções e/ou ações, esse funcionário sabe o que é preciso fazer e toma as rédeas da situação, assim o sucesso de ambos no âmbito profissional é quase certo. É até um ótimo estilo de vida, muitas vezes procuramos desculpas enquanto deveríamos buscar as respostas e mudar a situação.

  • Alyne Feitosa Cavalcante de Sousa

    Comprometimento no trabalho significa ser leal aos propósitos da empresa, respeitando os acordos por meio de metas e objetivos, profissionais comprometidos empenham-se e dedicam- se mais trabalhando com mais qualidade.
    Comprometimento é importante tanto no âmbito pessoal, quanto no profissional, ser o verdadeiro protagonista depende completamente de como você enxerga a si mesmo, seus valores e os seus objetivos.

  • DANIEL SILVA LIMA

    Excelente artigo! É possível visualizar quase tudo em um mesmo ambiente de trabalho de maneira até fácil, digamos assim. Um dos grandes desafios dos gestores é justamente o de manter a equipe motivada e, principalmente, mudar o comportamento dos desculpability e evitar que os demais colaboradores entrem no mesmo barco. Como na vida real não dá para jogar com seu controle e o do “amiguinho”, faz-se necessário arregaçar as mangas e buscar ser proativo, saber lidar com as personalidades que só visualizam a negatividade e que buscam as desculpas ao invés da solução para os problemas. Uma equipe motivada, que sabe para onde caminhar e quais objetivos buscam, é uma equipe que irá prosperar, e caso não venha em curto a médio prazo, ela se reinventará para identificar onde o erro está acontecendo e sanar os problemas, voltando firme e forte para a disputa do mercado consumidor.

  • Thalyta Vasconcelos

    O artigo se encaixa perfeitamente no cenário atual, onde o protagonismo dos líderes trás excelentes resultados para toda a cadeia de produção, levando a melhorias nos resultados. Uma vez que, um líder protagonista não lidera sozinho, ele se coloca na posição de guiar seus colaboradores a entender que todos são responsáveis por levar as organizações a excelência.

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